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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O óbolo da viúva e as várias formas de fazer a caridade

"E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo deitava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, deitavam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outros que deitaram no gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância; porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4).

[...] Aliás, não é somente com o ouro que se podem enxugar as lágrimas, e não devemos ficar inativos por não o possuirmos. Aquele que deseja sinceramente tornar-se útil para os seus irmãos, encontra mil ocasiões de fazê-lo. Que as procure e as encontrará. Se não for de uma maneira, será de outra, pois não há uma só pessoa, no livre gozo de suas faculdades, que não possa prestar algum serviço, dar uma consolação, amenizar um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros? Isso também é a esmola do pobre, o óbolo da viúva.
"

Quando se fala em caridade, normalmente se pensa em dinheiro.

Temos culturalmente a associação de fazer o bem com dar dinheiro.

Mas a caridade vai muito além disso. A caridade consiste em usar aquilo que temos em benefício do próximo.

- Quem tem dinheiro, ajuda com dinheiro.
- Quem tem conhecimento, ensina.
- Quem tem tempo livre, usa-o para auxiliar.
- Quem sabe o que dizer, aconselha.
- Quem não sabe o que dizer, ouve.

E assim por diante!

Todos nós temos algo que abunda e que pode ser usado em benefício do próximo.

Mas isso não significa que devemos nos especializar em "modalidades" de caridade. Devemos atuar de todas as maneiras que nos sejam possíveis para auxiliar o próximo.

Em alguns casos, ajudaremos com dinheiro, em outros com o conhecimento, em outros com o tempo, em outros com conselhos, em outros ouvindo, e assim sucessivamente.

Também haverão casos em que ajudar estará fora do nosso alcance. E nesses casos podemos servir de ponte entre o necessitado e aquele que pode ajudar.

Porém enquanto estivermos olhando somente para nós, para os nossos problemas e preocupações, jamais perceberemos aquelas pessoas ao nosso redor que precisam de algum tipo de auxílio.

É somente quando começamos a olhar para o próximo e pensar nas suas necessidades que identificaremos as oportunidades de sermos úteis.

Jesus disse em inúmeras oportunidades que veio para servir. Nós, como seguidores do Cristo, o que poderíamos oferecer senão servir ao próximo?

Cada coração que se converte genuinamente na prática do bem e do amor ao próximo, atua como mais uma luz combatendo a escuridão do mundo.

Quando os corações estão repletos de paz e de amor, irradiam luz para todos os irmãos que estão próximos, e pelo exemplo do bem que é dado servem de guias no caminho que conduz a Deus.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O valor da vida

Quando olhamos somente pelo lado material, chegamos à conclusão de que a vida é uma só e deve ser aproveitada ao máximo.

Pensamos que abreviar a vida de um moribundo é lhe prestar um favor.

Pensamos que eliminar um criminoso é beneficiar a sociedade.

Pensamos que não há mal nenhum em impedir o nascimento de um feto.

Nos deixamos levar pela filosofia "só se vive uma vez" e nos entregamos à todo o tipo de loucuras.

Nos convencemos de que caso a nossa vida esteja ruim demais, dar um fim a ela por consequência dará um fim aos nossos problemas e sofrimentos.

Não passam de equívocos.

Não somos corpos, somos espíritos. E enquanto cada corpo só vive uma vez, nós, enquanto espíritos, somos imortais.

Cada encarnação é uma oportunidade de progredirmos em nossa jornada evolutiva, saindo da ignorância rumo à perfeição. Saindo do caos rumo à felicidade plena.

Mas isso só é possível quando fazemos de cada encarnação um degrau. É comum cometermos o erro de nos mantermos numa repetição sem fim dos mesmos atos, encarnação após encarnação. Endurecidos pelos nossos vícios e falhas morais, nos prendemos nesse ciclo difícil de romper.

E é por isso que a vida é tão preciosa. Porque a cada encarnação temos a chance de fazer um novo começo. A cada dia temos a chance de recomeçar. O passado está feito e não pode ser mudado, cedo ou tarde teremos que enfrentar as suas consequências. Mas hoje, hoje pode ser diferente, amado leitor.

