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sábado, 29 de junho de 2013

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Hoje o nosso estudo é sobre a lei de sociedade, que nos faz refletir sobre a importância do convívio em grupo, para benefício de todos.

"766. A vida social é natural?

— Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.

767. O isolamento absoluto é contrário a lei natural?

— Sim, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.

768. O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, de ordem geral?

O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer não possui todas as faculdades; precisa do contato dos outros homens. No isolamento ele se embrutece e se estiola.

Comentário de Kardec: Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem o seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.

769. Concebe-se que, como principio geral, a vida social esteja nas leis da Natureza. Mas como todos os gostos são também naturais, por que o do isolamento absoluto seria condenável, se o homem encontra nele satisfação?

— Satisfação egoísta. Há também homens que encontram satisfação na embriaguez; aprovas isso? Deus não pode considerar agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém.


770. E que pensar dos homens que vivem em reclusão absoluta para fugirem ao contato pernicioso do mundo?

— Duplo egoísmo.


770 – a) Mas se esse retraimento tem por fim uma expiação, com a imposição de penosa renúncia, não é meritório?

Fazer maior bem do que o mal que se tenha feito, essa é a melhor expiação. Com esse retraimento, evitando o mal o homem cai em outro, pois esquece a lei de amor e caridade.

771. Que pensar dos que fogem do mundo para se devotarem ao amparo dos infelizes?

— Esses se elevam ao se rebaixarem. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos prazeres materiais e de fazerem o bem pelo cumprimento da lei do trabalho.


771 – a) E os que procuram no retiro a tranqüilidade necessária a certos trabalhos?

— Esse não é o retiro absoluto do egoísta; eles não se isolam da sociedade, pois trabalham para ela.


772. Que pensar do voto de silêncio prescrito por algumas seitas desde a mais alta Antiguidade?

— Perguntai antes se a palavra é natural e por que Deus a deu. Deus condena abuso e não o uso das faculdades por ele concedidas. Não obstante, o silêncio é útil porque no silêncio te recolhes, teu espírito se torna mais livre e pode então entrar em comunicação conosco. Mas o voto de silêncio é uma tolice. Sem dúvida, os que consideram essas privações voluntárias como atos de virtude tem boa intenção, mas se enganam por não compreenderem suficientemente as verdadeiras leis de Deus.

Comentário de Kardec: O voto de silêncio absoluto, da mesma maneira que o voto de isolamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem fornecer as ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso.

774. Há pessoas que deduzem, do abandono das crias pelos animais, que os laços de família entre os homens não são mais que o resultado de costumes sociais e não uma lei natural. Que devemos pensar disso?

— O homem tem outro destino que não o dos animais; por que, pois, querer sempre identificá-los? Para ele, há outra coisa além das necessidades físicas; há a necessidade do progresso. Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família resumem os liames sociais; eis porque eles constituem uma lei natural. Deus quis que os homens, assim, aprendessem a amar-se como irmãos. (Ver item 205.)"


O convívio coletivo é fundamental para evolução do homem.

Olhando sob o aspecto social, os homens com os seus diferentes conhecimentos e experiências, podem contribuir uns com os outros, realizando os mais elaborados projetos. Como se construiria uma casa, sem os profissionais que fabricam os tijolos, o cimento, as telhas, os canos? E sem os que transportam tudo isso? Nessa simples analogia já percebemos que sozinhos nosso meio de ação é limitado, mas em grupo podemos ir muito além.

E mesmo que possuíssemos todos estes profissionais para construir e transportar os elementos da casa, ainda precisaríamos de alguém que coordenasse a obra. Assim, cada um é útil na sua linha de atuação, com os seus conhecimentos e habilidades, e pode beneficiar inúmeras pessoas com isso.

Olhando pelo aspecto espiritual, penetramos mais fundo nesta questão. Onde o homem poderia exercer suas virtudes se vivesse isolado? Como aprenderia a ter paciência se não fosse diariamente submetido a situações de estresse? Como conseguiria ter forças para lutar contra os vícios se não estivesse exposto a eles diariamente? Faria o bem a quem, se vivesse isolado?

A vida social portanto, nos fornece todos os meios de identificarmos as nossas falhas morais e nos dá todas as ocasiões para exercitarmos nossas virtudes. É a grande escola da vida.

A vida em família acentua mais ainda esse aspecto, pois quando não gostamos de nossa cidade, podemos nos mudar. Quando não gostamos de nosso emprego, podemos trocar por outro. Mas nossa família, querendo ou não, não podemos trocá-la. E é por isso que ela é a maior ferramenta de progresso que dispomos, pois dela não podemos escapar, temos que enfrentar todas as situações adversas que ela nos proporcionar, seja por nossa causa ou por causa dos outros.

Assim, vemos quão importante é viver coletivamente. Deus sempre nos dá todas as ferramentas de que precisamos para o nosso progresso e age por meios tão sutis que pensamos ser obra do acaso.

Só depende de nós usarmos essas ferramentas para nossa evolução.



Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação


Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade 

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]




quarta-feira, 26 de junho de 2013

O ódio e a cólera

Hoje iniciamos um novo ciclo de temas, onde falaremos das falhas morais. Esse estudo é necessário para que identifiquemos as falhas que ainda possuímos e possamos as eliminar. Iniciaremos falando hoje sobre o ódio e a cólera.

Jesus veio ao mundo ensinar a mensagem do amor e do perdão. Isso não seria necessário se naquele tempo não prevalecessem o ódio, a cólera e a intolerância.

Mas ainda hoje vemos tais comportamentos como "comuns" na sociedade.

O ódio e a cólera são falhas morais que nos aproximam do barbarismo e da animalidade, caminho oposto para aqueles que desejam um dia alcançar a perfeição.

E porque ainda temos essas falhas? É devido ao nosso orgulho, que não aceita nenhuma ofensa. Ao mínimo sinal de que tenhamos sido rebaixados pelas palavras ou atitudes de outrem, o ódio já ganha terreno fértil para prosperar.

E assim seguimos odiando ao próximo (que muitas vezes nem sabe que nos ofendeu ou prejudicou), desejando-lhe o mal e o infortúnio.

Seguindo o princípio das trocas energéticas, onde o emissor precisa estar carregado para descarregar no receptor (como ocorre com os raios e com o calor), o mesmo acontece com a nossa energia: nos empregnamos com tudo de ruim antes mesmo que nosso pensamento de ódio chegue até o outro.

Não bastasse os inúmeros danos que essa situação projeta em nós, ainda estamos trilhando um caminho contrário ao ensinado pelo Cristo.

Se devemos fazer para o outro aquilo que gostaríamos que nos fosse feito, como poderemos desejar o mal para o próximo? Gostaríamos se alguém passasse o dia inteiro desejando o mal para nós? Certamente que não.

Tanto tempo já faz que Jesus esteve sobre a Terra, e ainda não aprendemos a grandiosa lição do amor.

O tempo que passamos odiando e desejando o mal, é somente um tempo perdido. É uma estagnação da alma, que deixa de evoluir. Se colhemos somente o que plantamos, o que acontece então quando só plantamos ódio, cólera e intolerância?

Aí quando chega o momento da colheita, nos desesperamos e maldizemos a providência por nossa infelicidade e por nossos sofrimentos. Foi Deus quem causou isso? Não, fomos nós mesmos.

Ninguém é vítima neste mundo, e aquele que hoje me prejudica pode ter sido prejudicado por mim em outra vida. Tudo o que nos acontece tem um propósito, que é sempre o do aprendizado e do crescimento.

Perdoar setenta vezes sete e pagar o mal com o bem, foi o que o Nazareno ensinou. Será que dessa vez conseguiremos pôr em prática?

Só depende de nós.


Leituras complementares do Evangelho Segundo o Espiritismo:
A cólera
O ódio
Perdoais para que Deus vos perdoe
O maior mandamento

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meditação

Você anda cansado da vida? Uma angustia resolveu morar dentro de seu peito? Dúvidas frequentes povoam seus pensamentos lhe tornando tenso e nervoso? 
Medite.......a paz morará dentro de você!
Não sabe meditar? nunca meditou? isso não é problema...eu ensino você!
Recolha-se em um ambiente tranquilo, onde possa tirar alguns minutos do dia e entregue-se. 
Coloque uma música apropriada( existem várias), acenda um incenso e mergulhe pra dentro de sua alma, deixe tudo lá fora...
Deixe sua mente vazia, sem perguntas e lembranças; virão diversos assuntos em sua mente, mas limpe-a.
Logo em seguida, relaxe seu corpo e aproveite o silêncio....o silencio do ambiente, da mente...
Aproveite a paz que começa a chegar..
Deixemos os questionamentos pra depois, quando estivermos com a paz sólida dentro de nós.
Tiramos tanto tempo pra diversas coisas inúteis...o que são 10 ou 15 minutinhos que fazem uma diferença enorme em nossa vida?
Acredite...funciona!
Em tempos tão tumultuados, a meditação é uma excelente opção!
Luz e Paz a todos!



sábado, 22 de junho de 2013

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição

Hoje estudaremos a lei de destruição, que nos esclarece sobre o fim das coisas e sobre os ciclos que regem a vida humana.

