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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

[Leis morais] A Lei Divina ou Lei Natural

Conforme tratamos no post anterior, damos agora início ao estudo das Leis Morais.

Iniciaremos hoje tratando sobre a primeira delas: a Lei Divina ou Lei Natural.

"614. O que se deve entender por lei natural?

— A lei natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ela lhe indica o que ele deve fazer ou não fazer e ele só se torna infeliz porque dela se afasta.
"

A Lei Natural é a lei que corresponde ao que é necessário para que o homem seja feliz.

E para que o homem seja feliz, é necessário que faça o bem. Todo aquele que pratica o bem segue essa lei e se aproxima mais de Deus. Essa aproximação lhe provê uma maior felicidade do que já havia experienciado antes.

Quanto mais consegue se dedicar à prática do bem, mais se aproxima do Criador e mais feliz se sente.

Todavia, o caminho oposto também é verdadeiro: quando pratica o mal, o homem afasta-se de Deus, e isso lhe causa sofrimento.

E é por isso que quanto mais nos afastamos do bem, sentimos um crescente vazio existencial. Tentamos, ignorantemente, preencher esse vazio com a felicidade ilusória proporcionada pela matéria: comida, bebida, sexo desenfreado, drogas, dinheiro, poder, etc.


Alguns defendem o materialismo, dizendo que essa é uma felicidade verdadeira e palpável. Mas se observarmos com atenção, perceberemos que:

- Após comermos até nos empanturrar, logo após a sensação de saciedade não nos acompanha uma sensação de culpa? Poucas horas após, não nos sentimos vazios e já saímos novamente em busca da mesma experiência, ansiando os poucos minutos de satisfação que isso nos trás?

Não se procede da mesma maneira com a bebida? E com o sexo desenfreado? E a drogadição, não é fruto do mesmo ciclo vicioso, porém com o agravante da dependência química?

- Se o dinheiro trouxesse tanta felicidade quanto se pensa, porquê tantas celebridades sofrem de depressão? Porquê tantos famosos recorrem ao uso das drogas? Se o dinheiro trouxesse toda a felicidade de que necessitamos, nenhum deles ficaria depressivo e nem precisaria anestesiar-se nas drogas.

Não se procede da mesma forma com o poder? Muitos poderosos enlouquecem, enfrentam o estresse, a depressão e até chegam a cometer o suicídio. Essa é a postura de uma pessoa feliz?


Porquê nos sentimos culpados quando nos afastamos do bem? Porquê sentimos esse vazio existencial, mesmo quando não conhecemos a Lei Divina?

Porque a Lei Divina está impregnada na consciência de cada um, desde a criação de sua alma a milênios atrás. Não obstante, durante a história da humanidade diversos sábios e profetas vieram nos relembrar da Lei Divina:

Buda, Confúcio, Lao Tsé, Moisés, Krishna, Francisco de Assis, só para citar alguns nomes famosos, nos trouxeram esse conhecimento. E principalmente, o maior expoente do bem na face da Terra: Jesus.

"625. Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?

— Vede Jesus.

Comentário de Kardec: Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.

Se alguns dos que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes se desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que eram apenas leis humanas, instruídas para servir às paixões e dominar os homens.
"


 Em todos os tempos, Deus enviou seus emissários a fim de nos lembrar de sua lei, para que pudéssemos segui-la e alcançar a felicidade.

Deste modo, possuíndo a Lei Divina em nossa consciência, temos a noção da linha que divide o bem e o mal. Como se isso só não nos bastasse, temos ainda a nossa inteligência, que permite analisar as situações e diferenciar claramente o certo e o errado.


"630. Como se pode distinguir o bem do mal?

— O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

632. O homem, que é sujeito a errar, não pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem quando em realidade está fazendo o mal?

—Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos enganareis.
"


 Podemos ver que Deus deu ao homem todas as condições para diferenciar o bem e o mal.

O homem só pratica o mal porque sucumbe ao caminho fácil e ilusório. Mas não existe nenhum mal que seja irresistível, se o homem escolhe este caminho é porque não teve desejo suficiente de escolher o caminho do bem.

Todos podemos escolher o caminho do bem à qualquer momento, bem como tropeçar no caminho do mal em qualquer instante. Tudo depende exclusivamente de uma única coisa: nossa vontade.


"633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele, na lei natural, a regra desta conduta e um guia seguro?

— Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que. diz: chega!, evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.

634. Por que o mal se encontra na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em melhores condições?

—Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. (Ver item 115.) Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. E necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo. (Ver item 119.)
"


Podemos encerrar este estudo com a questão 642 de O Livro dos Espíritos:

"642. Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?

— Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
"


 Se você está sentindo essa tristeza, essa solidão, esse vazio interior, não procure nas coisas materiais. Só o que pode preencher esse vazio da alma é a presença Divina, e o único meio de lhe lograr é através da prática do bem.


Esperamos que este estudo tenha sido esclarecedor. Deixamos a área de comentários à disposição para as dúvidas dos nossos leitores.


Leitura complementar: A Lei Natural (em O Livro dos Espíritos)


Todos os posts da série Leis Morais:

- Falando sobre as Leis Morais
- A Lei Divina ou Lei Natural
- A Lei de Adoração
- A Lei do Trabalho
- A Lei de Reprodução


terça-feira, 24 de novembro de 2015

[Leis morais] Falando sobre as Leis Morais

Não pode existir ordem sem regras. No que tange à humanidade, não pode haver ordem sem leis. Quando não há leis, o caos predomina.

Deus, sendo a inteligência suprema, não poderia ter criado o universo (visível e invisível) sem que houvessem leis regendo a sua harmonia. Inclusive, tomamos frequentemente como prova da existência divina a perfeição de toda a criação, desde o átomo até as galáxias. Tudo se mantém na mais perfeita ordem, como se um maestro estivesse a reger a sinfonia do universo.

São as leis de Deus que regem a perfeição do universo. E sendo Deus perfeito, somente poderia criar leis perfeitas.

No que tange aos seres inteligentes (espíritos, sejam eles encarnados ou desencarnados), as leis que os regem são as leis morais.

Sendo os espíritos os seres inteligentes da criação, todos estão sujeitos às leis morais, que quando bem observadas e seguidas, lhes conduzem gradualmente à perfeição.

Mas não basta saber apenas que essas leis existem, é necessário conhecê-las a fundo para melhor compreendê-las e então praticá-las.


Conduziremos, nas próximas semanas, estudos e reflexões sobre cada uma delas, procurando mergulhar em seus significados.

Já promovemos um estudo sobre as leis morais anteriormente, que pode ser conferido aqui:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade


Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)

Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final] 


Esse estudo é ideal para todos aqueles que estão tendo o primeiro contato com o assunto, e servirão de base para o estudo que conduziremos à partir de agora.

Também recomendamos como um excelente complemento de estudos o livro "Leis Morais e Saúde Mental", do brilhante psiquiatra e divulgador espírita gaúcho Sérgio Lopes, que busca aliar o tema com as recentes pesquisas feitas pela ciência, corroborando com muitos fatos apresentados pelas leis morais.

Ao término do estudo das leis morais, acrescentaremos o tema "Código Penal da Vida Futura", proveniente do livro "O Céu e o Inferno" e que vem de encontro com este estudo, interagindo e complementando-o.

No próximo post iniciaremos falando sobre a Lei Natural. Não perca!



Todos os posts da série Leis Morais:

- Falando sobre as Leis Morais
- A Lei Divina ou Lei Natural
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- A Lei de Reprodução


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Falando sobre a reencarnação - Casos documentados que indicam reencarnações

Continuando os nossos posts sobre a reencarnação, que começaram com Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma , e tiveram sequência em  Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígioFalando sobre a reencarnação - A justiça divina e a reencarnação , hoje falaremos sobre vários casos que comprovam mais ainda a reencarnação.

São histórias de pessoas que se lembram de vidas passadas, com uma exatidão tamanha que chega a ser possível a conferência nos registros históricos e - o mais incrível - conferem em todos os detalhes.

Quero dedicar o post a uma das histórias que mais me chamou à atenção recentemente. Publicada no Mundo Gump, site do curioso Philipe Kling David que adora mistérios e histórias intrigantes. Com a autorização do mesmo, reproduzo aqui a história. O link original encontra-se aqui.

"A bizarra e inacreditável reencarnação de Carl Edon

Provas sólidas e Reais. E é por isso que a história de Carl Edon é tão extraordinária.

Além das memórias que Carl insistia que eram verdade, estava para acontecer uma reviravolta bizarra e impressionante na história!

    “Eu era um piloto de bombardeiro alemão”

Carl Edon nasceu em 29 de dezembro de 1972 em Middlesborough Inglaterra. Seus pais, James e Valerie Edon eram cristãos e frequentavam a Igreja Anglicana. Nenhum deles acreditava na reencarnação, e de fato, esse assunto sequer chegou a ser mencionado na casa deles, já que todos pensavam na morte cristã como um renascimento no paraíso.

Tudo estava normal até que aos três anos, Carl começou a contar uma história surpreendente e bastante preocupante: Ele disse que se lembrava de ser um piloto de bombardeiro alemão.

Seus pais ficaram completamente confusos. Onde diabos o molequinho conseguiu arrumar aquela história estranha?

Os pais do menino sabiam, que eles não tinham em casa nenhum livro sobre o assunto ou que referenciasse a Segunda Guerra Mundial, e também pela pouca idade, Carl não tinha como ter lido ou visto essas histórias.

