Últimos Posts:

Últimos posts

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

[Leis morais] A Lei Divina ou Lei Natural

Conforme tratamos no post anterior, damos agora início ao estudo das Leis Morais.

Iniciaremos hoje tratando sobre a primeira delas: a Lei Divina ou Lei Natural.

"614. O que se deve entender por lei natural?

— A lei natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ela lhe indica o que ele deve fazer ou não fazer e ele só se torna infeliz porque dela se afasta.
"

A Lei Natural é a lei que corresponde ao que é necessário para que o homem seja feliz.

E para que o homem seja feliz, é necessário que faça o bem. Todo aquele que pratica o bem segue essa lei e se aproxima mais de Deus. Essa aproximação lhe provê uma maior felicidade do que já havia experienciado antes.

Quanto mais consegue se dedicar à prática do bem, mais se aproxima do Criador e mais feliz se sente.

Todavia, o caminho oposto também é verdadeiro: quando pratica o mal, o homem afasta-se de Deus, e isso lhe causa sofrimento.

E é por isso que quanto mais nos afastamos do bem, sentimos um crescente vazio existencial. Tentamos, ignorantemente, preencher esse vazio com a felicidade ilusória proporcionada pela matéria: comida, bebida, sexo desenfreado, drogas, dinheiro, poder, etc.


Alguns defendem o materialismo, dizendo que essa é uma felicidade verdadeira e palpável. Mas se observarmos com atenção, perceberemos que:

- Após comermos até nos empanturrar, logo após a sensação de saciedade não nos acompanha uma sensação de culpa? Poucas horas após, não nos sentimos vazios e já saímos novamente em busca da mesma experiência, ansiando os poucos minutos de satisfação que isso nos trás?

Não se procede da mesma maneira com a bebida? E com o sexo desenfreado? E a drogadição, não é fruto do mesmo ciclo vicioso, porém com o agravante da dependência química?

- Se o dinheiro trouxesse tanta felicidade quanto se pensa, porquê tantas celebridades sofrem de depressão? Porquê tantos famosos recorrem ao uso das drogas? Se o dinheiro trouxesse toda a felicidade de que necessitamos, nenhum deles ficaria depressivo e nem precisaria anestesiar-se nas drogas.

Não se procede da mesma forma com o poder? Muitos poderosos enlouquecem, enfrentam o estresse, a depressão e até chegam a cometer o suicídio. Essa é a postura de uma pessoa feliz?


Porquê nos sentimos culpados quando nos afastamos do bem? Porquê sentimos esse vazio existencial, mesmo quando não conhecemos a Lei Divina?

Porque a Lei Divina está impregnada na consciência de cada um, desde a criação de sua alma a milênios atrás. Não obstante, durante a história da humanidade diversos sábios e profetas vieram nos relembrar da Lei Divina:

Buda, Confúcio, Lao Tsé, Moisés, Krishna, Francisco de Assis, só para citar alguns nomes famosos, nos trouxeram esse conhecimento. E principalmente, o maior expoente do bem na face da Terra: Jesus.

"625. Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?

— Vede Jesus.

Comentário de Kardec: Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.

Se alguns dos que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes se desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que eram apenas leis humanas, instruídas para servir às paixões e dominar os homens.
"


 Em todos os tempos, Deus enviou seus emissários a fim de nos lembrar de sua lei, para que pudéssemos segui-la e alcançar a felicidade.

Deste modo, possuíndo a Lei Divina em nossa consciência, temos a noção da linha que divide o bem e o mal. Como se isso só não nos bastasse, temos ainda a nossa inteligência, que permite analisar as situações e diferenciar claramente o certo e o errado.


"630. Como se pode distinguir o bem do mal?

— O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

632. O homem, que é sujeito a errar, não pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem quando em realidade está fazendo o mal?

—Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos enganareis.
"


 Podemos ver que Deus deu ao homem todas as condições para diferenciar o bem e o mal.

O homem só pratica o mal porque sucumbe ao caminho fácil e ilusório. Mas não existe nenhum mal que seja irresistível, se o homem escolhe este caminho é porque não teve desejo suficiente de escolher o caminho do bem.

Todos podemos escolher o caminho do bem à qualquer momento, bem como tropeçar no caminho do mal em qualquer instante. Tudo depende exclusivamente de uma única coisa: nossa vontade.


"633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele, na lei natural, a regra desta conduta e um guia seguro?

— Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que. diz: chega!, evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.

634. Por que o mal se encontra na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em melhores condições?

—Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. (Ver item 115.) Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. E necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo. (Ver item 119.)
"


Podemos encerrar este estudo com a questão 642 de O Livro dos Espíritos:

"642. Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?

— Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
"


 Se você está sentindo essa tristeza, essa solidão, esse vazio interior, não procure nas coisas materiais. Só o que pode preencher esse vazio da alma é a presença Divina, e o único meio de lhe lograr é através da prática do bem.


Esperamos que este estudo tenha sido esclarecedor. Deixamos a área de comentários à disposição para as dúvidas dos nossos leitores.


Leitura complementar: A Lei Natural (em O Livro dos Espíritos)


Todos os posts da série Leis Morais:

- Falando sobre as Leis Morais
- A Lei Divina ou Lei Natural
- A Lei de Adoração
- A Lei do Trabalho
- A Lei de Reprodução