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sábado, 25 de maio de 2013

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Hoje estudaremos sobre a lei de adoração e como ela interfere em nossa vida. Conforme feito na primeira parte deste estudo, transcrevi as questões que julguei mais pertinentes ao nosso entendimento, e ao final consta o meu comentário acerca desta lei.

"649. Em que consiste a adoração?

— E a elevação do pensamento a Deus. Pela adoração o homem aproxima de Deus a sua alma.

650. A adoração é o resultado de um sentimento inato ou produto de um ensinamento?

—Sentimento inato, como o da Divindade. A consciência de sua fraqueza leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger.

651. Houve povos desprovidos de todo sentimento de adoração?

— Não, porque jamais houve povos ateus. Todos compreendem que há, acima deles, um ser supremo.

652. Pode-se considerar a adoração como tendo sua fonte na lei natural?

— Ela faz parte da lei natural, porque é o resultado de um sentimento inato no homem; por isso a encontramos entre todos os povos, embora sob formas diferentes.

653. A adoração necessita de manifestações exteriores?

A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações,  pensai sempre que um senhor vos observa.

653 – a) A adoração exterior é útil?

— Sim, se não for um vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo: mas os que afazem só por afetação e amor próprio e cuja conduta desmente a sua aparente piedade dão um exemplo antes mau do que bom e fazem mais mal do que supõem.

654. Deus tem preferência pelos que o adoram desta ou daquela maneira?

Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-lo através de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.

Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para ele todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.

Aquele que só tem a aparência da piedade é um hipócrita; aquele para  quem a adoração é apenas um fingimento e está em contradição com a própria conduta dá um mau exemplo.

Aquele que se vangloria de adorar a Cristo mas que é orgulhoso, invejoso e ciumento, que é duro e implacável com os outros ou ambicioso dos bens mundanos, eu vos declaro que só tem a religião nos lábios e não no coração. Deus, que tudo vê, dirá: aquele que conhece a verdade é cem vezes mais culpável do mal que faz do que o selvagem ignorante e será tratado de maneira conseqüente, no dia do juízo. Se um cego vos derruba ao passar, vós o desculpais, mas se é um homem que enxerga bem, vós o censurais e com razão.

Não pergunteis, pois, se há uma forma de adoração mais conveniente, porque isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado numa língua do que em outra. Digo-vos ainda uma vez: os cânticos não chegam a ele senão pela porta do coração.

655. E reprovável praticar uma religião na qual não se acredita de coração, quando se faz isso por respeito humano e para não escandalizar os que pensam de outra maneira?

A intenção, nisso como em tantas outras coisas, é a regra. Aquele que não tem em vista senão respeitar as crenças alheias não faz mal; faz melhor do que aquele que as ridicularizasse, porque esse faltaria com a caridade. Mas quem as praticar por interesse ou por ambição é desprezível aos olhos de Deus e dos homens. Deus não pode agradar-se daquele que só demonstra humildade perante ele para provocar a aprovação dos homens.

657. Os homens que se entregam à vida contemplativa, não fazendo nenhum mal e só pensando em Deus, têm algum mérito aos seus olhos?

Não, pois se não fazem o mal também não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que se pense nele, mas não que se pense apenas nele, pois deu ao homem deveres a serem cumpridos na Terra. Aquele que se consome na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque sua vida é toda pessoal e inútil para a Humanidade. Deus lhe pedirá contas do bem que não tenha feito. (Ver item 640.)

658. A prece é agradável a Deus?

A prece é sempre agradável a Deus quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para ele. A prece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que a sua prece represente um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade.

659. Qual o caráter geral da prece?

— A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nele, aproximar-se dele, pôr-se em comunicação com ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

660. A prece torna o homem melhor?

Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.

660 – a) Como se explica que certas pessoas que oram muito sejam, apesar disso, de muito mau caráter, ciumentas, invejosas, implicantes, faltas de benevolência e de indulgência; que sejam até mesmo viciosas?

— O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo o mérito está na extensão da prece e fecham, os olhos para os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a maneira de aplicá-lo.

661. Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas?

— Deus sabe discernir o bem e o mal; a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.


662. Pode-se orar utilmente pelos outros?

— O Espírito daquele que ora está agindo pela vontade de fazer o bem. Pela prece atrai a ele os bons Espíritos que se associam ao bem que deseja fazer.

Comentário de Kardec: Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea. A prece por outros é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar os bons Espíritos em auxílio daquele por quem pedimos, a fim de lhe sugerirem bons pensamentos e lhe darem a força necessária para o corpo e a alma. Mas ainda nesse caso a prece do coração é tudo e a dos lábios não é nada.

663. As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?

— Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece atrai a vós os bons Espíritos que vos dão a força de as suportar com coragem. Então elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará; tu sabes disso. Aliás, Deus não pode mudar a ordem da Natureza ao sabor de cada um, porque aquilo que é um grande mal do vosso ponto de vista mesquinho, para vossa vida efêmera, muitas vezes é um grande bem na ordem geral do Universo(1). Além. disso, de quantos males o homem é o próprio autor por sua imprevidência ou por suas faltas. Ele é punido no que pecou. Não obstante, os vossos justos pedidos são em geral mais escutados do que julgais. Pensais que Deus não vos ouviu porque não fez um milagre em vosso favor, quando, entretanto, vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das circunstâncias. Freqüentemente, ou o mais freqüentemente, ele vos suscita o pensamento necessário para sairdes por vós mesmos do embaraço.

664. É útil orar pelos mortos e pelos Espíritos sofredores, e nesse caso como pode as nossas preces lhes proporcionar consolo e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de fazer dobrar-se a justiça de Deus?

