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sábado, 28 de setembro de 2013

Diferentes ordens de espíritos: Espíritos imperfeitos

Veja a parte anterior:

A escala espírita

Dando continuidade ao nosso estudo do sábado passado, iniciaremos hoje conhecendo as classes a que pertencem os espíritos imperfeitos:

"TERCEIRA ORDEM: ESPÍRITOS IMPERFEITOS

101. Caracteres gerais. Predominância da matéria sobre o espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo, e todas as más paixões que lhes seguem. Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

Nem todos são essencialmente maus; em alguns, há mais leviandade. Uns não fazem o bem, nem o mal; mas pelo simples fato de não fazerem o bem, revelam a sua inferioridade. Outros, pelo contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo.

Podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; mas, qualquer que seja o seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e os seus sentimentos mais ou menos abjetos.

Os seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados, e o pouco que sabem a respeito se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corpórea. Não podem dar-nos mais do que noções falsas e incompletas daquele mundo; mas o observador atento encontra freqüentemente, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.

O caráter desses Espíritos se revela na sua linguagem. Todo Espírito que, nas suas comunicações, trai um pensamento mau, pode ser colocado na terceira ordem; por conseguinte, todo mau pensamento que nos for sugerido provém de um Espírito dessa ordem.

Vêem a felicidade dos bons, e essa visão é para eles um tormento incessante, porque lhes faz provar as angústias da inveja e do ciúme.

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea, e essa impressão é freqüentemente mais penosa que a realidade. Sofrem, portanto, verdadeiramente, pelos males que suportaram e pêlos que acarretaram aos outros; e como sofrem por muito tempo, julgam sofrer para sempre. Deus, para os punir, quer que eles assim pensem.

Podemos dividi-los em cinco classes principais.

102. Décima classe. Espíritos Impuros — São inclinados ao mal e o fazem objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, insuflam a discórdia e a desconfiança, e usam todos os disfarces, para melhor enganar. Apegam-se às pessoas de caráter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de as levar à perda, satisfeitos de poderem retardar o seu adiantamento, ao fazê-las sucumbir ante as provas que sofrem.

Nas manifestações, reconhecem-se esses Espíritos pela linguagem: a trivialidade e a grosseria das expressões, entre os Espíritos como entre os homens, e sempre um índice de inferioridade moral, senão mesmo intelectual. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações e, se eles tentam enganar, falando de maneira sensata, não podem sustentar o papel por muito tempo e acabam sempre por trair a sua origem.

Alguns povos os transformaram em divindades malfazejas- outros os designam como demônios, gênios maus, Espíritos do mal.

Quando encarnados, inclinam-se a todos os vícios que as paixões vis e degradantes engendram: a sensualidade, a crueldade, a felonia, a hipocrisia, a cupidez e a avareza sórdida. Fazem o mal pelo prazer de fazê-lo, no mais das vezes sem motivo, e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vitimas entre as pessoas honestas. Constituem verdadeiros flagelos para a humanidade seja qual for a posição que ocupem, e o verniz da civilização não os livra do opróbrio e da ignomínia.

103. Nona classe. Espíritos Levianos - São ignorantes, malignos inconseqüentes e zombeteiros. Metem-se em tudo e a tudo respondem sem se importarem com a verdade. Gostam de causar pequenas contrariedades e pequenas alegrias, de fazer intrigas, de induzir maliciosamente ao erro por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente designados pelos nomes de duendes, diabretes, gnomos, trasgos. Estão sob a dependência de Espíritos superiores, que deles se servem multas vezes, como fazemos com os criados.

Nas suas comunicações com os homens, a sua linguagem é, muitas vezes espirituosa e alegre, mas quase sempre sem profundidade; apanham as esquisitices e os ridículos humanos, que interpretam de maneira mordaz e satírica. Se tomam nomes supostos, é mais por malícia do que por maldade

104. Oitava classe. Espíritos Pseudo-Sábios - Seus conhecimentos são bastante amplos, mas julgam saber mais do que realmente sabem Tendo realizado alguns progressos em diversos sentidos, sua linguagem tem um caráter sério, que pode iludir quanto à sua capacidade e às suas luzes. Mas isso freqüentemente, não é mais do que um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas que tiveram na vida terrena. Sua linguagem é uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, entre os quais repontam a presunção, o orgulho, a inveja e a teimosia, de que não puderam despir-se.