Foi o pai dele, James, o primeiro a dar ouvidos seriamente ao que o menino contava empolgado. James logo começou uma investigação sobre as histórias do filho.

    “Eu me espatifei através da janela do avião!”

Estas foram as primeiras palavras de Carl Edon quando ele começou a insistir que ele não era uma criança, mas sim um piloto alemão. Ele repetiu essa frase estranha muitas vezes ao longo dos anos, e sempre foi rapidamente seguido por uma saudação nazista. Indagado, o menino insistia que tinha sido abatido em 1942!

Carl passou a dizer que estava em um bombardeio sobre a Inglaterra, quando ele caiu. Ele então começou a traçar emblemas, suásticas e insígnias da aviação de guerra alemã. Isso aconteceu quando ele tinha dois ou três anos de idade, e tinha apenas começado a aprender a desenhar. Ele sempre tentava desenhar uma ave preta num escudo, e logo ficou claro o que ele desenhava:

Até a idade de seis anos, a coisa tinha piorado bastante. Ele sabia detalhes que pareciam limitados a historiadores, e fez até um plano detalhado de um cockpit de avião, descrevendo para o que cada um daqueles reloginhos servia. Ele também falou de um pedal vermelho que servia para lançar as bombas. Em seguida, ele surpreendeu seus pais, explicando que o avião era um Messerschmidt alemão! Mas ele não tinha certeza. O menino acreditava que o número no seu avião era ou 101 ou 104.

Nesta época, os pais do menino já estavam absolutamente bolados com aquilo e envolvidos na tentativa de levantar os detalhes daquelas memórias estranhas. Uma noite, quando eles estavam assistindo um programa sobre o Holocausto na TV, Carl disse que ele acreditava que “sua base aérea” estava próxima de um campo de concentração. Eles não tinham certeza qual.

    “Eu perdi uma perna no acidente”

Carl deu informações detalhadas sobre como “ele” tinha perdido a perna direita no acidente, e em uma estranha reviravolta, Carl tinha uma grande marca de nascença na sua virilha, na parte superior de sua perna direita. ( é bom lembrar que existem estudos tentando ligar estranhas marcas de nascença com casos de crianças que se lembram de encarnações.)

Carl já estava com onze anos e resolveu mostrar como ele poderia fazer o “passo do ganso”, uma marcha típica de um piloto alemão. Quando seus colegas de classe começaram a rir dele, ele decidiu que era hora de parar de contar suas memórias na escola.

Psicologicamente, Carl também mostrou traços de sua vida passada por ser meticulosamente limpo e arrumado. E quando ele se levantava para ouvir alguém, ele instintivamente ficava em posição de sentido, como se ele fosse um soldado. Inclusive mantendo as duas mãos espalmadas e retas ao lado do corpo.

Carl também não se parecia com seus pais. Eles tinham o cabelo escuro, mas Carl era loiro. Ele tinha olhos azuis como sua mãe, mas o resto da família tinha olhos castanhos. Como Hitler teria dito, o menino parecia um candidato perfeito para representar a raça ariana.

O problema com todas essas memórias e histórias era que na época, não podiam ser corroboradas. Não havia nenhuma prova, nenhuma documentação, nada. Mas logo aconteceu algo, que era tão estranho que vai além do reino da estranheza.

Em 1942 Heinrich Richter foi abatido em seu avião Dornier Bomber, juntamente com três outros membros da tripulação. Os detalhes do acidente incluíam o fato de que o avião tinha sido danificado pelo fogo anti-aéreo antes de cair.

Três dos pilotos foram recuperados e enterrados em Thornaby, aproximadamente quatro milhas de Middlesborough logo após o acidente da aeronave.

Aqui é onde a história fica um pouco mais estranha! Dentro dos destroços, os três corpos não incluíam Heinrich Richter! Na época das supostas memórias de encarnação anterior de Carl, ninguém sabia que H. Richter estava naquele avião.

Então, em 1997, nada menos que 25 anos depois que Carl tinha contado sua história, mais destroços foram descobertos! Estavam enterrados numa estrada remota em Tilbury Middlesborough.

Quando o avião foi desenterrado, eles descobriram outro corpo. Era Heinrich Richter. Além do mais, quando eles removeram os restos do corpo, eles descobriram que Heinrich tinha mesmo perdido a perna direita no acidente, e a perna ainda estava com sua bota! Exatamente como Carl havia dito, que “sua” perna havia sido cortada fora na hora da morte, e bem no lugar onde o menino nasceu com uma marca.

Tudo isso é absolutamente bizarro, mas ainda não é tudo!

Novas fotografias de Heinrich Richter surgiram depois que um historiador local assumiu a pesquisa, e obstinadamente mergulhou em uma enorme quantidade de informações. Quando as fotos foram colocadas juntos há uma estranha semelhança entre os menino e o piloto do bombardeiro alemão.






A mãe de do menino ao ver a foto se sentiu atordoada. “Tem que ser ele” Ela sussurrou.

Bizarro? Mas espere, pois essa história não termina aí.

Dois anos antes da descoberta do avião bombardeiro abatido, e a recuperação do corpo de Heinrich Richter, Carl Edon foi assassinado.

Era 1995. Gary Vinter estava trabalhando ao lado de Carl Edon num depósito de trens de Loudhaul. Gary Vinter, era um cara desequilibrado, que tinha um histórico de violência extrema. Do nada o cara deu a louca e em poucos segundos de completo horror, Carl foi esfaqueado 37 vezes. Gary estava fora de si e perfurou cada um dos órgãos de Carl Edon.

Carl deixou para trás sua namorada Michelle, sua filha de quase dois anos de idade Sophie, e seus pais.

Dois meses depois de sua morte, Michelle deu à luz sua segunda filha dele: Carla.

No dia em que Gary Vinter realizou seu ataque assassino, Carl Edon tinha viajado para Skinningrove para coletar vagões de trem. Ele tinha 22 anos. Mais de 40 anos antes, no dia que o piloto Heinrich Richter morreu, seu avião havia bombardeado justamente Skinningrove e voava para Middlesborough seguindo a linha ferroviária. Ele tinha 24 anos.

Carl Edon e Heinrich Richter. Duas pessoas ligadas misteriosamente na morte, e em vida através de décadas. Ambos morreram seguindo a mesma ferrovia.

Douglas Vinter, mais conhecido como Gary Vinter, foi condenado à prisão perpétua após o brutal assassinato de Carl Edon. Ele só ficou preso 10 anos antes de ser solto, beneficiado por uma redução na pena. Logo ele conheceu Anne White, uma mulher que ja tinha quatro filhos, e eles se casaram em 2006.

A família dela avisou para ficar longe dele, mas apaixonada, Anne recusou. Tempos depois, ela estava dizendo a seus amigos que queria deixá-lo, mas estava com muito medo.

Gary maluco atacou Anne e voltou para a prisão. Ele agora está servindo uma sentença de prisão perpétua.

A mãe de Carl Edon, Val estava firmemente convencida de que Carl era de fato a reencarnação de Heinrich Richter. No funeral de Heinrich Richter, que ocorreu depois de terem encontrado seu corpo em 1997, Val e Jim, os pais de Carl disseram que de pé, diante do túmulo de Richter sentiram uma sensação ‘estranha’ que ‘era como se eles estivessem enterrando Carl de novo’.

Depois eles disseram que esperavam que este seria o fim de tudo.
Além do Karma

Há muitos casos e relatos de reencarnação, mas certamente esse é um dos mais bizarros, tristes e comoventes de todos eles. Não só Heinrich teria reencarnado como Carl como ele foi cruelmente levado desta vida. Morreu a metros onde o avião foi derrubado muitos anos antes.

Pelo fato do corpo de Heinrich ter sido descoberto depois, podemos perceber que não havia nenhuma maneira de Carl ter conhecido a história do piloto. Muitos episódios de reencarnação deixam um ponto de interrogação: Será que eles de alguma forma alguém leu sobre o caso para a criança? Será que a criança ouviu aquelas histórias de alguém? E então nós temos dúvidas. Mas, no caso de Carl Edon e Heinrich Richter, a coisa parece mais complexa.

Estas eram certamente estranhas circunstâncias. O destino mais de uma vez reuniu uma só alma e um só lugar.
Por quê? Nós nunca saberemos.
"

Vejam a incrível riqueza de detalhes deste caso. Como um menino tão pequeno poderia saber uma história tão complexa e tão precisa? E o mais surpreendente: as informações sobre o caso ainda não existiam!

No Mundo Gump ainda há outros posts muito interessantes sobre o tema, seguem alguns links:

- Lembranças de outra encarnação?

- Lembranças de outras vidas - parte 2

- Reencarnação? Conheça o bizarro caso das irmãs Pollock

- Moleque de 10 anos alega que é reencarnação de ator de Hollywood dos anos 30

E não para por aí. Há na internet ainda diversas reportagens comentando o assunto:

- 10 evidências físicas que mostram que a reencarnação pode ser real

- O caçador de reencarnados

- Ian Stevenson - o caçador de vidas passadas

- Vinte casos sugestivos de reencarnação

- Cientistas, através da física quântica, acreditam que a consciência continua viva após a morte

Se olharmos tudo isso apenas pelo ponto de vista dos relatos, seguramente já teríamos um interessantíssimo material sobre o qual refletir.

