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sábado, 31 de maio de 2014

Onde está a felicidade?

Ocorreu-me a idéia de compilar frases de várias personalidades sobre a felicidade. O resultado pode ser contemplado abaixo:

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você."
Mario Quintana

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho."
Mahatma Gandhi

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."
William Shakespeare

"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
"
Mario Quintana

"A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos."
Arthur Schopenhauer

"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."
Leon Tolstoi

"A alegria não está nas coisas, está em nós."
Johann Goethe

"Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros."
M. Taniguchi

"A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados."
Victor Hugo

"O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros."
Alexandre Herculano

"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."
Madre Teresa

"O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele."
Arthur Schopenhauer

"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm."
Voltaire

"A felicidade não se encontra nos bens exteriores."
Aristóteles

"Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz."
Abraham Lincoln

"A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido."
Marxwell Maltz

"A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade."
Immanuel Kant

"Não busque a felicidade fora, mas sim dentro de você, caso contrário nunca a encontrará."
Epíteto

"A felicidade não depende do que você é ou do que tem, mas exclusivamente do que você pensa."
Dale Carnegie

"As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo."
Epicuro

"Quem não encontra a felicidade em si mesmo, é inútil procurá-la em outro lado."
François La Rochefoucauld

E por fim, os últimos desejos de Alexandre O Grande:

"Quando à beira da morte, Alexandre convoca seus generais e seu escriba e relata a estes seus 3 últimos desejos:

1 – Que seu caixão seja transportado pelas mãos dos mais reputados médicos da época;
2 – Que sejam espalhados no caminho até seu túmulo, seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas…);
3 – Que suas duas mãos sejam deixadas balançando no ar, fora do caixão, a vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, pergunta a Alexandre a razão destes. Alexandre explica então:

1 – Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão, para mostrar aos presentes que estes NÃO têm poder de cura nenhuma perante a morte;
2 – Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3 – Quero que minhas mãos balancem ao vento, para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos, de mãos vazias partimos.
"

Podemos então perceber que pessoas de países diferentes, épocas diferentes e até mesmo graus de instrução diferentes chegaram em um grau de entendimento muito similar sobre a felicidade.

Em resumo, dizem todos que a felicidade é algo que está dentro de nós: é amar, compartilhar os bons momentos, ajudar, fazer aos outros felizes e por fim, perceber que nossa postura diante da vida, nossa maneira de pensar e de agir é que traz a felicidade para nós. Procurá-la fora disso é em vão.

Fica a reflexão!



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Comentário sobre o post: "O ponto de vista"

A explanação que Kardec faz no texto O ponto de vista nos faz refletir sobre a posição do homem aqui na Terra. Mais ainda, nos faz pensar nos objetivos pelos quais estamos aqui.

Imaginemos um ator. Esse ator, em diferentes filmes interpretará diferentes personagens. Em cada filme é como se o ator fosse o próprio personagem. Mas enquanto interpreta, por mais que viva momentaneamente aquele personagem, ele sabe que não é o próprio.

De forma semelhante, acontece com o espírito. Em cada encarnação assumimos uma identidade. Seja Felipe, Daniel ou João, essas são apenas identidades passageiras que o mesmo espírito assume. A grande diferença é que o ator interpreta um personagem inventado por outra pessoa, enquanto que o espírito interpreta a si mesmo.

E o que isso quer nos dizer?

Devemos sempre lembrar que estamos aqui na Terra vivendo uma das muitas encarnações que já tivemos. Nosso único objetivo é progredir moralmente e intelectualmente, sendo ainda a moral mais importante do que o eruditismo.

Isso não quer dizer que devamos largar tudo e entrar para um mosteiro. Isso quer dizer que devemos sempre olhar as coisas por essa perspectiva, como nos esclarece Kardec no texto citado.

Enquanto estamos na Terra, precisamos das coisas materiais para viver. É fundamental ter um trabalho, que nos proporcionará ter uma casa, um pouco de conforto e talvez até uma leve dose do supérfluo. Mas isso não deve ser o objetivo principal de nossa vida. Isso é apenas a cela sem a qual o cavaleiro não pode montar em seu cavalo.

