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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Imagine

Imagine se todas as pessoas dissessem: bom dia!

Imagine se todas as pessoas dissessem: obrigado!

Imagine se todas as pessoas perguntassem: como você está hoje?

Imagine se todas as pessoas ouvissem o que você tem a dizer.

Imagine se todas as pessoas sorrissem e abraçassem mais.

Imagine se todas as pessoas perdoassem mais.

Imagine se todas as pessoas fizessem mais favores.

Nosso mundo não seria um pouco melhor?

Não podemos garantir que os outros façam isso, mas podemos nós fazer a nossa parte.

É muito fácil quando estamos em um bom dia.

O desafio começa quando tentamos fazer tudo isso mesmo naqueles dias em que estamos irritados e tudo dá errado.

Possível é.

Vamos tentar?

sábado, 24 de agosto de 2013

Expectativas

Cada ser humano é diferente, tem pensamentos, opiniões, personalidades e caráter, enfim, tudo diferente de cada um de nós, logo como queremos que as outras pessoas pensem igual a nós?

Daí surgem as decepções, as expectativas frustradas.

Devemos sempre aceitar o outro com suas opiniões e sempre será um erro tentar mudar o outro ou querer que ele pense igual a nós.

É um erro clássico que cometemos sempre.

Somente assim, aceitando o próximo com suas opiniões, que realmente aprenderemos a amar o outro como a nós mesmos.

As pessoas não mudam pq a gente acha que estão erradas, elas só mudam se querem e quando querem.

A real finalidade de nossa vinda nessa vida é para corrigir nossas falhas morais e aperfeiçoarmos nossa virtudes.

Vamos deixar de ver os defeitos do outro e começar a olhar pra dentro de nós mesmos!

Vamos começar as mudanças em nós a partir de agora!

Perda de entes queridos

Todos um dia daqui partiremos.

Faz parte do ciclo natural.

Viemos à Terra sucessivas vezes para o nosso aprendizado e aprimoramento, assim como um aluno vai sucessivos anos à escola, a fim de adquirir novos conhecimentos e experiências.

Do mesmo modo que a escola não representa a vida real do estudante, a vida na Terra também não é a nossa vida real.

Deus nos criou simples e ignorantes, para que nós mesmos aprendêssemos através de nossas experiências. Desse modo, passaríamos pela mais incrível variedade de situações, aprendendo a distinguir o certo do errado e desenvolvendo nossa inteligência e nossas virtudes.

O convívio com nossos irmãos de jornada faz com que desenvolvamos nossos laços de afetividade, de empatia e de amor.

E nesse ciclo de idas e vindas, encarnações e reencarnações, seguimos repetindo a fórmula, almejando um dia chegar à perfeição.

Enquanto esse dia não chega, ainda temos coisas a corrigir em nós: falhas morais, apegos, mágoas e arrependimentos. Mas a cada dia temos a oportunidade de sermos diferentes, de fazer um novo começo e mudar tudo o que está errado.

E quando nos propomos a seguir esse caminho de melhoria interior constante e progressiva, certamente esbarraremos no apego, que nos faz aprisionar aqueles que amamos.

É necessário que nos preparemos para a morte, tanto a nossa quanto a daqueles que amamos. Mas nosso apego impede que vejamos isso com clareza e queremos a todo custo que todos permaneçam conosco para sempre.

De fato, quando a morte chega, a despedida é inevitável. Entretanto, esta despedida é temporária e breve, pois a verdadeira vida, essa sim é eterna e teremos todo o tempo do mundo para estar novamente com aqueles que amamos.

Imaginemos a seguinte situação: dois amigos que estudam em uma mesma escola. Enquanto um forma-se no primeiro ano do ensino médio, o outro forma-se no terceiro ano e prepara-se para ir à faculdade. Seria essa separação eterna?

Por mais que pareça muito tempo para os jovens amigos, na realidade apenas dois anos os separam de estudarem juntos novamente.

Assim é também na vida: quando um espírito parte da Terra ao fim dessa encarnação, vai ele em busca de novos rumos e preparar-se para um maior aprendizado na próxima encarnação. Enquanto isso, nós que aqui ficamos lamentamos "perder" a sua presença. Mas apenas alguns anos nos separam.

E nunca nos esqueçamos, onde houver o amor e o afeto entre dois seres, estes sempre estarão unidos, independente de onde quer que estejam.


"936. Como as dores inconsoláveis dos que ficam na Terra afetam os Espíritos que partiram?

— O Espírito é sensível a lembrança e às lamentações daqueles que amou, mas uma dor incessante e desarrazoada o afeta penosamente, porque ele vê nesse excesso uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus, e por conseguinte um obstáculo ao progresso e talvez ao próprio reencontro com os que deixou.

Comentário de Kardec:  Estando o Espírito mais feliz do que na Terra, lamentar que tenha deixado esta vida é lamentar que ele seja feliz. Dois amigos estão presos na mesma cadeia; ambos devem ter um dia a liberdade, mas um deles a obtém  primeiro. Seria caridoso que aquele que continua preso se entristecesse por ter o seu amigo se libertando antes? Não haveria de sua parte mais egoísmo do que afeição, ao querer que o outro partilhasse por mais tempo do seu cativeiro e dos seus sofrimentos?  O mesmo acontece entre dois seres que se amam na Terra.  O que parte primeiro foi o primeiro a se libertar e devemos felicitá-lo por isso, esperando com paciência o momento em que também nos libertaremos.

Faremos outra comparação. Tendes uma amigo que, ao vosso lado, se encontra em situação penosa. Sua saúde ou seu interesse exige que vá para outro país, onde estará melhor sob  todos os aspectos. Dessa maneira, ele não estará mais ao vosso lado, durante algum tempo. Mas estareis sempre em correspondência com ele. A separação não será mais que material. Ficareis aborrecido com o seu afastamento, que é para o seu bem?

A doutrina espírita, pela s provas patentes que nos dá quanto à vida futura, à presença ao nosso redor dos seres aos quais amamos, à continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos permite entreter com eles, nos oferece uma suprema consolação, numa das causas mais legitimas de dor. Com o Espiritismo, não há mais abandono. O mais isolado dos homens tem sempre amigos ao seu redor, com os quais pode comunicar-se.

Suportamos impacientemente as tribulações da vida. Elas nos parecem tão intoleráveis que supomos não as poder suportar. Não obstante, se as suportarmos com coragem, se soubermos impor silêncio às nossas lamentações, haveremos de nos felicitar quando estivermos fora desta prisão terrena, como o paciente que sofria se felicita, ao se ver curado, por haver suportado com resignação um tratamento doloroso
."