Hoje pode ser o dia em que começamos a escrever um futuro diferente.

E é justamente por isso que não podemos abreviar a vida do moribundo, nem eliminar o criminoso, nem impedir o feto, nem viver imprudentemente, nem suicidar-nos. Porquê não sabemos qual dia será o dia da mudança.

Enquanto houver vida, há esperança!

Talvez será no último minuto de vida que o moribundo fará as pazes com seus familiares. Talvez será no último minuto em que o criminoso irá arrepender-se de seus atos. Talvez será no próximo minuto em que a vida triste do suicida dará uma virada de 180°.

E isso é ótimo! Porque esse tempo não será perdido. É mais um degrau que se sobe no caminho da evolução. Talvez será esse o momento do despertar, onde esse irmão começará a sair do ciclo vicioso em que se encontra e iniciará um novo ciclo de mudança interior, senão nesta encarnação, na próxima.

O melhor dia para deixar o ontem para trás e começar um novo amanhã é sempre HOJE!

Que tal começar a amar, a perdoar, a ajudar HOJE mesmo?

Hoje é um bom dia para parar de mentir.

Hoje é um bom dia para pedir perdão para quem magoamos.

Hoje é um bom dia para largar um vício.

Hoje é um bom dia para oferecer nossa a ajuda a quem precisa.

Hoje é um bom dia para nascer um novo eu. Um novo eu que quer ser diferente e feliz. Um novo eu que não aguenta mais as mesmas coisas, a mesma infelicidade, o mesmo vazio interior.

"Eu sou capaz, eu tenho coragem e com a ajuda de Deus, eu vou conseguir!"

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O quê tenho feito da minha vida? Qual é o meu papel no mundo?

Após um período de recesso, o nosso blog retorna com força total, trazendo as reflexões e ensinamentos necessários à nossa jornada.


O fim do ano se aproxima, e com ele surgem os questionamentos sobre o que fizemos durante o ano, e o que deixamos de fazer.

Será que aquelas metas de ano-novo foram cumpridas? Ou mais uma vez ficamos só nas promessas?

Mas enquanto que normalmente estes objetivos são de coisas pequenas, queremos trazer hoje duas reflexões importantes:


1 - O quê tenho feito da minha vida?

Às vezes é necessário parar e realizar esse auto-questionamento.

Começamos pensando nos tempos recentes, todos os amores, trabalhos, amigos, aventuras, bem como nas decepções e nas tristezas que nos afligiram.

Em dado momento, esse pensamento nos levará até a infância, onde éramos aqueles pequenos seres ainda inocentes, cheios de sonhos e de esperanças.

O que aconteceram com aqueles sonhos? Se realizaram? Continuam pendentes? Mudaram? E por quê?

O que havia de bom em mim que continua em mim? E o que havia de bom em mim que não há mais? O que há em mim que me incomoda?

Todos esses são questionamentos necessários para chegarmos em uma conclusão mais importante:

Eu gosto de quem me tornei? Eu gosto da vida que tenho?

Muitas coisas acontecem durante a nossa vida, o nosso crescimento, e por vezes perdemos a nossa essência, ou deixamos aquela chama dentro de nós se apagar. Nos tornamos tristes e conformados com a tristeza.

Mas sempre há tempo para mudar.

Porque só quando mudarmos e nos tornarmos verdadeiramente felizes é que poderemos passar para a próxima questão:


2 - Qual é o meu papel no mundo?

O papel de qualquer pessoa que se entitule "de bem" é o de promover a bondade no mundo.

Independente de crenças, quem é do bem tem o papel de promover o bem. E não vá pensando que existe o time do "mais ou menos"...

Mas como vou promover o bem, o amor, e a paz no mundo se não tenho isso na minha vida?

Como vou colaborar com a construção de um mundo melhor se não consigo nem construir uma vida melhor para mim?

