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quarta-feira, 29 de março de 2017

O que é essa tal transição planetária de que tanto se fala?

Ouve-se por toda a parte esse assunto: transição planetária. Mas o que é isso?

Quem já acessa o blog a algum tempo sabe que somos seres imateriais, espíritos temporariamente habitando um corpo, encarnados na Terra com a missão de evoluir e progredir na nossa jornada espiritual.

Como já falamos em nossos estudos sobre a Lei do Progresso, toda a obra da criação divina deve sempre evoluir. Tudo sempre é direcionado ao progresso e, por mais que esse seja às vezes atrasado, jamais pode ser impedido.

Assim como os seres espirituais, os planetas também precisam evoluir. Não que seja necessário que os orbes evoluam, mas sim a coletividade de espíritos que os habitam.


Assim como há espíritos em diferentes graus evolutivos, também há planetas em diferentes graus evolutivos, comportando cada qual seres do nível equivalente. A saber:

- Mundos primitivos: onde os espíritos iniciam a sua jornada na forma humana, ainda guiados quase que completamente pelos instintos, visto que sua inteligência ainda não se desenvolveu. O desafio de seus habitantes é desenvolver a sua inteligência.

- Mundos de expiação e provas: onde o bem existe, mas o mal predomina. É onde os espíritos já possuem inteligência desenvolvida, mas como ainda se deixam governar pelos instintos, usam a inteligência para o mal. O desafio dos habitantes é suprimir os instintos e fazer com que somente a inteligência prevaleça, bem como desenvolver os sentimentos e as emoções.

- Mundos de regeneração: onde o mal existe em pequena escala, mas o bem predomina. É onde os espíritos já venceram a sua animalidade e agora convivem em harmonia. O desafio dos habitantes é lapidar a inteligência adquirida e concluir a educação dos sentimentos e das emoções.

- Mundos perfeitos: onde somente o bem existe, e todos os espíritos são puros. Não há mais necessidade de encarnação. Os habitantes desses mundos são chamados "espíritos perfeitos" ou "anjos".


É muito fácil identificar a Terra como um mundo de provas e expiações, visto que sabemos que apesar de existir o bem, o mal existe em maior quantidade.

A transição planetária trata exatamente da transição que a Terra está fazendo para tornar-se um mundo de regeneração, onde o bem prevalecerá e o mal existirá em pequena escala. Este processo é lento e já foi iniciado a mais de um século, entretanto acelera-se progressivamente a cada dia.

No momento atual a Terra passa por um expurgo, onde todo o mal que estava oculto precisa vir à tona para que seja expelido. Jamais se viu tantos escândalos, fraudes, corrupção e criminalidade como agora. Estes sempre existiram, e possivelmente em um volume muito maior, porém antes estavam escondidos e não eram noticiados.

Mas é isso que acontece quando se lava algo em que a sujeira está encrustada por muito tempo: a água torna-se um caldo espesso, lodoso e parece que a sujeira não tem fim. Mas com paciência é possível vencer a sujeira e deixar tudo como novo.


E como funciona essa tal transição?

Desde alguns anos atrás, somente espíritos do nível apropriado para o mundo de regeneração estão encarnando (lembre-se que o mundo é o coletivo de seus habitantes) para serem os adultos da nova era. É notável como as crianças hoje são tão inteligentes e importam-se tanto com os animais, o meio ambiente e também são mais sensíveis.

Os adultos são quase que em sua maioria espíritos que estão em sua última oportunidade na Terra. Aqueles que não conseguirem evoluir para acompanhar a nova era, não mais encarnarão na Terra. Serão direcionados em sua próxima encarnação para outro planeta de provas e expiações.

Entre os que estão no fim da adolescência e no início da fase adulta há uma mistura entre os que tem grandes chances de evoluir e permanecer na Terra regenerada (se assim o quiserem) e aqueles irmãos muito endurecidos que estavam a séculos sem reencarnar e que receberam uma última chance de encarnar na Terra.

Para que a Terra seja um mundo regenerado, é preciso que no coletivo de seus habitantes prevaleça o bem. E é por isso que passamos por essa fase de expurgo e limpeza. Tudo que está errado precisa ser consertado, tudo que está sujo precisa ser limpo. E todos os habitantes precisam evoluir.