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Reflexão sobre o texto "A chama sagrada"

Recebi a poucos dias este texto, que achei muito interessante. É uma parábola da qual podemos tirar várias lições. Como de costume, segue o texto e depois o nosso comentário:

"Os anjos, arcanjos e querubins mais elevados na escala angélica estavam começando a ficar preocupados com a situação trágica do nosso mundo. A humanidade passava por muitas guerras, fome, doenças, sofrimento, desespero e vazio espiritual. Foi então que decidiram recrutar anjos iniciantes para dar conta de realizar todo o trabalho do plano divino na Terra. Mas antes de estrear suas tarefas nas plêiades angélicas do bem, os anjos nascentes deveriam passar por uma prova a fim de demonstrarem suas capacidades. Analogamente aos estudos humanos, uma espécie de prova final para poder cursar a série seguinte.

Um dos anjos iniciantes deveria então atravessar uma provação, uma iniciação ao reino angélico, que o faria galgar ao status de Anjo do Senhor. Ele estava ansioso por se tornar logo um anjo e começar sua jornada no bem, mas antes precisava provar a sua glória e sabedoria. Após o início da provação, vários arcanjos, serafins e querubins se reuniram e invocaram o gênio do fogo, que trazia a chama sagrada para o aspirante a anjo. Os anjos pediram ao aspirante que colocasse suas mãos em forma de concha e estivesse pronto para receber o fogo divino.


Nesse momento, o Gênio do fogo concedeu uma parcela do fogo sagrado ao aspirante, sem que a chama do gênio se apagasse. O gênio foi embora e os anjos disseram: “Esta chama representa a luz da sabedoria, que ilumina as trevas e dá alento a vida espiritual das almas. Agora vá seguindo o teu caminho e faça o uso desta chama sagrada, desta luz divina como você achar melhor”.
 

O aspirante a anjo viu uma estrada se abrindo a sua frente e foi seguindo por um caminho bastante escuro. Esse caminho representava boa parte da atmosfera espiritual do nosso mundo; um clima escuro, pesado e hostil. Mesmo percorrendo esse caminho de trevas, ele sentia-se bem e orientado, pois enxergava tudo a sua volta com clareza e lucidez. Foi então percorrendo por estradas e vales, e no caminho começaram a aparecer várias pessoas necessitadas, carentes e em sofrimento, lhe pedindo um pouco da luz que ele carregava em suas mãos. Conforme as pessoas iam passando e pedindo luz, ele ia dando um pouquinho da chama sagrada a cada alma carente. Conforme ia prosseguindo, mais e mais pessoas vinham a ele e pediam um pouco da chama em suas mãos.
 

No entanto, o anjo observou que, após algum tempo,quanto mais dava o fogo sagrado que iluminava seu caminho, mais a chama ia diminuindo de tamanho. O anjo aspirante deu mais algumas porções de luz e agora caminhava com uma pequena faísca, e quase não podia ver o caminho. As trevas começavam a tomar conta de tudo, e ele sentiu um certo temor. Então iniciou-se um diálogo interno “Devo dar a última faísca de luz que ainda possuo? Não seria melhor guardar essa porção luminosa para que eu também não mergulhe nessa escuridão aterradora?”. Com a possibilidade de perder sua última partícula do fogo, que o aquecia e iluminava nas densas trevas que percorria, ele começou a cogitar ficar com a faísca, mas ainda estava em dúvida.
 

Este dilema foi sufocando o aspirante conforme ele seguia sua jornada. De repente, surgiu uma velha senhora a sua frente, e lhe pediu a luz que sobrara. O anjo titubeou, refletiu, lembrou-se dos ensinamentos espirituais, e num ato de sacrifício, deu sua última parcela do fogo, o último ponto luminoso que restara. Ficou então em escuridão total.
 

Eis que, dentro de si mesmo, começou a brilhar uma chama, a mesma chama sagrada que havia recebido do gênio do fogo na presença dos anjos. Sentiu uma espécie de calor sutil em seu peito, e notou que o fogo, que antes estava em sua mão, começara a nascer de dentro dele; seu próprio interior era a fonte da chama sagrada. Nesse momento, tudo a sua volta começou a ficar maravilhosamente iluminado e aquecido.
 

Percebeu então que, ao seu redor, estava rodeado de um coro repleto de centenas de anjos que acompanhavam todos os seus passos, do início ao fim desta jornada. O aspirante entendeu que os anjos jamais o abandonaram, mas estiveram ali o tempo todo, zelando por ele e observando suas reações diante do desafio imposto. O Anjo do Senhor proferiu as seguintes palavras:
- Venceste a prova do egoísmo e entregaste tudo o que lhe restava da chama sagrada da sabedoria para quem lhe pediu, mesmo tendo a impressão que ficaria sem ela. Se o egoísmo tivesse vencido, cairias neste vale escuro e ficarias sem luz, tal é o estado de boa parte da humanidade. Confiaste em Deus e provaste a ti mesmo que se entrega completamente no caminho do bem, jamais fica desassistido e sem luz. A chama sagrada que antes era exterior a ti, agora arde em teu próprio interior, pois demonstraste a superação diante do egoísmo que impera em quase toda a humanidade. Observe que todos nós, anjos, arcanjos e todas as hostes celestiais, possuímos uma chama sagrada em nosso coração. Da mesma forma que uma vela, ao acender outra vela, não perde a sua chama, também os seres humanos e os anjos, quando transmitimos nossa luz, não a perdemos, ao contrário – a luz só se expande. Vamos acendendo a luz de cada pessoa com eles. Quanto mais damos sabedoria e amor, mais eles se intensificam. A sabedoria e o amor são diferentes das coisas materiais. Quando damos um objeto a alguém, ficamos sem ele. Mas quando doamos amor e sabedoria, não os perdemos. Agora possuis algo que nenhum ladrão pode roubar; que ninguém pode destruir; que as correntezas do tempo não degradam. Podem levar tudo de ti, até mesmo tua vida física, mas a sabedoria e o amor, jamais pode ser perdida. Cuida apenas, como disse Jesus, em não dar pérolas aos porcos. Mas distribua tua luz entre todos, sempre dentro de capacidade individual de cada pessoa em acolhê-la. Agora finalmente és um anjo na Terra.
"
Autor: Hugo Lapa

Esta parábola nos lembra a parábola do óbolo da viúva. Nela, a viúva não dá o seu lucro, mas sim tudo o que tem. Da mesma maneira, o aspirante a anjo dá toda a sua chama, e não só a sua chama excedente.

Ambas as parábolas nos ensinam sobre a verdadeira caridade.

Darmos do nosso excedente é muito fácil e não representa nenhum esforço e nenhuma privação para nós.

Isso não significa que a verdadeira caridade é vendermos tudo o que temos e doar o dinheiro para a caridade. Longe disso.