Mas em nossa proposta aqui no blog, queremos unir estes relatos à todas as evidências que comprovam a realidade da reencarnação.

Em nosso primeiro post, trouxemos os diversos aspectos que sustentam a reencarnação e temos trazido desde então um aprofundamento nos temas mais oportunos.

Mas se ainda assim restam dúvidas, propomos ao amigo leitor a seguinte reflexão: se não é assim, como deveria ser?

Já nos dizia Kardec: não basta dizer que não é assim, é necessário dizer o que haveria em seu lugar.


Agradecemos especialmente ao Philipe por nos autorizar a reproduzir aqui o seu texto.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Falando sobre a reencarnação - A justiça divina e a reencarnação

Dando continuidade à nossa sequência de posts sobre a reencarnação, que começou com Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma e Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígio, hoje trazemos aqui uma palestra que ilustra maravilhosamente a relação entre a justiça divina e a reencarnação.

Ninguém mais adequado para tratar deste tema do que o juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, escritor, tradutor, professor e divulgador espírita Haroldo Dutra Dias.

Acompanhe abaixo a palestra sobre os 150 anos do livro O Céu e o Inferno, onde Haroldo discorre sobre o tema com maestria:


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígio

Dando continuidade ao post Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma, trazemos hoje um post especial com crianças que mostram um desempenho surpreendente em algumas tarefas.

Não podemos atribuir essas habilidades ou conhecimentos prévios a outra causa senão à reencarnação.

Alguns podem afirmar que se tratam de dons. Mas seria justo Deus presentear a uns mas não a outros? E qual seria o critério de merecimento que uma alma teria para receber um dom?

Somente as existências prévias podem justificar, com justiça e lógica, que determinadas crianças demonstrem esses "talentos" em tão tenra idade.

Vamos aos vídeos:

- Menina de 6 anos dá uma bronca na mãe após os pais brigarem:


- Menino de 3 anos se recusa a comer carne, após descobrir que se trata de animais mortos. Segundo ele não devemos comer os animais:


- Menino de 4 anos tocando piano com grande virtuosismo:


- Menino de 5 anos reproduz com exatidão a cena de um dos filmes do Bruce Lee, fazendo uma performance com o nunchacku


- Menino de 5 anos mestre em truques de bilhar


- Menino de 13 é prodígio em matemática, física e astronomia.


- Menino de 3 anos dá um show na dança.


- Menina de 2 anos sabe todas as capitais do Brasil e do mundo.


- Menino de 3 anos fera no basquete.


Crianças dando show de moral, mostrando um grande talento para a musicalidade, para a matemática, para o esporte, para a atuação, a dança e o conhecimento.

Como explicar estas crianças que manifestam essas capacidades de elevado nível em uma idade tão precoce?

Porque algumas pessoas possuem grande facilidade em determinadas áreas do conhecimento e outras em outros? E porque alguns demonstram grande facilidade em variadas áreas do conhecimento e outros em nenhuma?

Somente a existência das múltiplas encarnações pode dar um sentido lógico e racional para estes fenômenos, visto que se todas as almas fossem criadas do zero, junto com seus corpos, porque Deus beneficiaria a umas mais do que a outras? Não deveria ser ele o maior expoente da justeza?

Ao compreender a reencarnação, podemos entender a justiça divina ao criar todas as almas iguais, simples e ignorantes, deixando que cada um evolua conforme o seu livre arbítrio e, o mais importante, colha os frutos de suas boas ou más obras.

Não seria um desperdício terrível pensar que todos os grandes expoentes do conhecimento que passam (e que já passaram) pela Terra terão seu grande intelecto consumido pela morte? E mais ainda, de se que ocupariam no além túmulo?

Muito mais sentido faz que esses conhecimentos persistirão mesmo após a morte, na alma que vive, e que quando habitar um novo corpo, mesmo possuindo o véu do esquecimento, lhes trará as intuições e os manifestará com grande desenvoltura mesmo em tenra idade, pois é um conhecimento que não precisa ser adquirido: já se possui.


Em breve teremos mais posts sobre o tema. Aguardem!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Somos prisioneiros de nós mesmos


Sempre que passamos por uma situação difícil ou traumática, vamos memorizando aquele problema e criando mecanismos de defesa.

Por exemplo, uma criança que tem problemas de dicção e sofre deboches de seus colegas, passará a falar cada vez menos, como forma de se proteger.

Se essa dificuldade não for tratada, pode ir se agravando. A criança que já não falava muito, passa a se isolar por se sentir diferente ou até mesmo por ser rejeitada pelo grupo. E com isso se densificam seus mecanismos de defesa.

Poderá crescer como um adulto que solitário, que evita ao máximo o contato social. Sua camada de proteção já está criada, e não deseja mudar isso, com medo de se ferir novamente.

E assim todos nós vamos criando a nossa carapaça: a cada trauma, a cada dificuldade, a cada desilusão. Em vez de enfrentarmos a situação penosa e superá-la, nos escondemos e construímos defesas em torno de nós.

Quem nunca ouviu um recém divorciado dizer: "jamais me casarei novamente!" ?

Quem nunca ouviu uma pessoa que acabou de sair de um emprego dizendo: "nunca mais trabalharei com isso!" ?

Só que não temos uma única dificuldade na vida. São várias. E não temos uma só vida, são várias. Imaginemos agora o volume da carapaça que construímos em torno de nós, numa tentativa de nos isolar dos "perigos" do mundo exterior.

Ela nos impede de tentarmos algo novo, pois se ousarmos, podemos nos ferir. A cada vez que pensamos em inovar, um arrepio gélido de medo nos percorre a espinha. O pavor e a ansiedade nos fazem voltar correndo para a zona de conforto.

Mas o maior problema dessa carapaça é que ela não só bloqueia as coisas ruins, como também as coisas boas. Todas as pessoas que querem nos estender a mão, oferecendo novas experiências, são bloqueadas. Todas as novas situações, as novas portas que se abrem e que poderiam nos dar uma nova perspectiva de vida, são bloquedas.

E assim, nos isolamos não somente das coisas ruins do mundo, mas também de tudo o que há de bom. Evitamos a dor, o sofrimento, a mágoa, a desilusão, mas também evitamos a aventura, a novidade, a oportunidade, a esperança, o amor e sobretudo: a evolução.

Talvez estejamos tão apegados a posição de vítima e a colocar nos outros (ou em Deus) a culpa por nossa vida ser ruim que não queremos perder isso.

Até quando nos esconderemos dentro de nossas proteções, olhando o melhor da vida passar e dizendo não?

Posso relacionar um caso que tem tudo a ver com o tema:

Eu tenho um amigo que passou por um casamento bem curto e traumático que resultou em divórcio. Mas ainda bem que ele se tornou espírita, trabalhou em si mesmo, e hoje está prestes a se casar com uma maravilhosa moça.

Se ele estivesse escondido dentro da sua carapaça, certamente teria perdido essa oportunidade que deu um novo rumo para a sua vida.

Somos prisioneiros, hospedados em uma prisão que nós mesmos criamos. Temos a chave em nossa mão. Até quando relutaremos em sair e viver a vida?

Como coisas boas poderão acontecer a mim se eu não vou ao encontro delas?

Como as oportunidades da vida me encontrarão se estou escondido?

Todos os dias podemos mudar a nossa vida. Basta querermos.

Fica a reflexão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma

Nos últimos tempos, a reencarnação tem sido tema cada vez mais frequente mesmo entre os não espíritas.  E engana-se quem pensa que só o espiritismo professa a reencarnação.

Na verdade, boa parte dos sistemas filosóficos e religiosos sustenta a reencarnação: Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, Xamanismo, escolas esotéricas, Teosofia, nas antigas religiões egípcias e em praticamente todas as religiões consideradas pagãs.

Sendo mais comum no oriente, no ocidente foi sempre combatida pelo Catolicismo, desde que a reencarnação que antes era aceita como sistema vigente foi abolida (no Segundo Concílio de Constantinopla) e em seu lugar adotado o sistema das penas e gozos eternos (céu e inferno).

Para compreender a reencarnação, precisamos entender que:

- A alma existe e é criada antes do corpo, sobrevive à morte deste e pode vir a habitar novamente outro corpo.

- A alma é considerada o ser propriamente dito, sendo o corpo apenas um veículo temporário, necessário ao seu progresso. Tal qual um músico (alma) que faz uso do instrumento (corpo) para tocar a sua música (promover sua evolução).

- Todas as almas são criadas simples e ignorantes, e através da sua sucessão de vidas adquire gradualmente os dois pilares essenciais de sua evolução: o conhecimento e a moralidade. À medida que percorre o caminho, podem incorrer em erros e criar maus hábitos que lhes entravam o progresso.

- Os erros que comete precisam ser reparados, se não na encarnação presente, nas encarnações posteriores. Esse sistema é popularmente conhecido como Karma. No espiritismo chamamos de "Lei de Causa e Efeito".

- Atos de encarnações precedentes (bons ou ruins) interferem na encarnação presente.

- A alma só liberta-se do ciclo de reencarnações quando liberta-se de todas as suas falhas e atinge a pureza moral e o avançado nível intelectual.

Para o Espiritismo, a reencarnação é uma prova da justiça de Deus, que dá inúmeras oportunidades para o espírito se aperfeiçoar, ao invés de mandá-lo para o céu, ou o inferno eterno. Segundo essa mesma doutrina, se o espírito se entrega à corrupção dos valores ético-morais, ele terá "incontáveis" oportunidades de se aperfeiçoar, angariando parte das consequências funestas, pelos crimes que cometeu, para suas próximas reencarnações.


