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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Entendendo a gravidade dos vícios

Nossa sociedade é marcada pela correria e pressão dos tempos modernos, com grandes exigências e prazos a cumprir. Quando não conseguimos lidar bem com isso, dá-se origem ao estresse.

O estresse (e também a depressão) nos leva a um estado anormal, causando desequilíbrio biológico e espiritual.

Então, inconscientemente, procuramos por válvulas de escape. Algumas pessoas encontram essas válvulas de escape nos esportes, na leitura, na diversão em família, etc. Mas há aqueles que encontram a válvula de escape nos vícios.

Conforme nos define o dicionário Wikicionário:
Vício - Defeito. Tendência habitual para certo mal.

A doutrina espírita nos ensina que os vícios são falhas morais. Explica-nos também, que tudo que é feito em excesso é nocivo.

Nosso próprio corpo dá provas dessa realidade: quando nos excedemos em atividades físicas, sentimos dores no corpo por vários dias. Quando nos excedemos nas atividades mentais, sentimos um terrível esgotamento. Quando comemos em excesso, passamos mal e padecemos com dores abdominais.

Os vícios, sendo eles o hábito de realizar certo mal, são muito prejudiciais para nós. Alguns vícios atacam o corpo físico: cigarro, bebidas, drogas, gula. Outros atacam nossas finanças: compras compulsivas, jogatina. Mas todos eles afetam o nosso espírito.

O vício pode iniciar pelo vazio emocional ou mesmo através da busca de uma válvula de escape, mas ele persevera através do nosso apego. Sim, por mais chocante que isso pareça em um primeiro momento, mas todo viciado possui apego aos seus vícios. Esse é um dos grandes motivos pelos quais o vício se torna uma prisão para o viciado.

O apego por si só já é uma falha moral grave. Mas não paremos por aí.

Cada pensamento e cada atitude nossa atraem para nós os espíritos que possuem afinidade com determinado comportamento. Se durante o dia pensamos no bem e praticamos o bem, por afinidade os bons espíritos se aproximarão de nós e nos incentivarão na prática do bem. Entretanto, se pensamos o dia inteiro em perversões sexuais e praticarmos sexo desenfreado, atrairemos para nós os espíritos pervertidos sexuais, que nos incentivarão na repetição de tais comportamentos.

Desse modo, ao adotarmos um comportamento vicioso, estamos nos tornando grandes candidatos a uma obsessão espiritual. Os desencarnados, como estão destituídos de seus corpos, não podem saciar seus vícios e isso para eles é motivo de sofrimento. Por isso, deliciam-se assistindo os viciados e os incentivando a permanecer no vício. Isso para eles traz um tipo de satisfação, embora ainda seja uma tortura.

Estamos o tempo todo cercados de espíritos, isso é inegável e inevitável. É o momento de pensarmos e escolhermos quais espíritos queremos que nos cerquem.

Eu prefiro os bons, e vocês?

sábado, 25 de maio de 2013

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Hoje estudaremos sobre a lei de adoração e como ela interfere em nossa vida. Conforme feito na primeira parte deste estudo, transcrevi as questões que julguei mais pertinentes ao nosso entendimento, e ao final consta o meu comentário acerca desta lei.

"649. Em que consiste a adoração?

— E a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração o homem aproxima de Deus a sua alma.

650. A adoração é o resultado de um sentimento inato ou produto de um ensinamento?

—Sentimento inato, como o da Divindade. A consciência de sua fraqueza leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger.

651. Houve povos desprovidos de todo sentimento de adoração?

— Não, porque jamais houve povos ateus. Todos compreendem que há, acima deles, um ser supremo.

652. Pode-se considerar a adoração como tendo sua fonte na lei natural?

— Ela faz parte da lei natural, porque é o resultado de um sentimento inato no homem; por isso a encontramos entre todos os povos, embora sob formas diferentes.

653. A adoração necessita de manifestações exteriores?

A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações,  pensai sempre que um senhor vos observa.

653 – a) A adoração exterior é útil?

— Sim, se não for um vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo: mas os que afazem só por afetação e amor próprio e cuja conduta desmente a sua aparente piedade dão um exemplo antes mau do que bom e fazem mais mal do que supõem.

654. Deus tem preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira?

Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-lo através de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.

Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para ele todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.

Aquele que só tem a aparência da piedade é um hipócrita; aquele para  quem a adoração é apenas um fingimento e está em contradição com a própria conduta dá um mau exemplo.

Aquele que se vangloria de adorar a Cristo mas que é orgulhoso, invejoso e ciumento, que é duro e implacável com os outros ou ambicioso dos bens mundanos, eu vos declaro que só tem a religião nos lábios e não no coração. Deus, que tudo vê, dirá: aquele que conhece a verdade é cem vezes mais culpável do mal que faz do que o selvagem ignorante e será tratado de maneira conseqüente, no dia do juízo. Se um cego vos derruba ao passar, vós o desculpais, mas se é um homem que enxerga bem, vós o censurais e com razão.

Não pergunteis, pois, se há uma forma de adoração mais conveniente, porque isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado numa língua do que em outra. Digo-vos ainda uma vez: os cânticos não chegam a ele senão pela porta do coração.

655. E reprovável praticar uma religião na qual não se acredita de coração, quando se faz isso por respeito humano e para não escandalizar os que pensam de outra maneira?

A intenção, nisso como em tantas outras coisas, é a regra. Aquele que não tem em vista senão respeitar as crenças alheias não faz mal; faz melhor do que aquele que as ridicularizasse, porque esse faltaria com a caridade. Mas quem as praticar por interesse ou por ambição é desprezível aos olhos de Deus e dos homens. Deus não pode agradar-se daquele que só demonstra humildade perante ele para provocar a aprovação dos homens.

657. Os homens que se entregam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito aos seus olhos?

Não, pois se não fazem o mal também não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nele, mas não que se pense apenas nele, pois deu ao homem deveres a serem cumpridos na Terra. Aquele que se consome na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque sua vida é toda pessoal e inútil para a Humanidade. Deus lhe pedirá contas do bem que não tenha feito. (Ver item 640.)

