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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Desejando paz no Ano-Novo - mas o que é paz?

Neste momento de transição de um ano para o outro, todos vestem-se de branco e desejam a paz.

Mas o que é a paz?

Dirá a grande maioria: é não ter problemas.

Será que é possível viver sem problemas?

Quando olhamos por nossa visão materialista e limitada, pensamos que ter paz é não precisar fazer nada, nenhum esforço: nem físico, nem mental. Todos os problemas exigem esforços de nós, então não ter problemas seria a paz. Mas isso não é paz, é estagnação e preguiça.

A paz não vem de fora, ela deve vir de dentro.

A paz é um estado de espírito. Ela não se refere a como as coisas me afetam, mas sim a como eu deixo as coisas me afetarem.

Vivemos em um mundo cercado de desafios a serem superados, problemas a serem resolvidos, projetos a serem executados e mais um turbilhão de coisas. Torna-se portanto impossível viver sem ser bombardeado pelo ruído que nos circunda.

Dirão os espertos: basta ir viver isolado no meio da floresta, então teremos paz. Mas não percebem que desse modo padecerão pela solidão. Fugir de uma situação não a resolve. A situação só pode ser resolvida quando se lida com ela.

Então só há um modo de ter paz em meio a esse mundo tumultuado: mudando a nossa maneira de agir em relação a isso.

Quando cultivamos em nós a paciência, a bondade, a empatia, a benevolência, a caridade e o amor, todos os problemas se tornam pequenos, porque estamos lidando diferente com o mundo que nos rodeia.

Tudo o que emanamos é o que nos é devolvido (o famoso "colher o que se planta"). Se mandarmos ao mundo lamúrias, reclamações, mau-humor, raiva e intolerância, como esperamos receber de volta algo diferente disso?

Em contrapartida, quando emanamos somente coisas boas, criamos em torno de nós uma atmosfera benéfica e salutar, e com isso as coisas boas nos são atraídas (lembra da clássica frase: "gentileza gera gentileza"?).

Quem torna a sua vida cinza, só verá o mundo cinzento.
Quem colore a sua vida, só verá o mundo colorido e radiante.

Não há como impedir os problemas e tribulações da vida, mas assim como é possível torná-los gigantes (dando importância em excesso a eles), também é possível torná-los pequenos (dando pouca importância a eles).

Como já diz o Dalai Lama:
"Se a situação ou problema for tal que possa ser resolvida, não há necessidade de preocupação. Por outro lado, senão houver saída, nenhuma solução, nenhuma possibilidade de equacionar o problema, também não fará sentido nos preocuparmos já que não poderemos fazer nada a respeito mesmo."

Quando escolhi este tema, lembrei de uma mensagem de um grande amigo, que tenho guardada até hoje. Graças a esse grande irmão é que consegui começar a mudar a minha maneira de pensar e agir:

"Não cabe a vós decidir como as coisas ocorrem, como tudo é feito, como as coisas se resolvem. Deixe isso ao Pai celestial, apenas concentre-se em viver da melhor maneira possível, sempre no caminho reto.

O que Ele lhe proprocionar (independentemente se parece bom ou ruim), aceite de bom grado, porque com certeza, alguma razão há .


Deus nada faz em vão.


Se Ele coloca obstáculos no seu caminho, é porque Ele deseja que superes tais adversidades, adquirindo amadurecimento no final. Transpondo tudo com consciência, com tranquilidade, com paciência.

O que lhe adianta reclamar daquela pedra que foi colocada no seu caminho? Ela será removida com a reclamação? 


Reclamando só perderás forças, paciência e energia.

Pare e pense: o que esse obstáculo quer me dizer?
O que quer me ensinar?
O que devo mudar para transpor tal dificuldade?
Como devo agir para tal?


Certamente, suas falhas morais estarão sendo testadas ali, naquele momento .


Portanto, não se desespere. Respire, ore, peça orientação ao Pai, iluminação para transpor tal adversidade .


Esse é o melhor método.


E agindo assim sucessivamente, a cada obstáculo que aparecer em sua frente, só fará que sua evoluas cada vez mais.
"

Isso mudou minha vida.

Isso me trouxe paz.

Que possa trazer paz para a tua vida também.

Um feliz Ano-Novo, e que as boas realizações possam sair das promessas e virarem realidade.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

Feliz Natal!

Que neste natal não falte na sua ceia:

- Uma grande quantidade de caráter, servido em porções quentinhas.

- Muitas garrafas de perdão, para o momento do brinde.

- Uma saladinha de compaixão e piedade, para acompanhamento.

- Aquele doce de humildade que é maravilhoso.

- O prato principal, aquele amor gigante e douradinho, recheado com uma miscelânea de ternura e paciência.

- E na troca de presentes, várias caixas com benevolência, tolerância, cordialidade, respeito e bom humor.

São os votos da equipe Aprendizes da Vida Eterna!


Em tempo, caso ainda não tenha lido, leia a reflexão sobre as festividades de final de ano no mundo contemporâneo .