É por isso que precisamos encontrar primeiro o caminho do auto-amor, da paz interior, da auto-realização, para que só então, quando nos tornarmos íntegros e felizes, possamos ser arquitetos de um novo mundo.

Se eu tenho paz, amor e bondade dentro de mim, isso se irradiará para tudo e todos que me cercam. Ao cultivamos em nossa vida somente coisas boas, nos cercamos de uma atmosfera saudável, que não só nos beneficia como beneficia ao próximo.

Não gosta de como o mundo é? Então faça na sua vida a mudança que você que ver no mundo!

E assim, poderemos todos unir nossas forças para criar um novo amanhã.


Textos que complementam este post:

- Felicidade e infelicidade relativas (Leitura muito importante!)

- O ser humano e o mundo de ilusões

- Onde está a felicidade?

- Felicidade e conscientização


Até a próxima!

terça-feira, 14 de junho de 2016

[Leis morais] A Lei de Reprodução

Hoje retomando o nosso estudo das leis morais, abordaremos a Lei de Reprodução.


A Lei de Reprodução é uma lei essencial para o mundo material, visto que é através da reprodução que são providos os corpos necessários para que os espíritos que Deus cria possam encarnar-se nos mundos materiais. Sem a reprodução, o mundo material pereceria.

Todas as espécies da Terra seguem em permanente evolução, assim como a raça humana. À medida que as almas evoluem, imprimem sua evolução nos corpos físicos, adaptando-os e melhorando-os para as necessidades das almas enquanto encarnadas.

O homem evoluiu do bruto homem das cavernas para o intelectual homem contemporâneo, desenvolvendo a sua inteligência sobre os instintos. Essa inteligência passa a prevalecer sobre o instinto em todos os aspectos de sua vida, inclusive na reprodução.

Os animais atraem-se e reproduzem-se puramente pelo instinto. Da mesma forma procedia o homem primitivo, agindo mais como animal do que como ser racional. Mas à medida que o homem desenvolveu-se e aumentou sua racionalidade, fez-se necessário adequar as necessidades reprodutivas a novos padrões de comportamento.

"694. Que pensar dos usos que têm por fim deter a reprodução, com vistas à satisfação da sensualidade?

— Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e o quanto o homem está imerso na matéria.

695. O casamento, ou seja, a união permanente de dois seres é contrária à lei da Natureza?

— É um progresso na marcha da Humanidade.

696. Qual seria o efeito da abolição do casamento sobre a sociedade humana?

— O retorno à vida dos animais.

Comentário de Kardec: A união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado de natureza. O casamento é um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas mais diversas condições. A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de alguns animais que lhe dão o exemplo das uniões constantes.
"

Enquanto que os animais possuem somente sensações e instinto, o homem possui além destas as emoções, a inteligência e a racionalidade.

A medida que nos desenvolvemos, adquirimos diferentes graus de afeição por aqueles que nos cercam, e o sexo deixou de ser um instrumento puramente reprodutivo, passando a ser também elemento de união nos relacionamentos amorosos.

Ainda que não se utilize mais o sexo somente para reprodução (seguindo o instinto, como o homem das cavernas), tendemos para o extremo oposto, utilizando o sexo somente para a sensação. A sensualidade exagerada e o vício pela promiscuidade nos levaram novamente para o sexo primitivo, dessa vez não pelo instinto, mas pela sensação.

E quando agimos desta maneira, não estamos exercitando o aspecto humano das relações: o uso das emoções, da inteligência e da racionalidade.

Numa tentativa de atingir um estado de pureza espiritual, recorreu-se ao celibato, pensando que esta seria a solução mais agradável a Deus.

Mas Deus não deseja que seus filhos pertençam a nenhum extremo, mas sim que busquem o caminho do equilíbrio e da moderação em tudo o que fazem. Com a reprodução não seria diferente.

