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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Desejando paz no Ano-Novo - mas o que é paz?

Neste momento de transição de um ano para o outro, todos vestem-se de branco e desejam a paz.

Mas o que é a paz?

Dirá a grande maioria: é não ter problemas.

Será que é possível viver sem problemas?

Quando olhamos por nossa visão materialista e limitada, pensamos que ter paz é não precisar fazer nada, nenhum esforço: nem físico, nem mental. Todos os problemas exigem esforços de nós, então não ter problemas seria a paz. Mas isso não é paz, é estagnação e preguiça.

A paz não vem de fora, ela deve vir de dentro.

A paz é um estado de espírito. Ela não se refere a como as coisas me afetam, mas sim a como eu deixo as coisas me afetarem.

Vivemos em um mundo cercado de desafios a serem superados, problemas a serem resolvidos, projetos a serem executados e mais um turbilhão de coisas. Torna-se portanto impossível viver sem ser bombardeado pelo ruído que nos circunda.

Dirão os espertos: basta ir viver isolado no meio da floresta, então teremos paz. Mas não percebem que desse modo padecerão pela solidão. Fugir de uma situação não a resolve. A situação só pode ser resolvida quando se lida com ela.

Então só há um modo de ter paz em meio a esse mundo tumultuado: mudando a nossa maneira de agir em relação a isso.

Quando cultivamos em nós a paciência, a bondade, a empatia, a benevolência, a caridade e o amor, todos os problemas se tornam pequenos, porque estamos lidando diferente com o mundo que nos rodeia.

Tudo o que emanamos é o que nos é devolvido (o famoso "colher o que se planta"). Se mandarmos ao mundo lamúrias, reclamações, mau-humor, raiva e intolerância, como esperamos receber de volta algo diferente disso?

Em contrapartida, quando emanamos somente coisas boas, criamos em torno de nós uma atmosfera benéfica e salutar, e com isso as coisas boas nos são atraídas (lembra da clássica frase: "gentileza gera gentileza"?).

Quem torna a sua vida cinza, só verá o mundo cinzento.
Quem colore a sua vida, só verá o mundo colorido e radiante.

Não há como impedir os problemas e tribulações da vida, mas assim como é possível torná-los gigantes (dando importância em excesso a eles), também é possível torná-los pequenos (dando pouca importância a eles).

Como já diz o Dalai Lama:
"Se a situação ou problema for tal que possa ser resolvida, não há necessidade de preocupação. Por outro lado, senão houver saída, nenhuma solução, nenhuma possibilidade de equacionar o problema, também não fará sentido nos preocuparmos já que não poderemos fazer nada a respeito mesmo."

Quando escolhi este tema, lembrei de uma mensagem de um grande amigo, que tenho guardada até hoje. Graças a esse grande irmão é que consegui começar a mudar a minha maneira de pensar e agir:

"Não cabe a vós decidir como as coisas ocorrem, como tudo é feito, como as coisas se resolvem. Deixe isso ao Pai celestial, apenas concentre-se em viver da melhor maneira possível, sempre no caminho reto.

O que Ele lhe proprocionar (independentemente se parece bom ou ruim), aceite de bom grado, porque com certeza, alguma razão há .


Deus nada faz em vão.


Se Ele coloca obstáculos no seu caminho, é porque Ele deseja que superes tais adversidades, adquirindo amadurecimento no final. Transpondo tudo com consciência, com tranquilidade, com paciência.

O que lhe adianta reclamar daquela pedra que foi colocada no seu caminho? Ela será removida com a reclamação? 


Reclamando só perderás forças, paciência e energia.

Pare e pense: o que esse obstáculo quer me dizer?
O que quer me ensinar?
O que devo mudar para transpor tal dificuldade?
Como devo agir para tal?


Certamente, suas falhas morais estarão sendo testadas ali, naquele momento .


Portanto, não se desespere. Respire, ore, peça orientação ao Pai, iluminação para transpor tal adversidade .


Esse é o melhor método.


E agindo assim sucessivamente, a cada obstáculo que aparecer em sua frente, só fará que sua evoluas cada vez mais.
"

Isso mudou minha vida.

Isso me trouxe paz.

Que possa trazer paz para a tua vida também.

Um feliz Ano-Novo, e que as boas realizações possam sair das promessas e virarem realidade.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

Feliz Natal!

Que neste natal não falte na sua ceia:

- Uma grande quantidade de caráter, servido em porções quentinhas.

- Muitas garrafas de perdão, para o momento do brinde.

- Uma saladinha de compaixão e piedade, para acompanhamento.

- Aquele doce de humildade que é maravilhoso.

- O prato principal, aquele amor gigante e douradinho, recheado com uma miscelânea de ternura e paciência.

- E na troca de presentes, várias caixas com benevolência, tolerância, cordialidade, respeito e bom humor.

São os votos da equipe Aprendizes da Vida Eterna!


Em tempo, caso ainda não tenha lido, leia a reflexão sobre as festividades de final de ano no mundo contemporâneo .


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A felicidade não é deste mundo

"20 – Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.

Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for, cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.

Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade.

Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa seqüência de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.