Mas a pergunta que não quer calar: quais argumentos existem em favor da reencarnação?


Em primeira instância, o sistema de reencarnação por si só é completamente coerente dentro de seus mecanismos, e responde a muitos questionamentos que não podem ser facilmente explicados por qualquer outro sistema, tais como: De onde viemos? Para onde vamos? Porquê sofremos? Onde está a justiça divina? Qual o objetivo da vida?
(Veja mais sobre essas perguntas em: Questões que o espiritismo responde)

Em segunda instância, vemos que a Justiça Divina só se opera com exatidão na reencarnação. Segundo a teoria das penas e gozos eternos, a alma culpada passaria o resto da eternidade no inferno padecendo de tormentos infindáveis. Onde estaria então a misericórdia de Deus? Que pai condenaria um filho à danação eterna? Deus, sendo máximo em todas as perfeições, não deveria então possuir a máxima justiça, a máxima misericórdia, o máximo perdão e a máxima bondade?

(Vale aqui lembrar da Parábola do Filho Pródigo, onde Jesus ensina sobre um pai que perdoa o filho mesmo após o mesmo ter cometido diversos erros. Deus seria então menos perfeito que o homem da história? A teoria das penas e gozos eternos não só fere a razão como impossibilita a perfeição Divina)

"De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento. De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem.

Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retratam os bem-aventurados, figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.

Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva idéia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante - de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.
"
(Citação da obra "O Céu e o Inferno" ou "Justiça divina segundo o espiritismo", de Allan Kardec).

Em terceira instância, podemos então lembrar daqueles que defendem que após a morte não há nada. Que a alma não existe. Que nada existe antes da vida e nada após a vida.

Essa visão, extremamente materialista, se torna oposta à evolução do ser. Como poderíamos explicar aqueles casos em que crianças de 3 ou 4 anos são capazes de tocar instrumentos musicais em um nível que só seria possível com anos de estudo? E não só no campo da música existem crianças superdotadas que executam proezas de elevado grau de dificuldade sem mesmo saberem falar corretamente as palavras ou amarrar os próprios sapatos.


E não só com as crianças, mas e aqueles adultos que apresentam excepcional habilidade em campos do conhecimento em que nunca receberam instrução, ou mesmo que nunca haviam antes tido contato. Será mera sorte no sorteio dos átomos que formaram seus cérebros?

Em quarta instância, temos as experiências de quase-morte (EQM), que consistem em um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção da consciência (também chamada de "projeção astral", "experiência fora do corpo", "desdobramento espiritual", "emancipação da alma", etc.), a "sensação de serenidade" e a "experiência do túnel". Esses fenômenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação "EQM".

Entre os cientistas que pesquisam o assunto, há os que interpretam as experiências como reações do cérebro (visão monista) e há os que interpretam tais experiências como prova ou evidência de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista); e de que existe vida após a morte.

Em quinta instância, temos os estudos de conexão entre encarnações promovidos por diversos pesquisadores (até mesmo por Allan Kardec), sendo um dos mais notáveis o trabalho do psiquiatra Dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, Estados Unidos, que recolheu dados sobre mais de 3000 casos em todo o mundo que evidenciariam a reencarnação.

Dentre os trabalhos desenvolvidos por Dr. Stevenson sobre a reencarnação, destaca-se as obras "Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação" e "Reencarnação e Biologia: Uma Contribuição à Etiologia das Marcas de Nascença e Defeitos de Nascença".

Por fim, mas não menos importante, lembremos que o próprio Jesus inúmeras vezes falou sobre o renascimento da alma.

Vale lembrar que a idéia de que João Batista era Elias, e de que os profetas podiam reviver na Terra, encontra-se em muitas passagens dos Evangelhos. Se essa crença fosse um erro, Jesus não deixaria de combatê-la, como fez com tantas outras. Longe disso, porém, ele a sancionou com toda a sua autoridade, e a transformou num princípio, fazendo-a condição necessária, quando disse: Ninguém pode ver o Reino dos Céus, se não nascer de novo. E insistiu, acrescentando: Não te maravilhes de eu ter dito que é necessário nascer de novo.

Não é, pois, duvidoso, que sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação fosse uma das crenças fundamentais dos judeus, e que ela foi confirmada por Jesus e pelos profetas, de maneira formal. Donde se segue que negar a reencarnação é renegar as palavras do Cristo. Suas palavras, um dia, constituirão autoridade sobre este ponto, como sobre muitos outros, quando forem meditadas sem partidarismo.



(Menino de 4 anos executando performance no violino. Há muitos outros no Youtube).

Para concluir o nosso post, nada como fechar com chave de ouro com um notável trecho de O Livro dos Espíritos:

"171. Sobre o que se funda o dogma da reencarnação?

— Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois não nos cansamos de repetir: um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento. A razão não diz que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna daqueles cujo melhoramento não dependeu deles mesmos? Todos os homens não são filhos de Deus? Somente entre os homens egoístas é que se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.

Comentário de Kardec: Todos os Espíritos também tendem a perfeição, e Deus lhes proporciona os meios de consegui-la, com as provas da vida corpórea. Mas, na sua justiça, permite-lhes realizar, em novas existências, aquilo que não puderam fazer ou acabar numa primeira prova.

Não estaria de acordo com a eqüidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade.

A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde a idéia da justiça de Deus, com respeito aos homens de condição moral interior; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos nos ensinam.

O homem que tem consciência da sua inferioridade encontra na doutrina da reencarnação uma consoladora esperança. Se crê na justiça de Deus, não pode esperar que, por toda a eternidade, haja de ser igual aos que agiram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo e que ele poderá conquistá-lo através de novos esforços o ampara e lhe reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim da sua carreira, não lamenta ter adquirido demasiado tarde uma experiência que já não pode aproveitar? Pois esta experiência tardia não estará perdida: ele a aproveitará numa nova existência.
"

Links complementares:

Ressureição e reencarnação, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec:

https://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-4-ninguem-pode-ver-o-reino-de-deus-se-nao-nascer-de-novo/ressurreicao-e-reencarnacao/

A Wikipédia possui um excelente artigo que fala sobre a reencarnação não somente na ótica espírita:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Reencarna%C3%A7%C3%A3o

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Para todas as dúvidas, a seção de comentários está aberta.


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Veja os demais posts dessa série:

- Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígio

- Falando sobre a reencarnação - A justiça divina e a reencarnação

- Falando sobre a reencarnação - Casos documentados que indicam reencarnações


sábado, 12 de setembro de 2015

Porque existem tantas crises no mundo?

Já faz alguns anos desde que começamos a ver o mundo ser sacudido com cataclismas, crises, revoluções ideológicas e políticas juntamente com tantos outros eventos.

E estes eventos levam muitos de nós a pensar que se trata do mundo se encaminhando para o seu fim, para o colapso da sociedade, resultando em um futuro distópico e aterrador digno das produções cinematográficas.

Sim, é o fim do mundo. Mas é o fim do mundo velho em que vivemos por tantas encarnações. É o momento de o nosso mundo evoluir.

(Para saber mais sobre a evolução dos mundos ver aqui e aqui)

A nossa querida e sofrida Terra, após muitos milhões de anos existência, finalmente encontra-se na transição de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração.

Devemos entretanto lembrar que o planeta forma um conjunto com a sua população. A Terra não pode evoluir sem a evolução moral de seus habitantes. Como poderá o planeta (enquanto esfera gigantesca) galgar o próximo degrau se os seus habitantes não estão em posição condizente?

Esta transição, que é lenta e iniciou-se a muitos anos atrás, vem chegando em um momento cada vez mais decisivo. Muitos espíritos que hoje estão encarnados recebem a sua última chance neste planeta, e se falharem em seu melhoramento interior serão realocados para outros planetas de expiação e provas (em uma situação mais atrasada, tal como os alunos que repetem de ano na escola).

Enquanto uma parcela se vai para outros mundos, por não atender aos novos requisitos que estarão vigentes no mundo de regeneração, outros vêm de outros planetas que já se encontram em estado de regeneração a algum tempo e encarnam-se na Terra para acelerar o processo de revolução moral e cultural necessário para quebrar os vínculos com o passado vicioso da humanidade.

Há então um choque de culturas, entre os endurecidos que estão na sua última chance, os habitantes da Terra que conseguirão viver no mundo de regeneração e os novos habitantes que vieram dos mundos já em regeneração para promover a quebra dos antigos paradigmas.

Esse choque se manifesta nos diversos colapsos que existem no mundo. Nunca tantas coisas foram postas em questionamento: as religiões, os sistemas políticos, os sistemas financeiros, o modo de vida, a moralidade, a sustentabilidade, etc. E estes questionamentos são fundamentais para que a "sujeira" apareça e possa ser "limpada".

Ondas de crimes e de violências mostram o último suspiro daqueles irmãos endurecidos que recebem a sua última chance, mas acabam por cometer os mesmos erros que sempre cometeram.

No lado oposto o modelo questionador dos irmãos que vem dos mundos regenerados se ressalta em modelos revolucionários em todos os campos do conhecimento e da vida humana: uma maior consideração para com o próximo, para com o meio ambiente, modelos de vida mais saudáveis, modelos políticos mais igualitários e transparentes, e assim por diante.

