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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma

Nos últimos tempos, a reencarnação tem sido tema cada vez mais frequente mesmo entre os não espíritas.  E engana-se quem pensa que só o espiritismo professa a reencarnação.

Na verdade, boa parte dos sistemas filosóficos e religiosos sustenta a reencarnação: Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, Xamanismo, escolas esotéricas, Teosofia, nas antigas religiões egípcias e em praticamente todas as religiões consideradas pagãs.

Sendo mais comum no oriente, no ocidente foi sempre combatida pelo Catolicismo, desde que a reencarnação que antes era aceita como sistema vigente foi abolida (no Segundo Concílio de Constantinopla) e em seu lugar adotado o sistema das penas e gozos eternos (céu e inferno).

Para compreender a reencarnação, precisamos entender que:

- A alma existe e é criada antes do corpo, sobrevive à morte deste e pode vir a habitar novamente outro corpo.

- A alma é considerada o ser propriamente dito, sendo o corpo apenas um veículo temporário, necessário ao seu progresso. Tal qual um músico (alma) que faz uso do instrumento (corpo) para tocar a sua música (promover sua evolução).

- Todas as almas são criadas simples e ignorantes, e através da sua sucessão de vidas adquire gradualmente os dois pilares essenciais de sua evolução: o conhecimento e a moralidade. À medida que percorre o caminho, podem incorrer em erros e criar maus hábitos que lhes entravam o progresso.

- Os erros que comete precisam ser reparados, se não na encarnação presente, nas encarnações posteriores. Esse sistema é popularmente conhecido como Karma. No espiritismo chamamos de "Lei de Causa e Efeito".

- Atos de encarnações precedentes (bons ou ruins) interferem na encarnação presente.

- A alma só liberta-se do ciclo de reencarnações quando liberta-se de todas as suas falhas e atinge a pureza moral e o avançado nível intelectual.

Para o Espiritismo, a reencarnação é uma prova da justiça de Deus, que dá inúmeras oportunidades para o espírito se aperfeiçoar, ao invés de mandá-lo para o céu, ou o inferno eterno. Segundo essa mesma doutrina, se o espírito se entrega à corrupção dos valores ético-morais, ele terá "incontáveis" oportunidades de se aperfeiçoar, angariando parte das consequências funestas, pelos crimes que cometeu, para suas próximas reencarnações.


Mas a pergunta que não quer calar: quais argumentos existem em favor da reencarnação?


Em primeira instância, o sistema de reencarnação por si só é completamente coerente dentro de seus mecanismos, e responde a muitos questionamentos que não podem ser facilmente explicados por qualquer outro sistema, tais como: De onde viemos? Para onde vamos? Porquê sofremos? Onde está a justiça divina? Qual o objetivo da vida?
(Veja mais sobre essas perguntas em: Questões que o espiritismo responde)

Em segunda instância, vemos que a Justiça Divina só se opera com exatidão na reencarnação. Segundo a teoria das penas e gozos eternos, a alma culpada passaria o resto da eternidade no inferno padecendo de tormentos infindáveis. Onde estaria então a misericórdia de Deus? Que pai condenaria um filho à danação eterna? Deus, sendo máximo em todas as perfeições, não deveria então possuir a máxima justiça, a máxima misericórdia, o máximo perdão e a máxima bondade?

(Vale aqui lembrar da Parábola do Filho Pródigo, onde Jesus ensina sobre um pai que perdoa o filho mesmo após o mesmo ter cometido diversos erros. Deus seria então menos perfeito que o homem da história? A teoria das penas e gozos eternos não só fere a razão como impossibilita a perfeição Divina)

"De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o arrependimento. De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio para progredirem.

Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retratam os bem-aventurados, figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.

Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva idéia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante - de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.
"
(Citação da obra "O Céu e o Inferno" ou "Justiça divina segundo o espiritismo", de Allan Kardec).

Em terceira instância, podemos então lembrar daqueles que defendem que após a morte não há nada. Que a alma não existe. Que nada existe antes da vida e nada após a vida.

Essa visão, extremamente materialista, se torna oposta à evolução do ser. Como poderíamos explicar aqueles casos em que crianças de 3 ou 4 anos são capazes de tocar instrumentos musicais em um nível que só seria possível com anos de estudo? E não só no campo da música existem crianças superdotadas que executam proezas de elevado grau de dificuldade sem mesmo saberem falar corretamente as palavras ou amarrar os próprios sapatos.