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A felicidade não é deste mundo

"20 – Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.

Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for, cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.

Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade.

Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa seqüência de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.

Conseqüentemente, se a morada terrena se destina a provas e expiações, é forçoso admitir que existem, além, moradas mais favorecidas, em que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhoras que virão. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Entregai vos inteiramente à vulgarização desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. À obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã.

FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE. Cardeal Morlot, Paris, 1863
"

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 5 - Item 20)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os inimigos internos

Gosto muito do Dalai Lama (Tenzin Gyatso) , pois além de sua ótica budista e humanista, ele sempre procura falar em termos que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa compreender.

Estou relendo um livro onde o Dalai Lama é entrevistado e questionado sobre os mais variados temas. E é incrível como os ensinamentos budistas que ele professa coincidem com tudo o que debatemos aqui no blog.

Em especial, a resposta abaixo me chamou atenção, não só pelo seu conteúdo, mas pela simplicidade em que ele explica algo tão complexo. Somente uma alma tão elevada pode falar tanto em tão poucas palavras:

"Entrevistador: Nós em geral pensamos da outra forma. Não queremos ver nossos próprios erros, mas podemos falar sem fim sobre as más qualidades dos outros. É o que Jesus também quis dizer com a seguinte metáfora: "Ou como dirás a teu irmão: 'Deixa-me tirar o argueiro do teu olho', quando tens uma trave em teu próprio olho?'' É assim que o "irmão" se torna rapidamente o inimigo.
Resposta de Dalai Lama: Sim, o único inimigo que deveria realmente me afetar é o mal em meu próprio coração. As hostilidades externas podem passar, mas os inimigos internos como a raiva, o ódio e a cobiça irão permanecer. O mesmo se aplica a todo ser humano: sou meu próprio pior inimigo com minha dependência, minha cobiça e meu ódio. O inimigo em nossos próprios corações sempre permanecerá um inimigo. Não podemos nos comprometer com nossas próprias tendências para o mal. Os maus pensamentos não podem realizar nenhum bem. Eles devem ser controlados porque, de outra maneira, não conseguiremos paz interior. Visto assim, nosso verdadeiro inimigo, o incansável criador de problemas, vive dentro de nós.
Por outro lado, o inimigo externo de hoje pode as vezes se tornar o melhor amigo de amanhã. Na minha vida, frequentemente aprendi muito com aqueles que considerava meus inimigos."
 Eu realmente não poderia ficar sem trazer esse texto para o blog. Eu li e reli várias vezes. É a síntese de tudo o que viemos falando neste ano.

A frase: "Os maus pensamentos não podem realizar nenhum bem. Eles devem ser controlados porque, de outra maneira, não conseguiremos paz interior." relata de maneira objetiva a nocividade de nossas más tendências, que se expressam através de nossos pensamentos, atitudes e palavras.

Essas más tendências, essas falhas morais que carregamos, são o nosso inimigo interno. Podemos viajar o mundo todo e ele estará sempre conosco, pelo menos enquanto não o erradicarmos de nosso coração.

O homem é como um copo com água, e as falhas morais são como um corante. Enquanto existirem as falhas morais, nunca seremos totalmente puros e cristalinos. Consequentemente, nossa felicidade é proporcional ao nosso grau de pureza interior.

E porque a felicidade vem da pureza interior? Porque enquanto houver em nós o egoísmo, o orgulho, a inveja, a ira, e tantas outras falhas, continuaremos nos preocupando com coisas secundárias e banais, deixando de nos preocupar com o que realmente importa: amar, auxiliar, conviver, aprender, construir.

Nunca temos essa visão de que o inimigo está dentro de nós. Sempre pensamos que ele está fora.

O inimigo de fora, aquela pessoa que nos perturba e faz de tudo para nos irritar, esse na verdade é o nosso maior amigo.

Se não fosse as pessoas que nos perturbam, nunca conseguiríamos exercitar as virtudes: perdão, paciência, amor, humildade, benevolência e todas as outras. Aquele que nos perturba fornece todas as ocasiões que necessitamos para sermos melhores.

Portanto, como sempre, deixamos a reflexão ao leitor, a fim de que tire as suas próprias conclusões sobre como tem encarado a vida e o que tem feito para alcançar a felicidade.

Tudo na vida é possível, só depende de coragem, empenho e dedicação.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O que você tem feito para melhorar a sua vida?

Nosso blog surgiu para ser um canal de estudos, mas não se deteve a isso: hoje não só temos estudos, mas principalmente reflexões.

Porque não queremos recriar ou revisar a Doutrina Espírita. Esta já está nos livros, esperando para ser estudada e compreendida. O que propomos aqui é que cada um entenda esses ensinamentos e os traga para sua vida, buscando colocar em prática tudo o que aprende de bom, útil e construtivo.

Este ano foi bem ativo para o blog, falamos sobre diversos temas, fizemos um estudo sobre as leis morais e tentamos, na medida do possível, fazer duas postagens semanais.