Conseqüentemente, se a morada terrena se destina a provas e expiações, é forçoso admitir que existem, além, moradas mais favorecidas, em que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhoras que virão. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Entregai vos inteiramente à vulgarização desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. À obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã.

FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE. Cardeal Morlot, Paris, 1863
"

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 5 - Item 20)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os inimigos internos

Gosto muito do Dalai Lama (Tenzin Gyatso) , pois além de sua ótica budista e humanista, ele sempre procura falar em termos que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, possa compreender.

Estou relendo um livro onde o Dalai Lama é entrevistado e questionado sobre os mais variados temas. E é incrível como os ensinamentos budistas que ele professa coincidem com tudo o que debatemos aqui no blog.

Em especial, a resposta abaixo me chamou atenção, não só pelo seu conteúdo, mas pela simplicidade em que ele explica algo tão complexo. Somente uma alma tão elevada pode falar tanto em tão poucas palavras:

"Entrevistador: Nós em geral pensamos da outra forma. Não queremos ver nossos próprios erros, mas podemos falar sem fim sobre as más qualidades dos outros. É o que Jesus também quis dizer com a seguinte metáfora: "Ou como dirás a teu irmão: 'Deixa-me tirar o argueiro do teu olho', quando tens uma trave em teu próprio olho?'' É assim que o "irmão" se torna rapidamente o inimigo.
Resposta de Dalai Lama: Sim, o único inimigo que deveria realmente me afetar é o mal em meu próprio coração. As hostilidades externas podem passar, mas os inimigos internos como a raiva, o ódio e a cobiça irão permanecer. O mesmo se aplica a todo ser humano: sou meu próprio pior inimigo com minha dependência, minha cobiça e meu ódio. O inimigo em nossos próprios corações sempre permanecerá um inimigo. Não podemos nos comprometer com nossas próprias tendências para o mal. Os maus pensamentos não podem realizar nenhum bem. Eles devem ser controlados porque, de outra maneira, não conseguiremos paz interior. Visto assim, nosso verdadeiro inimigo, o incansável criador de problemas, vive dentro de nós.
Por outro lado, o inimigo externo de hoje pode as vezes se tornar o melhor amigo de amanhã. Na minha vida, frequentemente aprendi muito com aqueles que considerava meus inimigos."
 Eu realmente não poderia ficar sem trazer esse texto para o blog. Eu li e reli várias vezes. É a síntese de tudo o que viemos falando neste ano.

A frase: "Os maus pensamentos não podem realizar nenhum bem. Eles devem ser controlados porque, de outra maneira, não conseguiremos paz interior." relata de maneira objetiva a nocividade de nossas más tendências, que se expressam através de nossos pensamentos, atitudes e palavras.

Essas más tendências, essas falhas morais que carregamos, são o nosso inimigo interno. Podemos viajar o mundo todo e ele estará sempre conosco, pelo menos enquanto não o erradicarmos de nosso coração.

O homem é como um copo com água, e as falhas morais são como um corante. Enquanto existirem as falhas morais, nunca seremos totalmente puros e cristalinos. Consequentemente, nossa felicidade é proporcional ao nosso grau de pureza interior.

E porque a felicidade vem da pureza interior? Porque enquanto houver em nós o egoísmo, o orgulho, a inveja, a ira, e tantas outras falhas, continuaremos nos preocupando com coisas secundárias e banais, deixando de nos preocupar com o que realmente importa: amar, auxiliar, conviver, aprender, construir.

Nunca temos essa visão de que o inimigo está dentro de nós. Sempre pensamos que ele está fora.

O inimigo de fora, aquela pessoa que nos perturba e faz de tudo para nos irritar, esse na verdade é o nosso maior amigo.

Se não fosse as pessoas que nos perturbam, nunca conseguiríamos exercitar as virtudes: perdão, paciência, amor, humildade, benevolência e todas as outras. Aquele que nos perturba fornece todas as ocasiões que necessitamos para sermos melhores.

Portanto, como sempre, deixamos a reflexão ao leitor, a fim de que tire as suas próprias conclusões sobre como tem encarado a vida e o que tem feito para alcançar a felicidade.

Tudo na vida é possível, só depende de coragem, empenho e dedicação.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O que você tem feito para melhorar a sua vida?

Nosso blog surgiu para ser um canal de estudos, mas não se deteve a isso: hoje não só temos estudos, mas principalmente reflexões.

Porque não queremos recriar ou revisar a Doutrina Espírita. Esta já está nos livros, esperando para ser estudada e compreendida. O que propomos aqui é que cada um entenda esses ensinamentos e os traga para sua vida, buscando colocar em prática tudo o que aprende de bom, útil e construtivo.

Este ano foi bem ativo para o blog, falamos sobre diversos temas, fizemos um estudo sobre as leis morais e tentamos, na medida do possível, fazer duas postagens semanais.

E todos esses temas e reflexões que vieram à tona durante este ano, não são para serem lidos e guardados. São para nos tornarem melhores. Mas para isso, é necessária a nossa dedicação.

Eu sempre digo e repito: enquanto usarmos sempre as mesmas fórmulas, obteremos sempre os mesmos resultados.