"728. A destruição é uma lei da Natureza?

É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar porque  isso a que chamais destruição não é mais que transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

728 – a) O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos com fins providenciais?

— As criaturas de Deus são os instrumentos de que ele se serve para atingir os seus fins. Para se nutrirem, os seres vivos se destroem entre si e isso com o duplo objetivo de manter o equilíbrio da reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e de utilizar os restos do invólucro exterior. Mas é apenas o invólucro que é destruído e esse não é mais que acessório, não a parte essencial do ser pensante, pois este é o princípio inteligente indestrutível que se elabora através das diferentes metamorfoses por que passa.

729. Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a Natureza os cerca de meios de preservação e conservação?

— Para evitar a destruição antes do tempo necessário. Toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do principio inteligente. Foi por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir.

730. Desde que a morte deve conduzir-nos a uma vida melhor, e que nos livra dos males deste mundo, sendo mais de se desejar do que de se temer, por que o homem tem por ela um horror instintivo que a torna motivo de apreensão?

— Já o dissemos. O homem deve procurar prolongar a sua vida para cumprir a sua tarefa. Foi por isso que Deus lhe deu o instinto de conservação e esse instinto o sustenta nas suas provas; sem isso, muito freqüentemente ele se entregaria ao desânimo. A voz secreta que o faz repelir a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa pelo seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, ela o adverte de que deve aproveitar o tempo que Deus lhe concede,mas o ingrato rende geralmente graças à sua estrela, em lugar do Criador.


731. Por que, ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?

— O remédio ao lado do mal; já o dissemos, para manter o equilíbrio e  servir de contrapeso.

732. A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?

É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e desaparece num estado físico e moral mais apurado. Nos mundos mais avançados que o vosso, as condições de existência são muito diferentes.

733. A necessidade de destruição existirá sempre entre os homens na Terra?

— A necessidade de destruição diminui entre os homens à medida que o Espírito supera a matéria; é por isso que ao horror da destruição vedes seguir-se o desenvolvimento intelectual e moral.

734. No seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?

Esse direito é regulado pela necessidade de prover à sua alimentação e à sua segurança; o abuso jamais foi um direito.

735. Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança; da caça, por exemplo, quando não tem por objetivo senão o prazer de destruir, sem utilidade?

— Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois nesses casos ele cede aos maus instintos.


736. Os povos que levam ao excesso o escrúpulo no tocante à destruição dos animais têm mérito especial?

— É um excesso, num sentimento que em si mesmo é louvável, mas que se torna abusivo e cujo mérito acaba neutralizado por abusos de toda espécie. Eles têm mais temor supersticioso do que verdadeira bondade.

737. Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? E necessário ver o fim para apreciaras resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são freqüentemente necessários para fazer com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos(1). (Ver item 744.)

738. Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?

— Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. E o homem que não os aproveita; então, é necessário castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir a própria fraqueza.

738 – a) Nesses flagelos, porém, o homem de bem sucumbe como os perversos; isso é justo?

— Durante a vida, o homem relaciona tudo a seu corpo, mas, após a  morte, pensa de outra maneira. Como já dissemos, a vida do corpo é um quase nada; um século de vosso mundo é um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são. Apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo, eis o mundo real. (Ver item 85.) São eles os filhos de Deus e o objeto de sua solicitude. Os corpos não são mais que disfarces sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que dizimam os homens, eles são como um exército que, durante a guerra, vê os seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general tem mais cuidado com os soldados do que com as vestes.

738 – b) Mas as vítimas desses flagelos, apesar disso, não são vítimas?

— Se considerássemos a vida no que ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríamos. Essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar.
Comentário de Kardec: Quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo.

Se pudéssemos elevar-nos pelo pensamento de maneira a abranger toda a Humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.


739. Esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam?

— Sim, eles modificam algumas vezes o estado de uma região; mas o  bem que deles resulta só é geralmente sentido pelas gerações futuras.

740. Os flagelos não seriam igualmente provas morais para o homem, pondo-o às voltas com necessidades mais duras?

Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar a sua paciência e a sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo.

741. E dado ao homem conjurar os flagelos que o afligem?

— Sim, em parte, mas não como geralmente se pensa. Muitos flagelos são as conseqüências de sua própria imprevidência. Á medida que ele adquire conhecimentos e experiências, pode conjurá-los, quer dizer, preveni-los, se souber pesquisar-lhes as causas. Mas entre os males que afligem a Humanidade, há os que são de natureza geral e pertencem aos desígnios da Providência. Desses, cada indivíduo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, não lhe sendo possível opor nada mais que a resignação à vontade de Deus. Mas ainda esses males são geralmente agravados pela indolência do homem.

Comentário de Kardec: Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados em primeira linha a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra. Mas o homem não achou na Ciência, nos trabalhos de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, os meios de neutralizar ou pelo menos de atenuar tantos desastres? Algumas regiões antigamente devastadas por terríveis flagelos não estão hoje resguardadas? Que não fará o homem, portanto, pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar todos os recursos da sua inteligência e quando, ao cuidado da sua preservação pessoal, souber aliar o sentimento de uma verdadeira caridade para com os semelhantes? (Ver item 707.)

742. Qual a causa que leva o homem à guerra?

— Predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação  das paixões. No estado de barbárie, os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um. estado normal. A medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque ele evita as suas causas e, quando ela se faz necessária, ele sabe adicionar-lhe humanidade.


745. Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito?

— Esse é o verdadeiro culpado e necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer a sua ambição.

746. O assassínio é um crime aos olhos de Deus?

— Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida de um semelhante  interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal.         

747. Há sempre no assassínio o mesmo grau de culpabilidade?

— Já o dissemos: Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato.

748. Deus escusa o assassínio em caso de legítima defesa?

— Só a necessidade o pode acusar; mas, se pudermos preservar a nossa vida sem atentar contra a do agressor, é o que devemos fazer.


749. O homem é culpável pelos assassínios que comete na guerra?

— Não, quando é constrangido pela força; mas é responsável pelas crueldades que comete. Assim, também o seu sentimento de humanidade será levado em conta.

752. Podemos ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?

— É o próprio instinto de destruição no que ele tem de pior, porque, se  a destruição é às vezes necessária, a crueldade jamais o é. Ela é sempre a conseqüência de uma natureza má.


754. A crueldade não decorre da falta de senso moral?

Dize que o senso moral não está desenvolvido, mas não que está ausente; porque ele existe, em princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os transforma mais tarde em seres bons e humanos. Ele existe no selvagem como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não se abriu.

Comentário de Kardec: Todas as faculdades existem no homem em estado rudimentar ou latente e se desenvolvem segundo as circunstâncias mais ou menos favoráveis. O desenvolvimento excessivo de umas impede ou neutraliza o de outras. A superexcitacão dos instintos materiais asfixia, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento deste arrefece pouco a pouco as faculdades puramente animais.


757 O duelo pode ser considerado como um caso de legítima defesa?

— Não; é um assassínio e um costume absurdo, digno dos bárbaros.

Numa civilização mais avançada e mais moral, homem compreenderá que o duelo é tão ridículo quanto  os combates de antigamente encarados como o juízo de Deus.

758. O duelo pode ser considerado como um assassínio por parte daquele que, conhecendo sua própria fraqueza, está quase certo de sucumbir?

— E um suicídio.

758 – a) E quando as probabilidades são iguais,  é um assassínio ou um suicídio?                       

— E um e outro.

Comentário de Kardec: Em todos os casos, mesmo naqueles em que as possibilidades são iguais, o duelista é culpável porque atenta friamente e com propósito deliberado contra a vida de seu semelhante; em segundo lugar, porque expõe a sua própria vida inutilmente e sem proveito para ninguém.

759. Qual o valor do que se chama o ponto de honra em matéria de duelo?

— O do orgulho e da vaidade, duas chagas da Humanidade.


759 – a) Mas não há casos em que a honra está verdadeiramente empenhada e a recusa seria uma covardia?

— Isso depende dos costumes e dos usos. Cada país e cada século têm a respeito uma maneira diferente de ver. Quando os homens forem melhores e moralmente mais adiantados, compreenderão que o verdadeiro ponto de honra está acima das paixões terrenas e que não é matando ou se fazendo matar que se repara uma falta.

Comentário de Kardec: Há mais grandeza e verdadeira honra em se reconhecer culpado, quando se erra, ou em perdoar, quando se tem razão; e em todos os casos, em não se dar  importância aos insultos que não podem atingir-nos.

760. A pena de morte desaparecerá um dia da legislação humana?

— A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Os homens não terão mais necessidade de ser julgados pelos homens. Falo de uma época que ainda está muito longe de vós.