E todos esses temas e reflexões que vieram à tona durante este ano, não são para serem lidos e guardados. São para nos tornarem melhores. Mas para isso, é necessária a nossa dedicação.

Eu sempre digo e repito: enquanto usarmos sempre as mesmas fórmulas, obteremos sempre os mesmos resultados.

Muitas vezes, temos medo de entrar no desconhecido. Eu mesmo passei por isso durante muito tempo, até o momento em que minha vida virou de pernas pro ar de tal maneira que só me restou a dizer: "pior do que está não vai ficar. Quer saber, vou arriscar!". E não é que deu certo mesmo?

É difícil vencermos o "velho eu", tudo aquilo que cultivamos em nós por tantos anos e que acreditamos que é a nossa "identidade". Não é um processo fácil, mas os resultados são tão gratificantes!

Aliás, alguém me diga algo que tenha resultados maravilhosos e que não precise de esforços, pois não conheço nada assim.

Gastamos tanta energia com besteiras. Poderíamos usar essa mesma energia para tornar a nossa vida melhor!

Se as coisas estão ruins (ou mais ou menos), já é hora de revermos os nossos conceitos, pois do jeito que estamos fazendo não está dando certo!

E essa reflexão, essas mudanças e melhorias, são coisas que somente nós podemos fazer. Ninguém pode fazer por nós. Podemos viver em um palácio dourado, que se não formos felizes interiormente, nunca teremos aquela tão sonhada paz de espírito. Em contrapartida, quando o nosso interior é repleto de felicidade, não importa onde estejamos e nem quão difíceis sejam os nossos problemas, tudo será muito mais fácil e leve.

Só depende de nós atingirmos a felicidade. Mas sem coragem e determinação, nada acontece.


Vamos tentar?



Dedicamos esta reflexão ao grande irmão Nelson Mandela, que recentemente encerrou sua missão nesta encarnação. Obrigado por tudo o que fez de bom para o nosso mundo, lutando uma guerra sem armas (tal qual Mahatma Gandhi). Principalmente, obrigado pelo exemplo deixado: que ele sirva de inspiração a muitas e muitas pessoas!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Escolha das Provas

Muitas pessoas reclamam de suas vidas e das dificuldades que passam. Culpam a Deus por todas as suas misérias. Entretanto, não percebem que é o próprio homem que faz o seu destino, seja através de seus atos, seja através de suas escolhas.

Este capítulo sobre a escolha das provas é muito esclarecedor, com respostas importantes para estes questionamentos. Apesar de longo, vale a leitura.

Destacaremos algumas partes, para dar maior ênfase:



"258. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito  tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

— Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio.


258. A) Não é Deus quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

— Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi ele quem estabeleceu todas as leis que regem, o Universo. Perguntareis agora por que ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências; nada lhe estorva o futuro; o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo se acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi malfeito. É necessário distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus; tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento; e Deus o permitiu.

259. Se o Espírito escolhe o gênero de provas que deve sofrer, todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós?

— Todas, não, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são conseqüências da posição escolhida, e freqüentemente de vossas próprias ações. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, já sabia a que deslizes se expunha, mas não conhecia cada um dos atos que praticaria; esses atos são produtos de sua vontade ou do seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que, escolhendo esse caminho, terá de passar por esse gênero de lutas; e sabe de que natureza são as vicissitudes que irá encontrar; mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas. Só os grandes acontecimentos, aqueles que influem no destino, estão previstos. Se tomas um caminho cheio de desvios, sabes que deves ter muitas precauções, porque corres o perigo de cair, mas não sabes quando cairás, e pode ser que nem caias, se fores bastante prudente. Se, ao passar pela rua, uma telha te cair na cabeça, não penses que estava escrito, como vulgarmente se diz.


260. Como o Espírito pode querer nascer entre gente de má vida?

— E necessário ser enviado ao meio em que possa sofrer a prova pedida. Pois bem, o semelhante atrai o semelhante, e para lutar contra o instinto do bandido é preciso que ele se encontre entre gente dessa espécie.

260 – a) Se não houvesse gente de má vida na Terra, o Espírito não poderia encontrar nela o meio necessário a certas provas?

— E deveríamos lamentar isso ? É o que acontece nos mundos superiores,  onde o mal não tem acesso. É por isso que neles só existem bons Espíritos. Fazei que o mesmo aconteça, bem logo, em vossa Terra.


261. O Espírito, nas provas que deve sofrer para chegar à perfeição, terá de experimentar todos os gêneros de tentações? Deverá passar por todas as circunstâncias que possam provocar-lhe o orgulho, o ciúme, a avareza, a sensualidade etc.?

— Certamente não, pois sabeis que há os que tomam desde o princípio um caminho que os afasta de muitas provas. Mas aquele que se deixa levar pelo mau caminho, corre todos os perigos do mesmo. Um Espírito pode pedir a riqueza e esta lhe será dada; então, segundo o seu caráter, poderá tornar-se avarento ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda entregar-se a todos os prazeres da sensualidade. Mas isso não quer dizer que ele devia passar forçosamente por todas essas tendências.

