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sábado, 5 de julho de 2014

Coerência entre palavras e atitudes

"Todos os que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os seus preceitos? São cristãos esses que o honram através de atos exteriores de devoção, e ao mesmo tempo sacrificam no altar do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de todas as suas paixões? São seus discípulos esses que passam os dias a rezar, e não se tornam melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com os seus semelhantes? Não, porque, à semelhança dos fariseus, têm a prece nos lábios e não no coração. Servindo-se apenas das formas, podem impor-se aos homens, mas não a Deus. É em vão que dirão a Jesus: “Senhor, nós profetizamos, ou seja, ensinamos em vosso nome; expulsamos os demônios em vosso nome; comemos e bebemos convosco!” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois. Retirai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidade, que desmentis as vossas palavras pelas ações, que caluniais o próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério! Retirai-vos de mim, vós, cujo coração destila ódio e fel, vós que derramais o sangue de vossos irmãos em meu nome, que fazeis correrem as lágrimas em vez de secá-las! Para vós, haverá choro e ranger de dentes, pois o Reino de Deus é para os que são mansos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade de vossas palavras e de vossas genuflexões. A única via que está aberta, para alcançardes a graça em sua presença, é a da prática sincera da lei do amor e da caridade.”"

É necessário tomarmos todo o cuidado para não nos tornarmos cristãos somente da boca para fora. Nossas atitudes devem ser coesas com aquilo que nossa boca diz.

De que adianta irmos a um centro espírita e lá sermos pessoas amáveis e bondosas, mas quando sairmos de lá voltarmos para aquelas mesmas atitudes egoístas e hostis que nos são habituais?

De que adianta nosso discurso estar repleto de lindas palavras e nossas atitudes revelarem exatamente o oposto do que pregamos?

De que adianta repetirmos e enaltecermos os ensinamentos de Jesus e de todos os grandes sábios do passado se não procuramos entender o profundo significado deles?

De que adianta sabermos de cor todos os ensinamentos de Jesus se não os utilizamos para nos tornarmos pessoas melhores?

É fundamental que sempre façamos uma auto-análise para detectar se não estamos caindo no auto-engano. Porque se dermos atenção somente ao que sai de nossa boca, podemos cometer o equívoco de pensarmos que somos pessoas melhores do que realmente somos na prática.

É por isso que Jesus dizia: "nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."

Muitos terão profetizado e convertido nos quatro cantos do mundo, mas se não tiverem convertido a si próprios, de nada isso adiantará. Estarão ainda repletos de defeitos e impurezas, pois em vez de agir como homens que pensam antes de falar, agiram como papagaios repetindo sons sem pensar.

Queremos ser estes papagaios? Ou queremos ser pessoas sensatas, bondosas, benevolentes, humildes e honestas?

Fica a reflexão.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Não é necessário ser um monge para seguir os ensinamentos do Cristo

Existe uma falsa idéia de que para seguir aos ensinamentos de Cristo é necessário ser um padre, monge, asceta ou qualquer coisa do tipo. Esse conceito se formou em tempos muito remotos e permanece até hoje.

Talvez essa idéia seja motivada por aquelas ocasiões em que Jesus dizia: "vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue-me". Mas se observarmos com a devida atenção, veremos que Jesus só usou dessa orientação para com aqueles que eram excessivamente apegados ao dinheiro e ao materialismo. Nada mais era do que um teste, para saber se aqueles aspirantes a seguidores realmente queriam segui-lo de coração, ou seja, se estariam dispostos a largar seus vícios e paixões.

Hoje, o Espiritismo nos faz refletir sobre todo esse legado deixado por Jesus, a fim de compreendermos quais eram as verdadeiras lições por trás das parábolas e dos exemplos que ele usava. Hoje conseguimos perceber que não é vendendo tudo o que temos e dando o dinheiro aos pobres é que seremos seguidores de Jesus.

Hoje sabemos que as atitudes exteriores não fazem a menor diferença. De que adianta uma pessoa livrar-se de tudo o que tem se em seu coração continuar cultivando a cobiça, a ganância e o apego? De que adianta orar de joelhos em um templo se o seu coração está cheio de ódio, mágoa, egoísmo e orgulho?