"O impulso poligâmico do homem não é um instinto biológico, mas um simples resquício das fases anteriores de sua evolução. Não sendo irracional, nem controlado pelas leis naturais das espécies animais, ele tem o dever moral de refrear esse impulso e sublimar a sua afetividade através do amor conjugal e familiar. É pela razão e o livre-arbítrio que ele se controla, elevando-se conscientemente acima das exigências biológicas e das ilusões sensoriais. Se esse  controle lhe parece difícil, maior é o seu dever de realizá-lo, porque maior é a sua necessidade de evolução nesse campo e também porque “o mérito do bem está na dificuldade”, como se vê no item 646 deste livro. (N. do T.)"

Voltando-nos ao objetivo de evolução moral que a Doutrina Espírita nos propõe, o que isso tudo quer nos dizer?

Quer dizer que aquele busca o caminho das virtudes, deve usar o sexo com compromisso e responsabilidade. O sexo para nós deve representar um aspecto da vida, e não o objetivo único da mesma, criando vícios que nos prendem no primitivismo.

O sexo é portanto elemento não só de reprodução, mas de união afetiva. É um ato físico onde existe um intercâmbio emocional e energético, criando laços entre os envolvidos.

E assim como tudo o que fazemos na vida, deve seguir as regras da racionalidade e da moderação, sendo a promiscuidade um atraso evolutivo.

Devemos também ter em mente a responsabilidade emocional inerente a todos os relacionamentos, os quais devem ser regidos pelo mandamento maior: "tratar ao próximo como gostaríamos de ser tratados, e não fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que nos fosse feito", assim como todas as relações humanas.

Longe de ser errado e pecaminoso, o sexo moderado é benéfico, sadio e torna-se parte fundamental na evolução espiritual do ser, bem como qualquer tipo de extremismo torna-se um atraso evolutivo.



Leitura complementar:
A Lei de Reprodução (em O Livro dos Espíritos)

Todos os posts da série Leis Morais:

- Falando sobre as Leis Morais
- A Lei Divina ou Lei Natural
- A Lei de Adoração
- A Lei do Trabalho
- A Lei de Reprodução



terça-feira, 15 de março de 2016

[Leis morais] A Lei do Trabalho

Dando continuidade ao nosso estudo das Leis Morais, hoje abordaremos a Lei do Trabalho.



O trabalho é o emprego de nossos recursos físicos e/ou mentais em atividades úteis e benéficas, tanto para nós quanto para a sociedade que nos rodeia.

Deus fez disso uma lei, pois seria impossível alcançar o progresso sem o trabalho.

Imaginemos que se os homens das cavernas tivessem preguiça de caçar, provavelmente não haveria humanidade.

Na natureza tudo funciona porque há atividade. Movimento é vida, estagnação é degeneração e morte.

O homem quando emprega suas forças físicas ou mentais em determinada atividade, estimula o desenvolvimento de suas habilidades e faculdades, promovendo assim o seu crescimento. Como diz o ditado: "a prática leva à perfeição". Não poderia ser mais correto.

Como seria o mundo hoje sem o esforço que foi feito no passado para dominar a metalurgia, a energia a vapor, a energia elétrica, a indústria, a informática, e tantas outras disciplinas que culminaram no mundo hoje tão rápido e dinâmico?

Que seria da medicina sem os avanços promovidos pela ciência na descoberta dos microorganismos, a evolução do diagnóstico, do tratamento e da prevenção das doenças?

E a sociedade sem leis, sem civilidade, sem economia, sem política?

Tudo o que há de bom no mundo (ou pelo menos melhor do que o passado) é fruto da atividade útil que foi realizada pela humanidade ao longo das eras.

Tudo o que ainda há de ruim no mundo, mostra todo o trabalho que precisa ser feito.

A Lei do Trabalho nos aponta que devemos trabalhar no limite de nossas forças. Ou seja: utilizar nossa energia ocupando-nos de atividades úteis e benéficas, para nós e para o próximo.

Entretanto não podemos negligenciar o repouso, que consiste no descanso e no lazer, a fim de que possamos recuperar as nossas energias.