Comentário de Kardec: O progresso social ainda deixa muito a desejar, mas seríamos injustos para com a sociedade moderna se não víssemos um progresso nas restrições impostas á pena de morte entre os povos mais adiantados, e à natureza dos crimes aos quais se limita a sua aplicação. Se compararmos as garantias de que ajusta se esforça para cercar hoje o acusado, a humanidade com que o trata, mesmo quando reconhecidamente culpado, com o que se praticava em tempos que não vão muito longe, não poderemos deixar de reconhecer a via progressiva pela qual a Humanidade avança.

761. A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito quando elimina da sociedade um membro perigoso?

— Há outros meios de se preservar do perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento.
"


Tudo existe em ciclos, o exemplo está na natureza: as plantas nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. O mesmo acontece com os animais e com o homem.

Tudo o que é material um dia perece. Por isso quando tentamos compreender a destruição e o fim das coisas, devemos buscar uma ótica espiritual, e não material.

O que é o tempo de uma encarnação para o espírito que é imortal? É somente um breve momento. Mas um breve momento em que deve aproveitar para se depurar e tornar-se melhor, não disperdiçando-o.

Quando compreende que sendo o espírito imortal e o material perecível, deixa de sofrer com as perdas, sejam elas materiais ou mesmo a morte de entes queridos.

Só quando o homem percebe que é espírito e não corpo, é que muda a sua ótica e compreende o funcionamento do universo.


Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade 

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]




quarta-feira, 19 de junho de 2013

A piedade

"17 – A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah!, deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramais nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais! É verdade que essa ventura tem um certo amargor, porque surge ao lado da desgraça; mas se não apresenta o forte sabor dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio deixado por estes; pelo contrário, tem uma penetrante suavidade, que encanta a alma.

A piedade, quando profundamente sentida, é amor: o amor é devotamento é o olvido de si mesmo; e esse olvido, essa abnegação pelos infelizes, é a virtude por excelência, aquela mesma que o divino Messias praticou em toda a sua vida, e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime. Quando essa doutrina for devolvida à sua pureza primitiva, quando for admitida por todos os povos, ela tornará a Terra feliz, fazendo reinar na sua face à concórdia, a paz e o amor.

O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade, essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e vos arranca lágrimas de simpatia. Jamais sufoqueis, portanto, em vossos corações, essa emoção celeste, nem façais como esses endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante a feliz existência. Temei ficar indiferente, quando puderdes ser úteis! A tranqüilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do Mar Morto, que oculta na profundeza de suas águas a lama fétida e a corrupção.

Quanto a piedade está longe, entretanto, de produzir a perturbação e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Não há dúvida que a alma experimenta, ao contato da desgraça alheia, confrangendo-se, um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e recolhimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar ao céu, agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um amparo. A piedade é a melancólica, mas celeste precursora da caridade, esta primeira entre as virtudes, de que ela é irmã, e cujos benefícios prepara e enobrece.
MICHEL, Bordeaux, 1862."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 13, item 17)

A piedade é a sublime irmã da caridade. É ela que nos toca o âmago e nos impulsiona a agir para o bem do próximo.

Enquanto que a caridade consiste no ato puro e sincero de amor ao próximo, é a piedade que nos ajuda a identificar as oportunidades de sermos úteis.

De que adianta termos a motivação no bem e o desejo de ajudar se tapamos os olhos e não vemos as situações que nos rodeiam?

Seria tal como aquele trabalhador que tem vontade de trabalhar mas não vai procurar emprego.

As três virtudes maiores: a caridade, a piedade e a benevolência, que culminam todas no amor puro, incondicional e sincero, dependem de nossas outras virtudes já adquiridas.

Quando abandonamos o orgulho, o egoísmo e o apego, que são como uma camada de lodo sobre a nossa alma, respiramos mais leves, e livres dessa espessa camada obscura, nossas virtudes tem o terreno fértil para se desenvolverem.

E é nos corações purificados e férteis que essas três virtudes poderão existir em sua plenitude.

Então, para atingirmos este objetivo maior, devemos continuar nossa jornada de melhoramento interior, pois só assim a nossa tendência natural deixará de ser o mal e o materialismo e se tornará o bem e o amor.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O pai e o filho (trecho do livro Em Torno do Mestre)

Texto extraído do livro "Em Torno do Mestre", ditado pelo espírito Vinícius.

O pai e o filho

Pai: Que queres filho? Procuras-me com tanta insistência.
Filho: Quero riquezas, meu Pai. Desejo possuir largos cabedais, muitas fazendas, ouro e prata. Aspiro a ser um Creso.
Pai: Dar-te-ei o que pretendes, filho; porém, previno-te de que de novo me buscarás, porque não te sentirás satisfeito.

***
Pai: Aqui estou, filho, que desejas de mim, uma vez que me buscas com tanto interesse?
Filho: Quero saúde, força, vigor físico, resistência. Invejo os Hércules, os Ursos, os Titãs.
Pai: Terás o que solicitas de mim, filho. Não obstante advirto-te: de novo me procurarás, porque não te sentirás satisfeito.

***

Pai: Eis-me aqui, filho. Por que estás assim aflito e me chamas com tamanha impaciência?
Filho: Pai, tenho sede de domínio, de poder, de autoridade. Meu desejo é governar, é conquistar reinos, dominar nações, imperando discricionariamente sobre povos e raças. Tenho por modelos — Napoleão e Júlio César.
Pai: Será deferida a tua petição, filho. Contudo, permite que te observe: de novo me demandarás, porque não te sentirás satisfeito.

***

Pai: Por que bates assim sofregamente nos tabernáculos eternos? Sossega, acalma-te e fala.
Filho: Pai, sou ávido de glórias; a fama me fascina, a notoriedade me arrebata. Nenhuma alegria terei, enquanto não lograr este meu intento. Quero perceber sobre a fronte a coroa de louros que ostentaram os sábios, os grandes poetas, os escritores célebres. Anelo ser Camões, Cícero,Hipócrates.
Pai: Serás atendido, alcançando o que tanto ambicionas.
Todavia, aviso-te de que de novo voltarás à minha procura, por isso que não te sentirás satisfeito.

***

Pai: Aqui estou, filho, pede o que desejas, dize o que pretendes de mim.
Filho, finalmente: Pai, quero amar e ser amado. Sinto incontido anseio de expandir o meu coração. Vejo-me constrangido numa atmosfera asfixiante. Meu sonho é amar amplamente, incomensuravelmente. Meu maior desejo é sentir palpitar em mim a vida de todos os seres. Quero o amor sem restrições, ilimitado, infinito. Quero amar com toda a capacidade de meu coração, assim como os pulmões sadios respiram na floresta, nos montes, nos campos e nos bosques!
Meu ideal, Pai, é o Filho de Maria, o Profeta de Nazaré, aquele que morreu na cruz por amor da Humanidade.
Pai: Sê bendito, meu filho. Terás aquilo a que tão sabiamente aspiras. Não me procurarás mais, porque sentirás em ti a plenitude da vida: de ora em diante serás uno comigo.

sábado, 15 de junho de 2013

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Hoje seguiremos nosso estudo das leis morais com a lei de conservação. Normalmente eu destaco as principais questões, mas neste caso as questões foram todas tão pertinentes que coloquei praticamente todas. Após a leitura delas, seguirá o habitual comentário.

702. O instinto de conservação é uma lei da Natureza?

— Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o seu  grau de inteligência; nuns é puramente mecânico e noutros é racional.


703. Com que fim Deus concedeu a todos os seres vivos o instinto de conservação?

— Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Depois, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.

704. Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?

— Sim, e se ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia  dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. É por isso que faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos  os seus habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.

705. Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?

— E que o homem a negligencia, o ingrato, e no entanto ela é uma excelente mãe. Freqüentemente ele ainda acusa a Natureza pelas conseqüências da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se. Se ela não supre a todas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que se destina ao necessário. Vede o árabe no deserto como encontra sempre do que viver, porque não cria necessidades fictícias. Mas quando metade dos produtos é desperdiçada na satisfação de fantasias, deve o homem se admirar de nada encontrar no dia seguinte e tem razão de se lastimar por se achar desprevenido quando chega o tempo de escassez? Na verdade, eu vos digo que não é a Natureza a imprevidente, é o homem que não sabe regular-se.


706. Como bens da terra devemos entender apenas os produtos do solo?

— O solo é a fonte primeira de que decorrem todos os outros recursos, porque esses recursos, em, última instância, são apenas uma transformação dos produtos do solo. É por isso que devemos entender pelos bens da terra tudo quanto o homem pode gozar nesse mundo.

707. Os meios de subsistência faltam freqüentemente a certos indivíduos, mesmo em meio da abundância que os cerca; a que se deve ligar esse fato?

— Ao egoísmo dos homens que nem sempre fazem o que devem; em seguida, e o mais freqüentemente, a eles mesmos. Buscai e achareis; estas palavras não querem dizer que seja suficiente olhar para a terra a fim de encontrar o que se deseja, mas que é necessário procurar com ardor e perseverança, e não com displicência, sem se deixar desanimar pelos obstáculos que muito freqüentemente não passam de meios de pôr à prova a vossa constância, a vossa paciência e a vossa firmeza. (Ver item 534.)