E no meio disso, nos diferentes tons de cinza (sem alusão ao famoso livro), se encontram os habitantes da Terra, tentando tomar uma posição em meio à esse maremoto que se instaura.

Existem ainda as catástrofes naturais (secas, tsunamis, furacões, terremos, vulcões voltando à atividade) que nada mas são do que o resultado do impacto energético do confronto dessas duas eras, a que se encerra e a que se inicia.

Toda essa mudança só é possível com o expurgo de todo o mal que está a milênios impregnado na psicosfera terrestre.

Esse é o lendário momento onde "se separará o joio do trigo", que nada mais era do que uma figura de linguagem para expressar que: quem mudar a si mesmo, procurando ser uma pessoa que em seus pensamentos, ações, intenções e moralidade possui mais bem do que mal, estará apto a viver em uma Terra renascida e transformada, onde o bem prevalecerá sobre o mal com tanta força que um dia este se extinguirá.

Mas aqueles que não conseguirem atender a estes requerimentos, precisarão repetir as lições migrando para outros mundos de expiação e provas mais atrasados.

Eis a importância da cada vez mais urgente mudança interior.

Estás cansado de tantas injustiças, tanta corrupção, tanta miséria, tanta maldade? Comece mudando a si mesmo, pois cada um mudando a sua realidade, também contribui para mudar a realidade do mundo em que vivemos.

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Este é um tema longo e complexo. Se ficou com dúvidas, deixe nos comentários.



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Existe mais mal do que bem no mundo?

Esse é um questionamento muito comum que todos nós que acompanhamos as notícias diárias carregamos conosco.

Assaltos, sequestros, corrupção, violência no trânsito, bullying, pedofilia, são apenas alguns dos termos com que temos que lidar diariamente quando acompanhamos as notícias. E os vemos com uma frequência maior do que gostaríamos.

Afinal de contas, existe no mundo mais mal do que bem?

Apesar de que uma reflexão apressada possa nos causar desespero e acabar com nossa esperança, uma análise profunda pode nos surpreender.

Infelizmente, percebemos que a maioria das pessoas possui (mesmo que de maneira inconsciente) um certo apego à desgraça. Se existem 3 notícias boas e 3 notícias ruins, normalmente as mais lidas e comentadas serão as notícias ruins. Isso causa o terrível fenômeno: tragédia vende.

Proponha-se a se observar e a observar familiares e amigos, e note como uma notícia onde um assalto à luz do dia dentro de um supermercado chama atenção e causa repercussão.

Escolha o seu site favorito de notícias e veja quais são as notícias mais comentadas. Mais do que isso, perceba o conteúdo dos comentários.

E então perceberás a atratividade dos temas violentos.

Isso quer dizer que devemos ser alienados e não acompanhar as notícias?
Não, isso quer dizer que não devemos nos alimentar da desgraça e nem sermos sedentos por tragédias.

Penetrando ainda mais fundo na questão: quais sentimentos experimento quando acompanho tais notícias? Será que esses sentimentos e emoções me fazem bem?

Por razões que só cabem aos grandes pensadores esclarecer, o ser humano inquestionavelmente se sente atraído pelo horror, pela morbidez e pela violência, provavelmente traço ainda muito marcantes de nossas encarnações anteriores quando o mundo era menos civilizado. 

Mas esse não é o principal ponto que quero apontar aqui. É somente o ponto de partida.

Há outro elemento muito importante nesta equação: quem faz o bem, o faz com discrição.

Jesus muito repetiu que o bem deveria ser feito sem ostentação. Que a mão esquerda não saiba o que dá a direita.

"Quantos há que só fazem um benefício com a esperança de que o beneficiado o proclame sobre os telhados; que darão uma grande soma à luz do dia, mas escondido não dariam sequer uma moeda! Foi por isso que Jesus disse: “Os que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa”. Com efeito, aquele que busca a sua glorificação na Terra, pelo bem que faz, já se pagou a si mesmo. Deus não lhe deve nada; só lhe resta a receber a punição do seu orgulho."

E se refletirmos sobre o tema, perceberemos que quem quer realmente fazer o bem, com humildade e amor, não tem interesse em ser visto e em ser divulgado, o faz pelo chamado do seu interior a se doar em benefício do próximo. Pouco importam as opiniões e o reconhecimento alheios. Na maioria das vezes, evade os holofotes para passar despercebido.

E pelo fato de o bem ser silencioso, o contraste entre a percepção do bem e do mal no mundo agrava-se ainda mais, nos dando a falsa idéia de que o mal prevalece no globo.

Fé na humanidade restaurada?

O termo "fé na humanidade restaurada" (ou no original "faith in humanity restored") tem cada vez ganhado mais espaço na internet.

Normalmente associado a notícias, vídeos e imagens, revela os atos de bondade que acontecem ao redor do mundo e que acabam ganhando a mídia.

Com o advento da internet, tenho acompanhado nos últimos anos um crescimento exponencial no uso desse termo, e cada vez mais conteúdo mostrando atos de bondade, projetos que visam melhorar o mundo, enfim, diversas frentes de trabalho que nos fazem recuperar as esperanças de um mundo melhor.

Se mesmo com a postura de fazer o bem discretamente, chegamos a tantos conteúdos documentados, imaginemos quantos atos de bondade acontecem em torno do mundo diariamente e ficam totalmente ocultos do conhecimento geral!

É por isso que podemos dizer claramente: não há mais mal do que bem, no mundo, pelo contrário, há mais bem do que mal. E mesmo o bem sendo silencioso, existem muitos casos documentados, que dirá então daqueles que nem chegam a conhecimento público.

Para quem tiver mais interesse nos termos "fé na humanidade restaurada" ou "faith in humanity restored", basta lançá-los no Google ou no Youtube para ter acesso a vários registros.

Deixo alguns links para ilustrar ao post:

(Em português) http://awebic.com/pessoas/73-momentos-que-irao-restaurar-definitivamente-sua-fe-na-humanidade-o-58-e-epico/

(Em inglês) http://faithinhumanityr.tumblr.com/

(Em inglês) https://www.youtube.com/user/RealLifeHeroesTV/videos

(Em inglês) https://www.youtube.com/user/AwesomeGlobe/videos




Leitura complementar:

Evangelho Segundo o Espiritismo - Fazer o bem sem ostentação (link)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Individualismo e falta de caridade

Todos os dias nos focamos em nossos trabalhos, projetos pessoais, lazer, convivência com familiares e amigos, esquecendo-nos dos necessitados em nosso caminho.

E por necessitados, não falamos apenas de necessitados financeiramente, mas também daqueles irmãos necessitados de carinho, de atenção, de compreensão, de aconselhamento, de amor.


É natural que todo espírita dedicado (e todo cristão dedicado), em sua busca pela melhoria íntima, passe a adotar hábitos mais saudáveis em tudo o que faz, incluindo o lazer.

Se torna fundamental adotarmos formas de lazer mais saudáveis, abandonando o descontrole das paixões materiais e vícios.

Mas bem sabemos que "não basta não fazer o mal. É necessário fazer o bem no limite de nossas forças".

Por mais bem intencionados que sejamos ao buscar maneiras mais saudáveis de ocupar o nosso tempo livre, não podemos esquecer do mais importante: a caridade.

Pois de que adianta tanta mudança interior se continuamos centrados olhando para o próprio umbigo? Que grande avanço teremos feito se não rompermos as barreiras do individualismo e do egoísmo?

Devemos dedicar sempre um período do nosso tempo para fazer algo em prol do próximo. Tornarmo-nos úteis para a causa do bem, do amparo, da caridade e do amor.

Pois é só quando aprendemos a servir é que seremos os verdadeiros seguidores de Jesus, que ao mesmo tempo foi o maior servo e o maior mestre da humanidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A vingança

Me lembro como se fosse hoje, quando na minha pré-adolescência minha mãe me ensinava: "aquele que se vinga se torna pior do que aquele que o prejudicou".

Eu tinha problemas com a raiva e o desejo de vingança. E na minha mentalidade ainda imatura não conseguia compreender a profundidade deste ensinamento.

Hoje felizmente tudo faz sentido, e vamos iniciar o nosso tema - a vingança - com este questionamento:

- Porquê o vingador se torna pior que o ofensor (ou agressor)?

Analisemos que na maioria das vezes, o ofensor age por impulso, revelando uma falha de seu caráter sobre a qual não possui controle. E por isso é responsável por seus atos.

Entretanto, aquele que deseja se vingar de seu agressor, age quase sempre friamente, calculadamente. Por dias (ou até mesmo meses e anos) analisa qual seria o melhor método para a sua vingança. Imagina diversos cenários, onde testa em pensamento todas as alternativas, até que chega na que mais lhe apraz.

Escolhido o método, estabelece então a melhor data para a execução de seu plano minuciosamente trabalhado.

Só isto já seria suficiente para definirmos o vingador como pior que o ofensor: enquanto o ofensor faz o mal por impulso e descontrole, o vingador faz o mal de maneira fria e pensada. Isso revela que não só tem uma natureza má, como é ciente de sua existência.

Se para um juíz da Terra, a frieza no cometimento de um crime se torna um agravante, que dirá então da perfeita justiça Divina, à qual nenhum fato escapa?

Poderíamos então contra-argumentar nos valendo dos vingadores a sangue-quente, que tomam sua vingança também impulsivamente e no calor do momento. Mais eis aí um elemento chave que não nos permitirá aliviar a sentença do vingador impulsivo:

- O que está por trás da vingança?