658. A prece é agradável a Deus?

A prece é sempre agradável a Deus quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para ele. A prece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que a sua prece represente um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade.

659. Qual o caráter geral da prece?

— A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nele, aproximar-se dele, pôr-se em comunicação com ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

660. A prece torna o homem melhor?

Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.

660 – a) Como se explica que certas pessoas que oram muito sejam, apesar disso, de muito mau caráter, ciumentas, invejosas, implicantes, faltas de benevolência e de indulgência; que sejam até mesmo viciosas?

— O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo o mérito está na extensão da prece e fecham, os olhos para os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a maneira de aplicá-lo.

661. Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas?

— Deus sabe discernir o bem e o mal; a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.


662. Pode-se orar utilmente pelos outros?

— O Espírito daquele que ora está agindo pela vontade de fazer o bem. Pela prece atrai a ele os bons Espíritos que se associam ao bem que deseja fazer.

Comentário de Kardec: Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea. A prece por outros é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar os bons Espíritos em auxílio daquele por quem pedimos, a fim de lhe sugerirem bons pensamentos e lhe darem a força necessária para o corpo e a alma. Mas ainda nesse caso a prece do coração é tudo e a dos lábios não é nada.

663. As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?

— Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece atrai a vós os bons Espíritos que vos dão a força de as suportar com coragem. Então elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará; tu sabes disso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao sabor de cada um, porque aquilo que é um grande mal do vosso ponto de vista mesquinho, para vossa vida efêmera, muitas vezes é um grande bem na ordem geral do Universo(1). Além. disso, de quantos males o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas. Ele é punido no que pecou. Não obstante, os vossos justos pedidos são em geral mais escutados do que julgais. Pensais que Deus não vos ouviu porque não fez um milagre em vosso favor, quando, entretanto, vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das circunstâncias. Freqüentemente, ou o mais freqüentemente, ele vos suscita o pensamento necessário para sairdes por vós mesmos do embaraço.

664. É útil orar pelos mortos e pelos Espíritos sofredores, e nesse caso como pode as nossas preces lhes proporcionar consolo e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de fazer dobrar-se a justiça de Deus?

— A prece não pode ter o efeito de mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá e porque o infeliz, é sempre consolado, quando encontra almas caridosas que compartilham as suas dores. De outro lado, pela prece provoca-se o arrependimento, desperta-se o desejo de fazer o necessário para se tornar feliz.  É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena,  se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças. Jesus orava pelas ovelhas transviadas. Com isso vos mostrava que sereis culpados se nada fizerdes pelos que mais necessitam.

667. Por que o Politeísmo é uma das crenças mais antigas e mais espalhadas, se é falso?

— A idéia de um Deus único só podia aparecer como resultado do desenvolvimento mental do homem. Incapaz, na sua ignorância, de conceber  um ser imaterial, sem forma determinada, agindo sobre a matéria, ele lhe havia dado os atributos da natureza corpórea, ou seja, uma forma e uma figura, e desde então tudo o que lhe parecia ultrapassar as proporções da inteligência comum tornava-se para ele uma divindade. Tudo quanto não compreendia devia ser obra de um poder sobrenatural, e disso a acreditar em tantas potências distintas quantos os efeitos pudesse ver não ia mais do que um passo. Mas em todos os tempos houve homens esclarecidos que compreenderam a impossibilidade dessa multidão de poderes para governar o mundo sem uma direção superior, e se elevaram ao pensamento de um Deus único.

671. Que devemos pensar das chamadas guerras santas? O sentimento que leva os povos fanáticos a exterminar o mais possível os que não partilham de suas crenças, com o fim de agradar a Deus, não teria a mesma origem dos que antigamente provocavam os sacrifícios humanos?

— Esses povos são impulsionados pelos maus Espíritos. Fazendo a guerra aos seus semelhantes, vão contra Deus, que manda o homem amar ao próximo como a si mesmo. Todas as religiões, ou antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, quer sob este ou aquele nome. Como promover uma guerra de exterminação, porque a religião de um outro é diferente ou não atingiu ainda o progresso religioso dos povos esclarecidos? Os povos são escusáveis por não crerem na palavra daquele que estava animado pelo Espírito de Deus e fora enviado por ele, sobretudo quando não o viram e não testemunharam os seus atos; e como quereis que eles creiam nessa palavra de paz quando os procurais de espada em punho? Eles devem esclarecer-se e devemos procurar fazê-los conhecer a sua doutrina pela persuasão e a doçura, e não pela força e o sangue. A maioria de vós não acreditais nas nossas comunicações com certos mortais; por que quereis então que os estranho acreditem nas vossas palavras, quando os vossos atos desmentem a doutrina que pregais?"

(O Livro dos Espíritos, livro terceiro - as leis morais, Capítulo 2)

Temos a sensação inata de que existe alguma força superior, que nos auxilia e ampara. Isto está gravado em nossa consciência. É por isso que até mesmo a menos religiosa das pessoas, em momentos de grande dificuldade, curva-se e ora.

Esse sentimento fez com que por todo o mundo e em diferentes povos surgissem religiões, ligadas obviamente às suas crenças e costumes. Por isso acabam diferenciando-se todas em alguns aspectos e aproximando-se em outros.

Todas as diferenças que existem entre as religiões são ocasionadas pelo meio cultural em que surgiram. São o reflexo da cultura de cada povo, e por isso estão sempre impregnadas de seus costumes e leis. E como esses costumes variam de um país a outro, não poderíamos esperar que a religião dos egípcios fosse a mesma dos japoneses, por exemplo. Mas no que tange aos deveres do homem, todas se assemelham em um único propósito.

A oração foi desde sempre o instrumento de contato com as forças superiores. Sendo usada não só a oração propriamente dita, mas também os cantos e rituais de todos os povos.

O que nos é asseverado e repetido muitas vezes neste capítulo é que de nada valem os mais belos rituais e as preces construídas com a mais rebuscada linguagem, se não fazemos isso de coração.

A intenção é que revela os nossos verdadeiros desejos, e é por isso que a mais simples das orações, quanto feita com o coração repleto de fé torna-se a mais eficaz das preces.