— A prece não pode ter o efeito de mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá e porque o infeliz, é sempre consolado, quando encontra almas caridosas que compartilham as suas dores. De outro lado, pela prece provoca-se o arrependimento, desperta-se o desejo de fazer o necessário para se tornar feliz.  É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena,  se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças. Jesus orava pelas ovelhas transviadas. Com isso vos mostrava que sereis culpados se nada fizerdes pelos que mais necessitam.

667. Por que o Politeísmo é uma das crenças mais antigas e mais espalhadas, se é falso?

— A idéia de um Deus único só podia aparecer como resultado do desenvolvimento mental do homem. Incapaz, na sua ignorância, de conceber  um ser imaterial, sem forma determinada, agindo sobre a matéria, ele lhe havia dado os atributos da natureza corpórea, ou seja, uma forma e uma figura, e desde então tudo o que lhe parecia ultrapassar as proporções da inteligência comum tornava-se para ele uma divindade. Tudo quanto não compreendia devia ser obra de um poder sobrenatural, e disso a acreditar em tantas potências distintas quantos os efeitos pudesse ver não ia mais do que um passo. Mas em todos os tempos houve homens esclarecidos que compreenderam a impossibilidade dessa multidão de poderes para governar o mundo sem uma direção superior, e se elevaram ao pensamento de um Deus único.

671. Que devemos pensar das chamadas guerras santas? O sentimento que leva os povos fanáticos a exterminar o mais possível os que não partilham de suas crenças, com o fim de agradar a Deus, não teria a mesma origem dos que antigamente provocavam os sacrifícios humanos?

— Esses povos são impulsionados pelos maus Espíritos. Fazendo a guerra aos seus semelhantes, vão contra Deus, que manda o homem amar ao próximo como a si mesmo. Todas as religiões, ou antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, quer sob este ou aquele nome. Como promover uma guerra de exterminação, porque a religião de um outro é diferente ou não atingiu ainda o progresso religioso dos povos esclarecidos? Os povos são escusáveis por não crerem na palavra daquele que estava animado pelo Espírito de Deus e fora enviado por ele, sobretudo quando não o viram e não testemunharam os seus atos; e como quereis que eles creiam nessa palavra de paz quando os procurais de espada em punho? Eles devem esclarecer-se e devemos procurar fazê-los conhecer a sua doutrina pela persuasão e a doçura, e não pela força e o sangue. A maioria de vós não acreditais nas nossas comunicações com certos mortais; por que quereis então que os estranho acreditem nas vossas palavras, quando os vossos atos desmentem a doutrina que pregais?"

(O Livro dos Espíritos, livro terceiro - as leis morais, Capítulo 2)

Temos a sensação inata de que existe alguma força superior, que nos auxilia e ampara. Isto está gravado em nossa consciência. É por isso que até mesmo a menos religiosa das pessoas, em momentos de grande dificuldade, curva-se e ora.

Esse sentimento fez com que por todo o mundo e em diferentes povos surgissem religiões, ligadas obviamente às suas crenças e costumes. Por isso acabam diferenciando-se todas em alguns aspectos e aproximando-se em outros.

Todas as diferenças que existem entre as religiões são ocasionadas pelo meio cultural em que surgiram. São o reflexo da cultura de cada povo, e por isso estão sempre impregnadas de seus costumes e leis. E como esses costumes variam de um país a outro, não poderíamos esperar que a religião dos egípcios fosse a mesma dos japoneses, por exemplo. Mas no que tange aos deveres do homem, todas se assemelham em um único propósito.

A oração foi desde sempre o instrumento de contato com as forças superiores. Sendo usada não só a oração propriamente dita, mas também os cantos e rituais de todos os povos.

O que nos é asseverado e repetido muitas vezes neste capítulo é que de nada valem os mais belos rituais e as preces construídas com a mais rebuscada linguagem, se não fazemos isso de coração.

A intenção é que revela os nossos verdadeiros desejos, e é por isso que a mais simples das orações, quanto feita com o coração repleto de fé torna-se a mais eficaz das preces.

Mais importante que a contemplação, são as atitudes. Temos uma tendência de admirar as maravilhas de Deus, mas nada fazer para criarmos essas maravilhas dentro de nós. São necessárias atitudes. O homem se eleva muito mais a Deus por suas boas obras, por sua sincera devoção e seu sincero desejo de tornar-se melhor.

Sempre que oramos com fé, os bons espíritos vêm em nosso auxílio, nos sustentando nas dificuldades e nos dando forças para suportar com resignação as mais difíceis situações. Podemos também orar pedindo o auxílio para outros irmãos que estão em dificuldades, sejam eles encarnados ou desencarnados.

A fé sólida e verdadeira é fundamental para que nossas orações sejam eficazes. Mas também podemos orar pedindo auxílio para adquirirmos não só a fé como todas as virtudes que não possuímos ainda, bem como a força para resistir às tentações e para repelir nossos vícios e defeitos morais.

Viver uma conduta reta no caminho do bem, procurando cultivar as virtudes e eliminar os nossos defeitos, faz com que os efeitos da prece sejam muitíssimo mais duradouros. Quando adquirirmos a maestria sobre nossas ações, de maneira a agir corretamente em tempo integral, os efeitos da prece não se perderão com as nossas instabilidades psicológicas/emocionais. Como se não bastasse, aí então teremos uma percepção mais nítida das coisas de Deus e viveremos em gratidão e bondade, chegando ao que pode-se dizer "viver em prece".



Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A lei de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição 


Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade 

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]






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