105. Sétima classe. Espíritos Neutros – Nem são bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; tendem tanto para um como para outro, e não se elevam sobre a condição vulgar da humanidade, quer pela moral ou pela inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, saudosos de suas grosseiras alegrias.

106. Sexta classe. Espíritos Batedores e Perturbadores — Estes Espíritos não formam, propriamente falando, uma classe distinta quanto às suas qualidades pessoais, e podem pertencer a todas as classes da terceira ordem. Manifestam freqüentemente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como golpes, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar etc. Parece que estão mais apegados à matéria do que os outros, sendo os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer pela sua ação sobre o ar, a água, o fogo, os corpos sólidos ou nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fenômenos não são devidos a uma causa fortuita e física, quando têm um caráter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os Espíritos elevados os deixam, em geral, a cargo dos Espíritos subalternos, mais aptos para as coisas materiais que para as inteligentes. Quando julgam que as manifestações desse gênero são úteis, servem-se desses espíritos como auxiliares.
"

Como podemos imaginar, temos encarnados na Terra espíritos de todos os matizes. Podemos facilmente identificar nessas categorias algumas pessoas que conhecemos, isso quando nós próprios não nos encaixamos em uma dessas classificações.

São os espíritos dessa ordem que atrasam o progresso da humanidade, com suas idéias materialistas e suas falhas morais.

Portanto, devemos nos esforçar para progredirmos, pois se cada um fizer a sua parte, a humanidade como um todo progredirá.


Veja as continuações:

Bons espíritos
Espíritos puros
Progressão dos espíritos


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A preguiça também é uma falha moral

Amados irmãos, hoje compartilho convosco um trecho de um livro que gosto muito: Fundamentos da Reforma Íntima, de Abel Glaser pelo espírito Cairbar Schutel. É uma obra valiosíssima, deveria ser livro de cabeceira de todos os espíritas.

"A preguiça

702- Preguiça física é a repulsa pelo trabalho, entendido este amplamente. Qualquer atividade que retire o encarnado preguiçoso do ócio dá-lhe repugnância.

703- Preguiça mental é a lentidão nos pensamentos e na tomada de decisões, por aversão à agilidade do raciocínio.

704- Ambas as formas são causadas por um espírito rebelde e recalcitrante em aceitar a sua atual posição no estágio reencarnatório que vivencia.

705- O preguiçoso geralmente se acostuma na fleuma do dia-a-dia, ambicionando somente métodos e estilos de vida que lhe proporcionem maior tranquilidade no agir e no pensar.

706- Patente desvio de conduta pode tornar-se um vício desde que o ser humano nele encontre uma habitualidade.

707- Vez ou outra, muitos encarnados encontram na preguiça um escape para suas pressões do cotidiano. O grande mal é torná-la uma praxe na existência material.

708- A preguiça alia-se ao egoísmo porque o mandrião preocupa-se muito mais consigo mesmo e seu bem-estar do que com o próximo. Família e outros que dele dependem passam por sérios problemas, enquanto o ocioso apraz-se em ser como é.

709- É preguiçoso desde aquele que não quer trabalhar para sustentar-se e aos seus até o que não consegue organizar seu tempo para dar conta de tudo o que tem para fazer. Neste contexto, está presente a preguiça mental.

710- Todos os encarnados possuem obrigações. Adultos mais, adolescentes e crianças menos. Destarte, identificar á preguiça não é tarefa difícil, pois basta verificar quem as cumpre satisfatoriamente. O difícil é combatê-la desde cedo.