Mais importante que a contemplação, são as atitudes. Temos uma tendência de admirar as maravilhas de Deus, mas nada fazer para criarmos essas maravilhas dentro de nós. São necessárias atitudes. O homem se eleva muito mais a Deus por suas boas obras, por sua sincera devoção e seu sincero desejo de tornar-se melhor.

Sempre que oramos com fé, os bons espíritos vêm em nosso auxílio, nos sustentando nas dificuldades e nos dando forças para suportar com resignação as mais difíceis situações. Podemos também orar pedindo o auxílio para outros irmãos que estão em dificuldades, sejam eles encarnados ou desencarnados.

A fé sólida e verdadeira é fundamental para que nossas orações sejam eficazes. Mas também podemos orar pedindo auxílio para adquirirmos não só a fé como todas as virtudes que não possuímos ainda, bem como a força para resistir às tentações e para repelir nossos vícios e defeitos morais.

Viver uma conduta reta no caminho do bem, procurando cultivar as virtudes e eliminar os nossos defeitos, faz com que os efeitos da prece sejam muitíssimo mais duradouros. Quando adquirirmos a maestria sobre nossas ações, de maneira a agir corretamente em tempo integral, os efeitos da prece não se perderão com as nossas instabilidades psicológicas/emocionais. Como se não bastasse, aí então teremos uma percepção mais nítida das coisas de Deus e viveremos em gratidão e bondade, chegando ao que pode-se dizer "viver em prece".



Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A lei de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição 


Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade 

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]






quarta-feira, 22 de maio de 2013

Caridade, perdão e humildade

Hoje pensei em falar sobre a caridade. E eis que ao abrir o evangelho, deparo-me com os ensinamentos sobre o perdão. E qual o elo entre essas duas virtudes? É a humildade.

Então a fim de chegarmos em uma só conclusão, citarei três trechos do evangelho, tratando de cada um dos temas propostos. Após, faremos a reflexão.

"[...] A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados. Há um grande mérito, acreditai, em saber calar para que outro mais tolo possa falar: isso é também uma forma de caridade. Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se julgam superiores a vós, quando na vida espírita, a única verdadeira, está às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humildade, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessantemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momentaneamente se encontra numa posição inferior à vossa. Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez. [...]"

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 13, item 9)

"14 – Quantas vezes perdoarei ao meu irmão? Perdoá-lo-eis, não sete vezes, mas setenta vezes sete. Eis um desses ensinos de Jesus que devem calar em vossa inteligência e falar bem alto ao vosso coração. Comparai essas palavras misericordiosas com a oração tão simples, tão resumida, e ao mesmo tempo tão grande nas suas aspirações, que Jesus ensinou aos discípulos, e encontrareis sempre o mesmo pensamento. Jesus, o justo por excelência, responde a Pedro: Perdoarás, mas sem limites; perdoarás cada ofensa, tantas vezes quantas ela vos for feita; ensinarás a teus irmãos esse esquecimento de si mesmo, que nos torna invulneráveis às agressões, aos maus tratos e às injúrias, serás doce e humilde de coração, não medindo jamais a mansuetude; e farás, enfim, para os outros, o que desejas que o Pai celeste faça por ti. Não tem Ele de te perdoar sempre, e acaso conta o número de vezes que o seu perdão vem apagar as tuas faltas?

Ouvi, pois essa resposta de Jesus, e como Pedro, aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai a indulgência, sede caridosos, generosos, e até mesmo pródigos no vosso amor. Daí, porque o Senhor vos dará; abaixai-vos, que o Senhor vos levantará; humilhai-vos, que o Senhor vos fará sentar à sua direita. [...]"

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 10, item 14)

"[...] O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que freqüentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. É que os primeiro levaram consigo, ao morrer, aquilo que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não tendo nada mais, chegam ao outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos que tudo perderam, até as roupas. Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição, porque vêem acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.

O Espiritismo nos mostra outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que mais se elevaram numa existência, são abaixados até o último lugar na existência seguinte,  se se deixaram dominar pelo orgulho e a ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigado a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar um mais elevado no céu, se o merecerdes."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 7, item 6)

A humildade é com certeza uma das virtudes mais necessárias aos homens. Nosso orgulho nos impede de compreendermos e praticarmos os ensinamentos morais deixados por Jesus.

Porque somos tão hesitantes em dar a outra face? Porque nos é tão difícil perdoar ao próximo? Certamente aí existe uma manifestação de nosso orgulho, que torna inconcebível aceitar uma ofensa e principalmente perdoá-la.

Agora pergunto: quem de nós está livre de necessitar perdão? Quantas vezes falhamos não só com o próximo, mas também com a providência, quando nos dá todos os meios necessários à nossa evolução e os negligenciamos? Quantas vezes durante um acesso de fúria proferimos palavras rudes contra o próximo? Quantas vezes maldizemos a providência por não termos o que queremos e quando queremos?

Ora, se necessitamos tantas vezes de perdão, como seremos hipócritas de não perdoarmos aquele que nos prejudicou com seus atos ou palavras? Como esperamos que Deus tenha compaixão de nós se nós não temos compaixão do próximo? Usaremos então dois pesos e duas medidas?

O orgulhoso, sempre passará por mais dificuldades, até que seu orgulho seja domado. Mas isso não lhe é um castigo: trata-se de aprendizado. Fazendo uma comparação: se um aluno vai mal em uma prova, ele tem direito a fazer uma prova de recuperação. Mas se durante o ano inteiro persistiu errando, passará por uma medida educativa, a de repetir o ano inteiro, para que compreenda finalmente a matéria e possa se sair bem nas provas. Do mesmo modo é com o orgulhoso, que passará por inúmeras provas, gradualmente mais pesadas, até que compreenda o ensinamento que lhe está sendo dado, e possa assim modificar-se.

Jesus nos ensinou a máxima: "fazei ao próximo aquilo que gostaria que te fosse feito". Quando erramos e nos arrependemos, não gostamos de ser perdoados? Porque o próximo não teria então o mesmo direito?