Comentário de Kardec: Se a civilização multiplica as necessidades, também multiplica as fontes de trabalho e os meios de vida; mas é preciso convir que nesse sentido ainda muito lhe resta a fazer. Quando ela tiver realizado a sua obra. ninguém poderá dizer que lhe falte o necessário, a menos que o falte por sua própria culpa. O mal, para muitos, é viverem uma vida que não é a que a Natureza lhes traçou; é então que lhes falta a inteligência para vencerem. Há para todos um lugar ao sol, mas com a condição de cada qual tomar o seu e não o dos outros. A Natureza não poderia ser responsável pelos vícios da organização social e pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.                      

Seria preciso ser cego, entretanto, para não se reconhecer o progresso que nesse sentido têm realizado os povos mais adiantados.

Graças aos louváveis esforços que a Filantropia e a Ciência, reunidas, não cessam de fazer para a melhoria da condição material dos homens, e malgrado o crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção é atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos nada têm de comparável aos de há bem pouco tempo. A higiene pública, esse elemento tão essencial da energia e da saúde, desconhecido por nossos pais, é objeto de uma solicitude esclarecida; o infortúnio e o sofrimento encontram lugares de refúgio; por toda parte a Ciência é posta em ação, contribuindo para o acréscimo do bem-estar. Pode-se dizer que atingimos a perfeição? Oh!, certamente que não. Mas o que já se fez dá-nos a medida do que pode ser feito, com perseverança, se o homem for bastante sensato para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e não nas utopias que o fazem recuar em vez de avançar.

708. Não há situações em que os meios de subsistência não dependem absolutamente da vontade do homem e a privação do necessário, até o mais imperioso, é uma conseqüência das circunstâncias?

— E uma prova freqüentemente cruel que o homem deve sofrer e à qual subia que seria exposto; seu mérito está na submissão à vontade de Deus, se a sua inteligência não lhe fornecer algum meio de sair da dificuldade. Se a morte deve atingi-lo, ele deverá submeter-se sem lamentar, pensando que a hora da verdadeira liberdade chegou e que o desespero do momento final pode fazê-lo perder o fruto de sua resignação.


709. Aqueles que em situações críticas se viram obrigados a sacrificar os semelhantes para matar a fome, cometeram com isso um crime? Se houve crime, é ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?

— Já respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que devem ser duplamente punidos.

711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?                   

— Esse direito é a conseqüência da necessidade de viver. Deus não pode impor um dever sem conceder os meios de ser cumprido

712.Com que fim Deus fez atrativos os gozos dos bens materiais?

— Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e também para o provar na tentação.

712 – a) Qual o objetivo dessa tentação?

— Desenvolver a razão que deve preservá-lo dos excessos.

Comentário de Kardec: Se o homem não fosse instigado ao uso dos bens da Terra senão em vista de sua utilidade, sua indiferença poderia ter comprometido a harmonia do Universo. Deus lhe dá o atrativo do prazer que o solicita a realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo atrativo, Deus quis prova-lo também pela tentação, que o arrasta ao abuso, do qual a sua razão deve livrá-lo.


713. Os gozos têm limites traçados pela Natureza?

— Sim, para vos mostrar o termo do necessário; mas pelos vossos excessos chegais até o aborrecimento e com isso vos punis a vós mesmos.

714.Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos seus gozos?

— Pobre criatura que devemos lastimar e não invejar, porque está bem próxima da morte!

714 – a) É da morte física ou da morte moral que ele se aproxima?

— De uma e de outra.

Comentário de Kardec:  O homem que procura, nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu para guia e quanto maiores forem os seus excessos maior é o império que concedeu a sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a própria morte, que são a conseqüência do abuso, são também a punição da transgressão da lei de Deus.


715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?

— O sensato o conhece por intuição e muitos o conhecem à custa de suas próprias experiências.

716. A Natureza não traçou o limite do necessário em nossa própria organização?

— Sim, mas o homem é insaciável. A Natureza traçou limites de suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais.

717. Que pensar dos que açambarcam os bens da Terra para se proporcionarem o supérfluo, em prejuízo dos que não têm sequer o necessário?

— Desconhecem a lei de Deus e terão de responder pelas privações que ocasionarem.


Comentário de Kardec: O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. A civilização  criou necessidades que não existem no estado de selvageria, e os Espíritos que ditaram esses preceitos não querem que o homem civilizado viva como selvagem. Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. A civilização desenvolve o senso moral e ao mesmo tempo o sentimento de caridade que leva os homens a se apoiarem mutuamente. Os que vivem à custa das privações alheias exploram os benefícios da civilização em proveito próprio; não têm de civilizados mais do que o verniz, como há pessoas que não possuem da religião mais do que a aparência.

718. A lei de conservação obriga-nos a prover as necessidades do corpo?

— Sim, pois sem a energia e a saúde o trabalho é impossível.

719. O homem é censurável por procurar o bem-estar?

— O bem-estar é um desejo natural. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação, e não considera um crime a procura do bem-estar, se este não for conquistado às expensas de alguém e se não enfraquecer as vossas forças morais nem as vossas forças físicas.

720. As privações voluntárias, com vistas a uma expiação igualmente voluntária, têm algum mérito aos olhos de Deus?

— Fazei o bem aos outros e tereis maior mérito.


720 – a) Há privações voluntárias que sejam meritórias?

Sim: a privação dos prazeres inúteis, porque liberta o homem da matéria e eleva sua alma. O meritório é resistir à tentação que vos convida aos excessos e ao gozo das coisas inúteis; é retirar do necessário para dar aos que o não têm. Se a privação nada mais for que um fingimento, será apenas uma irrisão.


721. A vida de mortificações no ascetismo tem sido praticada desde toda a Antiguidade e nos diferentes povos; é ela meritória sob algum ponto de vista?

— Perguntai a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se não serve senão ao que a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísta, qualquer que seja o pretexto sob o qual se disfarce. Submeter-se a privações no trabalho pelos outros é a verdadeira mortificação, de acordo com a caridade cristã.

722. A abstenção de certos alimentos, prescrita entre diversos povos, funda-se na razão?

— Tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para a sua saúde, é permitido. Mas os legisladores puderam interditar alguns alimentos com uma finalidade útil. E para dar maior crédito às suas leis apresentaram-nas como provindas de Deus.

723. A alimentação animal, para o homem, é contrária à lei natural?

— Na vossa constituição física, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde para poder cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, segundo o exige a sua organização.

724. A abstenção de alimentos animais ou outros, como expiação é  meritória?                                                             

— Sim, se o homem se priva em favor dos outros, pois Deus não pode ver mortificação quando não há privação séria e útil. Eis porque dizemos que os que só se privam em aparência são hipócritas. (Ver item 720.)

725. Que pensar das mutilações praticadas no corpo do homem ou dos animais?

— A que vem semelhante pergunta? Perguntai sempre se uma coisa é útil. O que é inútil não pode ser agradável a Deus e o que é prejudicial lhe é sempre desagradável. Porque, ficai sabendo, Deus só é sensível aos sentimentos que elevam a alma para ele, e é praticando as suas leis, em vez de violá-las, que podereis sacudir o jugo de vossa matéria terrena.

726. Se os sofrimentos deste mundo nos elevam, conforme os suportamos, poderemos elevar-nos pelos que criarmos voluntariamente?

— Os únicos sofrimentos que elevam são os naturais, porque vêm de  Deus. Os sofrimentos voluntários não servem para nada, quando nada valem para o bem de outros. Crês que os que abreviam a vida através de rigores sobre-humanos, como o fazem os bonzos, os faquires e alguns fanáticos de tantas seitas, avançam na sua senda ? Por que não trabalham, antes em favor dos seus semelhantes? Que vistam o indigente, consolem o que chora trabalhem pelo que está enfermo, sofram privações para o alívio dos infelizes e então sua vida será útil e agradável a Deus. Quando, nos sofrimentos voluntários a que se sujeita, o homem não tem em vista senão a si mesmo trata-se de egoísmo; quando alguém sofre pelos outros, pratica a caridade; são esses os preceitos do Cristo.

727. Se não devemos criar para nós sofrimentos voluntários que não são  de nenhuma utilidade para os outros, devemos, no entanto, preservar-nos dos que prevemos ou dos que nos ameaçam?

— O instinto de conservação foi dado a todos os seres contra os perigos e os sofrimentos. Fustigai o vosso Espírito e não o vosso corpo, mortificai vosso orgulho, sufocai o vosso egoísmo que se assemelha a uma serpente a vos devorar o coração e fareis mais pelo vosso adiantamento do que por meio de rigores que não mais pertencem a este século.


Deus não simplesmente nos joga na Terra entregues à nossa própria sorte: ele provê todos os meios para que possamos aqui viver e nos desenvolver, enquanto aqui estamos durante as nossas várias encarnações.