A vingança por si só não é causa, é consequência. Consequência de falhas morais que empobrecem o caráter do indivíduo, sobretudo o maior dos males: o orguho.

Todo aquele que tem desejo de vingança, é porque se sente de alguma maneira prejudicado ou diminuído. E somente os orgulhosos padecem desse mal.

Aquele que é humilde permanece sereno mesmo quando submetido a injúrias, pois não se julga melhor do que ninguém. Tal como uma garrafa sem fundo, as ofensas passam através dele, sem ficarem retidas.

Em contrapartida, para o orgulhoso, ao menor indício de que seu brilho foi ofuscado por alguma ofensa, desperta-lhe a ira e o seu desejo de vingar-se a fim de recobrar o seu prestígio. Muitas guerras aconteceram por essa motivação, quando os homens escondiam o seu orgulho sob o escudo da "honra".


- Conclusão:

Tais motivações acima nos levam a perceber o tamanho das imperfeições morais envolvidas em cada desejo (ou ato) de vingança.

E não custa lembrar que qualquer ato feito em prejuízo ao próximo é um ato contrário à lei de amor e caridade, e portanto falha gravíssima para quem o comete.

Espíritas, lembremo-nos de que não devemos desejar a justiça com nossas próprias mãos. A justiça divina não dorme, e todos serão julgados por seus atos, senão nesta encarnação, serão em uma das próximas. Inclusive nós mesmos.

Se desejamos seguir ao Cristo e alcançar a felicidade verdadeira, devemos estar totalmente puros, despidos de quaisquer falhas em nosso caráter. Não deixemos que nossas imperfeições morais nos impeçam de progredir.

Todos os dias temos oportunidade de nos modificar, para amanhã sermos melhores do que hoje, e hoje melhores do que ontem, e assim por diante nesta longa escalada rumo à perfeição que um dia alcançaremos.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Falando sobre milagres

Durante o estudo do livro A Gênese, de Allan Kardec, encontramos no capítulo XIII uma extensa e interessante explicação para os fenômenos conhecidos como milagres. Tendo o Espiritismo por objetivo esclarecer todos os temas, nada mais justo como trazer esse assunto para o blog.

Selecionamos algumas partes do Capítulo XIII de A Gênese e adicionamos os nossos comentários, na tentativa de simplificar o assunto.



"Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas.

Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder.
"


Conhecemos os milagres como fenômenos fantásticos promovidos pelo poder divino. Do sentido original de "algo admirável", chegou-se ao sentido de "intervenção divina".


"Um dos caracteres do milagre propriamente dito é o de ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. É tanto essa a idéia que se lhe associa, que, se um fato milagroso vem a encontrar explicação, se diz que já não constitui milagre, por muito espantoso que seja."


Por serem fenômenos que, até o momento, eram de natureza inexplicável, atribuiu-se a Deus a sua autoria, visto que só ele teria poder para tal. Depois do surgimento da Igreja Católica, algumas coisas "ruins" de natureza inexplicável foram atribuídas ao poder do Diabo.

Para muitas pessoas, quando um milagre é explicado ele deixa de ser um milagre, pois tomam o sentido de "ação divina" em vez de "admirável" para este termo.


"Aos olhos dos ignorantes, a Ciência faz milagres todos os dias. Se um homem, que se ache realmente morto, for chamado à vida por intervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por ser esse um fato contrário às leis da Natureza. Mas, se em tal homem houver apenas aparências de morte, se lhe restar uma vitalidade latente e a Ciência, ou uma ação magnética, conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado um fenômeno natural, mas, para o vulgo ignorante, o fato passará por miraculoso."


Com o desenvolvimento da ciência e do conhecimento humano em geral, foram se descobrindo as causas de muitos fenômenos considerados miraculosos. Quando Jesus ressucitou Lázaro, será que Lázaro estava realmente morto? Será que não passava por um fenômeno de catalepsia, e que sem os instrumentos corretos para apurar isso, confundiu-se isso com a morte? (Não estou dizendo que foi isso que aconteceu, apenas criando um exemplo. Jesus, sendo um espírito altamente evoluído, não teria dificuldades em entender a situação e corrigí-la, visto que possuía o conhecimento de todas as coisas. E isso não torna o ato menos maravilhoso.)


"Foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa não se conhecia.

[...] Expulso do domínio da materialidade, pela Ciência, o maravilhoso se encastelou no da espiritualidade, onde encontrou o seu último refúgio.

[...] O Espiritismo faz que voltem ao rol dos efeitos naturais os que dele haviam saído, porque, como os outros, também tais efeitos se acham sujeitos a leis.

[...] O Espiritismo, pois, vem, a seu turno, fazer o que cada ciência fez no seu advento: revelar novas leis e explicar, conseguintemente, os fenômenos compreendidos na alçada dessas leis.
"


Mas enquanto uma parcela dos milagres, os de causas materiais, já foram explicados pela ciência, os milagres de causas espirituais ainda continuam velados. Ou continuavam, pois o Espiritismo busca revelar as leis que regem a vida e o mundo espiritual, leis essas que até então desconhecíamos.

O desconhecimento das leis do mundo espiritual permitiu que algumas coisas ainda continuassem sendo classificadas como milagres. Mas nada existe de inexplicável quando passa-se a conhecer tanto as leis que regem o mundo material quando as que regem o mundo espiritual.


"Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? [...] Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.

Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os ilusionistas sabem imitar?
"


Pode-se em um primeiro momento pensar que estamos rebaixando Deus ao dizer que os milagres (no sentido de "intervenções divinas inexplicáveis) não existam. Porém, pelo contrário, ao dizermos isso revelamos ainda mais o seu imenso poder e saberia ao criar leis tão perfeitas para o universo que nem ele próprio precise distorcer para que coisas incríveis aconteçam. A perfeição está presente em toda a obra da criação, e tudo sendo regido por leis imutáveis e perfeitas, só nos resta imaginar tamanha a perfeição do Criador.


"Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários."

"Deus não se torna menos digno da nossa admiração, do nosso reconhecimento, do nosso respeito, por não haver derrogado suas leis, grandiosas, sobretudo, pela imutabilidade que as caracteriza. Não se faz mister o sobrenatural, para que se preste a Deus o culto que lhe é devido. A Natureza não é de si mesma tão imponente, que dispense se lhe acrescente seja o que for para provar a suprema potestade?"


Quanto mais tomamos conhecimento das leis que regem o universo, tanto o material quanto o espiritual, mais percebemos a perfeição em todas as coisas. Tudo o que Deus criou (e segue criando) é perfeito, organizado, sincronizado, eficiente, cíclico e auto-sustentável. Nada é criado sem uma finalidade e o desperdício simplesmente não existe. Isso sim é o verdadeiro milagre, o verdadeiro motivo de admiração pela Divindade.

E para todos que desejam encontrar esses conhecimentos, Deus ainda nos proveu com a Doutrina Espírita, que nos permite hoje, na era do intelecto e da informação, entender o funcionamento de todas as coisas. Pois enquanto a ignorância aprisiona, o conhecimento liberta e faz crescer.

"Conhecereis a verdade, e ela vos libertará", disse Jesus.


"Se tomarmos a palavra milagre em sua acepção etimológica, no sentido de coisa admirável, teremos milagres incessantemente sob as vistas.
Aspiramo-los no ar e calcamo-los aos pés, porque tudo então é milagre em a Natureza.

Querem dar ao povo uma idéia do poder de Deus? Mostrem-no na sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordocom o meio onde ele é posto a viver.

Mostrem-lhes a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica. Mostrem-lhes a sua bondade na solicitude que dispensa a todas as criaturas, por mais ínfimas que sejam, a sua previdência, na razão de ser de todas as coisas, entre as quais nenhuma inútil se conta, no bem que sempre decorre de um mal aparente e temporário.

Façam-lhes compreender, principalmente, que o mal real é obra do homem e não de Deus; não procurem espavori-los com o quadro das penas eternas, em que acabam não mais crendo e que os levam a duvidar da bondade de Deus; antes, dêem-lhes coragem, mediante a certeza de poderem um dia redimir-se e reparar o mal que hajam praticado.

Apontem-lhes as descobertas da Ciência como revelações das leis divinas e não como obras de Satanás. Ensinem-lhes, finalmente, a ler no livro da Natureza,
constantemente aberto diante deles; nesse livro inesgotável, em cada uma de cujas páginas se acham inscritas a sabedoria e a bondade do Criador.

Eles, então, compreenderão que um Ser tão grande, que com tudo se ocupa, que por tudo vela, que tudo prevê, forçosamente dispõe do poder supremo. Vê-lo-á o lavrador, ao sulcar o seu campo; e o desditoso, nas suas aflições, o bendirá dizendo: Se sou infeliz, é por culpa minha. Então, os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, sobretudo, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue, ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas.
"


É difícil, em um resumo, abordar um tema complexo e que se relaciona com outros tantos temas complexos, que talvez podem deixar os iniciantes confusos.

Se houverem dúvidas, postem nos comentários que teremos o maior prazer em esclarecer.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O esquecimento do passado

Porque não nos lembramos das nossas encarnações anteriores?

Eis aí uma boa pergunta.