Muitas vezes, temos medo de entrar no desconhecido. Eu mesmo passei por isso durante muito tempo, até o momento em que minha vida virou de pernas pro ar de tal maneira que só me restou a dizer: "pior do que está não vai ficar. Quer saber, vou arriscar!". E não é que deu certo mesmo?

É difícil vencermos o "velho eu", tudo aquilo que cultivamos em nós por tantos anos e que acreditamos que é a nossa "identidade". Não é um processo fácil, mas os resultados são tão gratificantes!

Aliás, alguém me diga algo que tenha resultados maravilhosos e que não precise de esforços, pois não conheço nada assim.

Gastamos tanta energia com besteiras. Poderíamos usar essa mesma energia para tornar a nossa vida melhor!

Se as coisas estão ruins (ou mais ou menos), já é hora de revermos os nossos conceitos, pois do jeito que estamos fazendo não está dando certo!

E essa reflexão, essas mudanças e melhorias, são coisas que somente nós podemos fazer. Ninguém pode fazer por nós. Podemos viver em um palácio dourado, que se não formos felizes interiormente, nunca teremos aquela tão sonhada paz de espírito. Em contrapartida, quando o nosso interior é repleto de felicidade, não importa onde estejamos e nem quão difíceis sejam os nossos problemas, tudo será muito mais fácil e leve.

Só depende de nós atingirmos a felicidade. Mas sem coragem e determinação, nada acontece.


Vamos tentar?



Dedicamos esta reflexão ao grande irmão Nelson Mandela, que recentemente encerrou sua missão nesta encarnação. Obrigado por tudo o que fez de bom para o nosso mundo, lutando uma guerra sem armas (tal qual Mahatma Gandhi). Principalmente, obrigado pelo exemplo deixado: que ele sirva de inspiração a muitas e muitas pessoas!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Escolha das Provas

Muitas pessoas reclamam de suas vidas e das dificuldades que passam. Culpam a Deus por todas as suas misérias. Entretanto, não percebem que é o próprio homem que faz o seu destino, seja através de seus atos, seja através de suas escolhas.

Este capítulo sobre a escolha das provas é muito esclarecedor, com respostas importantes para estes questionamentos. Apesar de longo, vale a leitura.

Destacaremos algumas partes, para dar maior ênfase:



"258. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito  tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

— Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio.


258. A) Não é Deus quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

— Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi ele quem estabeleceu todas as leis que regem, o Universo. Perguntareis agora por que ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências; nada lhe estorva o futuro; o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo se acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi malfeito. É necessário distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus; tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento; e Deus o permitiu.

259. Se o Espírito escolhe o gênero de provas que deve sofrer, todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós?

— Todas, não, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são conseqüências da posição escolhida, e freqüentemente de vossas próprias ações. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, já sabia a que deslizes se expunha, mas não conhecia cada um dos atos que praticaria; esses atos são produtos de sua vontade ou do seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que, escolhendo esse caminho, terá de passar por esse gênero de lutas; e sabe de que natureza são as vicissitudes que irá encontrar; mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas. Só os grandes acontecimentos, aqueles que influem no destino, estão previstos. Se tomas um caminho cheio de desvios, sabes que deves ter muitas precauções, porque corres o perigo de cair, mas não sabes quando cairás, e pode ser que nem caias, se fores bastante prudente. Se, ao passar pela rua, uma telha te cair na cabeça, não penses que estava escrito, como vulgarmente se diz.


260. Como o Espírito pode querer nascer entre gente de má vida?

— E necessário ser enviado ao meio em que possa sofrer a prova pedida. Pois bem, o semelhante atrai o semelhante, e para lutar contra o instinto do bandido é preciso que ele se encontre entre gente dessa espécie.

260 – a) Se não houvesse gente de má vida na Terra, o Espírito não poderia encontrar nela o meio necessário a certas provas?

— E deveríamos lamentar isso ? É o que acontece nos mundos superiores,  onde o mal não tem acesso. É por isso que neles só existem bons Espíritos. Fazei que o mesmo aconteça, bem logo, em vossa Terra.


261. O Espírito, nas provas que deve sofrer para chegar à perfeição, terá de experimentar todos os gêneros de tentações? Deverá passar por todas as circunstâncias que possam provocar-lhe o orgulho, o ciúme, a avareza, a sensualidade etc.?

— Certamente não, pois sabeis que há os que tomam desde o princípio um caminho que os afasta de muitas provas. Mas aquele que se deixa levar pelo mau caminho, corre todos os perigos do mesmo. Um Espírito pode pedir a riqueza e esta lhe será dada; então, segundo o seu caráter, poderá tornar-se avarento ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda entregar-se a todos os prazeres da sensualidade. Mas isso não quer dizer que ele devia passar forçosamente por todas essas tendências.

262. Como pode o Espírito que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável pela sua escolha?

— Deus supre a sua inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazes com uma criança desde o berço. Mas deixa-lhe pouco a pouco a liberdade de escolher, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve. E então que ele muitas vezes se extravia, tomando o mau caminho, por não ouvir os conselhos dos bons Espíritos. É a isso que podemos chamar a queda do homem.