A Terra certamente teria recursos de sobra para dar conta de toda a atual população mundial, mas os homens com seu egoísmo preferem empilhar tesouros do que compartilhá-los com o seu próximo.

Não estamos falando aqui de regimes políticos e nem nada do tipo, estamos falando simplesmente da caridade. Imaginemos, se todos os homens de grandes posses usassem metade de sua fortuna para amparar aos necessitados. Será que ainda haveriam povos vivendo na miséria?

A lei de conservação nos traz uma perspectiva bem concreta sobre a vida material. Nos mostra que apesar de ter todas as ferramentas, o homem precisa pôr em uso suas faculdades para prover a sua subsistência, independente da posição que ocupe no mundo.

Porém o homem frequentemente perde-se na medida entre o necessário e o supérfluo, deixando-se levar pelos modismos e pela ostentação. Acaba vivendo num materialismo sem fim, pensando ser essa a grande felicidade.

Durante muitos anos eu mesmo tentava entender qual seria o ponto de equilíbrio entre a vida material e a vida espiritual: será que deveríamos virar monges? Será que teria problema em nos chafurdarmos em todos os prazeres da matéria?

Eis que aí entra o estudo espírita, sempre nos ensinando o caminho do bom-senso. Somos espíritos vivendo encarnados em um mundo completamente material. E isso por si só já nos é uma provação e um grande meio de aprendizado. É necessário buscar a nossa melhoria espiritual sem deixar a vida na matéria de lado. Mas como?

Parece complicado, mas não é. É difícil, mas simples. Procurando adquirir e aumentar as virtudes em nós mesmos diariamente, fazendo o bem e por consequência, tentar abandonar os vícios, os defeitos e o materialismo.

Não há problema em se possuir as coisas materiais. A vida moderna nos exige um certo grau de materialismo, onde coisas que não antes existiam, como celulares e computadores, por exemplo, hoje se fazem necessários até mesmo para o trabalho.

Isso não quer dizer que precisemos trocar de celular de 6 em 6 meses. Ou que precisemos comprar o modelo mais caro da loja, por pura ostentação.

Se formos analisar friamente, de que nos adianta tantas posses materiais, se podemos morrer amanhã mesmo? E o que levaremos dessa vida? Nossos tesouros? Não, levaremos somente as posses da alma, as virtudes e as boas obras.

Não deveríamos então, pela lógica, nos dedicarmos mais em adquirir as riquezas da alma em vez das riquezas da matéria, já que não sabemos o momento de nossa partida?

São essas reflexões que são necessárias para entendermos como viver uma vida na matéria mas sem materialismo. Parece ambíguo? Mas não é.

O que define o materialismo é justamente o apego que temos pelas coisas e prazeres materiais. Podemos viver em meio à matéria, mas sem estarmos apegados a ela.

Mas para que isso ocorra, precisamos mudar a nossa forma de olhar o mundo e de interagir com ele.



Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução


Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição 

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade 

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Email do leitor Luis, sobre o post "Caridade, perdão e humildade" - Parte 2

Seguimos aqui com a continuação da parte 1 (leia aqui) do debate com o leitor Luis Conforti.

- Segundo e-mail do Luis (em destaque os trechos que são citações minhas no e-mail anterior)

      Conf: O amigo se desejar publique a msg; a idéia é essa: tentar “colocar a luz sobre o velador”, como ensinou o mestre.

      Rapha:... fui reler o texto...:
      "Deus não perdoa o orgulhoso, pelo contrário, o faz passar por mais dificuldades, até que seu orgulho seja domado e dobre os seus joelhos em sinal de humildade."

      ... a idéia que pretendia passar é a de que quando o espírito não aprende pelos meios sutis, é necessário passar por provas mais difíceis, na tentativa de assim ser tocado pelas lições que antes não compreendeu.

      Conf: amigos, não se aborreçam com tantas questões q apresento (já perguntaram se meu teclado só tem ponto de interrogação e já levei puxões de orelhas por isso!). Minha intenção é contribuir para q os companheiros façam o q precisam fazer: questionar, raciocinar e, se possível, q abram os olhos e olhem para o mundo; q atendam aos sábios conselhos da codificação de q estudemos outras doutrinas, as críticas e contras q apresentam em relação à nossa e, até mesmo, pela comparação, q escolhamos seguir a que mais se harmonize com nosso íntimo. E (é) repetição daquele sábio conselho de Paulo: “estudai de tudo e guardai o q for bom!”

      Os amigos, verão q um assunto q nos impede de melhor entender a doutrina, ou qualquer doutrina religiosa, está na questão das desigualdades q, pelo que vemos no mundo, resultam em procedimentos desiguais, com isso levando uns a se encaminharem para o bem e, conseqüentemente, para a felicidade, e outros, para o mal, adquirindo imperfeições as mais monstruosas e, conseqüentemente, para extremas infelicidades, que virão das terríveis conseqüências da lei de causa e efeito.

      Então, para os jovens amigos raciocinarem: qual seria a causa dessa desigualdade entre nós espíritos, q exige provas mais difíceis para uns do q para outros, como vc disse?

      (O amigo, se referindo à onisciência, trouxe outra questão sobre q devemos raciocinar profundamente; se desejar, a abordaremos noutra ocasião, para q esta msg não se alongue demais).

      Rapha: Deus com certeza perdoa, até porque se Deus ficasse ofendido não seria perfeito. Deus não cria expectativas, pois é onisciente, e portanto não pode se frustrar...
      Conf: aqui, o jovem disse algo q a doutrina não diz, mas com q, em certos termos, concordo. Pois, pela doutrina, o perdão divino não se estende a todas as transgressões e, nem mesmo, releva o “pecado”.

      Rapha: Quanto aos teus demais questionamentos, sabemos que todos somos criados simples e ignorantes, e que dependendo de nossas escolhas podemos seguir um caminho mais breve ou mais demorado até a perfeição.

      Conf: pois aí está a mesma questão: qual é a causa de fazermos escolhas desiguais? (é) evidente q, pela doutrina, resultarão em maiores sofrimentos para uns do q para outros, pois o caminho pode nos ser mais breve ou mais demorado, podendo, como diz a doutrina, resultar em multiplicadas encarnações a se estenderem até por milhões de anos, devido a essas escolhas. Qual é a causa dessas desigualdades? Quando e porq surgiram elas se, pela doutrina (por outras doutrinas também), em face da justiça divina, somos criados iguais?

      Rapha texto LE/114. Resp: “São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada.”

      Conf: aqui, a questão é a mesma, as desigualdades, pois se entende q, por livre vontade, uns de nós melhoram mais rápida ou facilmente do que outros.

      Rapha: LE/115. Resp: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade.”

      Conf: como vcs podem ver, sempre está presente a questão das desigualdades. Aí, uns submissos, outros reclamando das provas recebidas, fatos que beneficiarão os primeiros e que muito perturbarão o progresso dos segundos.

      Rapha: Então, pela minha atual compreensão, se hoje somos egoístas ou orgulhosos, isso decorre do caminho que escolhemos em existências passadas e das experiências que passamos decorrentes dessas escolhas. Certamente, ainda sem a maturidade suficiente para fazer boas escolhas, percorremos mais os caminhos tortuosos do que os corretos.

      Conf: pois aí está outra questão a raciocinar para entender melhor: pela doutrina, e pelo q vemos no mundo, os sofrimentos vêm dos erros q praticamos. Mas, aí, entra em cena a justiça divina q só faz sofrer quem merece sofrer (“o homem será punido naquilo em q pecou”) ou por aquelas exceções q a doutrina ensina: provas ou missões. Se sofremos porq somos egoístas e/ou orgulhosos, devido a escolha de caminhos errados, e se as escolhas erradas decorrem do fato de não termos ainda “maturidade suficiente para fazer boas escolhas”, onde está a culpa ou a responsabilidade do espírito por ser egoísta ou orgulhoso?

      Rapha: Mas se há um esquecimento quando encarnamos, é porque para isso há um propósito. É possível que as causas não sejam tão relevantes. Quem sabe seria mais produtivo focarmos nossos esforços nas soluções e não nos problemas?
      Conf: quem sabe...? Mas, não é esse o tema que agora estamos abordando, não é o mais importante...

      Rapha... quanto mais nos esclarecemos, mais fácil torna-se compreender nossos erros passados. Então quem sabe procuremos agir de maneira correta, sem olhar para trás, e conforme progredirmos compreenderemos mais o passado?

      Conf: vc está querendo dizer, portanto, q necessitamos de conhecer o passado, evidentemente para evitar a repetição de erros então cometidos, é isso? Que, então, não compreendíamos, de forma exata, q eram erros e, por isso os praticamos? Mas, se os praticamos, qual teria sido a causa de fazê-lo, senão a ignorância? Pois, não tínhamos maturidade suficiente e não compreendíamos! E óbvio q, se sábios fôssemos, nenhum erro praticaríamos, concorda?