Independente da vontade dos seus habitantes, a Terra irá ascender para o próximo nível, pois está na sua programação e a Lei do Progresso atua para que isso se cumpra.


E como isso me afeta?

É muito simples: quem conseguir evoluir antes de desencarnar, poderá permanecer como habitante da Terra, por seu direito conquistado. Quem não gostaria de viver em um mundo onde o bem prevalece?

Aqueles que não conseguirem atingir o patamar evolutivo necessário para permanecer na Terra, como já mencionei, serão remanejados nas suas próximas encarnações para outros mundos compatíveis com o seu estado de desenvolvimento espiritual. E é aí que está o grande problema.

Lembram da descrição do mundo primitivo? Pois bem, há muitos irmãos em que ainda os instintos imperam sobre a inteligência. São irmãos que migraram para o mundo de expiação e provas mas nunca atingiram os seus objetivos, sendo portanto incompatíveis com este tipo de mundo. Esses irmãos reencarnarão em muitos primitivos, subdesenvolvidos, e no seu subconsciente sentirão-se prisioneiros em uma realidade tão atrasada.

Mas isso não é de todo mal, visto que com o conhecimento que possuem das coisas modernas, serão gênios quando comparados com os seus conterrâneos. Haverá uma grande disputa para ver quem será o primeiro a descobrir o fogo. Ou a criar armas melhores para a caça. Quem será que vai inventar a roda?

E entre aqueles irmãos que serão direcionados a mundos de expiação e provas, dificilmente serão mundos no mesmo nível de desenvolvimento do que a Terra encontra-se hoje. Serão mundos em desenvolvimento, como na antiga Roma, senão em um estágio anterior. Será que não sentirão-se também prisioneiros, sem o conforto e a praticidade da vida moderna?

Mas também poderão colaborar para a evolução destes mundos. Quem será que vai descobrir a eletricidade? E criar o primeiro avião? E a cura de determinadas doenças? Quem será que vai pensar na água encanada?

Assim, como tudo na obra divina, tudo será organizado por afinidades e sem nenhum desperdício: mesmo o mais inútil e preguiçoso dos habitantes da Terra, quando colocado no mundo apropriado pode tornar-se o mais grandioso gênio. E por essas colaborações ao ajudar o desenvolvimento de um mundo atrasado, poderá merecer novamente uma chance em um mundo do nível seguinte.


Conclusão:

A mudança é lenta, mas é contínua. A mudança é dos habitantes e não do planeta. Quem quiser permanecer, precisará se adaptar para os novos tempos. Quem não se importa muito com isso, continuará sua jornada em um mundo apropriado ao seu nível de desenvolvimento.

Eu prefiro viver em um mundo onde o bem prevalece. E você?


OBS:

Este tema é complexo e extenso. Tentei trazer o máximo de informações escrevendo o mínimo possível. Quaisquer dúvidas podem ser questionadas na seção de comentários. Se houver necessidade, posso trazer novamente este tema, em mais detalhes.

Deixarei abaixo links complementares para este assunto. Recomendo a leitura para total compreensão do tema.



Links complementares:

- Há muitas moradas na casa de meu Pai, em O Evangelho Segundo o Espiritismo

- Pluralidade dos mundos, em O Livro dos Espíritos

- Escala espírita, em O Livro dos Espíritos

- Encarnação nos diferentes mundos, em O Livro dos Espíritos

- Lei do Progresso, em O Livro dos Espíritos



quarta-feira, 22 de março de 2017

Por que tememos as mudanças?

A maioria de nós treme ao ouvir a palavra "mudança".

Mudar significa sair de um cenário que estamos acostumados para um completamente novo. Por que isso nos assusta tanto?

Durante milênios, nosso instinto de conservação nos permitiu sobreviver em um mundo hostil, até que nossa inteligência fosse desenvolvida suficientemente para assumir o controle.

Porém por mais que nossa inteligência tenha se desenvolvido, continuamos agarrados a muitos instintos, principalmente ao de conservação.

Para quem tenta sobreviver em uma situação hostil, mudar torna-se altamente perigoso. Quanto mais utilizarmos as técnicas e conhecimentos que já estão plenamente assimilados, melhores são as nossas chances de sucesso.

