Últimos Posts:

Últimos posts

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A fé raciocinada

"6 - No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser racionada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.
 

7 - [...] A resistência do incrédulo, convenha, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século(1) . É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se constitui do raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

É a esse resultado que o Espiritismo conduz, triunfando assim da incredulidade, todas as vezes em que não encontrar a oposição sistemática e interessada."

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 19 – A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS)

Allan Kardec foi propositalmente escolhido por sua maneira de pensar metódica e científica. Sendo um homem de ciência à sua época, ninguém melhor do que o próprio para compreender tais nuances e as descrever com tamanha didática. Sempre submetendo a Doutrina Espírita (que se formava) ao crivo da razão, da lógica e do bom senso, foi apto a tornar-se o codificador dessa maravilhosa doutrina. (Mais detalhes na introdução de O Livro dos Espíritos).

E por ter sido criado sobre essa base racional, o Espiritismo se destaca das demais crenças, pois busca eliminar os dogmas e não deixar nada sem uma resposta lógica e objetiva. O Espiritismo é a doutrina das respostas, e vem trazer o esclarecimento em uma época onde a inteligência atingia uma maior importância na sociedade. E isso foi na década de 1850.

Hoje as pessoas fazem muitos questionamentos sobre as religiões, e por ficarem sem respostas acabam caindo no ceticismo. Perguntas como "Porque nascem crianças deficientes? Por que Deus permite tanta injustiça no mundo? Como Adão e Eva deram origem a toda a humanidade?" e tantas outras, normalmente ficam sem respostas satisfatórias e afastam as pessoas das religiões.

Os tempos são outros, e os questionamentos vêm à tona. Temas contemporâneos que as antigas religiões não conseguem explicar satisfatoriamente: aborto, eutanásia, métodos contraceptivos, etc. Mas somente o método racional do Espiritismo pode esclarecer.

Isso não significa que o Espiritismo seja melhor que as outras religiões. A Doutrina Espírita vem para expandir horizontes em uma época em que os dogmas não são mais aceitos. Vem para fortalecer as antigas estruturas do ensino moral deixado por Jesus (e por outros espíritos iluminados, como Buda, por exemplo), mas despindo-se de formas, de rituais, de santos e de dogmas. Atingindo assim a mudança moral, sem rodeios e sem escapatórias.

E é necessária toda essa introdução para percebermos a maneira de ação do Espiritismo, e assim compreender o que se quer dizer sobre a fé raciocinada.

A fé raciocinada é aquela que acredita em algo que pode ser questionado. Não são aceitas respostas como "é assim e pronto!". Não é crer por crer, mas crer por entender o que é, como funciona e achar isso lógico e racional.

É crer na reencarnação, por exemplo, não porque Kardec disse que ela existe, mas sim por entender seus mecanismos e perceber que somente através dela que se explicam as misérias do mundo e a destinação do homem após a morte.

E é essa fé que precisamos nos dias de hoje, onde tudo é questionado e respostas coerentes são necessárias. Torna-se fundamental submeter tudo ao crivo da razão, inclusive a própria Doutrina Espírita.

"O Espiritismo progrediu sobretudo depois que foi melhor compreendido na sua essência, depois que lhe perceberam o alcance, porque ele toca nas fibras mais sensíveis do homem: as da sua felicidade, mesmo neste mundo. Nisso  está a causa da sua propagação, o segredo da força que o faz triunfar. Ele torna felizes os que o compreendem, enquanto a sua influência não se estende sobre as massas. Mesmo aquele que não tenha testemunhado nenhum fenômeno material de manifestações dirá: além dos fenômenos há uma filosofia; essa filosofia me explica o que NENHUMA outra havia explicado; nela encontro, pelo simples raciocínio, uma demonstração racional dos problemas que  interessam no mais alto grau ao meu futuro; ela me proporciona a calma, a segurança, a confiança, me livra do tormento da incerteza e ao lado disso a questão dos fatos materiais se torna secundária. Vós todos, que o atacais, quereis um meio de o combater com sucesso? Ei-lo aqui. Substituí-o por alguma coisa melhor, encontrai uma solução MAIS FILOSÓFICA para todas as questões que ele resolve, dai ao homem OUTRA CERTEZA que o torna mais feliz, mas compreendei bem o alcance dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo senão o que lhe parece lógico. Não vos contenteis de dizer que isso não é assim, pois é muito fácil negar. Provai, não por uma negação, mas através dos fatos que isso não é, jamais foi e nem PODE ser. E se isso não é, dizei sobretudo o que devia ser em seu lugar. Provai, por fim, que as conseqüências do Espiritismo não tornam os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que muito se louva mas pouco se pratica. Quando tiverdes feito isso, tereis o direito de o atacar. O Espiritismo é forte porque se apóia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras, e porque sobretudo mostra essas penas e recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, oferecendo um quadro do futuro cm que nada pode ser contestado pela mais exigente razão. Vós, cuja doutrina consiste inteiramente na negação do futuro, que compensação ofereceis para os sofrimentos deste mundo? Vós vos apoiais na incredulidade, e ele se apóia na confiança em Deus. Enquanto ele convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade, vós lhe ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOÍSMO por consolação. Ele explica tudo, vós nada explicais. Ele prova pelos fatos e vós nada provais. Como quereis que o homem hesite entre essas duas doutrinas?"
(O Livro dos Espíritos - Conclusão, parte V)

Leituras complementares:
O Livro dos Espíritos, introdução. Link
O Livro dos Espíritos, conclusão.  Link
O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 19 - A fé que transporta montanhas. Link

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário acerca do post acima.