      Rapha: Ninguém, em sã consciência, creio eu, opta por ser egoísta e orgulhoso... O orgulhoso acredita estar certo, por isso as tentativas de lhe abrir os olhos são normalmente em vão, até que um dia ocorra uma situação em sua vida que o motive a rever seus conceitos. Mas até lá, seguirá iludido, se achando certo quando na verdade está equivocado.

      Conf: pois é isso q acontece; contudo, qual é a causa de seu orgulho? E dessa desigualdade q faz uns egoístas e orgulhosos e outros não, ou em menor intensidade? E, mais importante, qual é a causa de seus sofrimentos, se ser orgulhoso ou egoísta não depende da vontade, ou escolha de ninguém; como vc mesmo acaba de dizer (e está certo nisso), não crê q alguém, q tenha sua consciência sã, escolha ser egoísta e/ou orgulhoso. Então, porq pela lei divina devemos ser, por isso, penalizados?

      Rapha: Portanto, penso que ninguém escolha por si mesmo ser "mau". Com certeza há aqueles que se comprazem na maldade, mas ainda esses são ignorantes que não compreendem seus atos. Mas na maioria da população, acredito que existam mais erros por ignorância do que por escolha própria. Mas enfim, isso tudo é o nosso ponto de vista, que pode estar equivocado.
      Conf: é isso mesmo, e isso não é ponto de vista, não é opinião! E (é) conseqüência de raciocinar, observar e chegar a uma conclusão pela observação da vida, pelo raciocínio lógico pois, como poderia ser diferente disso, sendo q todos, pela doutrina, somos criados perfeitamente iguais pois não pode existir privilegiados dentro da concepção de uma perfeita justiça!

      Rapha: Aqui falamos do que compreendemos e de como compreendemos. Sabemos que o entendimento da Doutrina é proporcional à nossa evolução moral, e por isso podemos certamente errar ou não ter a compreensão exata.

      Conf: é evidente q aí esta presente a evolução intelectual, da qual a evolução moral é conseqüência pois, tudo q fazemos, todas as nossas decisões, escolhas certas ou erradas, todo o amor ou desamor, vem de nossa compreensão (intelecto), correta ou equivocada, de como devemos agir, em qualquer circunstância, compreensão q vem das influencias sobre nós exercidas pelas experiências/lições pela quais passamos na escola da vida.

      Rapha: A verdade certamente está na Doutrina, mas certamente não é nem em um ano e nem em dez que a compreenderemos por completo. Mas com certeza, degrau após degrau iremos todos progredindo, imbuídos do nosso objetivo de desta encarnação sairmos melhores do que quando aqui chegamos.

      Conf: não esquecer q a doutrina não é inquestionável, como as religiões dogmáticas; está aberta a questionamentos e mesmo a acatar novas verdades desde q cientificamente comprovadas (embora não tenha feito isso, ultimamente). A própria DE sabiamente aconselha a termos uma fé raciocinada, q a questionemos, q a comparemos com outras e, até q, se for o caso, escolhamos seguir outra, pois doutrina, ou religião é assunto de foro íntimo.

      Perceberam? Temos de, não simplesmente crer na  doutrina, em qualquer doutrina, pelo fato de termos confiança em suas fontes, mas usar nossa cabeça, questionar seus conceitos, compará-la com outras. Porq é que nosso mundo tem dezenas de denominações religiosas, cada uma com suas divisões e subdivisões, e cada uma se considerando a única certa? Há muitas coisas, pelo mundo, corretas, como há incorretas. O homem, inadvertidamente, escondeu a verdade sob uma montanha de conceitos e superstições tolas (nenhuma culpa lhes cabe por isso) que mais confundem do q explicam. Todas as doutrinas apresentam pontos, questões, respostas obscuras, estranhas, incoerentes e até contraditórias.  E, parece q, em geral, os q as estudam a mais tempo se acostumam a aceitar tudo e se tornam carregados de preconceitos q lhes impede uma correta compreensão, pois prejudicam os questionamentos e uma pesquisa mais apurada. Como me parece os produtores desse novo blog são jovens, lhes será mais fácil deixarem de lado condicionamentos q nos mais antigos são difíceis de remover.


- Segunda resposta do blog:

Luis,
Não nos aborrecemos com os questionamentos. Todo debate feito com respeito e dedicação é de grande valor para o maior aprendizado de todos os tópicos levantados. Com a nossa amada doutrina não seria diferente: o debate nos permite ver por ângulos diferentes dos quais costumamos ver, e com isso podemos crescer.
Para ser mais objetivo, responderei em tópicos, fica mais fácil para organizar as idéias.
--- Sobre a desigualdade entre os espíritos.
Penso que aqui cabe analisarmos dois aspectos: o moral e o intelectual. Como tu mesmo citastes, esses dois fatores interferem em nossas escolhas. Para que um espírito tome este ou aquele caminho, dependerá de diversas variáveis, peculiares ao momento em que vive e ao intelecto e moralidade que possui. Fazendo uma analogia: algumas pessoas escolhem um carro baseadas na potência, outras na economia, outras no espaço, outras no design, outras no modismo. E mesmo dentre essas, haverá diferentes poderes aquisitivos. Some-se a isso as opiniões dadas por familiares e amigos aconselhando que o comprador escolha o carro X ou Y. E cada um arcará com a manutenção do carro que comprar, seus pontos fortes e fracos.
Da mesma maneira procede conosco. A aparente desigualdade das provas e expiações depende da somatória das escolhas feitas e das variáveis envolvidas. Não podemos considerar somente uma existência, mas o encadeamento de todas elas. E em todas, o homem faz uso de seu livre arbítrio e de sua inteligência para fazer as suas escolhas.
--- Sobre a ignorância dos espíritos e a culpabilidade de seus atos.
Não podemos considerar todos totalmente ignorantes. Até mesmo porque alguns são ingorantes em algumas coisas, mas não em outras. O ignorante absoluto só existe nos mundos primitivos. Vejamos o que nos diz a lei natural, contida no Livro dos Espíritos:

619. Deus proporcionou a todos os homens os meios de conhecerem a sua lei?
- Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem; os que melhor a compreendem são os homens de bem e os que desejam pesquisá-la.Não obstante, todos um dia a compreenderão, porque é necessário que o progresso se realize.
Comentário de Kardec: A justiça da multiplicidade de encarnações do homem decorre deste princípio. pois a cada nova existência sua inteligência se torna mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é o bem e o que é o mal. Se tudo tivesse de se realizar numa só existência, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem diariamente no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles dependa o próprio esclarecimento? (Ver os itens 171a 222.)
620. A alma, antes de sua união com o corpo, compreende melhor a lei de Deus do que após a encarnação?
— Ela a compreende segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conserva a sua lembrança intuitiva após a união com o corpo; mas os maus instintos do homem freqüentemente fazem que ele a esqueça.
621. Onde está escrita a lei de Deus?
— Na consciência’.
621. a) Desde que o homem traz na consciência(1) a lei de Deus, que necessidade tem de que lha revelem?
— Ele a tinha esquecido e desprezado: Deus quis que ela lhe fosse lembrada.
622. Deus outorgou a alguns homens a missão de revelar a sua lei?
_ Sim, certamente; em todos os tempos houve homens que receberam essa missão. São Espíritos superiores, encarnados com o fim de fazer progredir a Humanidade.
626. As leis divinas e naturais só foram reveladas aos homens por Jesus e antes dele só foram conhecidas por intuição?
- Não dissemos que elas estão escritas por toda a parte? Todos os homens que meditaram sobre a sabedoria puderam compreendê-las e ensiná-las desde os séculos mais distantes. Por seus ensinamentos, mesmo incompletos, eles prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da Natureza, o homem pôde conhecê-las sempre que desejou procurá-las. Eis porque os seus princípios foram proclamados em todos os tempos pelos homens de bem, e também porque encontramos os seus elementos na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie, mas incompletos ou alterados pela ignorância e a superstição.

Sempre, de algum modo, foi possível aos homens distinguir o certo do errado. E com isso os homens adquiriram a responsabilidade por seus atos, sempre proporcional ao seu grau de conhecimento e de ignorância. Mas sempre tendo uma parcela de responsabilidade.

Jesus facilitou mais ainda, ensinando: "Faz ao próximo o que gostaria que te fosse feito e não faça ao próximo o que não gostaria que te fizessem". Todo aquele que tomou conhecimento desta máxima, adquiriu maiores responsabilidades, pois "muito é cobrado de quem muito recebeu". Nesta máxima estão contidos todos os ensinamentos do Cristo.
Podemos perceber então que não há somente os ignorantes, mas também os negligentes, e entre eles há uma notável diferença.