Muito tempo se passou, e hoje o mundo é completamente diferente. Vivemos na era da informação e temos acesso a todo o conhecimento do mundo, se assim desejarmos. Nunca foi tão fácil e rápido aprender algo como nos dias hoje.

Então percebemos que mudar não é algo ruim. Mas ainda assim somos temerosos.

Mudar significa abrir novas portas, novos caminhos por territórios inexplorados por nós. Não podemos pensar somente nos desafios e problemas que se apresentarão, precisamos pensar também nas novas soluções, recompensas e oportunidades às quais seremos expostos.

Há momentos em que estamos presos em uma situação e não vemos saída. Mas em vez de fazer algo novo, algo diferente, repetimos as mesmas coisas e esperamos que por milagre tenhamos um resultado diferente.

Que dizer então das ocasiões em que a vida em uma de suas muitas oscilações nos priva de algo ou nos coloca em uma situação temporariamente desfavorável? O horror e o desespero tomam conta de nós. E qual a nossa surpresa quando percebemos que há males que vem para bem?

Não há mudança sem turbulências. Porque para nascer o novo é preciso destruir o velho. Mas deixaremos de usufruir do que é novo e melhor, só por medo das turbulências?

A mensagem de hoje é: não deixe que os obstáculhos te impeçam de avançar. Para contemplar o horizonte, é preciso subir a montanha. E no topo da montanha, qual será a surpresa quando visualizarmos muitos lugares inéditos e cheios de oportunidades? Não terá valido à pena o esforço da subida?

Mudar é bom. Renova e fortalece.

Com prudência e bom-senso, mude. Arrisque. Tente o novo.


quarta-feira, 15 de março de 2017

A ingratidão dos filhos e os laços de família


Hoje trazendo aos leitores esta pérola do Evangelho, acrescentando um breve comentário ao final:

"A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família

9 – A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e revolta sempre os corações virtuosos. Mas a dos filhos para com os pais tem um sentido ainda mais odioso. É desse ponto de vista que a vamos encarar mais especialmente, para analisar-lhe as causas e os efeitos. Nisto, como em tudo, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.

Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai no espaço aperfeiçoar-se ou estacionar, até que deseje esclarecer-se. Alguns, portanto, levam consigo ódios violentos e desejos de vingança. A alguns deles, porém, mais adiantados, é permitido entrever algo da verdade: reconhecem os funestos efeitos de suas paixões, e tomam então boas resoluções; compreendem que, para se dirigirem a Deus, só existe uma senha – caridade. Mas não há caridade sem esquecimento das ofensas e das injúrias, não há caridade com ódio no coração e sem perdão.

É então que, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para os que detestaram na Terra. À vista deles, porém, sua animosidade desperta. Revoltam-se à idéia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem a si mesmos, mas sobretudo a de amar aqueles que lhes destruíram talvez a fortuna, a honra, a família. Não obstante, o coração desses infortunados está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que ele detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir sobre a Terra os destinos desse corpo que vem de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá da maior ou menor persistência das suas boas resoluções. O contacto incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte. Assim, segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato exterior parece justificar. Nada, com efeito, nessa existência, poderia  provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é necessário voltar os olhos ao passado.

Oh!, espíritas! Compreendei neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendei que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que vos está confiada e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe derdes, auxiliarão o seu aperfeiçoamento e a sua felicidade futura. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?” Se permaneceu atrasada por vossa culpa, vosso castigo será o de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então vós mesmos, carregados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis uma nova encarnação, para vós e para ela, na qual a cercareis de mais atentos cuidados, e ela, cheia de reconhecimento, vos envolverá no seu amor.

Não recuseis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou. Uma intuição imperfeita do passado se revela, e dela podeis deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou expiar. Mães! Abraçai, pois, a criança que vos causa aborrecimentos, e dizei para vós mesmas: “Uma de nós duas foi culpada”. Merecei as divinas alegrias que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, ah! Muitas dentre vós, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, provenientes das existências anteriores, entretém e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por uma culposa fraqueza. E, mais tarde, o vosso coração ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, desde esta vida, o começo da vossa expiação.