Mas antes de nos aprofundarmos no tema, vejamos o que diz O Evangelho Segundo o Espiritismo sobre isso:

"11 – É em vão que se aponta o esquecimento como um obstáculo ao aproveitamento da experiência das existências anteriores. Se Deus considerou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que isso deve ser útil. Com efeito, a lembrança do passado traria inconvenientes muito graves. Em certos casos, poderia humilhar-nos estranhamente, ou então exaltar o nosso orgulho, e por isso mesmo dificultar o exercício do nosso livre arbítrio. De qualquer maneira, traria perturbações inevitáveis às relações sociais.

O Espírito renasce freqüentemente no mesmo meio em que viveu, e se encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que tivesse ofendido.

Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que poderia prejudicar-nos.

O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi: se estiver sendo punido, é porque fez o mal, e suas más tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que ele deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente corrigido já não restam sinais. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más tentações.

De resto, esse esquecimento só existe durante a vida corpórea. Voltando à vida espiritual, o Espírito reencontra a lembrança do passado. Trata-se, portanto, apenas de uma interrupção momentânea, como a que temos na própria vida terrena, durante o sono, e que não nos impede de lembrar, no outro dia, o que fizemos na véspera e nos dias anteriores.

Da mesma maneira, não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se que ele nunca a perde, pois a experiência prova que, encarnado, durante o sono do corpo, ele goza de certa liberdade e tem consciência de seus atos anteriores. Então, ele sabe por que sofre, e que sofre justamente. A lembrança só se apaga durante a vida exterior de relação. A falta de uma lembrança precisa, que poderia ser-lhe penosa e prejudicial às suas relações sociais, permite-lhe haurir novas forças nesses momentos de emancipação da alma, se ele souber aproveitá-los.
"

Nós, como bons curiosos que somos, sempre ficamos imaginando o que teríamos sido em encarnações anteriores. Grandes conquistadores? Filósofos? Cientistas? Soldados? Procurando nisso alguma resposta para quem somos hoje, numa expectativa de que essas informações revelem muitas coisas sobre nós.

Mas será que não é somente o orgulho que nos faz desejar tanto uma posição ilustre em vidas anteriores? Quem desejará ter sido o mendigo, o aleijado, o escravo ou o assassino?

Vejamos que Deus, em sua infinita sabedoria, nos dá a cada dia a chance de fazer um novo começo em nossas vidas. E a cada encarnação, nos dá a maravilhosa oportunidade de deixar todo o passado para trás e tentarmos de novo, do zero.

Mas sem o esquecimento do passado isso não seria possível. Como construir um novo futuro se ficarmos olhando o tempo todo para trás?

Entretanto o nosso passado não está esquecido, está apenas bloqueado em nossas lembranças, temporariamente. Mas quem somos, se manifesta em cada um dos nossos atos: nossas virtudes e nossos defeitos nos revelam. Nossas tendências para o bem ou para o mal nos dão pistas sobre os caminhos já trilhados.

Eis porque o motivo de um dos mais antigos princípios filosóficos ser: "conhece-te a ti mesmo".

Quando nos conhecemos, após muita auto-análise, vemos nesse conjunto de características a pessoa que somos. E então sabemos o que é necessário ser mudado.

Quando iniciamos uma nova encarnação, temos a fase da infância, onde nossos pais fazem todo o possível para nos educar e guiar no caminho correto. À medida que os anos passam, nossa personalidade vai gradualmente se sobressaindo, culminando no turbilhão chamado adolescência.

É aí que o "velho eu" se encontra com "atual eu", e ambos possuem valores distintos. O "velho eu" quer se impor por sua longa experiência, enquanto que o "atual eu", munido de novos conhecimentos, tenta criar uma nova realidade. Eis o motivo de tantos conflitos internos nessa fase da vida.

De acordo com o nosso livre arbítrio, poderemos ceder e voltar a ser o "velho eu", permanecendo em estagnação. Ou poderemos encarar o novo e começar a construção de um "novo eu", que quer ser diferente, melhor.

Como isso seria possível se não tivéssemos o esquecimento do passado? Como nossos pais nos dariam uma educação diferente, se já estivéssemos carregados de velhos valores? Teríamos algum caminho diferente para escolher?

E qual seria a confusão, se o atual pai foi nosso inimigo em outra encarnação? E se a atual mãe foi esposa em outra encarnação? E vice versa. E se os nossos irmãos foram nossas vítimas no passado? Como haveria paz e amor em uma família completamente bagunçada?

Eis porque é necessário deixar o passado para trás. Sem isso, não há um novo começo.

Quem sabe se o inimigo de hoje não será o nosso melhor amigo de amanhã? Quem sabe se o conhecermos em situações diferentes, veremos traços diferentes de sua personalidade que em vez de nos repelir, nos encantam? Agora podemos teimar e dizer que isso jamais acontecerá.

Ainda bem que não lembraremos de ter dito isso.

Como em tudo, Deus dá as ferramentas para que seus filhos façam um novo começo. A cada encarnação. A cada dia que nasce. A cada hora que marca o relógio.

Mas não adianta termos essas oportunidades se ficarmos agarrados ao passado e reclamando que Deus não faz nada por nós.

A cada instante um "novo eu" pode nascer. Que tal agora?


quarta-feira, 15 de abril de 2015

O certo e o errado

Todos nós temos como missão o nosso melhoramento íntimo, se desejamos progredir em nossa jornada evolutiva, a fim de nos tornarmos homens de bem (ver link: O homem de bem) e alcançarmos a felicidade.

Para avançarmos, é necessário cultivarmos em nós as virtudes e eliminar os defeitos morais, gradualmente porém de forma constante.

Se faz então fundamental distinguirmos o certo do errado, e aplicarmos este julgamento à cada uma de nossas ações.

Existem muitos erros que cometemos de forma inconsciente, mas há também muitos outros que cometemos conscientemente, agindo assim porque nos é conveniente.

Peguemos como exemplo um homem que está disputando uma promoção no trabalho. Esse homem, para passar na frente de seus concorrentes, faz de tudo para tirar vantagem dos mesmos, usando de armações e esquemas para elevar-se ao mesmo tempo que os degrine a imagem. Ele sabe que isso é errado, mas persiste no erro porque lhe é vantajoso.

É por isso que se faz tão importante discernir o certo do errado.

Essa não é uma tarefa de outro mundo, visto que todas as pessoas trazem na sua consciência a noção do certo e do errado. Não obstante, a educação recebida dos pais na maioria dos casos reforça essas idéias.

Mas ainda assim, Jesus nos brindou com a regra máxima, para que nunca erremos em nossas ações:
"Faz ao próximo o que gostaria que te fosse feito, e não faz ao próximo aquilo que não gostaria que te fizessem."

Esta simples e eficiente regra pode (e deve) ser aplicada em todas as nossas ações.

Vejamos como ficaria o exemplo citado acima, se essa regra fosse seguida:
"Um homem deseja ser promovido no trabalho. A disputa é acirrada. Pensa se haveria um meio de prejudicar os seus concorrentes, a fim de vencê-los com mais facilidade. Entretanto, para e reflete, pensando se gostaria de ser friamente prejudicado por algum colega na disputa pela promoção. Perceberia que não gostaria de ser vítima desse ardil e decide não colocar em prática o seu plano, tentando então conseguir a promoção de forma justa, somente com os seus próprios méritos.."

Assim vemos que, se todas as pessoas tratassem uns aos outros como gostariam de ser tratados, rapidamente a Terra se tornaria um dos lugares mais maravilhosos do universo.

Mas como não podemos mudar o mundo, podemos mudar a nós mesmos, visto que quanto mais nos melhoramos, mais progredimos em nossa evolução, podendo até, em encarnações futuras, habitar mundos mais felizes do que a Terra.

Temos acesso a todo o conhecimento, só nos falta vontade de nos tornarmos pessoas melhores. O que é melhor: não mudar nada e continuar infeliz ou mudar tudo e alcançar a felicidade?

Eis a escolha de cada um.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Emoções e a saturação de energias

Hoje falaremos sobre como as emoções podem nos prejudicar ou nos beneficiar e também sobre as populares "energia positiva" e "energia negativa".

Mas para podermos explicar de maneira satisfatória, é necessário antes esclarecer alguns conceitos básicos:


No universo, tudo é energia. Até mesmo a matéria é energia condensada. Através da física quântica a ciência já esclareceu que um átomo pode tanto ser uma partícula como uma onda.

Existem então, na criação universal, dois elementos opostos: o espírito e a matéria.

O espírito é o princípio inteligente, constituindo-se de pura energia.

A matéria é o elemento construtivo de tudo aquilo que é tangível aos nossos sentidos, enquanto encarnados.

E intermediando esses dois elementos, há o fluido cósmico universal. Com sua natureza semi-material, é o elo entre o espírito e a matéria. Sem ele o espírito não conseguiria atuar sobre a matéria, pelo fato desta ser muito grosseira.

O fluido cósmico universal é responsável pela criação de todos os elementos. Ele modifica-se e transforma-se em uma infinidade de formas. Sem ele, a matéria estaria sempre dispersa e jamais tomaria as formas que conhecemos.

O que conhecemos como energia elétrica, energia magnética, energia térmica, etc, são apenas variações deste mesmo fluido cósmico universal, que preenche a totalidade do universo, assim como o ar preenche a totalidade da atmosfera terrestre.

Nós somos compostos basicamente de três partes: o espírito (ou alma) que é o ser propriamente dito, o corpo físico e o perispírito, corpo semimaterial que serve de envoltório do espírito e de elo entre o espírito e o corpo físico. O perispírito é também criado com o fluido cósmico universal.