262 – a) Quando o Espírito goza do seu livre-arbítrio, a escolha da existência corpórea depende sempre exclusivamente da sua vontade ou essa existência pode lhe ser imposta pela vontade de Deus, como expiação?

- Deus sabe esperar: não precipita a expiação. Entretanto, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, por sua inferioridade ou má vontade, não está apto a compreender o que lhe seria mais proveitoso, e quando vê que essa existência pode servir para a sua purificação, o seu adiantamento, e ao mesmo tempo servir-lhe de expiação.

263. O Espírito faz a escolha imediatamente após a morte?

- Não, pois muitos crêem na eternidade das penas e, como já vos foi dito, isso é um castigo.

264. O que orienta o Espírito na escolha das provas?

- Ele escolhe as que podem servir de expiação, segundo a natureza de suas faltas, e fazê-lo adiantar mais rapidamente. Uns podem impor-se uma vida de misérias e provações para tentar suportá-la com coragem outros querem experimentar as tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas pelo abuso e o mau emprego que se lhes pode dar e pelas más paixões que desenvolvem; outros, enfim, querem ser provados nas lutas que terão de sustentar no contato com o vicio.


265. Se alguns dos Espíritos escolhem o contato com o vício como prova, há os que o escolhem por simpatia e pelo desejo de viver num meio adequado aos seus gostos, ou para poderem entregar-se livremente às suas inclinações materiais?

Há, por certo, mas só entre aqueles cujo senso moral é ainda pouco desenvolvido; a prova decorre disso, e eles a sofrem por tempo mais longo Cedo ou tarde, compreenderão que a satisfação das paixões brutais tem para eles conseqüências deploráveis, que terão de sofrer durante um tempo que lhes parecerá eterno. Deus poderá deixá-los nesse estado até que eles tenham compreendido suas faltas, pedindo por si mesmos o meio de resgatá-las em provas proveitosas.

266. Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas?

- Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando ele está liberto da matéria, cessa a ilusão, e a sua maneira de pensar é diferente

Comentário de Kardec: O homem, submetido na Terra à influência das idéias carnais, só vê nas suas provas o lado penoso. É por isso que lhe parece natural escolher as que, do seu ponto de vista, podem subsistir com os prazeres materiais. Mas na vida espiritual ele compara os prazeres fugitivos e grosseiros com a felicidade inalterável que entrevê, e então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O Espírito pode escolher a prova mais rude, e em conseqüência a existência mais penosa, com a esperança de chegar mais depressa a um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável, para se curar mais rapidamente. Aquele que deseja ligar o seu nome à descoberta de um país desconhecido, não escolhe um caminho coberto de flores, pois sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera, se for feliz.

A doutrina da liberdade de escolha das nossas existências e das provas que devemos sofrer deixa de parecer extraordinária, quando se considera que os Espíritos, libertos da matéria, apreciam as coisas de maneira diferente da nossa. Eles antevêem o fim, e esse fim lhes parece muito mais importante que os prazeres fugidios do mundo. Depois de cada existência, vêem o progresso que fizeram e compreendem quanto ainda lhes falta em pureza, para o atingirem. Eis porque se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, pedindo eles mesmos aquelas que podem fazê-los chegar mais depressa. Não há, pois, motivo para nos admirarmos de que o Espírito não dê preferência à existência mais suave. No seu estado de imperfeição, ele não pode desfrutar a vida sem amarguras, que apenas entrevê. E é para atingi-la que procura melhorar-se.

Não vemos diariamente exemplos de coisas parecidas? O homem que trabalha uma parte de sua vida, sem tréguas nem descanso, a fim de ajuntar o necessário para o seu bem-estar. não desempenha uma tarefa que se impôs, com vistas a um futuro melhor? O militar que se oferece para uma missão perigosa, o viajante que não enfrenta menores perigos, no interesse da Ciência ou de sua própria fortuna, não se submetem a provas voluntárias, que devem proporcionar-lhes honra e proveito, se as vencerem? A que o homem não se submete e não se expõe, pelo seu interesse ou pela sua glória? Todos os concursos não são provas voluntárias para melhorar na carreira escolhida? Não se chega a nenhuma posição social de elevada importância, nas ciências, nas artes, na indústria, sem passar pela série de posições inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana é, assim, o decalque da vida espiritual. Nela encontramos, em menor escala, todas as peripécias daquela. Se na vida terrena escolhemos muitas vezes as provas mais difíceis, com vistas a um fim mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe, e para quem a vida do corpo é apenas um incidente fugaz, não escolherá uma existência penosa e laboriosa, se ela o deve conduzir a uma felicidade eterna? Aqueles que dizem que, se pudessem escolher a sua existência, teriam pedido a de príncipes ou milionários, são como os míopes que não vêem o que tocam, ou como as crianças gulosas, que respondem, quando  perguntamos que profissão preferem: pasteleiros ou confeiteiros.

Da mesma maneira, o viajante, no fundo de um vale nevoento, não vê a extensão nem os pontos extremos da sua rota; mas, chegando ao cume da montanha, seu olhar abrange o caminho percorrido e o que falta percorrer, vê o final de sua  viagem, os obstáculos que ainda tem de vencer, e pode então escolher com mais segurança os meios de o atingir. O Espírito encarnado é como o viajante no fundo do vale; desembaraçado dos liames terrestres, é como o que atingiu o cume. Para o viajante, o fim é o repouso após a fadiga; para o Espírito, é a felicidade suprema, após as tribulações e as provas.