A tarefa não é tão difícil como podereis pensar. Não exige o saber do mundo: o ignorante e o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, ao revelar a causa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É necessário aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm sua origem no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam os germens desses vícios e dedicai-vos a combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Fazei como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixardes que o egoísmo e o orgulho se desenvolvam, não vos espanteis de ser pagos mais tarde pela ingratidão. Quando os pais tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, se não conseguem êxito, não tem do que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhe será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver cap. XIII, nº 19)

Deus não faz as provas superiores às forças daquele que as pede; só permite as que podem ser cumpridas; se isto não se verifica, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que em lugar de resistir aos maus arrastamentos, neles se comprazem: é para eles que estão reservados o choro e o ranger de dentes, em suas existências posteriores. Admirai, entretanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chega um dia em que o culpado está cansado de sofrer, o seu orgulho foi por fim dominado, e é então que Deus abre os braços paternais para o filho pródigo, que se lança aos seus pés. As grandes provas, — escutai bem, — são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então quando, saído do turbilhão do mundo terreno, entrardes no mundo dos Espíritos, sereis ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da refrega.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria das privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, esmagadas pela ingratidão dos seus. Oh!, é essa uma pungente angústia! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, com a certeza de que, se há longas dilacerações, não há desesperos eternos, porque Deus não pode querer que a sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é necessário não reter o olhar na Terra e não ver apenas uma existência; é necessário elevar-se, pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revela aos vossos olhos, e esperais com paciência, porque explicou a vós mesmos o que vos parecia monstruosidade da Terra. Os ferimentos que recebestes vos parecem simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido: não mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se quebrarem com a reencarnação.

Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa. Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.

SANTO AGOSTINHO - Paris, 1862
"

Não sabemos com quem nos relacionamos.

Aquele que está próximo de mim pode ter sido meu pai, meu irmão, meu amigo ou até mesmo meu inimigo em outra vida.

Mas agora nada se sabe.

Às vezes pressentimos algo com uma atração irrefreável ou uma repulsa inexplicável, mas ainda assim, nada sabemos de fato.

E nem é necessário que saibamos.

Pode-se em um primeiro momento pensar: "mas se aquele é o meu inimigo de outra encarnação, se eu não souber disso, como vou me reconciliar com ele?".

E a resposta já é velha conhecida dos leitores deste blog: através da mudança interior.

A mudança interior não é nada mais do que substituir as falhas morais por virtudes. Sempre que se refreia um defeito, abre-se espaço para a virtude correspondente crescer. Quando me esforço para não ser egoísta, naturalmente começo a ver as maneiras em que posso ajudar ao próximo. As falhas morais nos cegam e nos sufocam, impedindo de ver até mesmo as coisas mais simples.

Então, se eu tratar todas as pessoas como eu gostaria de ser tratado (ou pelo menos fazer o meu melhor neste sentido), exercitando as virtudes e suprimindo os meus defeitos, não importa com quem eu me relacione: esta pessoa certamente estará recebendo a melhor versão de mim.

Seguindo estes princípios, quando eu me encontrar com o meu inimigo, eu lhe tratarei com respeito, bondade, humildade e amor. Mesmo sem perceber, estarei fazendo a minha parte para a reconciliação de nós dois.

E aí está a mágica de tudo isso. Porque quando eu mudo a mim, eu mudo a maneira com que eu me relaciono com o mundo e com as pessoas, passando a semear então somente coisas boas.

Como tudo no universo funciona por afinidade, quando eu mudo e melhoro a minha realidade, as oportunidades vem até mim naturalmente, e eu as aproveito sem nem me dar conta, porque tudo está funcionando em um equilíbrio e uma harmonia tão grandes que aquilo que em outros tempos seria uma grande catástrofe, agora não passa de uma pequena onda na beira da praia.

Que tal tentar?


quarta-feira, 8 de março de 2017

Como (e por que) me tornei espírita



Desde muito jovem sempre tive interesse pelo desconhecido. Assuntos tais como fantasmas e alienígenas sempre despertaram uma grande curiosidade em mim.

Com o início da internet, surgiram vários sites tratando de "ocultismo", fazendo um apanhado de todo o tipo de assunto, desde mensagens subliminares, teorias da conspiração, abduções, até aparições de fantasmas e histórias de casas mal-assombradas.

E isso me levou à minha primeira conclusão:

1 - Existem coisas ocultas no mundo. Não sei quantas, não sei quais, mas de todas essas coisas, pelo menos uma deve ser verdade.