Seguem abaixo algumas das questões mais relevantes desta lei:

"674. A necessidade do trabalho é uma lei da Natureza?

— O trabalho é uma lei da Natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e os seus prazeres.

675. Só devemos entender por trabalho as ocupações materiais?

— Não; o Espírito também trabalha, como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.

676. Por que o trabalho é imposto ao homem?

— É uma conseqüência da sua natureza corpórea. E uma expiação e ao mesmo tempo um meio de aperfeiçoar a sua inteligência. Sem o trabalho o homem permaneceria na infância intelectual; eis porque ele deve a sua alimentação, a sua segurança e o seu bem-estar ao seu trabalho e à sua atividade. Ao que é de físico franzino. Deus concebeu a inteligência para o compensar; mas há sempre trabalho.


678. Nos mundos mais aperfeiçoados, o homem é submetido à mesma necessidade de trabalho?

— A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades; quanto menos necessidades materiais, menos material é o trabalho. Mas não julgueis, por isso, que o homem permanece inativo e inútil; a ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício.


679. O homem que possui bens suficientes para assegurar sua subsistência está liberto da lei do trabalho?

— Do trabalho material, talvez, mas não da obrigação de se tornar útil na proporção de seus meios, de aperfeiçoar a sua inteligência ou a dos outros, o que é também um trabalho. Se o homem a quem Deus concedeu bens suficientes para assegurar sua subsistência não está obrigado a comer o pão com o suor da fronte, a obrigação de ser útil a seus semelhantes é tanto maior para ele, quanto a parte que lhe coube por adiantamento lhe der maior lazer para fazer o bem


Que consigamos então ter o bom-senso de aplicarmos nossas energias em atividades úteis em detrimento das infrutíferas, bem como dosar nosso repouso de acordo.

Assim, conseguiremos ser mais produtivos em nossa própria vida e elementos benéficos na sociedade.


Leitura complementar:
A Lei do Trabalho (em O Livro dos Espíritos)

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- Falando sobre as Leis Morais
- A Lei Divina ou Lei Natural
- A Lei de Adoração
- A Lei do Trabalho
- A Lei de Reprodução


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

[Leis morais] A Lei de Adoração

Continuando o tema do último post, que tratou sobre a Lei Divina, hoje falaremos sobre a Lei de Adoração.

A Lei de Adoração é a segunda das Leis Morais que iremos abordar:

"649. Em que consiste a adoração?

— E a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração o homem aproxima de Deus a sua alma.
"

Como vimos no post anterior, o homem ao trilhar o caminho do bem, se aproxima de Deus. Porém em contrapartida, ao trilhar o caminho do mal, afasta-se do Criador.

Apesar de a vida densa na matéria nos bloquear as memórias, o ser humano sabe no íntimo de seu ser a sua origem.

A adoração é a busca da reconexão do homem com o seu Criador. Ao orar, meditar, elevar seu pensamento ou qualquer outro gesto de adoração, o homem eleva o padrão vibratório de sua alma, e diminui a distância que o separa do Pai.

Essa redução no distanciamento é o mais próximo que podemos chegar de uma conexão direta com Deus, enquanto encarnados. Mas é suficiente para nos proporcionar uma chuva torrencial de paz e amor.

Ao contrário do que popularmente se pensa, não é necessário proferir altas orações ou demorados cânticos para adorar a Deus. Aliás, de nada adianta a boca proferir palavras se o coração não possuir o sentimento de devoção.

Para adorar a Deus, basta a oração silenciosa, mas de coração. Vamos mais longe ainda dizendo que basta qualquer ato realizado de boa vontade, qualquer ato realizado com amor, para que se adore a Deus.

Para Deus, mais vale um coração repleto de bondade do que palavras proferidas com o coração vazio. Mais vale um abraço amigo no próximo do que horas de jejum e penitência com um coração envenenado.

Pois não é só através da prece que se adora a Deus, mas através de todo e qualquer ato de bondade e amor para com o próximo. Pois quem vai em auxílio do próximo, cumpre a lei divina e por isso mesmo se aproxima mais Dele.