262. Como pode o Espírito que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável pela sua escolha?

— Deus supre a sua inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança desde o berço. Mas deixa-lhe pouco a pouco a liberdade de escolher, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve. E então que ele muitas vezes se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. É a isso que podemos chamar a queda do homem.

262 – a) Quando o Espírito goza do seu livre-arbítrio, a escolha da existência corpórea depende sempre exclusivamente da sua vontade ou essa existência pode lhe ser imposta pela vontade de Deus, como expiação?

- Deus sabe esperar: não precipita a expiação. Entretanto, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, por sua inferioridade ou má vontade, não está apto a compreender o que lhe seria mais proveitoso, e quando vê que essa existência pode servir para a sua purificação, o seu adiantamento, e ao mesmo tempo servir-lhe de expiação.

263. O Espírito faz a escolha imediatamente após a morte?

- Não, pois muitos crêem na eternidade das penas e, como já vos foi dito, isso é um castigo.

264. O que orienta o Espírito na escolha das provas?

- Ele escolhe as que podem servir de expiação, segundo a natureza de suas faltas, e fazê-lo adiantar mais rapidamente. Uns podem impor-se uma vida de misérias e provações para tentar suportá-la com coragem outros querem experimentar as tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas pelo abuso e o mau emprego que se lhes pode dar e pelas más paixões que desenvolvem; outros, enfim, querem ser provados nas lutas que terão de sustentar no contato com o vicio.


265. Se alguns dos Espíritos escolhem o contato com o vício como prova, há os que o escolhem por simpatia e pelo desejo de viver num meio adequado aos seus gostos, ou para poderem entregar-se livremente às suas inclinações materiais?

Há, por certo, mas só entre aqueles cujo senso moral é ainda pouco desenvolvido; a prova decorre disso, e eles a sofrem por tempo mais longo Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para eles conseqüências deploráveis, que terão de sofrer durante um tempo que lhes parecerá eterno. Deus poderá deixá-los nesse estado até que eles tenham compreendido suas faltas, pedindo por si mesmos o meio de resgatá-las em provas proveitosas.

266. Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas?

- Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, cessa a ilusão, e a sua maneira de pensar é diferente

Comentário de Kardec: O homem, submetido na Terra à influência das idéias carnais, só vê nas suas provas o lado penoso. É por isso que lhe parece natural escolher as que, do seu ponto de vista, podem subsistir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O Espírito pode escolher a prova mais rude, e em conseqüência a existência mais penosa, com a esperança de chegar mais depressa a um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável, para se curar mais rapidamente. Aquele que deseja ligar o seu nome à descoberta de um país desconhecido, não escolhe um caminho coberto de flores, pois sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for feliz.

A doutrina da liberdade de escolha das nossas existências e das provas que devemos sofrer deixa de parecer extraordinária, quando se considera que os Espíritos, libertos da matéria, apreciam as coisas de maneira diferente da nossa. Eles antevêem o fim, e esse fim lhes parece muito mais importante que os prazeres fugidios do mundo. Depois de cada existência, vêem o progresso que fizeram e compreendem quanto ainda lhes falta em pureza, para o atingirem. Eis porque se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, pedindo eles mesmos aquelas que podem fazê-los chegar mais depressa. Não há, pois, motivo para nos admirarmos de que o Espírito não dê preferência à existência mais suave. No seu estado de imperfeição, ele não pode desfrutar a vida sem amarguras, que apenas entrevê. E é para atingi-la que procura melhorar-se.

Não vemos diariamente exemplos de coisas parecidas? O homem que trabalha uma parte de sua vida, sem tréguas nem descanso, a fim de ajuntar o necessário para o seu bem-estar. não desempenha uma tarefa que se impôs, com vistas a um futuro melhor? O militar que se oferece para uma missão perigosa, o viajante que não enfrenta menores perigos, no interesse da Ciência ou de sua própria fortuna, não se submetem a provas voluntárias, que devem proporcionar-lhes honra e proveito, se as vencerem? A que o homem não se submete e não se expõe, pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos não são provas voluntárias para melhorar na carreira escolhida? Não se chega a nenhuma posição social de elevada importância, nas ciências, nas artes, na indústria, sem passar pela série de posições inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana é, assim, o decalque da vida espiritual. Nela encontramos, em menor escala, todas as peripécias daquela. Se na vida terrena escolhemos muitas vezes as provas mais difíceis, com vistas a um fim mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe, e para quem a vida do corpo é apenas um incidente fugaz, não escolherá uma existência penosa e laboriosa, se ela o deve conduzir a uma felicidade eterna? Aqueles que dizem que, se pudessem escolher a sua existência, teriam pedido a de príncipes ou milionários, são como os míopes que não vêem o que tocam, ou como as crianças gulosas, que respondem, quando  perguntamos que profissão preferem: pasteleiros ou confeiteiros.