Eis que o sábio Mestre também já havia deixado a instrução: "aquele que se eleva, será rebaixado". Quer dizer que o orgulhoso pode ter todas as glórias neste mundo, mas seu espírito é desprovido de virtude, e portanto no mundo espiritual se torna o mais pequeno dos seres. Já o humilde, que renuncia ao reconhecimento dos homens, esse sim é virtuoso, e no mundo espiritual é facilmente reconhecido pelo esplendor de sua alma.

Perdoar ao próximo também é sinal de caridade. É colocar-se no lugar do outro e compreender a sua capacidade de falhar, assim como nós, e perdoá-lo da mesma maneira que gostariámos de ser perdoados.

Mas este perdão deve partir do coração. Palavras vazias não têm efeito nenhum. Somente o amor é que consolida todas as virtudes.

Caridade sem humildade não é caridade. Sem a humildade todas as nossas ações perdem seu mérito aos olhos de Deus. Quando perdoamos alguém, e divulgamos isso aos quatro cantos, jogamos pelo ralo a nossa boa ação.

Por fim, a caridade que pode ser feita de tantas maneiras, todas já muito conhecidas, também pode e deve ser feita através do perdão. Porque para que isso aconteça, é necessário ter compreensão, humildade e bondade.

Para concluir o tema, incluo a magnífica mensagem do espírito Paulo sobre o perdão:

"15 – Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo; perdoar aos amigos é dar prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar que se melhora. Perdoai, pois, meus amigos, para que Deus vos perdoe. Porque, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se guardardes até mesmo uma ligeira ofensa, como quereis que Deus esqueça que todos os dias tendes grande necessidade de indulgência? Oh, infeliz daquele que diz: Eu jamais perdoarei, porque pronuncia a sua própria condenação! Quem sabe se, mergulhando em vós mesmos, não descobrireis que fostes o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por um simples aborrecimento e acaba pela desavença, não fostes vós a dar o primeiro golpe? Se não vos escapou uma palavra ferina? Se usaste de toda a moderação necessária? Sem dúvida o vosso adversário está errado ao se mostrar tão suscetível, mas essa é ainda uma razão para serdes indulgentes, e para não merecer ele a vossa reprovação. Admitamos que fosseis realmente o ofendido, em certa circunstância. Quem sabe se não envenenastes o caso com represálias, fazendo degenerar numa disputa grave aquilo que facilmente poderia cair no esquecimento? Se dependeu de vós impedir as conseqüências, e não o fizestes, sois realmente culpado. Admitamos ainda que nada tendes a reprovar na vossa conduta, e, nesse caso, maior o vosso mérito, se vos mostrardes clemente.

Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitos dizem do adversário: “Eu o perdôo”, enquanto que, interiormente, experimentam um secreto prazer pelo mal que lhe acontece, dizendo-se a si mesmo que foi bem merecido. Quantos dizem: “Perdôo”, e acrescentam: “mas jamais me reconciliarei; não quero vê-lo pelo resto da vida”! É esse o perdão segundo o Evangelho? Não. O verdadeiro perdão, o perdão cristão, é aquele que lança um véu sobre o passado. É o único que vos será levado em conta, pois Deus não se contenta com as aparências: sonda o fundo dos corações e os mais secretos pensamentos, e não se satisfaz com palavras e simples fingimentos. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas; o rancor é sempre um sinal de baixeza e de inferioridade. Não esqueçais que o verdadeiro perdão se reconhece pelos atos, muito mais que pelas palavras.

PAULO, apóstolo, Lyon, 1861"
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 10, item 15)

sábado, 18 de maio de 2013

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Hoje iniciamos o estudo das leis morais, descritas na terceira parte de O Livro dos Espíritos. Essas leis dão a direção correta para a moralidade do indivíduo, e aquele que agir de acordo com elas certamente caminha no caminho do progresso espiritual.

São as leis morais:
- Lei natural ou lei de Deus
- Lei de adoração
- Lei do trabalho
- Lei de reprodução
- Lei de conservação
- Lei de destruição
- Lei de sociedade
- Lei do progresso
- Lei de igualdade
- Lei de liberdade
- Lei de justiça, amor e caridade
- Conclusão: Perfeição moral.

Como cada lei compreende um capítulo na terceira parte de O Livro Dos Espíritos, destacarei aqui sempre as questões principais, e farei um post para cada uma das leis. Farei sempre um comentário após as perguntas. É recomendável que cada um estude esses capítulos. Caso fique com alguma dúvida, poste nos comentários ou mande um e-mail.

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A lei natural ou lei divina

"614. O que se deve entender por lei natural?

— A natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ela lhe indica o que ele deve fazer ou não fazer e ele só se torna infeliz porque dela se afasta.

615. A lei de Deus é eterna?

— É eterna e imutável, como o próprio Deus(1).

616. Deus teria prescrito aos homens, numa época, aquilo que lhes proibiria em outra?

- Deus não se engana; os homens é que são obrigados a modificar as suas leis que são imperfeitas; mas as leis de Deus são perfeitas. A harmonia que regula o universo material e o universo moral se funda nas leis que Deus estabeleceu por toda a eternidade.

619. Deus proporcionou a todos os homens os meios de conhecerem a sua lei?

- Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem; os que melhor a compreendem são os homens de bem e os que desejam pesquisá-la.Não obstante, todos um dia a compreenderão, porque é necessário que o progresso se realize.

Comentário de Kardec: A justiça da multiplicidade de encarnações do homem decorre deste princípio. pois a cada nova existência sua inteligência se torna mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é o bem e o que é o mal. Se tudo tivesse de se realizar numa só existência, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem diariamente no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles dependa o próprio esclarecimento? (Ver os itens 171a 222.)

620. A alma, antes de sua união com o corpo, compreende melhor a lei de Deus do que após a encarnação?

— Ela a compreende segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conserva a sua lembrança intuitiva após a união com o corpo; mas os maus instintos do homem freqüentemente fazem que ele a esqueça.

621. Onde está escrita a lei de Deus?

Na consciência’.

623. Esses que pretenderam instruir os homens na lei de Deus não se enganaram algumas vezes e não os fizeram transviar-se muitas vezes através de falsos princípios?

— Os que não eram inspirados por Deus e que se atribuíram a si mesmos, por ambição, uma missão que não tinham certamente os fizeram extraviar; não obstante, como eram homens de gênio, em meio aos próprios erros ensinaram freqüentemente grandes verdades.