Entendido isso, vejamos como se processa a troca de energias:

Na natureza, para acontecer uma transmissão de energias, é necessário que o ponto emissor esteja saturado de energia. Ao deparar-se então com um receptor com nenhuma ou com pouca carga energética, dá-se então a transferência da energia.

Tomemos como exemplo o calor. Um carvão em brasa colocado em uma churrasqueira vazia, passa a transferir o seu calor para todos os elementos ali presentes: os tijolos, a carne, os espetos, etc.
Mas o que isso tem a ver com as emoções?

Quando alguém nos prejudica e sentimos raiva, nosso perispírito começa a ser preenchido pela raiva, até que esteja completamente encharcado por essa energia. Quando estamos saturados com essa raiva, disparamos mentalmente uma parcela dessa energia em direção àquela pessoa que nos prejudicou.

Não importa quão distante essa pessoa esteja, essa energia chegará até ela. Pois assim como o ar é o transmissor do som, o fluido cósmico universal é o transmissor do pensamento. Em qualquer ponto do universo, essa energia chegará até o seu alvo.

A nossa vítima, ao ser alvejada por essa descarga de raiva, poderá ter diferentes sensações, tais como tontura, dor de cabeça, dor de estômago, enjôo, esgotamento, medo, ou até mesmo irritação, tudo isso de acordo com a sua sensibilidade. (quem nunca saiu de uma discussão com alguma dessas sensações?)

Naquele momento de cólera, só desejávamos prejudicar ao outro. Mas não percebemos que de toda a energia ruim que foi gerada, somente uma pequena parte chegou até o alvo. A quase totalidade dessa raiva ficou impregnada em nós mesmos.

Se os ataques de raiva nos são constantes, passamos a ficar cada vez mais tempo impregnados dessa energia, de tal modo que não só nos tornamos refratários (repulsivos) às boas energias, como também começamos a materializar esse energia em nosso corpo físico, visto que tudo que acontece no perispírito reflete-se no corpo físico. Essa é a causa de muitas doenças.

Popularmente se diz "fulano tem uma energia muito negativa". Nada mais é do que as pessoas inconscientemente percebendo a atmosfera de energias nocivas que se formam em torno de determinados indivíduos.

Do mesmo modo, mas então em sentido benéfico, acontece quando ficamos cheios de amor para com o próximo: nosso perispírito satura-se de amor, uma parcela desse amor é transmitida ao próximo, que sente-se feliz e bem. Continuamos com a maior parcela dessa energia amorosa e se a presença dessa energia for uma constante, pode até mesmo operar curas no corpo físico.

É daí que se tem o conhecimento popular de que "tudo aquilo que se deseja para os outros, se recebe em dobro". Não poderia estar mais correto!

Assim, podemos ver então que todas as formas das ditas "energias negativas": ódio, mágoa, inveja, etc, que emanamos para o próximo, muito mais atingirão a nós do que ao outro. E todas as formas das ditas "energias positivas": amor, compaixão, benevoência, etc, que emanamos para o próximo, não só fazem bem a ele como a nós mesmos também.

Esse é o motivo pelo qual a transformação moral se faz obrigatória para a evolução do espírito: somente quando nos despojamos dos nossos defeitos morais e vícios é que conseguimos melhorar o padrão das nossas energias, e assim gradualmente ir progredindo. Quanto mais nos melhoramos, melhores energias vamos adquirindo e mais nos sintonizamos com a fonte criadora.

Quanto mais sintonizados estamos com Deus, melhor conseguimos usufruir de todas as bênçãos que ele emana diariamente, para cada um de nós.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Companhias espirituais

[Como já tratamos deste tema em posts anteriores, desta vez montamos um texto mais completo e abrangente, a fim de facilitar o entendimento de um tema tão complexo e tão importante]

Partimos dos conhecimentos que já adquirimos, de que o mundo* espiritual é o mundo primeiro e que existe mesmo sem a existência da matéria, e que o mundo material é o mundo secundário, que não pode existir sem o mundo espiritual.

(Entenda-se aqui mundo como sendo: dimensão, plano de existência).


De mesmo modo, a vida espiritual precede a vida material. Quando o corpo material morre, o espírito continua a existir, pois já existia antes dele, e continuará existindo, vindo a habitar novos corpos (reencarnação) até que sua evolução seja tão grande que isso não se faça mais necessário.

Em outras palavras, todos os espíritos passam por um enorme encadeamento de encarnações, onde buscam desenvolver a inteligência e as virtudes, para um dia chegarem à perfeição e não mais precisarem encarnar.

Os espíritos que vagam então, pelo universo, não são seres sobrenaturais ou demoníacos (vulgo fantasmas), são apenas pessoas desprovidas de corpo, enquanto não encarnam novamente. Alguns, mais atrasados, seguem sem rumo. Outros, mais avançados, estudam e procuram ajudar para o progresso geral das almas.

Sendo assim, estima-se que somente na Terra, para cada encarnado, existam (em proporção) pelo menos 4 desencarnados. Ou seja, a população de desencarnados é no mínimo quatro vezes maior.

Esses desencarnados unem-se de acordo com as suas afinidades. Assim como os vivos que gostam de futebol se reúnem em um grupo, os que gostam de literatura se reúnem em outro grupo, e assim por diante em todas as áreas de interesse humano, sendo os mortos pessoas sem corpos, sua maneira de pensar não poderia ser diferente.

É aí que formam-se os grupos afins, uns unidos pela vontade de fazer o mal, outros unidos pela vontade de gozar dos vícios, outros unidos pela vontade de ajudar ao próximo, e assim por diante.

E estando nós encarnados, exercem os desencarnados alguma influência sobre nós?

Sim, porque o meio de comunicação dos espíritos é através do pensamento. Tanto encarnados como desencarnados pensam, e é aí que se faz a sua associação.

Através da afinidade, atraímos para perto de nós todos aqueles espíritos que pensam como nós.

Se começamos, por exemplo, com a idéia de matar uma pessoa, imediatamente estamos atraindo para próximo de nós espíritos que quando vivos foram assassinos. Eles compartilharão das mesmas idéias para conosco, nos incentivarão no que desejamos fazer e podem até nos sugerir (intuitivamente) os melhores meios de praticarmos tal ato.

Por outro lado, se começamos com a idéia de ajudar as pessoas necessitadas, imediatamente atrairemos os espíritos benfeitores, que compartilharão do mesmo ideal, nos incentivarão no que desejamos fazer e frequentemente nos intuirão as melhores maneiras e os melhores lugares para ajudarmos.

Pode-se então dizer que são os espíritos que conduzem as ações humanas?

Não, pois aí temos dois pontos a levar em consideração. O primeiro deles é que se tais espíritos se aproximam, é somente porque foi encontrada afinidade de idéias. Um espírito mau jamais conseguirá se aproximar de quem só pensa o bem. Eles são refratários entre si.

O segundo ponto a se considerar é o de que os espíritos incentivam e sugerem, mas ainda assim nós conservamos a nossa inteligência e o nosso livre arbítrio, podendo então usar do discernimento e da razão para escolher este ou aquele caminho.

Estamos então sempre rodeados de espíritos, a nos observar e acompanhar, nos incentivando e compactuando conosco. Como podemos então escolher quais serão as nossas companhias?

Como vimos, tudo ocorre por afinidade. Para afastar o mal, somente pensando o bem. Para afastar o bem, somente pensando o mal. Por isso é muito importante vigiarmos os nossos pensamentos e intenções, pois é através deles que escolheremos as nossas companhias.

Manter a mente ocupada somente com coisas boas e saudáveis é a melhor maneira para evitar o assédio dos maus espíritos, que nos incentivam somente para o que não é bom, nos prejudicando em vez de nos ajudar.

Há então três grupos de espíritos sempre a nos rodearem:

- Espíritos protetores: nesse grupo encontram-se aqueles espíritos designados a nos auxiliar e nos proteger, conhecidos como espíritos protetores ou anjos da guarda. Vale lembrar que a nossa afinidade com o bem lhes dá mais possibilidade de ação, enquanto que a nossa afinidade com o mal cria grandes empecilhos para sua ação.

- Espíritos familiares e amigos: nesse grupo encontram-se todos aqueles espíritos que têm alguma relação pessoal conosco. Basicamente familiares e amigos desta ou de outra encarnação, que já desencarnaram. Há entre eles tanto os bons quanto os maus e os indecisos. Os bons visitam-nos de vez em quando (quando permitido), enquanto que os maus podem estar sempre a nos cercar (se a afinidade permitir).

- Espíritos afins: nesse grupo (que é o mais populoso) encontram-se aqueles que se ligam a nós através das afinidades, como foi explicado no texto.

Lembremos sempre que onde quer que estejamos, sempre estaremos rodeados de espíritos, e que o seu quilate só poderá ser definido por aquilo que pensamos. De nada adiantarão crucifixos, pés de coelho, galhos de arruda e amuletos mil se nossos pensamentos estiverem sempre repletos de podridão.

O antigo ditado dizia: "diga-me com quem andas, que te direi quem és". O ditado espírita nos diz o contrário: "diga-me quem és, que te direi com quem andas".

Que possa o tema ser de reflexão para todos.

O espaço dos comentários está sempre aberto para as dúvidas dos leitores.

Paz e luz a todos!