E não só com as crianças, mas e aqueles adultos que apresentam excepcional habilidade em campos do conhecimento em que nunca receberam instrução, ou mesmo que nunca haviam antes tido contato. Será mera sorte no sorteio dos átomos que formaram seus cérebros?

Em quarta instância, temos as experiências de quase-morte (EQM), que consistem em um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção da consciência (também chamada de "projeção astral", "experiência fora do corpo", "desdobramento espiritual", "emancipação da alma", etc.), a "sensação de serenidade" e a "experiência do túnel". Esses fenômenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação "EQM".

Entre os cientistas que pesquisam o assunto, há os que interpretam as experiências como reações do cérebro (visão monista) e há os que interpretam tais experiências como prova ou evidência de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista); e de que existe vida após a morte.

Em quinta instância, temos os estudos de conexão entre encarnações promovidos por diversos pesquisadores (até mesmo por Allan Kardec), sendo um dos mais notáveis o trabalho do psiquiatra Dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, Estados Unidos, que recolheu dados sobre mais de 3000 casos em todo o mundo que evidenciariam a reencarnação.

Dentre os trabalhos desenvolvidos por Dr. Stevenson sobre a reencarnação, destaca-se as obras "Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação" e "Reencarnação e Biologia: Uma Contribuição à Etiologia das Marcas de Nascença e Defeitos de Nascença".

Por fim, mas não menos importante, lembremos que o próprio Jesus inúmeras vezes falou sobre o renascimento da alma.

Vale lembrar que a idéia de que João Batista era Elias, e de que os profetas podiam reviver na Terra, encontra-se em muitas passagens dos Evangelhos. Se essa crença fosse um erro, Jesus não deixaria de combatê-la, como fez com tantas outras. Longe disso, porém, ele a sancionou com toda a sua autoridade, e a transformou num princípio, fazendo-a condição necessária, quando disse: Ninguém pode ver o Reino dos Céus, se não nascer de novo. E insistiu, acrescentando: Não te maravilhes de eu ter dito que é necessário nascer de novo.

Não é, pois, duvidoso, que sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação fosse uma das crenças fundamentais dos judeus, e que ela foi confirmada por Jesus e pelos profetas, de maneira formal. Donde se segue que negar a reencarnação é renegar as palavras do Cristo. Suas palavras, um dia, constituirão autoridade sobre este ponto, como sobre muitos outros, quando forem meditadas sem partidarismo.



(Menino de 4 anos executando performance no violino. Há muitos outros no Youtube).

Para concluir o nosso post, nada como fechar com chave de ouro com um notável trecho de O Livro dos Espíritos:

"171. Sobre o que se funda o dogma da reencarnação?

— Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois não nos cansamos de repetir: um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento. A razão não diz que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna daqueles cujo melhoramento não dependeu deles mesmos? Todos os homens não são filhos de Deus? Somente entre os homens egoístas é que se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.

Comentário de Kardec: Todos os Espíritos também tendem a perfeição, e Deus lhes proporciona os meios de consegui-la, com as provas da vida corpórea. Mas, na sua justiça, permite-lhes realizar, em novas existências, aquilo que não puderam fazer ou acabar numa primeira prova.

Não estaria de acordo com a eqüidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade.

A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde a idéia da justiça de Deus, com respeito aos homens de condição moral interior; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos nos ensinam.

O homem que tem consciência da sua inferioridade encontra na doutrina da reencarnação uma consoladora esperança. Se crê na justiça de Deus, não pode esperar que, por toda a eternidade, haja de ser igual aos que agiram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo e que ele poderá conquistá-lo através de novos esforços o ampara e lhe reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim da sua carreira, não lamenta ter adquirido demasiado tarde uma experiência que já não pode aproveitar? Pois esta experiência tardia não estará perdida: ele a aproveitará numa nova existência.
"

Links complementares:

Ressureição e reencarnação, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec:

https://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-4-ninguem-pode-ver-o-reino-de-deus-se-nao-nascer-de-novo/ressurreicao-e-reencarnacao/

A Wikipédia possui um excelente artigo que fala sobre a reencarnação não somente na ótica espírita:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Reencarna%C3%A7%C3%A3o

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Para todas as dúvidas, a seção de comentários está aberta.


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Veja os demais posts dessa série:

- Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígio

- Falando sobre a reencarnação - A justiça divina e a reencarnação

- Falando sobre a reencarnação - Casos documentados que indicam reencarnações


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