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?

— Vede Jesus.


Comentário de Kardec: Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.

Se alguns dos que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes s desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que era apenas leis humanas, instruídas para servir às paixões e dominar os homens.

629. Que definição se pode dar à moral?

— A moral e a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então observa a lei de Deus.


630. Como se pode distinguir o bem do mal?

— O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus;.fazer o mal é infringir essa lei.

631. O homem tem meios para distinguir por si mesmo o bem e o mal?

— Sim, quando ele crê em Deus e quando o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para discernir um e outro.


632. O homem, que é sujeito a errar, não pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem quando em realidade está fazendo o mal?

—Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos encanareis.

633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele, na lei natural, a regra desta conduta e um guia seguro?

Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que. diz: chega!, evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.

634. Por que o mal se encontra na natureza das coisas? Falo do mal moral. Deus não poderia criar a Humanidade em melhores condições?

—Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. (Ver item 115.) Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. E necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo. (Ver item 119.)

640. Aquele que não faz o mal, mas aproveita o mal praticado por outro, é culpável no mesmo grau?

É como se o cometesse; ao aproveitá-lo, torna-se participante dele. Talvez tivesse recuado diante da ação; mas, se ao encontrá-la realizada, dela se serve, é porque a aprova e a teria praticado se pudesse ou se tivesse ousado.

641. O desejo do mal é tão repreensível quanto o mal?

— Conforme; há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo; mas se o que faltou foi apenas a ocasião, o homem é culpável.

642. Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?

— Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.


643. Há pessoas que, por sua posição, não tenham possibilidade de fazer o bem?

Não há ninguém que não possa fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se fazer o bem, e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é apenas ser caridoso mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.

644. O meio em que certos homens vivem não é para eles o motivo principal de muitos vícios e crimes?

— Sim, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito no estado de liberdade; ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.

646. O mérito do bem que se faz está subordinado a certas condições, ou seja, há diferentes graus no mérito do bem?

— O mérito do bem está na dificuldade; não há nenhum em fazê-lo sem penas e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedaço de pão que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já o disse, a propósito do óbolo da viúva.

647. Toda a lei de Deus está encerrada na máxima do amor ao próximo ensinada por Jesus?

— Certamente essa máxima encerra todos os deveres dos homens entre si; mas é necessário mostrar-lhes a aplicação, pois do contrário podem negligenciá-la, como já afazem hoje. Aliás, a lei natural compreende todas as circunstâncias da vida e essa máxima se refere a apenas um dos seus aspectos. Os homens necessitam de regras precisas. Os preceitos gerais e muito vagos deixam muitas portas abertas à interpretação."


A lei divina, ou lei natural, trata essencialmente do discernimento entre o bem e o mal.

Todos nós temos as condições necessárias para distinguir o bem e o mal, através de nossa inteligência e de nossa consciência.

Sempre que vamos fazer algo errado, nossa consciência nos pesa e nos faz hesitar, é o sinal de que estamos prestes a cometer um erro. Mas muitas vezes não damos ouvidos a esse alerta e prosseguimos. Depois, o arrependimento e o remorso tomam conta de nós e nos torturam, por termos persistido no erro.

Sendo nós dotados de tamanha inteligência, não seria este o momento de refletir e repensar a atitude que se deseja tomar? Não saberemos nós distinguir o certo do errado?

E mesmo que nossa inteligência não nos permitisse fazer essa diferenciação entre o mal e o bem, Jesus nos deixou a regra máxima da conduta moral correta: não faças ao outro aquilo que não gostaria que te fizessem e faz ao outro aquilo que gostaria que te fosse feito.

É realmente necessária maior explicação do que esta? Quem é que gosta de ser caluniado, perseguido, agredido, enganado, traído, desprezado, humilhado e ignorado?

Acredito que ninguém. Mas então porque fazemos isso aos outros?

Com isso, percebemos como é fácil distinguir o bem e o mal. O que é difícil é termos coragem para mudarmos a nossa conduta e agir somente no bem.

Mas é muito cômodo agir somente em benefício próprio. É muito difícil sair dessa zona de conforto que nos encontramos a séculos. Porque eu mudaria, se as pessoas não mudam? Porque eu vou fazer o bem se todos fazem o mal?

É necessário que sejamos a mudança que queremos ver no mundo. E mesmo que ninguém mais mude, cada um é o autor de seu próprio destino. Não adianta lamentar-se da vida, pois quem sempre plantou o mal, somente colherá o mal.

E para encerrar este post, repito aqui mais uma vez a questão mais importante de O Livro dos Espíritos:

642. Será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura?
— Não; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.


Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .


Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A lei de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição


Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade


Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A fé raciocinada

"6 - No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser racionada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.
 

7 - [...] A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século(1) . É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se constitui do raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

É a esse resultado que o Espiritismo conduz, triunfando assim da incredulidade, todas as vezes em que não encontrar a oposição sistemática e interessada."

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 19 – A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS)

Allan Kardec foi propositalmente escolhido por sua maneira de pensar metódica e científica. Sendo um homem de ciência à sua época, ninguém melhor do que o próprio para compreender tais nuances e as descrever com tamanha didática. Sempre submetendo a Doutrina Espírita (que se formava) ao crivo da razão, da lógica e do bom senso, foi apto a tornar-se o codificador dessa maravilhosa doutrina. (Mais detalhes na introdução de O Livro dos Espíritos).

E por ter sido criado sobre essa base racional, o Espiritismo se destaca das demais crenças, pois busca eliminar os dogmas e não deixar nada sem uma resposta lógica e objetiva. O Espiritismo é a doutrina das respostas, e vem trazer o esclarecimento em uma época onde a inteligência atingia uma maior importância na sociedade. E isso foi na década de 1850.

Hoje as pessoas fazem muitos questionamentos sobre as religiões, e por ficarem sem respostas acabam caindo no ceticismo. Perguntas como "Porque nascem crianças deficientes? Por que Deus permite tanta injustiça no mundo? Como Adão e Eva deram origem a toda a humanidade?" e tantas outras, normalmente ficam sem respostas satisfatórias e afastam as pessoas das religiões.