Todos os Espíritos dizem que, no estado errante, buscam, estudam, observam, para fazerem suas escolhas. Não temos um exemplo disso na vida corpórea? Não buscamos muitas vezes, através dos anos, a carreira que livremente acabamos por escolher, porque a achamos a mais apropriada aos nossos objetivos? Se fracassamos numa, procuramos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida. Não empregamos cada dia em escolher o que faremos no outro? Ora, o que são as diferentes existências corpóreas para o Espírito, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita que. como sabemos, é a vida normal, não sendo a vida corpórea mais do que transitória, passageira?

267. O Espírito poderia fazer a sua escolha durante a vida corporal?

— Seu desejo pode ter influência. Isso depende da intenção. Mas, no estado de Espírito, freqüentemente vê as coisas de maneira diferente. É o Espírito quem faz a escolha. Mas, ainda assim, ele pode fazê-la nesta vida material, porque o Espírito tem sempre os momentos em que se liberta da matéria.

267 – a) Muitas pessoas desejam grandezas e riquezas, mas não o será, por certo, como expiação nem como prova?

— Sem duvida; a matéria deseja essa grandeza, para gozá-la, e o Espírito a deseja, para conhecer-lhe as vicissitudes.

268. Até que chegue ao estado de perfeita pureza, o Espírito tem de passar constantemente por provas?

— Sim, mas elas não são como as entendeis. Chamais provas às tribulações materiais; ora, o Espírito, chegando a um certo grau, mesmo sem ser perfeito, não tem mais nada a sofrer. Mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não são penosas para ele, a não ser os de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.


269. O Espírito pode enganar-se, quanto à eficácia da prova que escolher?

— Pode escolher uma que esteja acima de suas forças, e então sucumbe. Pode também escolher uma que não lhe dê proveito algum, como um gênero de vida ocioso e inútil. Mas, nesse caso, voltando ao mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou, e pede para recuperar o tempo perdido.

270. Ao que se devem as vocações de certas pessoas e sua vontade de seguir uma carreira em vez de outra?

— Parece-me que podeis responder por vós mesmos a esta questão. Não é a conseqüência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas sobre o progresso realizado numa existência anterior?

271.Quando o Espírito estuda, na erraticidade, as diversas condições em que poderá progredir, como julga poder fazê-lo, se nascer entre canibais?

— Não são os Espíritos já adiantados que nascem entre os canibais, mas os Espíritos da mesma natureza dos canibais, ou que lhes são inferiores.

Comentário de Kardec:  Sabemos que os nossos antropófagos não estão no último grau da escala, e que há mundos onde o embrutecimento e a ferocidade ultrapassam tudo o que  existe na Terra. Esses Espíritos são, portanto, ainda inferiores aos mais inferiores do nosso mundo, e vir para o meio dos nossos selvagens é para eles um progresso, como seria um progresso para os nossos antropófagos exercer entre nós uma profissão que não os obrigasse a derramar sangue. Se eles não visam a mais alto, é porque a sua inferioridade moral não lhes permite compreender um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão gradualmente; não pode transpor de um salto a distância que separa a barbárie da civilização. E está nisso uma necessidade da reencarnação. que se mostra verdadeiramente de acordo com a justiça de Deus. De outra maneira, em que se transformariam esses milhões de seres que morrem diariamente no último estado de degradação, se não tivessem meios de se elevar? Por que Deus os teria deserdado dos favores concedidos aos demais?

272. Os Espíritos procedentes de um mundo inferior à Terra, ou de um povo muito atrasado, como os canibais, poderiam nascer entre os povos civilizados?

— Sim, há os que se extraviam ao quererem subir muito alto, mas ficam deslocados entre vós, porque têm hábitos e instintos que se chocam com os vossos.

Comentário de Kardec:   Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade em meio da civilização. Retornando para o meio dos canibais, isso não será um retrocesso, pois não farão mais do que retomar o seu lugar e talvez ainda com proveito.

273. Um homem pertencente a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar-se num raça selvagem?

— Sim, mas isso depende do gênero da expiação. Um senhor que tenha sido duro para os seus escravos poderá tornar-se escravo e sofrer os maus tratos que infligiu a outrem. Aquele que mandou numa época, pode, em outra existência, obedecer aos que se curvaram ante a sua vontade. É uma expiação, se ele abusou do poder, e Deus pode determiná-la. Um bom Espírito pode, para os fazer avançar, escolher uma vida de influência entre esses povos. Então se trata de uma missão.
"


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Reflexão sobre as festividades de final de ano no mundo contemporâneo

É chegado o tempo das festividades habituais de final de ano: Natal e Ano-Novo.


Ao falarmos disso, logo pensamos em mesas fartas, champanhe e família. Lembramos da troca de presentes e do amigo secreto. De vestir-se de branco e esperar fogos de artifício.

É sempre assim todo ano, não é mesmo?

E será que deve ser assim?