Da mesma maneira, o viajante, no fundo de um vale nevoento, não vê a extensão nem os pontos extremos da sua rota; mas, chegando ao cume da montanha, seu olhar abrange o caminho percorrido e o que falta percorrer, vê o final de sua  viagem, os obstáculos que ainda tem de vencer, e pode então escolher com mais segurança os meios de o atingir. O Espírito encarnado é como o viajante no fundo do vale; desembaraçado dos liames terrestres, é como o que atingiu o cume. Para o viajante, o fim é o repouso após a fadiga; para o Espírito, é a felicidade suprema, após as tribulações e as provas.

Todos os Espíritos dizem que, no estado errante, buscam, estudam, observam, para fazerem suas escolhas. Não temos um exemplo disso na vida corpórea? Não buscamos muitas vezes, através dos anos, a carreira que livremente acabamos por escolher, porque a achamos a mais apropriada aos nossos objetivos? Se fracassamos numa, procuramos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida. Não empregamos cada dia em escolher o que faremos no outro? Ora, o que são as diferentes existências corpóreas para o Espírito, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita que. como sabemos, é a vida normal, não sendo a vida corpórea mais do que transitória, passageira?

267. O Espírito poderia fazer a sua escolha durante a vida corporal?

— Seu desejo pode ter influência. Isso depende da intenção. Mas, no estado de Espírito, freqüentemente vê as coisas de maneira diferente. É o Espírito quem faz a escolha. Mas, ainda assim, ele pode fazê-la nesta vida material, porque o Espírito tem sempre os momentos em que se liberta da matéria.

267 – a) Muitas pessoas desejam grandezas e riquezas, mas não o será, por certo, como expiação nem como prova?

— Sem duvida; a matéria deseja essa grandeza, para gozá-la, e o Espírito a deseja, para conhecer-lhe as vicissitudes.

268. Até que chegue ao estado de perfeita pureza, o Espírito tem de passar constantemente por provas?

— Sim, mas elas não são como as entendeis. Chamais provas às tribulações materiais; ora, o Espírito, chegando a um certo grau, mesmo sem ser perfeito, não tem mais nada a sofrer. Mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não são penosas para ele, a não ser os de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.


269. O Espírito pode enganar-se, quanto à eficácia da prova que escolher?

— Pode escolher uma que esteja acima de suas forças, e então sucumbe. Pode também escolher uma que não lhe dê proveito algum, como um gênero de vida ocioso e inútil. Mas, nesse caso, voltando ao mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou, e pede para recuperar o tempo perdido.

270. Ao que se devem as vocações de certas pessoas e sua vontade de seguir uma carreira em vez de outra?

— Parece-me que podeis responder por vós mesmos a esta questão. Não é a conseqüência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas sobre o progresso realizado numa existência anterior?

271.Quando o Espírito estuda, na erraticidade, as diversas condições em que poderá progredir, como julga poder fazê-lo, se nascer entre canibais?

— Não são os Espíritos já adiantados que nascem entre os canibais, mas os Espíritos da mesma natureza dos canibais, ou que lhes são inferiores.

Comentário de Kardec:  Sabemos que os nossos antropófagos não estão no último grau da escala, e que há mundos onde o embrutecimento e a ferocidade ultrapassam tudo o que  existe na Terra. Esses Espíritos são, portanto, ainda inferiores aos mais inferiores do nosso mundo, e vir para o meio dos nossos selvagens é para eles um progresso, como seria um progresso para os nossos antropófagos exercer entre nós uma profissão que não os obrigasse a derramar sangue. Se eles não visam a mais alto, é porque a sua inferioridade moral não lhes permite compreender um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão gradualmente; não pode transpor de um salto a distância que separa a barbárie da civilização. E está nisso uma necessidade da reencarnação. que se mostra verdadeiramente de acordo com a justiça de Deus. De outra maneira, em que se transformariam esses milhões de seres que morrem diariamente no último estado de degradação, se não tivessem meios de se elevar? Por que Deus os teria deserdado dos favores concedidos aos demais?

272. Os Espíritos procedentes de um mundo inferior à Terra, ou de um povo muito atrasado, como os canibais, poderiam nascer entre os povos civilizados?

— Sim, há os que se extraviam ao quererem subir muito alto, mas ficam deslocados entre vós, porque têm hábitos e instintos que se chocam com os vossos.

Comentário de Kardec:   Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade em meio da civilização. Retornando para o meio dos canibais, isso não será um retrocesso, pois não farão mais do que retomar o seu lugar e talvez ainda com proveito.

273. Um homem pertencente a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar-se num raça selvagem?

— Sim, mas isso depende do gênero da expiação. Um senhor que tenha sido duro para os seus escravos poderá tornar-se escravo e sofrer os maus tratos que infligiu a outrem. Aquele que mandou numa época, pode, em outra existência, obedecer aos que se curvaram ante a sua vontade. É uma expiação, se ele abusou do poder, e Deus pode determiná-la. Um bom Espírito pode, para os fazer avançar, escolher uma vida de influência entre esses povos. Então se trata de uma missão.
"


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Reflexão sobre as festividades de final de ano no mundo contemporâneo

É chegado o tempo das festividades habituais de final de ano: Natal e Ano-Novo.