Os tempos são outros, e os questionamentos vêm à tona. Temas contemporâneos que as antigas religiões não conseguem explicar satisfatoriamente: aborto, eutanásia, métodos contraceptivos, etc. Mas somente o método racional do Espiritismo pode esclarecer.

Isso não significa que o Espiritismo seja melhor que as outras religiões. A Doutrina Espírita vem para expandir horizontes em uma época em que os dogmas não são mais aceitos. Vem para fortalecer as antigas estruturas do ensino moral deixado por Jesus (e por outros espíritos iluminados, como Buda, por exemplo), mas despindo-se de formas, de rituais, de santos e de dogmas. Atingindo assim a mudança moral, sem rodeios e sem escapatórias.

E é necessária toda essa introdução para percebermos a maneira de ação do Espiritismo, e assim compreender o que se quer dizer sobre a fé raciocinada.

A fé raciocinada é aquela que acredita em algo que pode ser questionado. Não são aceitas respostas como "é assim e pronto!". Não é crer por crer, mas crer por entender o que é, como funciona e achar isso lógico e racional.

É crer na reencarnação, por exemplo, não porque Kardec disse que ela existe, mas sim por entender seus mecanismos e perceber que somente através dela que se explicam as misérias do mundo e a destinação do homem após a morte.

E é essa fé que precisamos nos dias de hoje, onde tudo é questionado e respostas coerentes são necessárias. Torna-se fundamental submeter tudo ao crivo da razão, inclusive a própria Doutrina Espírita.

"O Espiritismo progrediu sobretudo depois que foi melhor compreendido na sua essência, depois que lhe perceberam o alcance, porque ele toca nas fibras mais sensíveis do homem: as da sua felicidade, mesmo neste mundo. Nisso  está a causa da sua propagação, o segredo da força que o faz triunfar. Ele torna felizes os que o compreendem, enquanto a sua influência não se estende sobre as massas. Mesmo aquele que não tenha testemunhado nenhum fenômeno material de manifestações dirá: além dos fenômenos há uma filosofia; essa filosofia me explica o que NENHUMA outra havia explicado; nela encontro, pelo simples raciocínio, uma demonstração racional dos problemas que  interessam no mais alto grau ao meu futuro; ela me proporciona a calma, a segurança, a confiança, me livra do tormento da incerteza e ao lado disso a questão dos fatos materiais se torna secundária. Vós todos, que o atacais, quereis um meio de o combater com sucesso? Ei-lo aqui. Substituí-o por alguma coisa melhor, encontrai uma solução MAIS FILOSÓFICA para todas as questões que ele resolve, dai ao homem OUTRA CERTEZA que o torna mais feliz, mas compreendei bem o alcance dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis de dizer que isso não é assim, pois é muito fácil negar. Provai, não por uma negação, mas através dos fatos que isso não é, jamais foi e nem PODE ser. E se isso não é, dizei sobretudo o que devia ser em seu lugar. Provai, por fim, que as conseqüências do Espiritismo não tornam os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que muito se louva mas pouco se pratica. Quando tiverdes feito isso, tereis o direito de o atacar. O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras, e porque sobretudo mostra essas penas e recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, oferecendo um quadro do futuro cm que nada pode ser contestado pela mais exigente razão. Vós, cuja doutrina consiste inteiramente na negação do futuro, que compensação ofereceis para os sofrimentos deste mundo? Vós vos apoiais na incredulidade, e ele se apóia na confiança em Deus. Enquanto ele convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós lhe ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOÍSMO por consolação. Ele explica tudo, vós nada explicais. Ele prova pelos fatos e vós nada provais. Como quereis que o homem hesite entre essas duas doutrinas?"
(O Livro dos Espíritos - Conclusão, parte V)

Leituras complementares:
O Livro dos Espíritos, introdução. Link
O Livro dos Espíritos, conclusão.  Link
O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 19 - A fé que transporta montanhas. Link

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Releia os melhores textos de 2012

Se você está conhecendo o blog agora, talvez ainda não tenha lido os textos de 2012. Caso não entenda algum tema, deixe seu comentário e procuraremos lhe esclarecer. Se preferir, pode também nos enviar suas dúvidas por e-mail.

Este blog existe desde o ano passado, e foi fundado por um grupo de irmãos que desejavam estudar e refletir acerca dos temas da Doutrina Espírita. Foi um ano muito bom e produtivo.

Por isso, convido-lhes a rever os melhores textos do ano passado, escritos por diversos autores:


- Usemos bem nosso tempo, por Márcia Sanchez. Link

- Por quê sofremos? Suportar as provas com resignação, por Raphael Trevisan. Link

- O poder da fé, por Ricardo Soares. Link

- A culpa e a responsabilidade pelos nossos atos, por Raphael Trevisan. Link

- Anjos, por Márcia Sanchez. Link

- Saudades, por Maurício Madeira. Link

- Perda de entes queridos, por Cristina Chaves. Link

- O médico em nós mesmos, por Neusa Tavares. Link

- Sobre as adversidades, por um amigo anônimo. Link

- A mochila, a escada e a elevação, por Raphael Trevisan. Link

- O espantalho, por Raphael Trevisan e Ricardo Soares. Link

- O pensamento, os atos e a inteção, por Raphael Trevisan. Link

- Mudarmos hoje para construir um amanhã melhor, por Ricardo Soares. Link

- Não podemos servir a Deus e a Mamon, por Raphael Trevisan. Link

- As pessoas na nossa vida, por Márcia Sanchez. Link

- Momentos difíceis, por Cristina Chaves. Link

- Julgamentos, por Márcia Sanchez. Link

- O tempo e o uso que fazemos dele, por Raphael Trevisan. Link

- O tempo e o uso que fazemos dele - parte II, por Raphael Trevisan. Link


Boa leitura!!!

OBS: Quer ver aqui no blog algum tema em especial? Deixe sua sugestão nos comentários!

sábado, 11 de maio de 2013

As atitudes valem mais do que as palavras

"6 – Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que obrais a iniqüidade. (Mateus, VII: 21-23).

7 – Todo aquele, pois,que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras, e não as observa, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína. (Mateus, VII: 24-27 e semelhante em Lucas, VI: 46-49)."