A caridade real, que Jesus sempre exemplificou e ensinou, foi a caridade integral. Jesus não tinha dinheiro para dar aos pobres, mas ele doava a si mesmo, auxiliando de todas as maneiras que podia.

Precisamos portanto, ajudar ao próximo por todos os meios possíveis, seja ajudando a pintar a casa, ajudando a carregar uma sacola, oferecendo um ombro amigo, ligando para saber como a pessoa está, e assim por diante.

Isso sim é a verdadeira caridade: é estar o tempo todo e por todos os meios buscando ajudar ao próximo.

O tempo que desperdiçamos pensando em bobagens inúteis, podemos utilizar para ficar atentos e percebermos as oportunidades de sermos úteis.

No texto, o aspirante a anjo vacila em dar a sua última chama. Mas após refletir sobre tudo o que aprendeu, decide beneficiar ao próximo com essa pequenina chama que lhe restava. Neste momento, sua abnegação e seu amor foram tão grandes que sintonizou-se completamente com Deus, e isso fez com que brotasse uma nova chama em seu coração.

Toda boa ação sincera e desinteressada nos aproxima de Deus. Quando a quase totalidade de nossas ações forem nessa direção, estaremos seguindo o exemplo deixado pelos grandes missionários da paz: Francisco de Assis, Mahatma Ghandi, Dalai Lama, entre outros.

Quando optamos por seguir a doutrina espírita, necessitamos agir de acordo com o exemplo deixado por Jesus, buscando não só em palavras mas principalmente em atitudes, agir conforme seus ensinamentos.




sábado, 17 de agosto de 2013

Felicidade e infelicidade relativas

Esse é o nosso primeiro estudo depois do ciclo de estudos das leis morais. O tema é muito oportuno e adere perfeitamente ao estudo que estávamos realizando. Vamos às questões e depois ao comentário:

"920. O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa?

— Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz, quanto se pode ser na Terra.

921. Concebe-se que o homem seja feliz na Terra quando a Humanidade estiver transformada, mas, enquanto isso não se verifica, pode cada um gozar de uma felicidade relativa?

— O homem é, na maioria das vezes, o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele pode poupar-se a muitos males e gozar de uma felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.

Comentário de Kardec: O homem bem compenetrado do seu destino futuro não vê na existência corpórea mais do que uma rápida passagem. É como uma parada momentânea numa hospedaria precária. Ele se consola facilmente de alguns aborrecimentos passageiros, numa viagem que deve conduzi-lo a uma situação tanto melhor quanto mais atenciosamente tenha feito os seus preparativos para ela.

Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes dessas infrações e pelos nossos próprios excessos Se remontarmos pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidades terrenas veremos a estas, na sua maioria, como a conseqüência de um primeiro desvio do caminho certo. Em virtude desse desvio inicial, entramos num mau caminho e de conseqüência em conseqüência, caímos afinal na desgraça.

922 A felicidade terrena é relativa à posição de cada um; o que e suficiente para a felicidade de um faz a desgraça de outro. Há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens?

- Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.

923. Aquilo que seria supérfluo para um não se torna o necessário para outro, e vice-versa, segundo a posição?

— Sim, de acordo com as vossas idéias materiais, os vossos preconceitos, a vossa ambição e todos os vossos caprichos ridículos, para os quais o futuro fará justiça quando tiverdes a compreensão da verdade. Sem dúvida, aquele que tivesse uma renda de cinquenta mil libras e a visse reduzida a dez. mil, considerar-se-ia muito infeliz, por não poder continuar fazendo boa figura, mantendo o que chama a sua classe, ter bons cavalos e lacaios, satisfazer a  todas as paixões etc. Julgaria faltar-lhe o necessário. Mas. francamente, podes considerá-lo digno de lástima, quando ao seu lado há os que morrem de fome  e de frio, sem um lugar em que repousar a cabeça! O homem sensato, para ser feliz., olha para baixo e jamais para os que lhe estão acima, a não ser para elevar sua alma ao infinito. (Ver item 715.)

924. Existem males que não dependem da maneira de agir e que ferem o homem mais justo. Não há algum meio de se preservar deles?

— O atingido deve resignar-se e sofrer sem queixa, se deseja progredir. Entretanto, encontra sempre uma consolação na sua própria consciência,  que lhe dá a esperança de um futuro melhor, quando ele faz. o necessário para obtê-lo.

925. Por que Deus beneficia com os bens da fortuna certos homens que não parecem merecê-los?

— Esse é um favor aos olhos daqueles que não enxergam alem do presente; mas sabei-o, a fortuna e uma prova geralmente mais perigosa que a miséria. (Ver itens 814 e seguintes.)

926. A civilização, criando novas necessidades, não é a fonte de novas aflições?       

— Os males deste mundo estão na razão das necessidades artificiais  que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar os seus desejos e ver sem cobiça o que estafara das suas possibilidades, poupa-se a muitos  aborrecimentos nesta vida. O mais rico é aquele que tem menos necessidades

Invejais os prazeres dos que vos parecem os felizes do mundo Mas sabeis, por acaso, o que lhes está reservado? Se não gozam senão para si  mesmos, são egoístas e terão de sofrera reverso. Lamentai-os, antes de invejá-los! Deus, às vezes, permite que o mau prospere, mas essa felicidade não é para se invejar, porque a pagará com lágrimas amargas. Se o justo é infeliz é porque passa por uma prova que lhe será levada em conta, desde que a saiba suportar com coragem. Lembrai-vos das palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados”.

927. O supérfluo não é, por certo, indispensável à felicidade, mas não se da o mesmo com o necessário. Ora, a desgraça daqueles que estão privados do necessário não é real?

- O homem não é verdadeiramente desgraçado senão quando sente a falta daquilo que lhe é necessário para a vida e a saúde do corpo Essa privação e talvez a conseqüência de sua própria falta e então ele só deve queixar-se de si mesmo. Se a falta fosse de outro, a responsabilidade caberia a quem a tivesse causado.

928. Pela natureza especial das aptidões naturais, Deus indica evidentemente a nossa vocação neste mundo. Muitos males não provêm do fato de não seguirmos essa vocação?

- Isso é verdade, e muitas vezes são os pais que, por orgulho ou avareza fazem os filhos se desviarem do caminho traçado pela Natureza comprometendo-lhes com isso a felicidade. Mas serão responsabilizados.’

928 – a) Então considerais justo que o filho de um homem da alta sociedade fabricasse tamancos, por exemplo, se fosse essa a sua aptidão?

- Não se precisa cair no absurdo nem no exagero: a civilização tem as suas necessidades. Por que o filho de um homem da alta sociedade como dizes, teria de fazer tamancos, se pode fazer outras coisas ? Ele poderá sempre se tornar útil na medida de suas faculdades, se não as aplicar em sentido contrário. Assim, por exemplo, em vez de um mau advogado, poderia ser talvez um bom mecânico etc.