711- Não é desnecessário dizer que a boa ou má educação dada pelos pais ao infante poderá reformar-lhe essa má tendência ou incentivá-lo a perpetuar-se nesse desvio de conduta.

712- É intrincado combater a preguiça porque implica dedicação, força devontade e desejo de luta, atributos que faltam ao ocioso.

713- O único caminho viável é através da reforma íntima. Somente compreendendo a importância do labor e do exercício do raciocínio, aceitando-os como atividades necessárias do corpo e do espírito é que poderá haver preciso combate à preguiça.

714- Mencionou-se linhas atrás que o ocioso é um egoísta por excelência. Também o é o individualista, sob alguns aspectos. Pode o encarnado que se isola ser um trabalhador exemplar, mas a sua preguiça está concentrada em não ter paciência, nem vontade, paraconviver com seus semelhantes. Não deixa de ser fruto da indolência a falta de gosto pela integração social ou familiar, visto que a convivência exige e demanda trabalho espiritual de resignação, atenção, zelo, solidariedade e outras virtudes que, ao preguiçoso, parecem insustentáveis.

715- A preguiça não deve afetar a fé, porque, se tal ocorrer, tornar-se-á muito difícil reverter o ócio pela reforma íntima. Esta pressupõe ao menos a fé para que haja, em seguida, o fortalecimento da vontade.

716- O comodista é um egoísta e pode ser um preguiçoso. Pretendendo garantir o seu bem-estar a qualquer custo, ele poderá cultivar o ócio como uma de suas fontes de prazer.
"

No nosso dia-a-dia, nos esquecemos de como a preguiça pode ser nociva. Este belo texto nos faz um alerta, promovendo a reflexão sobre as nossas atitudes.

Será que a preguiça não está nos impedindo de voar mais alto?

Fica a reflexão.

sábado, 21 de setembro de 2013

Diferentes ordens de espíritos - A escala espírita

Seguindo o tema iniciado no último sábado, hoje falaremos sobre a escala espírita criada por Kardec e sobre os critérios usados na sua construção.

"VI – Escala Espírita

100. Observações preliminares. A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta: nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, a não ser no conjunto: de um grau a outro, a transição é insensível, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da Natureza, nas cores do arco-íris ou ainda nos diferentes períodos da vida humana. Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira por que se considerar o assunto. Acontece nisto como em todos os sistemas de classificação científica: os sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência; mas, seja como for, nada alteram quanto à substância da Ciência. Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores conseqüências. Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo: deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.

Ajuntemos ainda esta consideração que jamais se deve perder de vista: entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles tudo sabem, por serem Espíritos. Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados são, como os ignorantes deste mundo, incapazes de apreender um conjunto e formular um sistema; eles não conhecem ou não compreendem senão imperfeitamente qualquer classificação; para eles, todos os Espíritos que lhes sejam superiores são da primeira ordem, pois não podem apreciar as suas diferenças de saber, de capacidade e de moralidade, como entre nós faria um homem rude, em relação aos homens ilustrados. E aqueles mesmos que sejam incapazes, podem variar nos detalhes, segundo os seus pontos de vista, sobretudo quando uma divisão nada tem de absoluto. Lineu, Jussieu Tournefort tiveram cada qual o seu método, e a botânica não se alterou por isso. É que eles não inventaram nem as plantas nem os seus caracteres, mas apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos e as classes. Foi assim que procedemos. Nós também não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres. Vimos e observamos; julgamos pelas suas palavras e os seus atos, e depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos nos dados que eles forneceram.

Os Espíritos admitem, geralmente, três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, aquela que se encontra na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão ao mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo de praticar o bem: são os Espíritos bons. A primeira, enfim, compreende os Espíritos puros, que atingiram o supremo grau de perfeição.

Esta divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta caracteres bem definidos; não nos resta senão destacar, por um número suficiente de subdivisões, as nuanças principais do conjunto. Foi o que fizemos, com o concurso dos Espíritos, cujas benevolentes instruções jamais nos faltaram.