Da mesma maneira que não sobrevivemos sem comida, mas não vivemos para comer, o mesmo ocorre com todas as coisas materiais. São instrumentos temporários dos quais nos servimos, assim como o aluno se serve do caderno e do lápis durante seus estudos.

Viva a vida. Trabalhe, conquiste as coisas. Divirta-se. Mas não esqueça de que a nossa estadia tem dias contados. Não deixe de cumprir com o objetivo principal: evoluir.

Portanto, não nos esqueçamos de procurar aproveitar todas as ocasiões de ajudarmos ao próximo.
Não nos esqueçamos de tratar ao próximo da mesma forma como gostaríamos de ser tratados.
Não esqueçamos de reconhecer quando erramos, pedir desculpas e procurar mudar.
Não esqueçamos de perdoar e dar uma nova chance a quem erra conosco.
Não esqueçamos de aproveitar as oportunidades para expressar o nosso amor, e porque não para fazer novas amizades?
Não esqueçamos, por fim, de que a vida é passageira e breve. Nosso tempo não deve ser desperdiçado.

Tudo isso Jesus já nos explicou a mais de dois mil anos atrás. Quando tentaremos entender?

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mt 6:19-21).



quarta-feira, 21 de maio de 2014

O ponto de vista

"5 – A idéia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem conseqüências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe abranda as amarguras.

Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de todos os instantes.

Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe parece pequeno.

Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura: a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se esfalfam para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim que  importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na vida futura.  

6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra, tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a retire para não ser picada. Ora, a procura do bem estar força o homem a melhorar todas as coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.

Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.

Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.

7 – O Espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.
"

sábado, 17 de maio de 2014

Palestra: Raul Teixeira - Espalhamento Obsessivo


Essa é uma palestra antiga mas que gosto muito. Raul Teixeira nos explica com facilidade e objetividade todos os mecanismos da obsessão, respondendo a muitas dúvidas dos iniciantes na Doutrina Espírita.

O vídeo está dividido em duas longas partes, repletas de ensinamentos:







quarta-feira, 14 de maio de 2014

Tudo acontece no momento certo

O ser humano em sua maioria vive em uma realidade imediatista, do tipo "eu quero e quero agora".

Uma das causas disso é o ritmo da vida moderna repleta de tecnologia e respostas rápidas para tudo. O mundo globalizado está sempre com pressa e se torna "necessário" que tudo esteja pronto "para ontem".

Além das influências do meio, há também a nossa dose de impaciência.

E disso acarreta uma das mais famosas reclamações:

- Porque as coisas não acontecem como e quando queremos?

Para chegarmos nessa resposta precisamos avaliar dois importantes pontos:

1 - Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance?

É muito fácil reclamar sem fazermos nada para atingir os nossos objetivos. Quantas pessoas conhecemos que vivem dizendo "quero comprar um carro, mas não consigo" e que em vez de economizar para atingir ao seu objetivo ficam esbanjando em outras coisas menos importantes?

Ou então aquele que reclama por não passar no vestibular, mas em vez de estudar usa o tempo para festas e outras distrações, ou se estuda, será que tem estudado o suficiente para superar a pontuação dos outros candidatos?

Não há como as coisas acontecerem sem que façamos a nossa parte. Nada cai do céu, nem mesmo se passarmos dias e dias rezando. Para tudo é necessário o nosso esforço e a nossa dedicação.

Quanto maior é o objetivo, maior será a determinação necessária para atingi-lo.

2 - Será que o momento é realmente o melhor para que isso aconteça?

Algumas pessoas acreditam no conceito de "destino". Na visão espírita, sabemos que todos os grandes acontecimentos tem uma época planejada para acontecerem (de maneira a colaborar com o nosso aprendizado) e que todos esses acontecimentos são influenciados por nossas escolhas e ações.

Ou seja, os eventos não estão descritos como itens em uma lista com datas, da qual se é impossível fugir.

Mas sim existem tópicos a acontecer em determinadas épocas, podendo acontecer mais cedo ou mais tarde (talvez nem acontecerem) de acordo com as nossas escolhas e ações.

Agora vamos exemplificar usando um caso que aconteceu a pouco.