Comentário de Kardec: O deslocamento de sua esfera intelectual é seguramente uma das causas mais freqüentes de decepção. A inaptidão para a carreira abraçada é uma fonte inesgotável de reveses. Depois, o amor-próprio vem juntar-se a isso, impedindo o homem de recorrer a uma profissão mais humilde e lhe mostra  o suicídio como o supremo remédio para escapar ao que ele julga uma humilhação. Se uma educação moral o tivesse preparado acima dos tolos preconceitos do orgulho, jamais ele seria apanhado desprevenido.

929. Há pessoas que, privadas de todos os recursos,mesmo quando reine a abundância em seu redor, não vêem outra perspectiva de solução para o seu caso a não ser a morte. Que devem fazer? Deixar-se morrer de fome?

— O homem jamais deve ter a idéia de se deixar morrer de fome, pois sempre encontraria meios de se alimentar, se o orgulho não se interpusesse entre a necessidade e o trabalho.  Freqüentemente dizemos que não há profissões humilhantes e que não é o ofício de desonra; mas dizemos para os outros e não para nós.

930. É evidente que, sem os preconceitos sociais, pelos quais se deixa dominar, o homem sempre encontraria um trabalho qualquer que o pudesse ajudar a viver, mesmo deslocado de sua posição. Mas entre as pessoas que não tem preconceitos ou que os põem de lado, não há as que estão impossibilitadas de prover as suas necessidades em conseqüência de moléstias ou outras causas independentes de sua vontade?

— Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome.

Comentário de Kardec: Com uma organização social previdente e sábia, o homem não pode sofrer necessidades, a não ser por sua culpa. Mas as próprias culpas do homem são freqüentemente o resultado do meio em que ele vive. Quando o homem praticar a lei de Deus, disporá de uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e com isso mesmo ele será melhor. (Ver item 793)

931. Por que as classes sociais sofredoras são mais numerosas do que as felizes?

— Nenhuma é perfeitamente feliz, pois aquilo que se considera a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem a tiver transformado em morada do bem e dos bons espíritos, não mais será infeliz nesse mundo, que será para ele o paraíso terrestre.

932. Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência  sobre os bons?

— Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.

933. Se é o homem, em geral, o artífice dos seus sofrimentos materiais sê-lo-á também dos sofrimentos morais?

— Mais ainda, pois os sofrimentos materiais são, às vezes, independentes da vontade, enquanto o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, enfim constituem torturas da alma.

Inveja e ciúme!, felizes os que não conhecem esses dois vermes vorazes. Com a inveja e o ciúme, não há calma, não há repouso possível.  Para aquele que sofre desses males, os objetos da sua cobiça, do seu ódio e do seu despeito; se erguem diante dele como fantasmas que não o deixam em paz e o perseguem até no sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre contínua. É essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com essas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários e que a Terra se transforma para ele num verdadeiro inferno?

Comentário de Kardec: Muitas expressões figuram energicamente os efeitos de algumas paixões. Diz-se: está inchado de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito,  perder o apetite por ciúmes etc. esse quadro nos dá bem a verdade. Às vezes, o ciúme nem tem objeto determinado. Há pessoas que se mostram naturalmente ciumentas de todos os que se elevam, de todos os que saem da vulgaridade, mesmo quando não tenham no caso nenhum interesse direto, mas unicamente por não poderem atingir o mesmo plano. Tudo aquilo que parece acima do horizonte comum as ofusca, e, se formassem a maioria da sociedade, tudo desejariam rebaixar ao seu próprio nível. Temos nestes casos o ciúme aliado à mediocridade.

O homem é infeliz ,geralmente, pela importância que liga às coisas deste mundo.  A vaidade, a ambição e a cupidez fracassadas o fazem infeliz. Se ele se elevar acima do circulo estreito da vida material, se elevar o seu pensamento ao infinito, que é o seu destino, as vicissitudes  da Humanidade lhe parecerão mesquinhas e pueris, como as mágoas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo que representava a sua felicidade suprema.

Aquele que só encontra a felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não os pode satisfazer, enquanto o que não se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que para os outros constituiria infortúnio.

Referimo-nos aos homens civilizados porque o selvagem, tendo necessidades mais limitadas, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias; sua maneira de ver as coisas é muito diferente. No estado de civilização, o homem pondera  a sua infelicidade, a analisa, e por isso é mais afetado por ela, mas pode também ponderar e analisar os seus meios de consolação. Esta consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza do futuro.
"

Como já foi muito comentado aqui no blog, e é sempre bom repetir: o homem procura sua felicidade nas coisas materiais, na ânsia de preencher um vazio que sente dentro de si. Mas este vazio não material, mas sim espiritual, jamais será preenchido com as coisas da matéria.

Somente as coisas do espírito é que poderão levar o espírito à sua plenitude: o desenvolvimento de suas virtudes e o trabalho que realiza no bem.

Mas o que se vê é normalmente o contrário. Citando o sábio Dalai Lama:
"O que mais surpreende é o homem, pois perde a saúde para juntar dinheiro, depois perde o dinheiro para recuperar a saúde. Vive pensando ansiosamente no futuro, de tal forma que acaba por nao viver nem o presente, nem o futuro. Vive como se nunca fosse morrer e morre como se nunca tivesse vivido." (Dalai Lama)

Erroneamente pensamos que aproveitar a vida seja acumular toneladas de coisas materiais e nos satisfazermos com os mais variados prazeres mundanos. Gastamos então muito tempo e esforço nisto. As coisas materiais até nos proporcionam uma certa satisfação, mas é de curta duração. Por isso acabamos nos tornando insaciáveis e viciados.

Acabamos com isso esquecendo de conviver com as pessoas que nos rodeiam. Reclamamos que alguns são chatos, mas nunca dedicamos tempo para ouvi-los e entendê-los. Esquecemos de abraçar, de sorrir e de amar. Vivemos tão atarefados que esquecemos de de ficar um tempo para nós e para aqueles que amamos.

Depois, quando a vida se acaba, lamentamos não termos passado mais tempo com as pessoas que amamos e que são importantes na nossa vida. Lamentamos por não ter dito o quanto lhes amamos e de ter brigado tanto, muitas vezes por motivos pueris.

O estudo de hoje nos propõe refletir sobre a nossa vida: como a temos conduzido e o que dela esperamos.

Se esperamos a felicidade, não esqueçamos que antes de sermos homens, somos espíritos, e que a nossa felicidade reside na alma e não na matéria.

domingo, 11 de agosto de 2013

Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]

Com o texto de hoje, encerramos o maravilhoso estudo das leis morais. Espero que tenha sido proveitoso para todos. Vamos às questões, e após, à conclusão:

"913. Entre os vícios, qual o que podemos considerar radical?