Com a ajuda deste quadro, será fácil determinar a ordem e o grau de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com os quais podemos entrar em relação e, por conseguinte, o grau de confiança e de estima que eles merecem. Esta é de alguma maneira, a chave da Ciência espírita, pois só ela pode explicar-nos as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos sobre as irregularidades intelectuais e morais dos Espíritos. Observaremos, entretanto, que os Espíritos não pertencem para sempre e exclusivamente a esta ou aquela classe; o seu progresso se realiza gradualmente, e, como muitas vezes se efetua mais num sentido que noutro, eles podem reunir as características de varias categorias, o que é fácil apreciar por sua linguagem e seus atos.
"

Kardec em seus estudos desenvolveu um método de classificação dos espíritos, separando-os em dez categorias e três ordens distintas.

Mas essa classificação não tem por objetivo rotular os espíritos: tem finalidade didática, para que possamos melhor compreender a progressão dos espíritos na jornada rumo à perfeição.

E essa jornada só é possível graças às sucessivas reencarnações, onde pouco a pouco o espírito pode progredir em inteligência e moralidade, segundo a sua vontade (pois possui livre arbítrio).

Quando Deus cria os espíritos, simples e ignorantes, não os cria nem bons e nem maus: são neutros. A partir de suas escolhas é que vão tomando determinado rumo, seja ele na bondade ou na maldade.

Mas como poderia Deus deixar os seus filhos entregues à própria sorte?

Na verdade, não deixa. Por isso o homem tem  o instinto. O instinto lhe guia em todas as suas necessidades básicas e de sobrevivência. Assim, com a experiência que vai adquirindo, vai gradualmente desenvolvendo a sua inteligência e o seu poder de decisão, tal qual uma criança que encosta em algo quente e queima-se, e então aprende que algumas coisas podem machucá-lo.

Deus portanto não julga o espírito que mal sabe o que faz: o grau de responsabilidade por seus atos é proporcial à sua inteligência.

E o homem não conta somente com o instinto. Possui também a consciência, que lhe serve de guia quando precisa tomar decisões. Quem de nós nunca ficou com a consciência pesadíssima após tomar uma má decisão? Eis o guia infalível para o homem, quando dá ouvidos à sua consciência.

E por fim, conta o homem com o auxílio de seu espírito protetor (ou anjo guardião), que faz todo o possível para intuir-lhe no bom caminho. Infelizmente muitas vezes o homem, tomado de orgulho, deixa de dar ouvidos ao seu amoroso protetor e incide no erro.

Jamais podemos dizer então, que Deus cria o homem para o sofrimento. Deus dá ao homem as ferramentas que necessita para a sua evolução: cabe a ele a escolha de usar ou não.

Se um fazendeiro desse uma pá ao seu funcionário, para que cavasse um buraco, e se o operário cavasse o buraco com as próprias mãos e com isso se machucasse, a culpa seria do fazendeiro que lhe deu a pá ou do operário que optou em não usar a pá?

Reflitamos e perceberemos que o homem é sempre o artífice de seu destino, seja ele bom ou ruim.


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Espíritos imperfeitos
Bons espíritos
Espíritos puros
Progressão dos espíritos

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Há muitas maneiras de se fazer a caridade

"10 – Meus amigos, tenho ouvido muitos de vós dizerem: Como posso fazer a caridade, se quase sempre não tenho sequer o necessário?

A caridade, meus amigos, se faz de muitas maneiras. Podeis fazê-la em pensamento, em palavras e em ações. Em pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem terem sequer vivido; uma prece de coração os alivia. Em palavras: dirigindo aos vossos companheiros alguns bons conselhos. Dizei aos homens amargurados pelo desespero e pelas privações, que blasfemam do nome do Altíssimo: “Eu era como vos; eu sofria, sentia-me infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vede agora sou feliz!” Aos anciãos que vos disseram: “É inútil; estou no fim da vida; morrerei como vivi”, respondei: “A justiça de Deus é igual para todos; lembrai-vos dos trabalhadores da última hora!” Às crianças que, já viciadas pelas más companhias, perdem-se nos caminhos do mundo, prestes a sucumbir às suas tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos!”, e não temais repetir freqüentemente essas doces palavras, que acabarão por germinar nas suas jovens inteligências, e em lugar de pequenos vagabundos, fareis delas verdadeiros homens. Essa é também uma forma de caridade.