Pensemos inicialmente no Natal. O Natal é a celebração (simbólica) do nascimento de Jesus. Isso todo mundo sabe.

E quem foi Jesus? Foi aquele cara, cabeludo e barbudo, que vivia em Jerusalém e foi pregado numa cruz a dois mil anos atrás. Todos lembramos disso.

E o que ele veio fazer aqui? Ele veio falar de amor. Ele veio nos ensinar a amar. Ele veio exemplificar o amor incondicional. Ele nos ensinou a tratar aos outros da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados. Ainda lembramos disso?

Vamos pensar bem: na celebração do nascimento de Jesus, que veio nos ensinar a amar ao próximo (e nos deu o exemplo disso), será que o amor está presente nos nossos corações?

Será que aproveitamos a oportunidade para perdoar aquele familiar que nos disse umas coisas feias, o vizinho que faz barulho até tarde, aquele amigo que deu um calote e o chefe turrão que está sempre estressado?

Será que aproveitamos para separar aquelas roupas que não usamos mais e as encaminhamos para doação?

Será que tentamos ajudar a todos aqueles que nos cercam?

Será que expressamos o nosso amor por todos os que nos rodeiam?

Mesmo que façamos tudo isso, nos esquecemos de um pequeno detalhe: Jesus não disse para seguirmos seus ensinamentos somente uma vez por ano. Os seus ensinamentos não são cerimônias para um feriado: são mudanças permanentes de caráter. É fazer o bem durante o ano todo, em todos os momentos. É fazer o certo, mesmo quando for a opção mais difícil. É ser honesto, mesmo quando não há ninguém olhando.

Quanta hipocrisia haverá em nós se amarmos ao próximo somente no Natal. E será que não é isso que temos feito?

Isso quer dizer que não devemos festejar o Natal?

Não. Só quer dizer que não podemos esquecer quem é o aniversariante!!!

E logo depois do Natal vem o Ano-Novo. A festa das promessas.

Esse ano irei começar uma dieta. Esse ano estudarei mais. Esse ano beberei menos. Esse ano vou ser mais cuidadoso no trânsito. Esse ano vou economizar mais dinheiro.

Acho que esquecemos de mencionar qual é o ano. Talvez estejamos prometendo tudo para 2050...

Quando chega o Ano-Novo, bate aquele arrependimento. Todas as coisas legais que queríamos ter feito e não fizemos. Mas para ficar com a consciência tranquila, prometemos que vamos fazer tudo isso no ano seguinte.

E fazemos? Não, repetimos as mesmas burradas do ano anterior.

Não adianta brindarmos e termos lindos objetivos se eles não saírem do papel.

Não adianta comemorarmos que mais um ano está chegando, se será mais um ano desperdiçado de nossas vidas.

Será que mais um ano vai passar sem darmos ouvidos aos ensinamentos de Jesus? (Quem é Jesus mesmo? Ah sim, é o carinha que estava de aniversário no Natal, gente boa ele...)

Esses dois feriados, são apenas um exemplo do que temos feito com nossas vidas.

Temos sido seres vazios de amor, de esperança, de coragem, de paciência, de humildade e de bondade.

Mas somos cheios de mágoas, tristeza, egoísmo, orgulho, raiva e maledicência.

Queremos colher a felicidade agora, mas sempre esquecemos de arar a terra, plantar e regar as sementes, afastar as pragas e manter a terra adubada, até que no tempo propício ela floresça.

Queremos fazer tudo diferente, mas fazemos tudo igual. Queremos resultados diferentes, mas sempre fazemos tudo do mesmo jeito.

Até queremos ser pessoas melhores, mas achamos mais fácil procurar os defeitos dos outros do que identificar os nossos próprios.

Ficamos esperando que os outros nos amem, mas nós não amamos ninguém. Ficamos esperando que os outros nos ajudem, mas nós não ajudamos ninguém.
Ficamos esperando que os outros se dediquem a nós, mas nós não nos dedicamos a ninguém.

Então, não esperemos o próximo ano para mudar. Comecemos hoje mesmo, repensando nossos valores, nossos conceitos. Mudemos nossos pensamentos e atitudes. Ninguém pode fazer isso por nós.

E que Deus, nosso Pai misericordioso nos abençoe e nos ajude em nossos bons propósitos.

"E se vós amais somente aos  que vos amam, que merecimento é o que vós tereis? Pois os pecadores também amam os que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores. E se emprestardes somente àqueles de quem esperais receber, que merecimento é o que vós tereis? Porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, façam bem, e emprestai, sem nada esperar, e tereis muito avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." (Lucas, VI: 32-36).

"Todo aquele, pois,que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras, e não as observa, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína." (Mateus, VII: 24-27 e semelhante em Lucas, VI: 46-49).



domingo, 1 de dezembro de 2013

Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida

Hoje trazemos um tema do qual muitas pessoas tem dúvidas. As questões por si só são bastante esclarecedoras, e após elas, segue o nosso habitual comentário.


"525. Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida?

— Seguramente, pois que te aconselham.

525 – a) Exercem essa influência de outra maneira, além dos pensamentos  que sugerem, ou seja, têm uma ação direta sobre a realização das coisas?

— Sim, mas não agem nunca fora das leis naturais.