— Já o dissemos muitas vezes: o egoísmo. Dele se deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe o egoísmo. Por   mais que luteis contra eles, não chegareis a extirpá-los enquanto não os atacardes pela raiz, enquanto não lhes houverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam para esse fim, porque nele se encontra a verdadeira chaga da sociedade. Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque o egoísmo é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades.

914. Estando o egoísmo fundado no interesse pessoal, parece difícil extirpá-lo inteiramente do coração do homem. Chegaremos a isso?

— À medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais; em seguida, é necessário reformar as instituições humanas, que o entretém e excitam. Isso depende da educação.

915. Sendo o egoísmo inerente à espécie humana, não será um obstáculo permanente ao reino do bem absoluto sobre a Terra?

— E certo que o egoísmo é o vosso mal maior, mas ele se liga à  inferioridade dos Espíritos encarnados na Terra e não à Humanidade em si mesma. Ora, os Espíritos se purificam nas encarnações sucessivas, perdendo o egoísmo assim como perdem as outras impurezas. Não tendes na Terra algum homem destituído de egoísmo e praticante da caridade? Existem em maior número do que julgais, mas conheceis poucos porque a virtude não se procura fazer notar. E se há um, por que não haverá dez? Se há dez, por que não haverá mil e assim por diante?

916. O egoísmo, longe de diminuir, cresce com a civilização, que parece excitá-lo e entretê-lo. Como poderá a causa destruir o efeito?

— Quanto maior é o mal mais horrível se torna. Era necessário que o egoísmo produzisse muito mal para fazer compreender a necessidade de sua extirpação. Quando os homens se tiverem despido do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo o mal e se ajudando reciprocamente pelo sentimento fraterno de solidariedade. Então o forte será o apoio e não o opressor do fraco, e não mais se verão homens desprovidos do necessário, porque todos praticarão a lei de justiça. Esse é o reino do bem que os Espíritos estão encarregados de preparar. (Ver item 784.)


917. Qual é o meio de se destruir o egoísmo?

— De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de desenraizar é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem, ainda muito próximo da sua origem, não pôde libertar-se. Tudo concorre para entreter essa influencia: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e sobretudo com a compreensão que o Espiritismo vos dá quanto ao vosso estado futuro real e não desfigurado pelas ficções alegóricas. O Espiritismo bem compreendido, quando estiver identificado com os costumes e as crenças, transformará os hábitos, as usanças e as relações sociais. O egoísmo se funda na importância da personalidade; ora, o Espiritismo bem compreendido, repito-o, faz ver as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidade. Ao destruir essa importância, ou pelo menos ao fazer ver a personalidade naquilo que de fato ela é, combate necessariamente o egoísmo.

E o contato que o homem experimenta do egoísmo dos outros que o torna geralmente egoísta, porque sente a necessidade de se pôr na defensiva. Vendo que os outros pensam em si mesmos e não nele, é levado a se ocupar de si mesmo mais que dos outros. Que o princípio da caridade e da fraternidade seja a base das instituições sociais, das relações legais de povo para povo e de homem para homem, e este pensará menos em si mesmo quando vir que os outros o fazem; sofrerá, assim, a influência moralizadora do exemplo e do contato. Em face do atual desdobramento do egoísmo, é necessária uma verdadeira virtude para abdicar da própria personalidade em proveito dos outros que em geral não o reconhecem. E a esses, sobretudo, que possuem essa virtude, que está aberto o reino dos céus; a eles sobretudo está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que no dia do juízo quem quer que não tenha pensado senão em si mesmo será posto de lado Comentário de Kardec: Louváveis esforços são feitos, sem dúvida, para ajudar a Humanidade a avançar; encorajam-se, estimulam-se, honram-se os bons sentimentos, hoje mais do que em qualquer outra época, e, não obstante, o verme devorador do egoísmo continua a ser a praga social. É um verdadeiro mal que se espalha por todo o mundo e do qual cada um é mais ou menos vítima. É necessário combatê-lo, portanto, como se combate uma epidemia. Para isso, deve-se procederá maneira dos médicos: remontará causa. Que se pesquisem em toda a estrutura da organização social desde a família até os povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências patentes ou ocultas que excitam, entretêm e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Uma vez conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo; só restará então combatê-las, senão a todas ao mesmo tempo, pelo menos por parte, e pouco a pouco o veneno será extirpado. A cura poderá ser prolongada porque as causas são numerosas, mas não é impossível. De resto, não se chegará a esse ponto se não se atacar o mal pela raiz, ou seja. pela educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homem de bem. A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral, quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam as plantas novas. Essa arte, porém, requer muito fato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa. Quem quer que observe, desde o instante do seu nascimento, o filho do rico como o do pobre, notando todas as influências perniciosas que agem sobre ele em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que o dirigem, e como em geral os meios empregados para o moralizar fracassam, não pode admirar-se de encontrar no mundo tantas confusões. Que se faça pela moral tanto quanto se faz pela inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, há também, em maior número do que se pensa as que requerem apenas boa cultura para darem bons frutos. (Ver item 872.)

O homem quer ser feliz: esse sentimento está na sua própria natureza; eis porque ele trabalha sem cessar para melhorar a sua situação na Terra, e procura as causas de seus males para os remediar. Quando compreender bem que o egoísmo é uma dessas causas, aquela que engendra o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, dos quais a todo momento ele é vítima, que leva a perturbação a todas as relações sociais, provoca as dissensões, destrói a confiança, obrigando-o a se manter constantemente numa atitude de defesa em face do seu vizinho, e que, enfim, do amigo faz um inimigo, então ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua própria felicidade. Acrescentaremos que é incompatível com a sua própria segurança. Dessa maneira, quanto mais sofrer mais sentirá a necessidade de o combater, como combate a peste, os animais daninhos e todos os outros flagelos. A isso será solicitado pelo seu próprio interesse. (Ver item 784.)

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se ele deseja assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.


 918. Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que  deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?

- O Espírito prova a sua elevação aliando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual.

Comentário de Kardec: O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade na sua mais completa pureza. Se interrogar sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, se não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém teve de se queixar dele. Enfim, se fez para os outros tudo o que queria que lhe fizessem.

O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica o seu interesse pela justiça.

Ele é bom, humano e benevolente para com todos, porque vê irmãos em  todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças.

Se Deus lhe deu o poder e a riqueza, olha essas coisas como um depósito do qual deve usar para o bem, e disso não se envaidece porque sabe que Deus, que  lhos deu, também poderá retirá-los.

Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, trata-os com bondade e benevolência porque são seus iguais perante Deus; usa de sua autoridade para lhes erguer o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas dos outros porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência e se recorda destas palavras do Cristo: “Que aquele  que estiver sem pecado atire a primeira pedra”.

Não é vingativo: a exemplo de Jesus, perdoa as ofensas para não se lembrar senão dos benefícios, porque sabe que lhe será perdoado assim como tiver perdoado.

Respeita, enfim, nos seus semelhantes, todos os direitos decorrentes da lei  natural, como desejaria que respeitassem os seus.


919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? 
“Um sábio da antiguidade vo­lo disse: Conhece­te a ti mesmo
.”

a)  —  Conhecemos  toda  a  sabedoria  desta  máxima,  porém  a  dificuldade está precisamente em cada um conhecer­se a si mesmo. Qual o meio de consegui­lo?
 
“Fazei  o  que  eu  fazia,  quando  vivi  na  Terra:  ao  fim  do  dia,  interrogava  a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo ­de ­guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-­me, Deus  o  assistiria.  Dirigi,  pois,  a  vós  mesmos  perguntas, interrogai­vos  sobre  o  que tendes  feito  e  com  que  objetivo  procedestes  em  tal  ou  tal  circunstância,  sobre  se fizestes  alguma  coisa  que,  feita  por  outrem,  censuraríeis,  sobre  se  obrastes  alguma ação  que  não  ousaríeis confessar.  Perguntai  ainda  mais:  ‘Se  aprouvesse  a  Deus chamar-­me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?’

“Examinai  o  que  pudestes  ter  obrado  contra  Deus,  depois  contra  o  vosso próximo  e,  finalmente,  contra  vós  mesmos.  As  respostas  vos  darão,  ou  o  descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.”

“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-­se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor­ próprio  para  atenuar  as  faltas  e  torná-­las  desculpáveis?  O  avarento  se  considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito  real,  mas  tendes  um  meio  de  verificação  que  não  pode  iludir­-vos.  Quando estiverdes  indecisos  sobre  o  valor  de  uma  de  vossas  ações,  inquiri  como  a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na  aplicação  de  sua  justiça.  Procurai  também  saber  o  que  dela  pensam  os  vossos
semelhantes  e  não  desprezeis  a  opinião  dos  vossos  inimigos,  porquanto  esses nenhum  interesse  têm  em  mascarar  a  verdade  e  Deus  muitas  vezes  os  coloca  ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do
que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta  possuído  do  desejo  sério  de  melhorar-se,  a  fim  de  extirpar  de  si  os  maus pendores,  como  do  seu  jardim  arranca  as  ervas  daninhas;  dê  balanço  no  seu  dia moral  para,  a  exemplo  do  comerciante,  avaliar  suas  perdas  e  seus  lucros  e  eu  vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra
vida.”

“Formulai,  pois,  de  vós  para  convosco,  questões  nítidas  e  precisas  e  não temais  multiplicá-­las.  Justo  é  que  se  gastem  alguns  minutos  para  conquistar  uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos
garantam  repouso  na  velhice?  Não  constitui  esse  repouso  o  objeto  de  todos  os vossos  desejos,  o  fim  que  vos  faz  suportar  fadigas  e  privações  temporárias?  Pois bem!  que  é  esse  descanso  de  alguns  dias,  turbado  sempre  pelas  enfermidades  do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena  de  alguns  esforços?  Sei  haver  muitos  que  dizem  ser  positivo  o  presente  e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do  vosso  íntimo,  visto  desejarmos  fazer  que  compreendais esse  futuro,  de  modo  a não  restar nenhuma  dúvida  em  vossa  alma.  Por  isso  foi  que  primeiro  chamamos  a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir­-vos  os sentidos e que agora vos  damos  instruções,  que  cada  um  de  vós  se  acha  encarregado  de  espalhar.  Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos.” SANTO AGOSTINHO


Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza
e o móvel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer  máxima,  que  muitas  vezes  deixamos  de  aplicar  a  nós  mesmos.  Aquela  exige respostas categóricas, por um sim ou um não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e  que  não  outros  tantos  argumentos  pessoais.  E,  pela  soma  que  derem  as  respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.
"

Com todo esse estudo das leis morais que realizamos aqui no blog, podemos perceber que Deus provê ao homem todos os meios necessários para a sua evolução.

Temos todas as condições que necessitamos para progredir. A Terra, assim como os outros mundos, fornecem a sala de aula para o nosso aprendizado e nossa evolução.

A cada encarnação, temos a chance de avançar. Devemos pois sair da estagnação e da repetição de erros em que vivemos, encarnação após encarnação. Precisamos quebrar o ciclo das falhas morais, para assim acelerar o nosso progresso.

De fato, não é tarefa fácil, mas toda grande caminhada começa com o primeiro passo. Quanto mais estudamos a Doutrina Espírita e nos empenhamos em nos melhorar, mais vamos compreendendo a nossa natureza espiritual.

O estudo das leis morais nos permite vislumbrar com exatidão a justiça e a inteligência infinitas de Deus, que tudo organizou da melhor maneira possível.

Que possa esse novo conhecimento adquirido nos orientar em nossas vidas, diariamente.


Para quem não tem O Livro dos Espíritos e quiser acessar online este capítulo, basta clicar aqui .

Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A tempestade no copo dágua

O ser humano tem a tendência de complicar as coisas. Gostamos de super valorizar os problemas e situações de conflito.

Quando passam tragédias na televisão, fazemos questão de falar muito sobre elas.

Quando algo dá errado em nossa vida, reclamamos aos quatro ventos.

Quando alguém nos diz algo que não gostamos, já é motivo suficiente para criar um ódio mortal.

Pobres seres, o que será de nós? Porque alimentamos tanto o caos? Porque não damos o mesmo valor quando vemos uma pessoa fazendo uma boa atitude?

Mas tudo se resume naquela velha metáfora do copo com água pela metade. Pode estar metade cheio ou metade vazio, dependendo de quem o vê.

Nossa conduta pessimista, imediatista e egoísta faz com que valorizemos em excesso os problemas da vida.

O espiritismo nos esclarece que todas as situações de problemas e conflitos são necessárias para o nosso aprendizado. Algumas vezes são expiações, em outras podem ser provas, mas sempre devemos procurar passar por elas da melhor maneira possível. Indo mais além, buscar o aprendizado que aquela situação me trouxe.

Os chineses costumam dizer que a vida é como um rio cheio de curvas, que vai sempre seguir o seu curso sinuoso, com idas e vindas, até chegar no mar, que é o seu destino.

Nossa vida ocorre de fato em ciclos. Temos momentos maravilhosos, assim como temos momentos muito difíceis. Temos que aprender a compreender todos esses momentos e tirar sempre o melhor deles.

Tem problemas? Não esquente a cabeça!