"9 – Todos os que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os seus preceitos? São cristãos esses que o honram através de atos exteriores de devoção, e ao mesmo tempo sacrificam no altar do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de todas as suas paixões? São seus discípulos esses que passam os dias a rezar, e não se tornam melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com os seus semelhantes? Não, porque, à semelhança dos fariseus, têm a prece nos lábios e não no coração. Servindo-se apenas das formas, podem impor-se aos homens, mas não a Deus. É em vão que dirão a Jesus: “Senhor, nós profetizamos, ou seja, ensinamos em vosso nome; expulsamos os demônios em vosso nome; comemos e bebemos convosco!” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois. Retirai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidade, que desmentis as vossas palavras pelas ações, que caluniais o próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério! Retirai-vos de mim, vós, cujo coração destila ódio e fel, vós que derramais o sangue de vossos irmãos em meu nome, que fazeis correrem as lágrimas em vez de secá-las! Para vós, haverá choro e ranger de dentes, pois o Reino de Deus é para os que são mansos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade de vossas palavras e de vossas genuflexões. A única via que está aberta, para alcançardes a graça em sua presença, é a da prática sincera da lei do amor e da caridade.”"
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 18, itens 6, 7 e 9)

Quanto tempo será necessário para percebermos essas verdades?

Muitos dizem: "Eu não faço o mal para ninguém, mas Deus não me abençoa". Tolice. Primeiro porque não basta não fazer o mal, é necessário fazer o bem. E segundo porque toda boa ação que é feita almejando recompensas perde todo o seu valor.

Já fazem dois mil anos que ouvimos estas mesmas palavras de Jesus, e porque nossos corações continuam endurecidos? Porque ainda não conseguimos captar o sentido real de seus ensinamentos?

O Espiritismo vem para esclarecer em linguagem objetiva e racional os ensinamentos deixados por Jesus. Vem resgatar o legado de ensinamento moral deixado por este elevadíssimo espírito que passou por nosso orbe. Mas de nada adianta entendermos os ensinamentos morais se não os praticarmos.

Nem todos os que dizem "Senhor! Senhor!" entrarão no reino dos ceús quer dizer que não basta sabermos de cor os ensinamentos e os pregarmos aos quatro cantos, se esses ensinamentos não tiverem penetrado em nosso coração e se não tivermos sido exemplos vivos da moral cristã.

Quando desencarnarmos, não será levado em conta se éramos mendigos ou da nobreza, mas sim se éramos humildes ou orgulhosos, caridosos ou egoístas, abnegados no trabalho do bem ou apegados aos prazeres mundanos.

Enquanto não incorporarmos em nossa vida a mudança e não aderirmos aos ideiais de uma moral elevada, continuaremos perdidos e nossa vida sem sentido, tentando compensar um vazio existencial com vícios e coisas materiais, mas o vazio da alma só pode ser preenchido com coisas da alma. E o que são essas coisas da alma se não as virtudes e as boas ações?

Portanto, para que nossa vida tenha sentido (e para que não desperdicemos nosso tempo nessa existência) não basta parecer bom, é necessário ser bom interiormente, e isso significa altos níveis de paciência, perdão, resignação, humildade e caridade.

Na Terra as aparências são tudo, mas no mundo espiritual as aparências não são nada e somente as ações (boas ou más) é que são tudo, e é através delas que será medida a nossa evolução.

Nossa felicidade, portanto, não está em parecer e ter, mas sim em ser, pois somente o que é da alma preenche o vazio da alma.

"As palavras de Jesus são eternas, porque são as verdades. Não são somente as salvaguardas da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranqüilidade e da estabilidade do homem entre as coisas da vida terrena. Eis porque todas as instruções humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nas suas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a pedra. Os homens as conservarão, porque nelas encontrarão a sua felicidade. Mas aquelas que se apoiarem na sua violação, serão como a casa construída sobre a areia: o vento das revoluções e o rio do progresso as levarão de roldão."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 18, item 9 - continuação)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Na real, o que é ser espírita?

Fala-se muito sobre Espiritismo. E isso é bom. Os filmes, a televisão, revistas, internet e todos os meios de comunicação falam de um jeito ou de outro sobre Espiritismo: senão diretamente, mas através da propagação da crença na reencarnação.

O que é ruim é que apesar de ser um assunto de certa forma "do momento", nem sempre é apresentado da melhor maneira. Acontece então que o Espiritismo se torna conhecido por suas características exteriores e não por seus reais fundamentos.

Há quem pense que ser espírita é ver fantasmas e falar com mortos. Isso acontece, mas somente em um contexto muito específico. Pensar que todo espírita fala com os mortos é um grande equívoco.

O próprio nome Espiritismo (ou Doutrina Espírita) vem justamente da maneira como estes ensinamentos foram transmitidos. Professor Rivail (sob o pseudônimo de Allan Kardec) não poderia assinar a autoria sobre um conhecimento que não vinha dele, mas sim dos espíritos. Por isso o nome da doutrina foi associado aos seus autores. Claro, para explicar como tudo começou, precisaria de um post inteiro.

Quando iniciamos nossos estudos dessa doutrina vinda dos espíritos, vamos percebendo que a comunicação com os desencarnados é só uma pequena parcela do que o Espiritismo representa.

O verdadeiro sentido do espiritismo é a transformação moral.

Pode-se dar voltas e mais voltas no assunto. Sempre se chegará a este mesmo ponto. Quando estudamos os livros da codificação espírita (O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, etc...), notamos o quanto esta idéia é repetida e reforçada.

Sem transformação moral, de nada vale a Doutrina Espírita. Por mais versado nos temas da reencarnação e da mediunidade, se o espírita não mudou a si mesmo, apenas perdeu tempo.

Ser espírita é combater diariamente e incessantemente os seus defeitos morais e cultivar as virtudes em si mesmo.

É procurar, todos os dias, ser mais humilde, mais bondoso, ter mais paciência, ser mais moderado, combater os vícios, etc.

E se parece pouco, digo que não é fácil. Mudar um só defeito já é uma tarefa que exige bastante empenho nosso. Que dirá mudar todos os nossos muitos defeitos!