Ao falarmos disso, logo pensamos em mesas fartas, champanhe e família. Lembramos da troca de presentes e do amigo secreto. De vestir-se de branco e esperar fogos de artifício.

É sempre assim todo ano, não é mesmo?

E será que deve ser assim?

Pensemos inicialmente no Natal. O Natal é a celebração (simbólica) do nascimento de Jesus. Isso todo mundo sabe.

E quem foi Jesus? Foi aquele cara, cabeludo e barbudo, que vivia em Jerusalém e foi pregado numa cruz a dois mil anos atrás. Todos lembramos disso.

E o que ele veio fazer aqui? Ele veio falar de amor. Ele veio nos ensinar a amar. Ele veio exemplificar o amor incondicional. Ele nos ensinou a tratar aos outros da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados. Ainda lembramos disso?

Vamos pensar bem: na celebração do nascimento de Jesus, que veio nos ensinar a amar ao próximo (e nos deu o exemplo disso), será que o amor está presente nos nossos corações?

Será que aproveitamos a oportunidade para perdoar aquele familiar que nos disse umas coisas feias, o vizinho que faz barulho até tarde, aquele amigo que deu um calote e o chefe turrão que está sempre estressado?

Será que aproveitamos para separar aquelas roupas que não usamos mais e as encaminhamos para doação?

Será que tentamos ajudar a todos aqueles que nos cercam?

Será que expressamos o nosso amor por todos os que nos rodeiam?

Mesmo que façamos tudo isso, nos esquecemos de um pequeno detalhe: Jesus não disse para seguirmos seus ensinamentos somente uma vez por ano. Os seus ensinamentos não são cerimônias para um feriado: são mudanças permanentes de caráter. É fazer o bem durante o ano todo, em todos os momentos. É fazer o certo, mesmo quando for a opção mais difícil. É ser honesto, mesmo quando não há ninguém olhando.

Quanta hipocrisia haverá em nós se amarmos ao próximo somente no Natal. E será que não é isso que temos feito?

Isso quer dizer que não devemos festejar o Natal?

Não. Só quer dizer que não podemos esquecer quem é o aniversariante!!!

E logo depois do Natal vem o Ano-Novo. A festa das promessas.

Esse ano irei começar uma dieta. Esse ano estudarei mais. Esse ano beberei menos. Esse ano vou ser mais cuidadoso no trânsito. Esse ano vou economizar mais dinheiro.

Acho que esquecemos de mencionar qual é o ano. Talvez estejamos prometendo tudo para 2050...

Quando chega o Ano-Novo, bate aquele arrependimento. Todas as coisas legais que queríamos ter feito e não fizemos. Mas para ficar com a consciência tranquila, prometemos que vamos fazer tudo isso no ano seguinte.

E fazemos? Não, repetimos as mesmas burradas do ano anterior.

Não adianta brindarmos e termos lindos objetivos se eles não saírem do papel.

Não adianta comemorarmos que mais um ano está chegando, se será mais um ano desperdiçado de nossas vidas.

Será que mais um ano vai passar sem darmos ouvidos aos ensinamentos de Jesus? (Quem é Jesus mesmo? Ah sim, é o carinha que estava de aniversário no Natal, gente boa ele...)

Esses dois feriados, são apenas um exemplo do que temos feito com nossas vidas.

Temos sido seres vazios de amor, de esperança, de coragem, de paciência, de humildade e de bondade.

Mas somos cheios de mágoas, tristeza, egoísmo, orgulho, raiva e maledicência.

Queremos colher a felicidade agora, mas sempre esquecemos de arar a terra, plantar e regar as sementes, afastar as pragas e manter a terra adubada, até que no tempo propício ela floresça.

Queremos fazer tudo diferente, mas fazemos tudo igual. Queremos resultados diferentes, mas sempre fazemos tudo do mesmo jeito.

Até queremos ser pessoas melhores, mas achamos mais fácil procurar os defeitos dos outros do que identificar os nossos próprios.

Ficamos esperando que os outros nos amem, mas nós não amamos ninguém. Ficamos esperando que os outros nos ajudem, mas nós não ajudamos ninguém.
Ficamos esperando que os outros se dediquem a nós, mas nós não nos dedicamos a ninguém.

Então, não esperemos o próximo ano para mudar. Comecemos hoje mesmo, repensando nossos valores, nossos conceitos. Mudemos nossos pensamentos e atitudes. Ninguém pode fazer isso por nós.

E que Deus, nosso Pai misericordioso nos abençoe e nos ajude em nossos bons propósitos.