Já diz o Dalai Lama:

"Se você tem medo de alguma dor ou sofrimento, você deve analisar se existe alguma coisa que você possa fazer sobre isso. Se você puder, não há necessidade de se preocupar com isso. Se você não pode fazer nada, então também não há necessidade de se preocupar."

E podemos ainda aplicar em nosso dia-a-dia os princípios do reiki:

"Só por hoje:
 Não se zangue, 
Não se preocupe, 
Seja grato, 
Trabalhe com diligência, 
Seja gentil para as pessoas."

Então quando algo ruim acontecer, diga: "só por hoje, não vou me importar com isso". No outro dia, repita de novo, e assim por diante, até não mais se abalar com as adversidades.

No mais, veja belos filmes, contemple a natureza, sorria bastante, abrace, ame, seja gentil e trate o outro como gostaria de ser tratado.

Verás que os dias se tornarão muito melhores!


Paz e amor.

sábado, 3 de agosto de 2013

Estudo das leis morais - Parte 12: Perfeição moral (parte 1)

Como conclusão do estudo das leis morais, temos o capítulo sobre a perfeição moral. Devido à extensão do tema, dividiremos em duas partes. A leitura é muitíssimo esclarecedora, assim como todo o estudo das leis morais.

"893. Qual a mais meritória de todas as virtudes?

— Todas as virtudes têm o seu mérito, porque todas são indícios de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências; mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção. A mais meritória é aquela que se baseia na caridade mais desinteressada.


894. Há pessoas que fazem o bem por um impulso espontâneo, sem que tenham de lutar com nenhum sentimento contrário. Têm elas o mesmo mérito daquelas que têm de lutar contra a sua própria natureza e conseguem superá-la?

— Os que não têm de lutar é porque já realizaram o progresso: lutaram anteriormente e venceram; é por isso que os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço e suas ações lhes parecem tão fáceis: o bem tornou-se para eles um hábito. Deve-se honrá-los como a velhos guerreiros que conquistaram suas posições. Como estais ainda longe da perfeição, esses exemplos vos espantam pelo contraste e os admirais tanto mais porque são raros. Mas sabei que nos mundos mais avançados que o vosso, isso que entre vós é exceção se torna regra O sentimento do bem se encontra por toda parte e de maneira espontânea, porque são mundos habitados somente por bons Espíritos e uma única intenção má seria neles uma exceção monstruosa. Eis porque os homens ali são felizes e assim será também na Terra, quando a Humanidade se houver transformado e quando compreender e praticar a caridade na sua verdadeira acepção.


895. À parte os defeitos e os vícios sobre os quais ninguém se enganaria,  qual é o indício mais característico da imperfeição?

- O interesse pessoal. As qualidades morais são geralmente como a douração de um objeto de cobre, que não resiste à pedra de toque. Um homem pode possuir qualidades reais que afazem para o mundo um homem de bem; mas essas qualidades, embora representem um progresso, não suportam em geral a certas provas, e basta ferir a tecla do interesse pessoal para se descobrir a fundo. O verdadeiro desinteresse, é de fato tão raro na Terra que se pode admirá-lo como a um fenômeno, quando ele se apresenta. O apego às coisas materiais é um indício notório de inferioridade, pois, quanto mais o homem se apega aos bens deste mundo, menos compreende o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, ele prova que vê o futuro de um ponto de vista mais elevado.


896 Há pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam os seus haveres sem proveito real, por não saberem empregá-los de maneira razoável. Terão por isso algum mérito?

- Têm o mérito do desinteresse mas não o do bem que poderiam fazer. Se o desinteresse é uma virtude, a prodigalidade irrefletida é sempre, pelo menos uma falta de juízo. A fortuna não é dada a alguns para ser lançada ao vento como não o é a outros para ser encerrada num cofre. E um depósito de que terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que poderiam ter feito e não o fizeram: por todas as lágrimas que poderiam ter enxugado com o dinheiro dado aos que na verdade não estavam necessitados.

897. Aquele que faz o bem sem visar a uma recompensa na Terra, mas na esperança de que lhe seja levado em conta na outra vida e que nessa a sua posição seja melhor, é repreensível, e esse pensamento prejudica o seu  adiantamento?

— É necessário fazer o bem por caridade, ou seja, com desinteresse.

897 – a) Mas cada um tem o desejo muito natural de progredir para sair da situação penosa desta vida. Os Espíritos nos ensinam a praticar o bem com esse fim. Será, pois, um mal pensar que pela prática do bem se pode esperar uma situação melhor?

— Não, por certo. Mas aquele que faz o bem sem segunda intenção, pelo prazer único de ser agradável a Deus e ao seu próximo sofredor, já se encontra num grau de adiantamento que lhe permitirá chegar mais rapidamente à felicidade do que o seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não pelo impulso natural do coração. (Ver item 894.)


897 – b) Não há aqui que se fazer uma distinção entre fazer o bem ao  próximo e cuidar de se corrigir dos próprios defeitos? Concebemos que fazer o bem com o pensamento de que nos seja levado em conta na outra vida é pouco meritório; mas emendar-se, vencer as paixões, corrigir o caráter, visando a se aproximar dos bons Espíritos e se elevar, será igualmente um sinal de inferioridade?

— Não, não; por fazer o bem queremos dizer ser caridoso. Aquele que calcula o que lhe pode render cada uma de suas boas ações, na outra vida ou na vida terrena, procede de maneira egoísta. Mas não há nenhum egoísmo em se melhorar com vistas de se aproximar de Deus, pois esse é o objetivo de todos.


898. Desde que a vida corpórea é apenas uma efêmera passagem por este mundo, e que o nosso futuro deve ser a nossa principal preocupação, é útil esforçar-nos por adquirir conhecimentos científicos que se referem somente às coisas e necessidades materiais?

— Sem dúvida. Primeiro, isso vos torna capazes de aliviar os vossos irmãos; depois, vosso Espírito se elevará mais depressa se houver progredido intelectualmente. No intervalo das encarnações, aprendereis em uma hora aquilo que na Terra demandaria anos. Nenhum conhecimento é inútil; todos contribuem mais ou menos para o adiantamento, porque o Espírito perfeito deve saber tudo e, devendo o progresso realizar-se em todos os sentidos, todas as idéias adquiridas ajudam o desenvolvimento do Espírito.


899. De dois homens ricos, um nasceu na opulência e jamais conheceu a necessidade; o outro deve a sua fortuna ao seu próprio trabalho; e todos os dois a empregam exclusivamente em sua satisfação pessoal. Qual dele o mais culpado?

— O que conheceu o sofrimento. Ele sabe o que é sofrer. Conhece a dor que não alivia, mas como geralmente acontece, nem se lembra mais dela.  