Não são os atos exteriores que tornam as pessoas seguidores do Cristo. Para seguir aos ensinamentos de Jesus é necessário que a mudança seja feita de dentro para fora, com pensamentos corretos, palavras corretas e atitudes corretas. Sendo imprescindível que as palavras e atitudes sejam coerentes com os pensamentos.

De que vale um homem que profere palavras santas se o seu coração é cheio de podridão? De que adianta saber os ensinamentos de cor se eles não forem postos em prática?

Por isso que Jesus já advertia: "reconhece-se a árvore por seus frutos. Uma árvore ruim não pode dar bons frutos, e uma árvore boa não pode dar maus frutos". Isso quer dizer: se conhecem as pessoas por suas atitudes.

E esta mesma frase nos é reforçada pelo Espiritismo: "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações".

Portanto, não é necessário que sejamos padres, monges ou ascetas para seguir aos ensinamentos do Cristo. É necessário que nossos pensamentos, palavras e ações estejam de acordo com esses ensinamentos.

Quando vemos um homem de terno e gravata, logo pensamos: "é um homem digno". E se eu lhe dissesse que o seu coração está corroído pela maldade e o desejo de vingança?

Quando vemos um homem esfarrapado, logo pensamos: "é um vagabundo ou alguém de má vida". E se eu lhe dissesse que aquele homem esfarrapado faz o máximo de bem que pode com os seus poucos recursos?

Não se deve julgar uma pessoa pelo que ela aparenta ser. Assim como ser cristão não é algo baseado em aparências, mas em atitudes.

Sigamos pois o Cristianismo por seus ensinamentos, e tornemo-nos exemplos vivos deles. "Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fosse feito e não fazer ao próximo o que não gostaríamos que nos fosse feito", "pagar o mal com o bem", "fazer o bem sem ostentação", "não julgar, se não quisermos ser julgados", "não servir a Deus e a Mamon" e todos os demais ensinamentos deixados podem ser praticados por toda e qualquer pessoa: um médico, um bancário, um pedreiro, um motorista, o presidente de uma empresa, um mendigo, etc.

Pois é necessário que esses ensinamentos estejam em prática dentro de nós, moldando nossa moral e nosso caráter. E isso, não precisa de representações exteriores. Conheceremos a boa árvore por seu fruto, e não por suas flores.

Ser um verdadeiro Cristão é ser um exemplo vivo da bondade, do amor, da humildade, da justiça, da benevolência e de todas as virtudes que existem.

"16 – “Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. Escutai estas palavras do mestre, todos vós que repelis a doutrina espírita como obra do demônio! Abri os vossos ouvidos, pois chegou o momento de ouvir! Será suficiente trazer a libré do Senhor, para ser um fiel servidor? Será bastante dizer:“ Sou cristão ”, para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. “Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos”. – “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada no fogo”. – Eis as palavras do Mestre. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e fé. O Cristianismo, como o vem fazendo desde muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes, procurando distribuir os seus frutos. Mas quão poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Quiseram moldá-la segundo as suas idéias, modelá-la de acordo com as suas conveniências. Para isso a cortaram, diminuíram, mutilaram. Seus ramos estéreis já não produzem maus frutos, pois nada mais produzem. O viajor sedento que se acolhe à sua sombra, procurando o fruto de esperança, que lhe deve dar força e coragem, encontra apenas os ramos adustos, pressagiando mau tempo. É em vão que busca o fruto da vida na árvore da vida: as folhas tombam secas aos pés. A mãos do homem tanto as trabalharam, que acabaram por crestá-las!

            Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância os seus frutos divinos. Deixai-a assim como o Cristo vo-la deu: não a mutileis. Sua sombra imensa quer estender-se por todo o universo; não lhe corte a ramagem. Seus frutos generosos caem em abundância, para alentar o viajor cansado, que deseja chegar ao seu destino. Não os amontoeis, para guardá-los e deixá-los apodrecer, sem servirem a ninguém. “São muitos os chamados e poucos os escolhidos”. É que há os açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis entre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos. Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. “Não se colhem uvas dos espinheiros”. Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

            O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: “Os que me dizem Senhor, Senhor, nem todos entrarão no Reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. Que o Senhor das bênçãos vos abençoe, que o Deus da luz vos ilumine; que a árvore da vida vos faça com abundância a oferenda dos seus frutos! Credes e orai!
SIMEÃO, Bordeaux, 1863.
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