Muitos de vós dizeis ainda: “Oh! somos tão numerosos na terra, que Deus não pode ver-nos a todos!” Escutai bem isso, meus amigos: quando estais no alto de uma montanha, vosso olhar não abarca os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: Deus vos vê da mesma maneira; e Ele vos deixa o vosso livre arbítrio, como também deixais esses grãos de areia ao sabor do vento que os dispersas. Com a diferença que Deus, na sua infinita misericórdia, pôs no fundo do vosso coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Ouvi-a, que ela vos dará bons conselhos. Por vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal, e então ela se cala. Mas ficai seguros de que a pobre relegada se fará ouvir, tão logo a deixardes perceber a sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a, e freqüentemente sereis consolados pelos seus conselhos.

Meus amigos, a cada novo regimento o general entrega uma bandeira. Eu vos dou esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros”. Praticai essa máxima: reunir-vos todos em torno dessa bandeira, e dela recebereis a felicidade e a consolação.
"
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 13, item 10)

Como já comentado aqui no blog outras vezes, há muitas maneiras de se fazer a caridade.

Erroneamente pensamos que a caridade só se faz com o dinheiro e as coisas materiais (alimento, roupas, doações). A caridade material é sim de fato muito importante, principalmente em nosso país onde há tantas pessoas necessitadas.

Pensamos então: "como ajudarei meu próximo, se eu mesmo não tenho o suficiente?"

Mas esquecemos que podemos fazer a caridade com tudo aquilo que Deus nos dá: com a inteligência, o talento, a saúde e o tempo livre.

Durante o nosso dia, temos diversas oportunidades de ajudar ao próximo,  sem gastar um único centavo, apenas dedicando um pouco do nosso tempo.

As pessoas ao nosso redor passam por problemas e dificuldades. Podem estar aflitas, tristes, estressadas, depressivas, etc. Porque não melhorar o seu dia sorrindo e desejando um bom dia? Porque não dedicar cinco minutos para ouvir o que elas têm a dizer?

Quando temos um problema, não é reconfortante desabafar?

Porque não ouvir o desabafo do próximo, assim como gostaríamos que o nosso fosse ouvido?

E é nas coisas simples do dia-a-dia que podemos ir praticando a caridade: dando bons conselhos, ouvindo ao que o outro tem a nos dizer, desejando um bom dia, sorrindo, abraçando, enfim, doando um pouco de nós, e espalhando o amor que temos no coração.


Portanto, não precisamos de fortuna para ajudar ao próximo.

Basta doarmos o que nos sobra, seja nosso tempo, nossa inteligência ou nosso talento.


sábado, 14 de setembro de 2013

Diferentes ordens de espíritos - Introdução

Nos próximos sábados iremos estudar as diferentes ordens de espíritos, seu modo de pensar e de agir. Isso nos traz uma visão mais ampla de todas as fases pelas quais passamos antes de um dia atingirmos a perfeição.

"96. Os Espíritos são iguais, ou existe entre eles alguma hierarquia?

 —  São de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição a que tenham chegado.

 97. Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?

 —  É ilimitado o número dessas ordens, pois não há entre elas uma linha de demarcação traçada como barreira, de maneira que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.

Comentário de Kardec:  Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram à perfeição: os Espíritos puros. Na segunda, estão os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que estão ainda na base da escala: os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as mais paixões que lhes retardam o desenvolvimento. 

 98. Os Espíritos da segunda ordem só têm o desejo do bem; terão também o poder de o fazer?

 —  Eles têm esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição: uns possuem a ciência; outros, a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.