Comentário de Kardec: Pensamos erradamente que a ação dos Espíritos só deve manifestar-se por fenômenos extraordinários; desejaríamos que viessem em nosso auxílio através de milagres, e sempre os representamos armados de uma varinha mágica. Mas assim não é. e eis porque a sua intervenção nos parece oculta e o que se faz pelo seu concurso nos parece inteiramente natural. Assim, por exemplo, eles provocarão o encontro de duas pessoas, o que parece dar-se por acaso; inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; chamarão sua atenção para determinado ponto, se isso pode conduzir ao resultado que desejam; de tal maneira que o homem, não julgando seguir senão os seus próprios impulsos, conserva sempre o seu livre-arbítrio.

526. Tendo os Espíritos ação sobre a matéria, podem provocar certos efeitos com o fim de produzir um acontecimento? Por exemplo, um homem deve perecer: sobe então a uma escada, esta se quebra e ele morre. Foram os Espíritos que fizeram quebrar a escada para que se cumpra o destino desse homem?

E bem verdade que os Espíritos têm influência sobre a matéria, mas para o cumprimento das leis da natureza e não para as derrogar, fazendo surgir em determinado ponto um acontecimento inesperado e contrário a essas leis. No exemplo que citas, a escada se quebra porque está carunchada ou não era bastante forte para suportar o peso do homem; se estivesse no destino desse homem morrer dessa maneira, eles lhe inspirariam o pensamento de subir na escada que deveria quebrar-se com o seu peso e sua morte se daria por um motivo natural, sem necessidade de um milagre para isso.

527. Tomemos outro exemplo, no qual não intervenha o estado natural da matéria. Um homem deve morrer de raio: esconde-se embaixo de uma arvore o raio estala e ele morre. Os Espíritos poderiam ter provocado o raio dirigindo-o sobre ele?

- É ainda a mesma coisa. O raio explodiu sobre aquela árvore e naquele  momento porque o fato estava nas leis da Natureza. Não foi dirigido para a arvore porque o homem lá se encontrava, mas ao homem foi dada a inspiração de se refugiar numa árvore, sobre a qual ele deveria explodir. A árvore não seria menos atingida se o homem estivesse ou não sob ela.

528. Um homem mal intencionado dispara um tiro contra outro mas o projétil passa apenas de raspão, sem o atingir. Um Espírito benfazejo pode ter desviado o tiro?  

- Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espírito benfazejo lhe inspira   o pensamento de se desviar, ou ainda poderá ofuscar o seu inimigo de maneira a lhe perturbar a pontaria; porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha da sua trajetória.

529. Que se deve pensar das balas encantadas, a que se referem algumas lendas e que atingem fatalmente o alvo?

- Pura imaginação: o homem gosta do maravilhoso e não se contenta com as maravilhas da Natureza.        

529 – a) Os Espíritos que dirigem os acontecimentos da vida podem ser contrariados por Espíritos que tenham desejos em contrário?

- O que Deus quer, deve acontecer; se há retardamento ou empecilho é por sua vontade.

530. Os Espíritos levianos e brincalhões não podem provocar esses pequenos embaraços que se antepõem aos nossos projetos e transtornam as nossas previsões; em uma palavra, são eles os autores do que vulgarmente chamamos as pequenas misérias da vida?

- Eles se comprazem nessas traquinices que são provas para vós destinadas a exercitar a vossa paciência; mas se cansam quando vêem que nada conseguem.  Entretanto não seria justo nem exato responsabiliza-los por todas as vossas frustrações, das quais vos sois os principais autores, pelo vosso estouvamento. Convence-te, pois, de que, se a tua baixela se quebra é antes em virtude do teu descuido do que por culpa dos Espíritos.                 

530 – a) Os Espíritos que provocam discórdias agem em conseqüência de animosidades pessoais ou atacam ao primeiro que encontram, sem motivo determinado, por simples malícia?

Por uma e outra coisa: às vezes, trata-se de inimigos que fizestes  nesta vida ou em existência anterior e que vos perseguem; de outras vezes, não há nenhum motivo.

531. O rancor dos seres que nos fizeram mal na Terra extingue-se com a sua vida corpórea?

— Muitas vezes reconhecem sua injustiça e o mal que fizeram, mas muitas vezes também vos perseguem com o seu ódio, se Deus o permite, é para continuar a vos experimentar.

531 – a) Pode-se pôr termo a isso, e por que meio?

Sim, pode-se orar por eles, e ao se lhes retribuir o mal com o bem acabarão por compreender os seus erros. De resto, se souberdes colocar-vos acima de suas maquinações, cessarão de fazê-las ao verem que nada lucram.

Comentário de Kardec: A experiência prova que certos Espíritos prosseguem na sua vingança de uma existência a outra, e que. assim, expiaremos, cedo ou tarde, os males que pudermos ter acarretado a alguém.

532. Os Espíritos têm o poder de desviar os males de certas pessoas, atraindo para elas a prosperidade?

Não o podem fazer inteiramente, porque há males que pertencem aos desígnios da Providência; mas minoram as vossas dores, dando-vos paciência e resignação.