Um grande amigo meu queixava-se de nunca conseguir comprar um imóvel na praia (sonha a anos com isso). Só que recentemente, logo após trocar de carro, ele foi demitido da empresa em que trabalhava. Aí então eu lhe perguntei: "E se tu tivesses comprado o apartamento na praia e trocado de carro, o que faria agora (após ser demitido)?" e ele me respondeu: "Teria de me desfazer de um dos dois".

Teria sido o melhor momento para ele se tivesse comprado o imóvel neste ano? Não estaria agora repleto de preocupações, problemas e dívidas?

Deus sabe o que é melhor para nós e em qual momento. Muitas vezes algo é adiado por razões que não conseguimos compreender, mas que mais tarde passam a fazer o maior sentido.

Conclusão:

Como dizem os chineses, a vida é um rio cheio de curvas e por mais que tentemos, não conseguiremos deixar esse rio reto. O que devemos fazer é seguir o curso sinuoso do rio com paciência e aproveitando a paisagem que cada uma das curvas tem a nos oferecer.

Ou seja: na vida, nem tudo acontece no momento em que queremos que aconteça. Mas podemos ficar tranquilos, se estivermos fazendo a nossa parte, cedo ou tarde atingiremos o nosso objetivo. O momento certo um dia chegará.

sábado, 10 de maio de 2014

Participação em conflitos

Desde que o ser humano pisou pela primeira vez neste mundo, sempre houveram guerras, brigas e disputas.

A imaturidade do raciocínio aliada ao instinto de sobrevivência fez com que tudo se resolvesse da maneira mais objetiva e rápida possível: o combate.

Os tempos passaram e ainda hoje se mantém um apego aos combates, sejam eles físicos ou psicológicos.

Já falamos da violência física a poucos dias (neste post).

Hoje vamos falar da violência emocional.

É comum vermos conflitos acontecendo por todos os lados: nas famílias, no trabalho, no trânsito, os filhos com os pais, os pais com os filhos, etc.

Em certos casos é inevitável entrar em um conflito (diferença de opiniões) para se chegar a uma solução. Isso não podemos negar (apesar de ser possível fazer isso da maneira mais suave possível).

Vamos nos deter falando daqueles conflitos desnecessários.

A maioria dos conflitos desnecessários se dá devido ao orgulho das pessoas, que ao mínimo sinal de ofensa já contra-ataca para "se proteger" da difamação.

O que ocorre então é que vemos uma troca descabida de ofensas, sempre iniciada por motivos banais.

Por que essa insistência em estarmos sempre ofendendo, dando indiretas e soltando farpas para provocar as outras pessoas?

Por que essa insistência em rebatermos todas as vezes que alguém tentar nos ofender?

Lembram do velho ditado: "se um não quer, dois não brigam"?

Acontece exatamente assim. Se ninguém alimentar o agressor, esse ficará falando sozinho até cansar-se.

E nos conflitos de terceiros, em vez de botar mais lenha na fogueira, procuremos apaziguar e conciliar as partes.

Os conflitos não são bons para ninguém.

A felicidade não é compatível com conflitos.

A felicidade é compatível com a paz.

Portanto, só teremos felicidade quando nos libertarmos dessas mesquinharias.

Busquemos então uma postura mais humilde. Busquemos ser uma pessoa que não se sente ferida diante das afrontas, que não se inflama com as ofensas e que não se importa se está "bem cotada" ou "mal cotada" na boca do povo.

Procuremos agir de maneira mais correta possível e preocupemo-nos menos com as opiniões de terceiros e mais com a nossa própria consciência.

Usemos nossa energia para coisas boas, edificantes e paremos de nos desgastar nessas batalhas que não levam ninguém a lugar nenhum.

Fica a reflexão.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As mudanças aparentes e as mudanças reais

Desde o início do blog estamos falando sobre mudanças. Mudar é a palavra chave para todo espírita e para todo aquele que deseja tornar-se uma pessoa melhor.

Mas como já é de se esperar, existem alguns enganos pelo caminho.

Algumas vezes não compreendemos corretamente as lições. Ou simplesmente não conseguimos colocá-las em prática da maneira certa.

É um problema errar? Definitivamente não. O problema é persistir no erro.

Partindo então desses equívocos, podemos perceber que em alguns casos realmente mudamos, sendo que em outros nós só aparentamos ter mudado. Vamos ver alguns casos.