"E se vós amais somente aos  que vos amam, que merecimento é o que vós tereis? Pois os pecadores também amam os que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores. E se emprestardes somente àqueles de quem esperais receber, que merecimento é o que vós tereis? Porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, façam bem, e emprestai, sem nada esperar, e tereis muito avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." (Lucas, VI: 32-36).

"Todo aquele, pois,que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras, e não as observa, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína." (Mateus, VII: 24-27 e semelhante em Lucas, VI: 46-49).



domingo, 1 de dezembro de 2013

Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida

Hoje trazemos um tema do qual muitas pessoas tem dúvidas. As questões por si só são bastante esclarecedoras, e após elas, segue o nosso habitual comentário.


"525. Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida?

— Seguramente, pois que te aconselham.

525 – a) Exercem essa influência de outra maneira, além dos pensamentos  que sugerem, ou seja, têm uma ação direta sobre a realização das coisas?

— Sim, mas não agem nunca fora das leis naturais.

Comentário de Kardec: Pensamos erradamente que a ação dos Espíritos só deve manifestar-se por fenômenos extraordinários; desejaríamos que viessem em nosso auxílio através de milagres, e sempre os representamos armados de uma varinha mágica. Mas assim não é. e eis porque a sua intervenção nos parece oculta e o que se faz pelo seu concurso nos parece inteiramente natural. Assim, por exemplo, eles provocarão o encontro de duas pessoas, o que parece dar-se por acaso; inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; chamarão sua atenção para determinado ponto, se isso pode conduzir ao resultado que desejam; de tal maneira que o homem, não julgando seguir senão os seus próprios impulsos, conserva sempre o seu livre-arbítrio.

526. Tendo os Espíritos ação sobre a matéria, podem provocar certos efeitos com o fim de produzir um acontecimento? Por exemplo, um homem deve perecer: sobe então a uma escada, esta se quebra e ele morre. Foram os Espíritos que fizeram quebrar a escada para que se cumpra o destino desse homem?

E bem verdade que os Espíritos têm influência sobre a matéria, mas para o cumprimento das leis da natureza e não para as derrogar, fazendo surgir em determinado ponto um acontecimento inesperado e contrário a essas leis. No exemplo que citas, a escada se quebra porque está carunchada ou não era bastante forte para suportar o peso do homem; se estivesse no destino desse homem morrer dessa maneira, eles lhe inspirariam o pensamento de subir na escada que deveria quebrar-se com o seu peso e sua morte se daria por um motivo natural, sem necessidade de um milagre para isso.

527. Tomemos outro exemplo, no qual não intervenha o estado natural da matéria. Um homem deve morrer de raio: esconde-se embaixo de uma arvore o raio estala e ele morre. Os Espíritos poderiam ter provocado o raio dirigindo-o sobre ele?

- É ainda a mesma coisa. O raio explodiu sobre aquela árvore e naquele  momento porque o fato estava nas leis da Natureza. Não foi dirigido para a arvore porque o homem lá se encontrava, mas ao homem foi dada a inspiração de se refugiar numa árvore, sobre a qual ele deveria explodir. A árvore não seria menos atingida se o homem estivesse ou não sob ela.

528. Um homem mal intencionado dispara um tiro contra outro mas o projétil passa apenas de raspão, sem o atingir. Um Espírito benfazejo pode ter desviado o tiro?  

- Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benfazejo lhe inspira   o pensamento de se desviar, ou ainda poderá ofuscar o seu inimigo de maneira a lhe perturbar a pontaria; porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha da sua trajetória.

529. Que se deve pensar das balas encantadas, a que se referem algumas lendas e que atingem fatalmente o alvo?

- Pura imaginação: o homem gosta do maravilhoso e não se contenta com as maravilhas da Natureza.        

529 – a) Os Espíritos que dirigem os acontecimentos da vida podem ser contrariados por Espíritos que tenham desejos em contrário?

- O que Deus quer, deve acontecer; se há retardamento ou empecilho é por sua vontade.

530. Os Espíritos levianos e brincalhões não podem provocar esses pequenos embaraços que se antepõem aos nossos projetos e transtornam as nossas previsões; em uma palavra, são eles os autores do que vulgarmente chamamos as pequenas misérias da vida?

- Eles se comprazem nessas traquinices que são provas para vós destinadas a exercitar a vossa paciência; mas se cansam quando vêem que nada conseguem.  Entretanto não seria justo nem exato responsabiliza-los por todas as vossas frustrações, das quais vos sois os principais autores, pelo vosso estouvamento. Convence-te, pois, de que, se a tua baixela se quebra é antes em virtude do teu descuido do que por culpa dos Espíritos.                 

530 – a) Os Espíritos que provocam discórdias agem em conseqüência de animosidades pessoais ou atacam ao primeiro que encontram, sem motivo determinado, por simples malícia?

Por uma e outra coisa: às vezes, trata-se de inimigos que fizestes  nesta vida ou em existência anterior e que vos perseguem; de outras vezes, não há nenhum motivo.