 99. Os Espíritos da terceira ordem são todos essencialmente maus?

 —  Não; uns não fazem bem nem. mal; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. Há ainda Espíritos levianos ou estouvados, mais travessos do que malignos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem.
"


Os espíritos - Parte 2

Os espíritos não são somente maus ou somente bons. Pertencem a diversas ordens, segundo o seu grau de perfeição moral.

Podem ser classificados basicamente em três ordens ou categorias:

- Os primeiros são os espíritos puros. Já atingiram a perfeição e não necessitam mais reencarnar. Trabalham ajudando aos espíritos imperfeitos a progredir.

- Os do segundo grupo são aqueles que alcançaram a metade da escala: se preocupam em fazer o bem. Não são ainda perfeitos, mas fazem mais o bem do que o mal.

- Os do terceiro grupo são os mais imperfeitos. Entre esses existem aqueles que não fazem o mal, mas também não fazem o bem e principalmente aqueles que se comprazem na maldade, no deboche e na enganação.

Como os espíritos são homens sem corpos, logicamente que em nossa sociedade podemos perceber encarnados espíritos de todas as ordens, basta olhar com atenção. Existem homens cruéis, enganadores, ladrões, indiferentes e bons: isso só revela o seu grau de adiantamento.

Todos os espiritos são criados puros e ignorantes (sem conhecimentos), para progredirem através das sucessivas encarnações, desenvolvendo-se intelectualmente e moralmente.

Mas são os espíritos que progridem por sua própria vontade. Alguns, mais determinados seguem desde o início mais pelo caminho do bem: sua estrada até a perfeição é mais curta. Outros porém, se desviam pelo caminho, demorando mais até atingir a perfeição.

Existe um grau de felicidade relativo para cada estágio do progresso, mas a verdadeira felicidade, plena e duradoura, só é alcançada quando se atinge a perfeição.

Por mais tempo que leve, todos os espíritos se tornam um dia perfeitos. Uma vez que hajam progredido, não mais retrocedem.

Só depende do livre-arbítrio de cada um acelerar ou atrasar o seu progresso.

Conforme se desenvolvem os espíritos, o seu livre-arbítrio também vai ficando mais apurado, permitindo-lhes tomar decisões mais sensatas.

Se os espíritos tivessem sido criados perfeitos, não haveria mérito para a sua felicidade. Deus assim não seria justo.

O conceito que temos tradicionalmente de demônios (seres criados para a maldade perpétua) e anjos (seres criados perfeitos) não é exato. O que chamamos de demônios na verdade são espíritos ainda mais atrasados. Os anjos por sua vez, não foram criados perfeitos, mas passaram por todas as categorias até finalmente terem atingido a perfeição.


Nos próximos sábados nos aprofundaremos neste tema, na tentativa de compreender melhor cada uma dessas etapas.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O papel das religiões e a falta de entendimento entre elas

No mundo temos diversas religiões, todas com o mesmo propósito em comum: religar o homem com a divindade.

Mas por terem sido criadas em diferentes épocas e em diferentes lugares, cada uma recebeu um toque de peculiaridade pertinente ao momento e local de sua criação.

Os homens, por necessitarem de elementos materiais para expressar a sua fé, dotaram as religiões com diversas cerimônias, que expressavam fisicamente uma idéia abstrata que tinham dificuldade de compreender.

Como explicar coisas intangíveis como o amor e a felicidade? Mesmo nos dias de hoje é difícil conceituar idéias tão abstratas, sendo que é mais fácil compreendê-las pela sensação do que por explicações teóricas.

Então por isso os homens criaram diversos simbolismos, como as procissões, oferendas, amuletos, e tantas outras coisas que caracterizam as mais variadas religiões.

Esses elementos culturais e ritualísticos promovem então os conflitos ideológicos entre as religiões. Cada qual acredita estar certo do seu modo, e por consequência o outro errado.

Mas o objetivo final de todas as religiões não é unir o homem a Deus e tornar os homens melhores? Não promovem todas elas a aquisição das virtudes e a destruição dos vícios e más condutas?