À medida que fui crescendo, fui me distanciando da religião em que fui criado, pois por mais que eu acreditasse em Deus, eu não gostava do resto do pacote que vinha com a religião. Mais ainda, comecei a me dar conta da desconexão entre o discurso e as atitudes.

E isso me levou à minha segunda conclusão:

2 - Deus existe e é todo poderoso, e posso acreditar nele sem depender de nenhuma religião.

E por muito tempo foi assim. Só acreditava em Deus e mais nada.

Com o passar dos anos, graças à internet e à minha busca incessante pelos mistérios da humanidade, fui conhecendo outras religiões menos populares entre nós, como Gnosis, Xamanismo, Hinduísmo, Budismo, Taoísmo e outras.

Todas elas, de alguma maneira, acrescentaram conhecimentos e expandiram muito meus horizontes, porém apesar disso, nenhuma delas conseguiu responder todas as minhas perguntas (pelo menos não de uma maneira que eu conseguisse compreender).

E isso me levou à minha terceira conclusão, que foi uma fusão das duas primeiras:

3 - Deus existe e é todo poderoso, e em sua criação há muitos mistérios que o homem comum não consegue compreender.

E onde entra o Espiritismo nisso tudo?

Já fazia muitos anos que eu ia em casas espíritas com a minha mãe e a minha avó. E por mais que eu gostasse de ir e me sentisse bem, achava tudo muito simples (assistir palestra e tomar passe) e não alimentava a minha sede de conhecimentos.

E eis que em uma reviravolta da vida, tudo virou de pernas pro ar. Decorrente de inúmeras imprudências minhas, minha vida inteira parecia desabar na minha frente.

Me vi tão sem saída que disse para mim mesmo: "Cheguei até aqui fazendo tudo do meu jeito, e não deu certo. Agora vou entregar a minha vida nas mãos de Deus."

E com isso, decidi estudar o Espiritismo.

Imagine agora, amigo leitor, o tamanho da minha surpresa quando, naqueles livros que ignorei por tanto tempo, encontrei TODAS as respostas que eu procurava!

E por mais que eu não conseguisse entender tudo de uma vez só, percebi que ali estavam as respostas.

E enquanto O Livro dos Espíritos me explicava o porquê das coisas, em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontrei a mais perfeita ligação entre Deus e a religião. Jesus, que eu não podia nem ouvir o nome, foi descortinando-se como um ser fantástico e um exemplo a ser seguido.

Toda essa empolgação deu origem a este blog, com a idéia de falar sobre todos esses assuntos de uma maneira simples e objetiva, principalmente para quem assim como eu estava aprendendo.

Mas nem só de conhecimentos vive o homem. Era necessário colocar em prática tudo o que eu aprendia.

Porque para "voarmos" precisamos de duas asas: o conhecimento e a moralidade.

E por mais que colocar em prática o conhecimento seja a parte mais difícil de todas, é também a mais recompensadora. A cada aspecto de nossa personalidade que modificamos, percebemos uma série de melhorias acontecendo em nossa vida.

Todo o esforço para vencer o orgulho, o egoísmo, os vícios e todas as outras falhas morais, vai sendo recompensado. É como se "os caminhos fossem se abrindo", pois a vida começa a dar certo de maneiras inexplicáveis.

Parece que finalmente em vez de lutarmos contra a correnteza, estamos aproveitando o seu impulso para seguir em frente em um esforço recompensador.

Citando três itens que para mim, sintetizam o assunto:

- No Espiritismo encontrei as respostas para todas as minhas perguntas.
- Aprendi a diferenciar o certo do errado, e a ver o quanto o certo é muito mais recompensador, mesmo exigindo esforço de nossa parte.
- E graças a essas duas coisas, mudei minha maneira de agir e encontrei a paz interior e a felicidade que eu tanto procurava nos lugares errados.


Será que o Espiritismo é a solução para a humanidade? Não tenho como afirmar.
Mas certamente foi a solução para a minha vida.

E você, amigo leitor, em que parte da história se encontra? Perdido, procurando ou achado?

O melhor dia para começar a mudar a sua vida é HOJE MESMO.


Posts complementares:

- Questões que o Espiritismo responde

- 10 coisas que aprendi com o Espiritismo

- O certo e o errado

- Porque a reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma

- Não gosta da sua realidade? Mude-a