O importante é não ficar parado, é não perder tempo. Começar com um defeito e trabalhar incansavelmente até extinguí-lo (e isso pode levar uma vida inteira).

Portanto, aquele que for a uma casa espírita, que não espere pela festa dos fantasmas, porque tudo que encontrará são as dicas e o incentivo para executar a mudança em si mesmo.

A hora de começar é agora!

sábado, 4 de maio de 2013

O evangelho no lar

Muita gente já ouviu falar da prática chamada "evangelho no lar", mas nem todo mundo sabe como fazer. Portanto, este será o nosso tema de hoje.

O evangelho no lar consiste em dedicarmos um dia da semana para orarmos em família, debatendo os temas do evangelho e orando pelos necessitados.

Os benefícios são enormes, pois tornamos nossa casa um ponto de luz que irradia-se em todas as direções. Os conflitos familiares diminuem, temos mais paz, mais paciência, e aprendemos como conviver melhor com os outros.

Se isso já não fosse o bastante, ainda temos a oportunidade de enviar nossas preces pelos necessitados, encarnados e desencarnados, promovendo um alívio em seus sofrimentos.

Quando mantemos a periodicidade e a disciplina, grupos de irmãos desencarnados vem participar do evangelho conosco, alguns para aprender, outros para nos dar boas intuições. Até mesmo familiares desencarnados vem nos visitar sem que imaginemos.

Agora que já sabemos os benefícios, vamos ver como se faz:

1 - Escolher um dia e horário na semana, que deverão ser seguidos à risca. É fundamental escolher um dia em que tenha-se certeza que todos os participantes estarão em casa (ou pelo menos a maioria).

2 - Se já não tiver, adquirir um exemplar de "O Evangelho Segundo O Espiritismo". Normalmente custa em torno de 10 reais.

3 - Preparar a mesa com uma toalha branca e um copo com água (se forem muitas pessoas, usar uma jarra). A toalha branca não é obrigatória, é apenas simbólica, mas ajuda a condicionarmos nossa mente ao momento de oração. Se for do agrado de TODOS, pode-se colocar música suave, em um volume bem baixo.

4 - Três minutos antes do horário previsto, todos os participantes devem já estar sentados à mesa, mantendo-se em silêncio e procurando desligar-se dos problemas e preocupações. Procurar respirar fundo e suavemente para relaxar.

5 - No horário previsto, um dos participantes (escolhido previamente) fará uma breve oração de abertura, pedindo a Deus o auxílio dos bons espíritos para iniciar o evangelho. É recomendável que aquele participante que tiver maior conhecimento da doutrina espírita lidere a reunião.

6 - Um dos participantes deve abrir "O Evangelho Segundo O Espiritismo" em uma página aleatória e fazer a leitura de todo o tópico que ali estiver.

7 - Após a leitura, todos os participantes devem comentar sobre o tópico lido, cada um falando o que entendeu. Lembremos que este não é um momento de apontar os defeitos dos outros, é para que cada um reflita no tema e aplique em sua vida.

8 - Após os comentários, um dos participantes (escolhido previamente) faz uma oração pelos necessitados. Se preferir, podem todos os participantes fazerem juntos a "Prece de Cáritas" ou a "Oração pelas almas sofredoras que pedem preces" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXVII, item 66.). Neste caso, é bom que todos tenham uma cópia (xerox) da prece, para orarem juntos.

9 - Por fim, um dos participantes faz a prece de encerramento, agradecendo a Deus por este encontro e a todos os bons espíritos que vieram auxiliar. A duração ideal do evangelho é entre 15 e 30 minutos. A duração deve ser estipulada previamente e ser seguida à risca.

10 - Após o encerramento, se for do agrado de todos, pode-se fazer uma oração que todos saibam. Recomenda-se a oração do "Pai Nosso" ou a "Oração da Paz". E após, todos podem beber da água que está sobre a mesa.

Com estes 10 passos, você já pode fazer do seu lar um farol de amor e paz.


Observação:
Obviamente, não são somente os espíritas que se beneficiam deste tipo de oração em família. Pessoas de qualquer religião, que se unirem semanalmente para orar em família, obterão os mesmos benefícios à sua família e ao seu lar.

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Anexo
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- Modelo de prece de abertura:
"Pai, hoje nos reunimos para aprender e para orar. Ajuda para que estejamos receptíveis para estes ensinamentos, e que nossas preces possam chegar a todos aqueles que delas necessitarem. Que os bons espíritos possam estar presentes nos auxiliando e amparando durante este encontro. Que assim seja."

- Modelo de prece de encerramento:
"Senhor, obrigado por mais este maravilhoso momento de oração em família. Que possamos colocar em prática o que aprendemos com a leitura de hoje. Que possamos sair daqui modificados: mais calmos, mais bondosos e mais humildes. Agradecemos a todos os irmãos que vieram orar conosco e a todos os bons espíritos que vieram em nossa assistência. Que assim seja."

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os ciclos das mudanças

Concluindo uma série de posts acerca do tema reencarnação:

A família

A reencarnação

O suicídio

As tendências do espírito encarnado

Hoje falaremos sobre os ciclos das mudanças.

Nesta série de posts, pudemos perceber o quão importante é a nossa mudança íntima, e o quanto ela repercute em nossa vida.

Portanto, agora que estamos cientes de nossa responsabilidade, estamos prontos para mudar.

No começo, nossa motivação estará grande, e apesar de algumas vezes ser difícil, conseguiremos operar várias mudanças em nós.

Porém com o passar do tempo, nossa atenção e vigilância diminuem, e sem que percebamos, voltamos a repetir, mesmo que em menor grau, os mesmos erros de antes.

É nesse momento que nossa atenção deve ser redobrada. É preciso nos analisarmos com humildade, pois só assim perceberemos nossos erros. Enquanto nos olharmos com orgulho, as máscaras da hipocrisia enganarão nossa percepção e acharemos que não temos nada para mudar.

Lembremos, a mudança é para nós. Se mudarmos ou deixarmos de mudar, quem vai colher os frutos doces ou amargos seremos nós mesmos.

Fica o tema para reflexão.