Porque ainda falta o entendimento?

Justamente por causa dos conceitos abstratos, aliados ao materialismo humano. Isso nos faz ver somente a forma e não o fundo. Por isso nos detemos em detalhes bobos em vez de nos concentrarmos no verdadeiro significado.

Quem sabe quando aprendermos a ouvir mais ao próximo, começaremos a perceber que falamos das mesmas coisas, mas de maneiras diferentes?

Graças a Deus que já existem pessoas de bem movidas por promover este entendimento entre as diferentes religiões.

Façamos a nossa parte, evitando criticar ao próximo e buscando entender o seu modo de pensar. Só assim haverá mais paz e entendimento no mundo.


sábado, 7 de setembro de 2013

Texto: "Ah se eu soubesse..."

Hoje recebi esse texto, recheado de tão grandes reflexões que resolvi postar aqui no blog. Ao que consta, a autoria é de Hugo Lapa.

"Quando chegamos no plano espiritual, a maioria dos espíritos pensa algo muito parecido:
 

- Ah se eu soubesse…
Se eu soubesse que a vida real não era na matéria… se eu soubesse que a realidade não é de sofrimento, mas de paz e liberdade… se eu soubesse que nada que existia na matéria é permanente, que lá é tudo passageiro, eu não teria brigado no trânsito, batido nos meus filhos, me apegado a tantas coisas efêmeras…
 

Ah se eu soubesse…. teria ajudado muito mais gente, teria me enriquecido com amor e luz, teria deixado de lado esses problemas pequenininhos, teria feito caridade aos necessitados, teria deixado o amor fluir, teria me atirado no bem sem nenhuma preocupação, teria sido mais humilde, teria vivido em paz…
 

Ah se eu soubesse… teria passado mais tempo com aqueles que amo, teria me preocupado menos, teria tido mais paciência, teria me soltado mais, me desprendido mais, teria vivido mais livre, de forma mais espontânea, mais natural, teria visto o lado bom de tudo, teria valorizado as coisas simples da vida.
 

Ah se eu soubesse… se soubesse que a vida na Terra vai e vem, que tudo se esvai, que nada é permanente, que não existe algo fixo, imutável. Se eu soubesse que tudo começa e termina, que os relacionamentos começam e terminam, que a dor lateja e depois vem o alívio.
 

Ah se eu soubesse… se soubesse que os arrogantes sobem, ficam no topo e caem por si mesmos; caem pelo seu próprio castelo de cartas da ilusão que criaram. Se eu soubesse que os ricos podem se tornar pobres de espírito, e que os pobres podem ser muito ricos de espírito. Se soubesse que as diferenças sociais se extinguem, que na morte todos somos filhos do universo, que a fome é saciada, que a sede é aliviada, que a violência só traz mais violência, que os injustiçados são compensados, que os perdidos sempre se encontram, e quem está demasiadamente seguro de si acaba se perdendo.
 

Ah se eu soubesse… que a vida espiritual é a vida real, que as mágoas corroem o espirito, que a cobiça gera insatisfação, que a lisonja só cria humilhação, que a preguiça gera estagnação. Se eu soubesse que o medo é sempre maior do que a mente engendrou eu teria me arriscado mais, teria ousado, teria tido a coragem de ser o que eu sou, teria retirado essa máscara que encobria minha verdade, teria desatado o compromisso com o logro, com a burla, teria assumido minha integridade sem divisões, sem fragmentos.
 

Ah se eu soubesse… não teria cortejado o sucesso, não teria me atirado ao poço fundo, vazio e solitário da avidez, não teria me enganado de que, ao atingir o topo, a descida é o único caminho. Se eu soubesse que o mundo é uma doce miragem eu rejeitaria a pueril busca pela sensualidade. Largaria com afinco os prazeres e vícios da juventude. Se soubesse que tudo muda e nada se encerra, teria posto de lado as moléstias da nostalgia.
 