E seguimos na lei natural:

630. Como se pode distinguir o bem do mal?
— O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus;.fazer o mal é infringir essa lei.
631. O homem tem meios para distinguir por si mesmo o bem e o mal?
— Sim, quando ele crê em Deus e quando o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para discernir um e outro.
632. O homem, que é sujeito a errar, não pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem quando em realidade está fazendo o mal?
—Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos encanareis.
633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele, na lei natural, a regra desta conduta e um guia seguro?
— Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que. diz: chega!, evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.
634. Por que o mal se encontra na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em melhores condições?
—Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. (Ver item 115.) Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. E necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo. (Ver item 119.)
635. As diferentes condições sociais criam necessidades novas que não são as mesmas para todos os homens. A lei natural pareceria, assim, não ser uma regra uniforme?
— Essas diferentes condições existem na Natureza e estão de acordo com a lei do progresso. Isso não impede u unidade da lei natural, que se aplica a tudo.
Comentário de Kardec: As condições de existência do homem mudam segundo as épocas e os lugares, e disso resultam para ele necessidades diferentes e condições sociais correspondentes a essas necessidades. Desde que essa diversidade está na ordem das coisas é conforme à lei de Deus, e essa lei, por isso, não é menos una em seu princípio. Cabe à razão distinguir as necessidades reais das necessidades fictícias ou convencionais.
636. O bem e o mal são absolutos para todos os homens?
— A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre bem e o mal sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.

Adentrando no Livro Quarto, parte final do Livro dos Espíritos, nos deparamos com as seguintes questões:

920. O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa?
 — Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz, quanto se pode ser na Terra.
921. Concebe-se que o homem seja feliz na Terra quando a Humanidade estiver transformada, mas, enquanto isso não se verifica, pode cada um gozar de uma felicidade relativa?
 — O homem é, na maioria das vezes, o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele pode poupar-se a muitos males e gozar de uma felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.
Comentário de Kardec: O homem bem compenetrado do seu destino futuro não vê na existência corpórea mais do que uma rápida passagem. É como uma parada momentânea numa hospedaria precária. Ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos passageiros, numa viagem que deve conduzi-lo a uma situação tanto melhor quanto mais atenciosamente tenha feito os seus preparativos para ela.
Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes dessas infrações e pelos nossos próprios excessos Se remontarmos pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidades terrenas veremos a estas, na sua maioria, como a conseqüência de um primeiro desvio do caminho certo. Em virtude desse desvio inicial, entramos num mau caminho e de conseqüência em conseqüência, caímos afinal na desgraça.
933. Se é o homem, em geral, o artífice dos seus sofrimentos materiais sê-lo-á também dos sofrimentos morais?
 — Mais ainda, pois os sofrimentos materiais são, às vezes, independentes da vontade, enquanto o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, enfim constituem torturas da alma.
Inveja e ciúme!, felizes os que não conhecem esses dois vermes vorazes. Com a inveja e o ciúme, não há calma, não há repouso possível.  Para aquele que sofre desses males, os objetos da sua cobiça, do seu ódio e do seu despeito; se erguem diante dele como fantasmas que não o deixam em paz e o perseguem até no sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre contínua. É essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com essas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários e que a Terra se transforma para ele num verdadeiro inferno?
Comentário de Kardec: Muitas expressões figuram energicamente os efeitos de algumas paixões. Diz-se: está inchado de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito,  perder o apetite por ciúmes etc. esse quadro nos dá bem a verdade. Às vezes, o ciúme nem tem objeto determinado. Há pessoas que se mostram naturalmente ciumentas de todos os que se elevam, de todos os que saem da vulgaridade, mesmo quando não tenham no caso nenhum interesse direto, mas unicamente por não poderem atingir o mesmo plano. Tudo aquilo que parece acima do horizonte comum as ofusca, e, se formassem a maioria da sociedade, tudo desejariam rebaixar ao seu próprio nível. Temos nestes casos o ciúme aliado à mediocridade.
       O homem é infeliz ,geralmente, pela importância que liga às coisas deste mundo.  A vaidade, a ambição e a cupidez fracassadas o fazem infeliz. Se ele se elevar acima do circulo estreito da vida material, se elevar o seu pensamento ao infinito, que é o seu destino, as vicissitudes  da Humanidade lhe parecerão mesquinhas e pueris, como as mágoas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo que representava a sua felicidade suprema.
       Aquele que só encontra a felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto o que não se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que para os outros constituiria infortúnio.
       Referimo-nos aos homens civilizados porque o selvagem, tendo necessidades mais limitadas, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias; sua maneira de ver as coisas é muito diferente. No estado de civilização, o homem pondera  a sua infelicidade, a analisa, e por isso é mais afetado por ela, mas pode também ponderar e analisar os seus meios de consolação. Esta consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza do futuro.

Acredito que estas questões são suficientes para esclarecer o tema proposto, mostrando que não existem injustiças e nem desigualdades. A única desigualdade é a moralidade de cada um, e que interfere diretamente na sua maior ou menor felicidade, e nas suas mais duras ou brandas provas.

- Sobre conhecer o passado.
Não é necessário conhecer o passado para evitar a repetição de erros. Basta conhecermo-nos a nós mesmos e identificarmos nossas tendências, boas ou más, que aí estará implícito o nosso passado. Para progredir, o que necessitamos é distinguir o certo do errado (conforme tópico anterior) e nos empenharmos em seguir o caminho correto. Como diz no Livro dos Espíritos:

642. Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma melhor situação futura?

— Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
643. Há pessoas que, por sua posição, não tenham possibilidade de fazer o bem?
— Não há ninguém que não possa fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se fazer o bem, e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é apenas ser caridoso mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.

- Sobre a Doutrina e outras crenças.
Certamente, a Doutrina Espírita não é inquestionável. Mas pelo menos para mim, representa a mais apurada e objetiva doutrina com a qual tive contato. A única doutrina que trouxe o esclarecimento à todos os meus questionamentos e que me deu a perspectiva de que um futuro melhor é possível e só depende de nós.

Antes de estudar o Espiritismo, estudei diversas outras crenças, entre as principais: budismo, taoísmo, hinduísmo e confucionismo. Em todas elas aprendi muitas coisas, mas somente na Doutrina Espírita é que compreendi que não basta SABER, é preciso PRATICAR.
E sempre gosto de citar o raciocínio do codificador, presente na conclusão de O Livro dos Espíritos:

"Ele (o Espiritismo) torna felizes os que o compreendem, enquanto a sua influência não se estende sobre as massas. Mesmo aquele que não tenha testemunhado nenhum fenômeno material de manifestações dirá: além dos fenÔmenos há uma filosofia; essa filosofia me explica o que NENHUMA outra havia explicado; nela encontro, pelo simples raciocínio, uma demonstração racional dos problemas que  interessam no mais alto grau ao meu futuro; ela me proporciona a calma, a segurança, a confiança, me livra do tormento da incerteza e ao lado disso a questão dos fatos materiais se torna secundária. Vós todos, que o atacais, quereis um meio de o combater com sucesso? Ei-lo aqui. Substituí-o por alguma coisa melhor, encontrai uma solução MAIS FILOSÓFICA para todas as questões que ele resolve, dai ao homem OUTRA CERTEZA que o torna mais feliz, mas compreendei bem o alcance dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis de dizer que isso não é assim, pois é muito fácil negar. Provai, não por uma negação, mas através dos fatos que isso não é, jamais foi e nem PODE ser. E se isso não é, dizei sobretudo o que devia ser em seu lugar. Provai, por fim, que as conseqüências do Espiritismo não tornam os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que muito se louva mas pouco se pratica. Quando tiverdes feito isso, tereis o direito de o atacar. O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras, e porque sobretudo mostra essas penas e recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, oferecendo um quadro do futuro cm que nada pode ser contestado pela mais exigente razão."
Por fim, percebemos que a Doutrina Espírita nos traz as respostas para todas as questões, com explicações lógicas, sensatas e racionais. Entretanto, com esse volume imenso de esclarecimentos, já não poderemos mais alegar ignorância. É pois nosso dever não só estudar estes sábios ensinamentos como tentarmos com todas as nossas forças praticá-los.
Luís, te agradeço mais uma vez pela oportunidade de debatermos esses temas, a fim de refletirmos mais a fundo sobre eles e com isso melhor compreendê-los.

Se ainda tiveres a debater sobre os temas propostos, será mais uma vez com grande satisfação que debateremos, com os sucintos conhecimentos que adquirimos até o momento.
Um grande abraço,

Raphael Trevisan e amigos.

Email do leitor Luis, sobre o post "Caridade, perdão e humildade" - Parte 1

O leitor Luis Conforti iniciou conosco um debate sobre o post "Caridade, perdão e humildade" (clique aqui para ler). Segue abaixo, para que os leitores também possam aprender com esse debate.

- E-mail do Luis:

Referente ao seu texto 'Caridade, perdão e humildade', lhes envio este email pois o espaço para "comentários" é pequeno.

      Meus jovens amigos; parabéns pela iniciativa de um novo blog, com q tentam ensinar os demais.

      No entanto, a fé deve ser raciocinada, como bem aconselham os sensatos, para q não comamos “gato por lebre”; por isso, lhes apresentarei algumas considerações ou perguntas, para q, usando de um raciocínio profundo, não caiam nos mesmos erros de muitos q pensam q estão compreendendo aquilo de q nada estão compreendendo.  