"654. Deus tem preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira?

— Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-lo através de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.

Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para ele todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.

Aquele que só tem a aparência da piedade é um hipócrita; aquele para  quem a adoração é apenas um fingimento e está em contradição com a própria conduta dá um mau exemplo.

Aquele que se vangloria de adorar ao Cristo mas que é orgulhoso, invejoso e ciumento, que é duro e implacável com os outros ou ambicioso dos bens mundanos, eu vos declaro que só tem a religião nos lábios e não no coração.[...]

Não pergunteis, pois, se há uma forma de adoração mais conveniente, porque isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado numa língua do que em outra. Digo-vos ainda uma vez: os cânticos não chegam a ele senão pela porta do coração.
"


"4 – As condições da prece foram claramente definidas por Jesus. Quando orardes, diz ele, não vos coloqueis em evidência, mas orai em secreto. Não fingi orar demasiado, porque não será pelas muitas palavras que serão atendidos, mas pela sinceridade delas. Antes de orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-a, porque a prece não poderia ser agradável a Deus, se não partisse de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade. Orai, enfim, com humildade, como o publicano, e não com orgulho, como o fariseu. Examinai os vossos defeitos, e não as vossas qualidades, e se vos comparardes aos outros, procurai o que existe de mal em vós."

A prece é o meio mais comum de adoração. Pode ser usada para adorar, pedir ou agradecer. Ao elevar nosso pensamento a Deus em prece, podemos encurtar a distância que nos separa do criador. Nossa vibração se eleva e sintonizamo-nos com as mais altas frequências que nossa alma é capaz de alcançar.

Mas após a prece, voltamos a nos ocupar com as tarefas mundanas e pouco a pouco vamos novamente baixando a nossa vibração, perdendo a sintonia com as energias do bem.

Não é necessário que estejamos 24 horas por dia orando para que estejamos conectados ao Pai.

Basta realizarmos todas as nossas atividades diárias com amor e com boa vontade. Tratando nosso próximo da mesma maneira. Lembrando de Deus e lhe agradecendo quando algo de bom nos sucede. Pedindo-lhe forças e paciência quando as coisas ficam difíceis. Pedindo inspiração antes de iniciar uma tarefa.



"11 – Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Ele adquire assim a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, quando dele se afastou; e assim também podem desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas. Um homem, por exemplo, sente a sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim dos seus dias, uma vida de sofrimento. Tem o direito de queixar-se, se não conseguir a cura? Não, porque poderia encontrar na prece a força para resistir às tentações.

13 – Ao atender o pedido que lhe é dirigido, Deus tem freqüentemente em vista recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora. Eis porque a prece do homem de bem tem mais merecimento aos olhos de Deus, e sempre maior eficácia. Porque o homem vicioso e mau não pode orar com o fervor e a confiança que só o sentimento da verdadeira piedade pode dar. Do coração do egoísta, daquele que só ora com os lábios, não poderiam sair mais do que palavras, e nunca os impulsos da caridade, que dão à prece toda a sua força. Compreende-se isso tão bem que, instintivamente, preferimos recomendar-nos às preces daqueles cuja conduta nos parece que deve agradar a Deus, pois que são melhores escutados.
"

É a intenção o motor de todas as coisas, e para a adoração não seria diferente. Se o nosso coração está repleto de amor, certamente conseguiremos passar muitas horas conectados com as vibrações benéficas e salutares que provém de Deus.

Que não nos preocupemos com cerimônias, rituais ou sacrifícios, mas sim que façamos o sacrifício mais agradável a Deus: agir em auxílio do próximo.


Esperamos que este estudo tenha sido esclarecedor. Deixamos a área de comentários à disposição para as dúvidas dos nossos leitores.


Leituras complementares:
A Lei de Adoração (em O Livro dos Espíritos)

Capítulo 27 – Pedi e obtereis (em O Evangelho Segundo o Espiritismo)

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