- Raiva / ódio

Suponhamos então que somos pessoas que temos ataques de raiva e um ódio constante por tudo e por todos.

Se nós procurarmos ficar quietos em vez de chingar, ficarmos parados em vez de agredir, aparentaremos ter mudado.

Mas e por dentro? Como estarão nossos sentimentos nesse momento?

A mudança só será real quando, em uma situação de conflito ou de extremo estresse, conseguirmos não só manter o nosso exterior calmo, mas também o nosso interior.

A pessoa que aparenta ter mudado estará pensando: "mas que raiva, esse desgraçado vai ver, vai pagar por isso, ele que aguarde que a minha vingança será fria e calculista".

A pessoa que realmente mudou estará pensando: "aposto que ele está tendo um dia ruim e infelizmente está descontando em mim. Por mais que esteja me ofendendo sei que não devo levar isso em consideração porque ele está alterado. Acho melhor encerrar o assunto me dando por vencido e em outro momento, com calma, conversaremos melhor".



- Vida desregrada / vícios / excessos

Nos imaginemos agora em um quadro de vida completamente desregrada, repleta de vícios e excessos de toda a sorte.

Portadores então dessa postura, vivemos gabando-nos de nossas aventuras, de tudo aquilo fazemos e achamos que é bonito e certo. Não obstante, ainda incentivamos os outros a nos acompanharem e realizarem feitos do mesmo naipe ou até mesmo mais ousados.

Certo dia então, decidimos mudar e nos calamos. De nossa boca só saem assuntos amenos. Nada de aventuras e farras.

A pessoa que aparenta ter mudado, apenas parará de comentar, mas continuará com seus velhos e adorados maus hábitos, em segredo.

A pessoa que realmente mudou, não só mudou o seu discurso como também faz um grande e contínuo esforço para ficar distante da vida torta que levava antes.



- Diferentes posturas em diferentes lugares (ou "os pseudo-santos")

Nos imaginemos agora como aquela pessoa que tem frequentado a doutrina espírita (ou qualquer outro grupo filosófico/religioso) e decide então mudar sua conduta.

Na sociedade espírita (ou em qualquer outro círculo social), agimos como verdadeiros anjos encarnados: somos puro amor, bondade e boa vontade. Todos nos amam e não sabem como que as pessoas da nossa família podem não gostar de uma pessoa tão maravilhosa.

Mas fora de lá, retiramos a máscara da bondade e somos os mesmos teimosos, implicantes, ranzinzas e reclamões de sempre. Continuamos a nos queixar de tudo e de todos, brigamos por qualquer motivo e nos deliciamos numa boa fofoca.

A pessoa que aparenta ter mudado, só se mostra diferente onde lhe convém, como se adotasse um personagem.

A pessoa que realmente mudou, age de maneira diferente em tempo integral, inclusive quando está sozinha. Incorporou totalmente em si as virtudes que tanto esforçou-se por conquistar.



Porém em alguns casos, a mudança aparente faz parte de um ciclo de mudança.

Imaginemos a pessoa que quer vencer um mau hábito ou vício. É muito difícil que ela mude da noite para o dia, mas ela pode ir gradativamente mudando a sua conduta. Neste caso, ela não está equivocada, está progressivamente modificando-se. O erro estaria em permanecer estacionário no meio do caminho.

Mudança é movimento, é ação. Estar parado é estar estagnado e persistindo no erro.

É fundamental que observemos se nós próprios estamos cometendo esses erros. Se você leu até aqui pensando no Ciclano ou no Beltrano, acabou de cometer mais um equívoco. Devemos nos preocupar com os nossos erros e defeitos, deixando de prestar atenção nos erros e defeitos dos outros (que são de responsabilidade unicamente deles). Elucidar os defeitos alheios não é caridade.



 Precisamos diariamente nos questionar acerca de nossos pensamentos, de nossos hábitos e de nossas atitudes. Precisamos estar sempre atentos aos nossos defeitos e atuando ativamente para corrigi-los.

 Não se muda do dia para a noite. O importante é não estar parado.


sábado, 3 de maio de 2014

Os laços de família

Ao deparar-me com essa leitura, fiquei surpreso como Santo Agostinho trata com facilidade de um tema tão complexo como os laços de família e nos brinda com uma aula sobre a reencarnação.