900. Aquele que acumula sem cessar e sem beneficiar a ninguém, terá uma desculpa válida ao dizer que ajunta para deixar aos herdeiros?

— É um compromisso de má consciência.

901. De dois avarentos, o primeiro se priva do necessário e morre de necessidades sobre o seu tesouro; o segundo é avaro só para os demais e pródigo para consigo mesmo; enquanto recua diante do mais ligeiro sacrifício para prestar um serviço ou fazer uma coisa útil, nada lhe parece muito para satisfazer aos seus gostos e às suas paixões. Pecam-lhe um favor, e estará sempre de má vontade; ocorra-lhe, porém, uma fantasia, e estará sempre pronto a satisfazê-la. Qual deles é o mais culpável e qual terá o pior lugar no mundo dos Espíritos?     

- Aquele que goza. É mais egoísta do que avarento. O outro já recebeu uma parte de sua punição. 
                            .

902 É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?

- O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo  é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa?

903 Há culpa em estudar os defeitos alheios?

- Se é com o fito de os criticar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade. Se é com intenção de proveito pessoal, evitando-se aqueles defeitos, pode ser útil. Mas não se deve esquecer que a indulgência para com os defeitos alheios é uma das virtudes compreendidas na caridade. Antes de censurar as imperfeições dos outros, vede se não podem fazer o mesmo a vosso respeito. Tratai, pois, de possuirás qualidades contrarias aos defeitos que criticais nos outros. Esse é um meio de vos tomardes superiores.

Se os censurais por serem avarentos, sede generosos; por serem duros, sede dóceis- por agirem com mesquinhez, sede grandes em todas as vossas ações. Em uma palavra, fazei de maneira que não vos possam aplicar aquelas palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do vizinho e não vedes uma trave no vosso”.
       

904 É culpado o que sonda os males da sociedade e os desvenda?

- Isso depende do sentimento que o leva afazê-lo. Se o escritor só quer fazer escândalo, é um prazer pessoal que se proporciona, apresentando quadros que são, em geral, antes um mau do que um bom exemplo. O Espírito faz uma apreciação mas pode ser punido por essa espécie de prazer que  sente em revelar o mal.

904 – a) Como julgar, nesse caso, a pureza das intenções e a sinceridade do escritor?

— Isso nem sempre é útil. Se ele escreve boas coisas, procura aproveitá-las; se escreve más, é uma questão de consciência que a ele diz respeito. De resto, se ele quer provar a sua sinceridade, cabe-lhe apoiar os preceitos no seu próprio exemplo.

905. Alguns autores publicaram obras muito belas e moralmente elevadas, que ajudam o progresso da Humanidade, mas das quais eles mesmos não tiraram  proveito. Como Espírito lhes será levado em conta o bem que fizeram através de suas obras?

— A moral sem ações é como a semente sem o trabalho. De que vos serve a semente se não afizerdes frutificar pura vos alimentar? Esses homens são mais culpáveis porque tinham inteligência para compreender; não praticando as máximas que ofereciam aos outros, renunciaram a colher os seus frutos.

906. E repreensível aquele que, fazendo conscientemente o bem, reconhece que o faz?

— Desde que pode ter consciência do mal que fizer, deve tê-la igualmente do bem, a fim de saber se age bem ou mal. É pesando todas as suas ações na balança da lei de Deus, e sobretudo na da lei de justiça, de amor e de caridade, que ele poderá dizer a si mesmo se as suas ações são boas ou más e aprová-las ou desaprová-las. Não pode, pois, ser responsabilizado por reconhecer que triunfou das más tendências e de estar satisfeito por isso, desde que não se envaideça, com o que cairia em outra falta. (Ver item 919.)


907. O princípio das paixões sendo natural é mau em si mesmo?

— Não. A paixão está no excesso provocado pela vontade, pois o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal.

908. Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más?

— As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna  perniciosa no momento em que a deixais de governar, e quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.

Comentário de Kardec: As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o ajudam a cumprir os desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, o homem se deixa dirigir por elas, cai no excesso e a própria força que em suas mãos poderia fazer o bem recai sobre ele e o esmaga.

Todas as paixões tem seu principio num sentimento ou numa necessidade da Natureza. O princípio das paixões não é, portanto, um mal, pois repousa sobre uma das condições providenciais da nossa existência. A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento; está no excesso e não na causa; e esse excesso se torna mau quando tem por conseqüência algum mal.

Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal distancia-o da natureza espiritual.

Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.

909.0 homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?

— Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah!, como são poucos os que se esforçam!

910. 0 homem pode encontrar nos Espíritos uma ajuda eficaz para superar as paixões?

—Se orar a Deus e ao seu bom gênio com sinceridade, os bons Espíritos virão certamente em seu auxílio, porque essa é a sua missão. (Ver item 459.)

911. Não existem paixões de tal maneira vivas e irresistíveis que a vontade seja impotente para as superar?

— Há muitas pessoas que dizem: “Eu quero!”, mas a vontade está apenas nos seus lábios. Elas querem mas estão muito satisfeitas de que assim não seja. Quando o homem julga que não pode superar suas paixões, é que o seu Espírito nelas se compraz., por conseqüência de sua própria inferioridade.

Aquele que procura reprimi-las compreende a sua natureza espiritual; vencê-las é para ele um triunfo do Espírito sobre a matéria.


912. Qual o meio mais eficaz de se combater a predominância da natureza corpórea?

— Praticar a abnegação.
"

Fica então agora o momento para reflexão.

Sabemos que para atingir a perfeição moral precisaremos de muito tempo e de muita dedicação, mas com certeza valerá à pena.

Quanto mais nos melhoramos, mais felicidade experimentamos, pois passamos a ver a vida por outros ângulos.

Agora que detemos novos conhecimentos, cabe a nós nos empenharmos para colocá-los em prática.

Que possa o exemplo deixado por Jesus nos inspirar nessa jornada de auto-conhecimento, melhoria íntima e auxílio ao próximo.



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Veja as outras partes desse estudo:

Estudo das leis morais - Parte 1: A lei natural

Estudo das leis morais - Parte 2: A lei de adoração

Estudo das leis morais - Parte 3: A lei do trabalho

Estudo das leis morais - Parte 4: A leis de reprodução

Estudo das leis morais - Parte 5: A lei de conservação

Estudo das leis morais - Parte 6: A lei de destruição

Estudo das leis morais - Parte 7: A lei de sociedade

Estudo das leis morais - Parte 8: A lei do progresso

Estudo das leis morais - Parte 9: A lei de igualdade

Estudo das leis morais - Parte 10: A lei de liberdade 

Estudo das leis morais - Parte 11: A lei de justiça, amor e caridade

Estudo das leis morais - Parte 13: Perfeição moral (parte 2) [Final]