Ah se eu soubesse, teria menos pressa, olharia mais para a vida, veria mais o nascer do dia, comeria com calma o pão de cada manhã, teria plantado uma árvore, corrido no jardim, deitado no chão e rolado na grama. Teria mergulhado e me perdido no tempo, solto em reflexões sobre os mistérios da vida. Teria me desimpedido de autocobranças, teria me aceitado como sou e aceitado o milagre da vida como ela é.
 

Ah se eu soubesse… que o mar espiritual é infinito de bençãos, não teria digladiado por um copo de água ao lado do grandioso oceano da plenitude. Teria deixado todas as quimeras de lado, e vivido mais a vida, a existência, o cosmos, a liberdade, o eterno presente e a eterna aurora.
 

Ah se eu soubesse… … teria renunciado aos hábitos arraigados, as discussões estéreis, a especulação teórica. Se eu soubesse, teria permanecido mais na natureza, observando os pássaros, molhando as mãos no rio, sentindo o vento, me aquecendo ao sol da manhã, sujado as mãos na lama e sentido o frescor da chuva. Se eu soubesse que sou um ser em desenvolvimento na essência inesgotável e eterna da vida, teria sido infinitamente mais livre e feliz.

Autor: Hugo Lapa"

O dia de mudarmos nossa maneira de pensar e agir é hoje. Amanhã podemos não estar mais aqui. Aí o arrependimento do tempo perdido será grande.

Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vida material e a riqueza

Como já debatemos um pouco aqui no post "Não podemos servir a Deus e a Mamon" (link), o qual recomendo uma nova leitura, hoje novamente adentramos neste tema, porém sob uma ótica diferente.

Apesar de sermos espíritos, vivemos temporariamente em um mundo material, que nos serve de escola e território para nos melhorarmos. Só que como viveremos nesse mundo sem usar das coisas materiais? Poderemos viver em condições dignas sem roupas, comida e moradia?

O dinheiro, que é a evolução dos antigos métodos de troca dos tempos passados, é de fato uma ótima ferramenta em um mundo material e com o nosso atual nível de modernidade. Porém o dinheiro é uma faca de dois gumes, que temos que manusear com sabedoria.

O dinheiro na dose certa traz qualidade de vida, que permite que o ser humano desenvolva com mais plenitude as suas capacidades, em vez de desgastar-se "correndo atrás da máquina". Porém o dinheiro em excesso é território fácil para desviar as pessoas do caminho correto. A cobiça, a avareza e os vícios de toda sorte podem cegar e transtornar as pessoas.

Então é errado ser rico? O dinheiro é algo maléfico?

Não e não.

Mas a fortuna é uma grande responsabilidade. Aquele que a possui deve usar com sabedoria.

Assim como tudo aquilo que Deus provê ao homem, o dinheiro também é uma dádiva que pode fazer muito bem e ajudar muitas pessoas, mas que em mãos imprudentes pode causar a ruína de uma ou mais pessoas. Assim como a inteligência, por exemplo.

Temos então que ter primeiramente atenção em diferenciar o essencial do supérfluo. Deus, em sua infinita bondade, não deseja que o homem passe fome ou necessidades, mas que tenha uma vida digna e justa. Como todos temos livre arbítrio, a extinção da pobreza e das desigualdades sociais depende da sociedade. Os índios conseguem viver em condições igualitárias dentro de suas tribos. Porque nós que teoricamente somos mais esclarecidos não conseguimos implantar sistemas justos em nossa sociedade?

Portanto, tenhamos uma vida confortável e justa, porém na hora do supérfluo, não nos esqueçamos de pensar naqueles irmãos que nem o básico possuem.

E obviamente, aqui refiro-me somente à parte material da caridade. Pois ainda existe a caridade moral, muito mais importante e também mais difícil de ser praticada. Nem vou entrar nesse tópico hoje, pois acredito que já tenha sido bem entendido por todos.

Por fim, para raciocinarmos sobre o melhor modo de vivermos neste mundo, recomendo a leitura da série de estudos sobre as leis morais (link) que promovemos aqui no blog.