Merece ser lido e relido!

"9 – A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e revolta sempre os corações virtuosos. Mas a dos filhos para com os pais tem um sentido ainda mais odioso. É desse ponto de vista que a vamos encarar mais especialmente, para analisar-lhe as causas e os efeitos. Nisto, como em tudo, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.

Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai no espaço aperfeiçoar-se ou estacionar, até que deseje esclarecer-se. Alguns, portanto, levam consigo ódios violentos e desejos de vingança. A alguns deles, porém, mais adiantados, é permitido entrever algo da verdade: reconhecem os funestos efeitos de suas paixões, e tomam então boas resoluções; compreendem que, para se dirigirem a Deus, só existe uma senha – caridade. Mas não há caridade sem esquecimento das ofensas e das injúrias, não há caridade com ódio no coração e sem perdão.

É então que, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para os que detestaram na Terra. À vista deles, porém, sua animosidade desperta. Revoltam-se à idéia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem a si mesmos, mas sobretudo a de amar aqueles que lhes destruíram talvez a fortuna, a honra, a família. Não obstante, o coração desses infortunados está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que ele detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir sobre a Terra os destinos desse corpo que vem de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá da maior ou menor persistência das suas boas resoluções. O contacto incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte. Assim, segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato exterior parece justificar. Nada, com efeito, nessa existência, poderia  provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é necessário voltar os olhos ao passado.

Oh!, espíritas! Compreendei neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendei que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que vos está confiada e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe derdes, auxiliarão o seu aperfeiçoamento e a sua felicidade futura. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?” Se permaneceu atrasada por vossa culpa, vosso castigo será o de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então vós mesmos, carregados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis uma nova encarnação, para vós e para ela, na qual a cercareis de mais atentos cuidados, e ela, cheia de reconhecimento, vos envolverá no seu amor.

Não recuseis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou. Uma intuição imperfeita do passado se revela, e dela podeis deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou expiar. Mães! Abraçai, pois, a criança que vos causa aborrecimentos, e dizei para vós mesmas: “Uma de nós duas foi culpada”. Merecei as divinas alegrias que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, ah! Muitas dentre vós, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, provenientes das existências anteriores, entretém e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por uma culposa fraqueza. E, mais tarde, o vosso coração ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, desde esta vida, o começo da vossa expiação.

A tarefa não é tão difícil como podereis pensar. Não exige o saber do mundo: o ignorante e o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, ao revelar a causa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É necessário aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm sua origem no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam os germens desses vícios e dedicai-vos a combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Fazei como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixardes que o egoísmo e o orgulho se desenvolvam, não vos espanteis de ser pagos mais tarde pela ingratidão. Quando os pais tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, se não conseguem êxito, não tem do que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhe será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver cap. XIII, nº 19)

Deus não faz as provas superiores às forças daquele que as pede; só permite as que podem ser cumpridas; se isto não se verifica, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que em lugar de resistir aos maus arrastamentos, neles se comprazem: é para eles que estão reservados o choro e o ranger de dentes, em suas existências posteriores. Admirai, entretanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chega um dia em que o culpado está cansado de sofrer, o seu orgulho foi por fim dominado, e é então que Deus abre os braços paternais para o filho pródigo, que se lança aos seus pés. As grandes provas, — escutai bem, — são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então quando, saído do turbilhão do mundo terreno, entrardes no mundo dos Espíritos, sereis ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da refrega.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria das privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, esmagadas pela ingratidão dos seus. Oh!, é essa uma pungente angústia! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, com a certeza de que, se há longas dilacerações, não há desesperos eternos, porque Deus não pode querer que a sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é necessário não reter o olhar na Terra e não ver apenas uma existência; é necessário elevar-se, pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revela aos vossos olhos, e esperais com paciência, porque explicou a vós mesmos o que vos parecia monstruosidade da Terra. Os ferimentos que recebestes vos parecem simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido: não mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se quebrarem com a reencarnação.

Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa. Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.

SANTO AGOSTINHO, Paris, 1862.
"

(O Evangelho Segundo O Espiritismo, capítulo 14).