531. O rancor dos seres que nos fizeram mal na Terra extingue-se com a sua vida corpórea?

— Muitas vezes reconhecem sua injustiça e o mal que fizeram, mas muitas vezes também vos perseguem com o seu ódio, se Deus o permite, é para continuar a vos experimentar.

531 – a) Pode-se pôr termo a isso, e por que meio?

Sim, pode-se orar por eles, e ao se lhes retribuir o mal com o bem acabarão por compreender os seus erros. De resto, se souberdes colocar-vos acima de suas maquinações, cessarão de fazê-las ao verem que nada lucram.

Comentário de Kardec: A experiência prova que certos Espíritos prosseguem na sua vingança de uma existência a outra, e que. assim, expiaremos, cedo ou tarde, os males que pudermos ter acarretado a alguém.

532. Os Espíritos têm o poder de desviar os males de certas pessoas, atraindo para elas a prosperidade?

Não o podem fazer inteiramente, porque há males que pertencem aos desígnios da Providência; mas minoram as vossas dores, dando-vos paciência e resignação.

Sabei, também, que depende freqüentemente de vós desviar esses males ou pelo menos atenuá-los. Deus vos deu a inteligência para a usardes, e é sobretudo por meio dela que os Espíritos vos socorrem, sugerindo-vos pensamentos favoráveis. Mas eles não assistem senão aos que sabem assistir-se a si mesmos. É esse o significado das palavras: “Buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á”.

Sabei ainda que aquilo que vos parece um mal nem sempre o é. Freqüentemente um bem deve resultar dele, que será maior que o mal, e é isso o que não compreendeis porque não pensais senão no momento presente ou na vossa pessoa.

533. Podem os Espíritos fazer que se obtenham os dons da fortuna, desde que solicitados nesse sentido?

— Às vezes, como prova, mas freqüentemente os recusam como se recusa a uma criança um pedido inconsiderado.

533 – a) São os bons ou os maus Espíritos que concedem esses favores?

- Uns e outros. Isso depende da intenção. Mas em geral são os Espíritos que querem arrastar-vos ao mal e que encontram um meio fácil de afazer nos prazeres que a fortuna proporciona.

534. Quando os obstáculos parecem vir fatalmente contra aos nossos projetos, seria isso por influência de algum Espírito?

- Algumas vezes, são os Espíritos; outras vezes, e o mais freqüentemente, é que vos colocastes mal. A posição e o caráter influem muito. Se vos obstinais numa senda que não é a vossa, os Espíritos nada têm com isso; sois vos mesmos que vos tornais o vosso mau gênio.

535. Quando nos acontece alguma coisa feliz, é ao nosso Espírito protetor  que devemos agradecer?

- Agradecei sobretudo a Deus, sem cuja permissão nada se faz e depois aos bons Espíritos que foram os seus agentes.


535 – a) Que aconteceria se esquecêssemos de agradecer?

— O que acontece aos ingratos

535 – b) Há, entretanto, muita gente que não ora nem agradece e para quem sai tudo bem?

- Sim, mas é necessário ver o fim; pagarão bem caro essa felicidade passageira que não merecem, porque, quanto mais tenham recebido mais terão de restituir
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"

É importante ressaltar alguns pontos, pois sem a leitura do capítulo inteiro pode-se ter uma compreensão errada.

Quando se diz que os espíritos nos influenciam, temos que considerar que tanto os bons quanto os maus nos influenciam, dependendo é claro de nossa afinidade com um ou outro grupo.

Uma pessoa de má conduta, frequentemente será mais influenciada pelos espíritos de má conduta, e uma pessoa boa será frequentemente influenciada por bons espíritos.

E sobre essa influência, cabe saber que sempre temos o livre arbítrio de aceitar ou não essas sugestões. São como os encarnados: uns nos incentivam a fazer certas coisas, outros nos incentivam a fazer coisas diferentes, mas sempre cabe a nós decidirmos qual caminho queremos seguir.

Portanto, quando uma pessoa faz uma besteira e diz "fui influenciado pelos espíritos, estava obsidiado", ela incorre em equívoco, pois o espírito obsessor nada teria influenciado se não encontrasse afinidade em seu coração, e mais ainda, se suas sugestões não fossem seguidas, nada teria acontecido.

Eis por que, como sempre, o homem é o artífice de seu próprio destino, e por consequência, de sua felicidade ou infelicidade.

Vivemos todos rodeados o tempo todo de espíritos, que nada mais são do que pessoas sem o corpo, que podem pensar de maneira semelhante ou diferente da nossa, e que se unirão conosco por afinidade de idéias e de gostos.

Portanto, para recebermos boas influências, principalmente de nossos anjos guardiões, é necessário que nossos pensamentos e atitudes sejam condizentes com isso, agindo sempre pela bondade, pela humildade, pelo amor ao próximo e evitando aos vícios de toda a sorte, pois se não for dessa forma, estaremos sujeitos a receber as influências da "turma da bagunça". Depois não adianta reclamar.