      Primeiramente, percebam q, de modo nenhum, chegaremos a solucionar perfeitamente qualquer dúvida, problema ou questão, sem exceção de nenhum, se não mergulharmos até onde estão suas raízes, suas causas mais profundas, as causas reais que têm como efeito a questão q, hoje, queremos compreender. Nenhum julgamento ou compreensão correta nos virá se ficarmos na superfície do problema, como muitos fazem.

      Um exemplo: aquele homem é maldoso, violento, sempre embriagado, ofendendo os outros, um mau caráter; agora mesmo, acabou de ferir gravemente um companheiro; aqueles q o conhecem dirão: “mas ele é assim mesmo, sempre violento, agressivo, cheio de ódio, mau caráter; merece ser punido!” e, pronto!, o julgamento está feito! Mas esse é apenas um pseudo-julgamento, um julgamento falso ou injusto, pois q ninguém foi buscar conhecer as causas reais do porq ele é, hoje, assim.

      Ninguém, seja humano ou não humano, é violento, agressivo, perigoso, voltado para o mal, sem que alguma coisa o tenha feito ser assim. Do mesmo modo, ninguém é bondoso, pacífico, tranqüilo, voltado para o bem, se algo não o fez ser assim. Afinal, porq é q aquele homem se embriaga, é agressivo etc? Quem chegou a conhecer as verdadeiras causas de ele ser assim? Quem tem condições para fazer isso? Com certeza, vcs perceberão q ninguém tem condições! Talvez por isso, o Mestre tenha aconselhado: “não julgueis!”.

      Assim, indo ao texto apresentado pelo blog, pergunto: e qual será a causa de não sermos bons ao ponto de não perdoarmos aquele q nos fez, ou aos nossos, o mal? Qual é a causa de não termos amor no coração? De não sermos indulgentes, caridosos, generosos? De sermos viciosos, em vez de virtuosos? Se todos os males do mundo vêm do fato de sermos egoístas e orgulhosos, porq não somos solidários e humildes, para q nossa vida e a dos demais seja melhor?

      Mas, o orgulho, o egoísmo, nós mesmos decidimos, ou agimos de modo a tê-los em nós? Se o fato de sermos egoístas e orgulhosos nos impede de compreendermos as lições elevadas que poderão nos fazer melhores, mais felizes e, conseqüentemente, um mundo melhor, porq somos egoístas e orgulhosos?
      Porque, como o texto pergunta, somos tão hesitantes em dar a outra face? Porque nos é tão difícil perdoar o próximo? E o texto mesmo tem a resposta: "porq somos orgulhosos!".

      Percebam q nem o texto nem ninguém consegue dar uma resposta definitiva, inquestionável, do porq somos assim. As religiões e os religiosos, inclusive os seguidores da doutrina espírita, poderão ter a resposta a essas perguntas, mas, pelo q vemos em seus ensinamentos, não a aceitarão. 
      Usando argumentações do próprio texto: porq falhamos tantas vezes com o próximo e com a providência? Se a providência nos dá todos os meios necessários à nossa evolução, porq os neglicenciamos? E assim por diante...!

      Quem sabe nos dizer quais as reais causas de porq, afinal, somos assim, maldosos, hipócritas e não perdoamos aquele que nos prejudicou? Porq usamos dois pesos e duas medidas?
      Porq somos orgulhosos, se o orgulhoso Deus não perdoa mas, ao contrário, o faz passar por mais dificuldades, como diz o texto, até que seu orgulho seja domado? Nós mesmos inoculamos em nós mesmos o vírus de todas essas imperfeições? Porq têm de ser trazidos aos homens as lições q este blog está trazendo? Os homens mesmo, refletiram, pesaram as conseqüências terríveis que lhes virão se transgredirem as leis de Deus e, assim mesmo, depois, escolheram praticar o mal?

      Perceberam? Quais são as reais causas de sermos hoje o q somos, tão gigantescamente desiguais? E essa pergunta deve ser endereçada, com mais razão, àqueles q asseguram q, de início, somos todos iguais, pois porq nos tornamos gigantescamente desiguais, uns se encaminhando para o amor e a consequente felicidade, eqto outros vão para o mal, se enchem de monstruosas imperfeições e, em consequência, de infelicidade?


-  Resposta do blog:

Luis,

Fico muito feliz em receber teu e-mail, e mais ainda pelos questionamentos propostos.
Já de cara te peço autorização para publicá-lo no blog, e se posso colocar o teu nome nele.
O objetivo deste blog é justamente promover a reflexão. É levantar os tópicos para que os leitores se questionem sobre os assuntos propostos. E como este blog é feito de estudantes para estudantes, não temos a pretensão de estarmos certos em tudo.
Entretanto, é nossa obrigação passar informações corretas, para que os leitores não tenham compreensões equivocadas.
Quando recebi o teu e-mail, imediatamente fui reler o texto, e de cara encontrei um erro (que já corrigi):

"Deus não perdoa o orgulhoso, pelo contrário, o faz passar por mais dificuldades, até que seu orgulho seja domado e dobre os seus joelhos em sinal de humildade."
Infelizmente aqui eu quis transmitir uma idéia, mas escrevi da maneira errada. Deus com certeza perdoa, até porque se Deus ficasse ofendido não seria perfeito. Deus não cria expectativas, pois é onisciente, e portanto não pode se frustrar. Mas a idéia que se pretendia passar é a de que quando o espírito não aprende pelos meios sutis, é necessário passar por provas mais difíceis, na tentativa de assim ser tocado pelas lições que antes não compreendeu.
Quanto aos teus demais questionamentos, sabemos que todos somos criados simples e ignorantes, e que dependendo de nossas escolhas podemos seguir um caminho mais breve ou mais demorado até a perfeição.

114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?
“São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada.”

115. Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus?
“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provasque Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam
submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados daperfeição e da prometida felicidade.”

a) - Segundo o que acabais de dizer, os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de que carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida?
“Sim, a comparação é boa. A criança rebelde se conserva ignorante e imperfeita. Seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. Mas, a vida do homem tem termo, ao passo que a dos Espíritos se prolonga ao infinito.”

Então, pela minha atual compreensão, se hoje somos egoístas ou orgulhosos, isso decorre do caminho que escolhemos em existências passadas e das experiências que passamos decorrentes dessas escolhas.

Certamente, ainda sem a maturidade suficiente para fazer boas escolhas, percorremos mais os caminhos tortuosos do que os corretos.
 
Mas se há um esquecimento quando encarnamos, é porque para isso há um propósito. É possível que as causas não sejam tão relevantes. Quem sabe seria mais produtivo focarmos nossos esforços nas soluções e não nos problemas?

Como tu provavelmente já tenhas aprendido, quanto mais nos esclarecemos, mais fácil torna-se compreender nossos erros passados. Então quem sabe procuremos agir de maneira correta, sem olhar para trás, e conforme progredirmos compreenderemos mais o passado?
Ninguém, em sã consciência, creio eu, opta por ser egoísta e orgulhoso. Só que quando estamos nessa posição, não percebemos que estamos agindo de maneira errada. O orgulhoso acredita estar certo, por isso as tentativas de lhe abrir os olhos são normalmente em vão, até que um dia ocorra uma situação em sua vida que o motive a rever seus conceitos. Mas até lá, seguirá iludido, se achando certo quando na verdade está equivocado.
Portanto, penso que ninguém escolha por si mesmo ser "mau". Com certeza há aqueles que se comprazem na maldade, mas ainda esses são ignorantes que não compreendem seus atos. Mas na maioria da população, acredito que exista mais erros por ignorância do que por escolha própria.
Mas enfim, isso tudo é o nosso ponto de vista, que pode estar equivocado. Aqui falamos do que compreendemos e de como compreendemos. Sabemos que o entendimento da Doutrina é proporcional à nossa evolução moral, e por isso podemos certamente errar ou não ter a compreensão exata.
A verdade certamente está na Doutrina, mas certamente não é nem em um ano e nem em dez que a compreenderemos por completo. Mas com certeza, degrau após degrau iremos todos progredindo, imbuídos do nosso objetivo de desta encarnação sairmos melhores do que quando aqui chegamos.
Exposto então o nosso ponto de vista com maior clareza, mais uma vez agradecemos a colaboração do irmão e pedimos que caso estejamos mesmo assim em erro, que por favor possa nos alertar e assim buscar aprendermos mais.
A Doutrina Espírita é a doutrina da razão, e é nosso dever questionar tudo sempre, submeter ao crivo da razão e do bom-senso, como já alertava Kardec. Felizes ficamos em receber tais questionamentos e estudarmos em grupo.
Luís, um grande abraço pra ti, e aguardamos tua resposta.
Obrigado por ajudar estes teus irmãos iniciantes, que tentam dividir o pouco que sabem com aqueles que buscam os mesmos caminhos. Só não podemos virar cegos guiando outros cegos, não é mesmo? Hehehehehehe!
Atenciosamente,

Raphael Trevisan e amigos.