Sabei, também, que depende freqüentemente de vós desviar esses males ou pelo menos atenuá-los. Deus vos deu a inteligência para a usardes, e é sobretudo por meio dela que os Espíritos vos socorrem, sugerindo-vos pensamentos favoráveis. Mas eles não assistem senão aos que sabem assistir-se a si mesmos. É esse o significado das palavras: “Buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á”.

Sabei ainda que aquilo que vos parece um mal nem sempre o é. Freqüentemente um bem deve resultar dele, que será maior que o mal, e é isso o que não compreendeis porque não pensais senão no momento presente ou na vossa pessoa.

533. Podem os Espíritos fazer que se obtenham os dons da fortuna, desde que solicitados nesse sentido?

— Às vezes, como prova, mas freqüentemente os recusam como se recusa a uma criança um pedido inconsiderado.

533 – a) São os bons ou os maus Espíritos que concedem esses favores?

- Uns e outros. Isso depende da intenção. Mas em geral são os Espíritos que querem arrastar-vos ao mal e que encontram um meio fácil de afazer nos prazeres que a fortuna proporciona.

534. Quando os obstáculos parecem vir fatalmente contra aos nossos projetos, seria isso por influência de algum Espírito?

- Algumas vezes, são os Espíritos; outras vezes, e o mais freqüentemente, é que vos colocastes mal. A posição e o caráter influem muito. Se vos obstinais numa senda que não é a vossa, os Espíritos nada têm com isso; sois vos mesmos que vos tornais o vosso mau gênio.

535. Quando nos acontece alguma coisa feliz, é ao nosso Espírito protetor  que devemos agradecer?

- Agradecei sobretudo a Deus, sem cuja permissão nada se faz e depois aos bons Espíritos que foram os seus agentes.


535 – a) Que aconteceria se esquecêssemos de agradecer?

— O que acontece aos ingratos

535 – b) Há, entretanto, muita gente que não ora nem agradece e para quem sai tudo bem?

- Sim, mas é necessário ver o fim; pagarão bem caro essa felicidade passageira que não merecem, porque, quanto mais tenham recebido mais terão de restituir
.
"

É importante ressaltar alguns pontos, pois sem a leitura do capítulo inteiro pode-se ter uma compreensão errada.

Quando se diz que os espíritos nos influenciam, temos que considerar que tanto os bons quanto os maus nos influenciam, dependendo é claro de nossa afinidade com um ou outro grupo.

Uma pessoa de má conduta, frequentemente será mais influenciada pelos espíritos de má conduta, e uma pessoa boa será frequentemente influenciada por bons espíritos.

E sobre essa influência, cabe saber que sempre temos o livre arbítrio de aceitar ou não essas sugestões. São como os encarnados: uns nos incentivam a fazer certas coisas, outros nos incentivam a fazer coisas diferentes, mas sempre cabe a nós decidirmos qual caminho queremos seguir.

Portanto, quando uma pessoa faz uma besteira e diz "fui influenciado pelos espíritos, estava obsidiado", ela incorre em equívoco, pois o espírito obsessor nada teria influenciado se não encontrasse afinidade em seu coração, e mais ainda, se suas sugestões não fossem seguidas, nada teria acontecido.

Eis por que, como sempre, o homem é o artífice de seu próprio destino, e por consequência, de sua felicidade ou infelicidade.

Vivemos todos rodeados o tempo todo de espíritos, que nada mais são do que pessoas sem o corpo, que podem pensar de maneira semelhante ou diferente da nossa, e que se unirão conosco por afinidade de idéias e de gostos.

Portanto, para recebermos boas influências, principalmente de nossos anjos guardiões, é necessário que nossos pensamentos e atitudes sejam condizentes com isso, agindo sempre pela bondade, pela humildade, pelo amor ao próximo e evitando aos vícios de toda a sorte, pois se não for dessa forma, estaremos sujeitos a receber as influências da "turma da bagunça". Depois não adianta reclamar.



domingo, 24 de novembro de 2013

Inteligência e instinto

Hoje falaremos sobre a inteligência e o instinto, procurando entender as diferenças entre um e outro e como cada um deles está presente nos diferentes seres.


"71. A inteligência é um atributo do princípio vital?

— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.

Comentário de Kardec: A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.

Podemos fazer a seguinte distinção: l.°) os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2.°) os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3.°) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.


72. Qual é a fonte da inteligência?

— Já dissemos: a inteligência universal.

72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?

Isto não é mais do que uma comparação; mas não exata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.

73. O instinto é independente da inteligência?

— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.

74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?

Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.

75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?

— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.


75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?

Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.

Comentário de Kardec: O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.

O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.
"

O instinto sempre guiou a humanidade desde os tempos mais rudimentares. Mas conforme o ser humano foi desenvolvendo sua inteligência, foi desenvolvendo o seu livre arbítrio e passou a tomar suas próprias decisões.

É portanto necessário ao homem que desenvolva a sua inteligência, para tomar decisões cada vez mais acertadas e progredir em sua evolução.

Entretanto, torna-se isso inviável sem o desenvolvimento moral. O desenvolvimento da inteligência e das virtudes deve andar lado a lado, pois quando o homem é orgulhoso, egoísta e invejoso, dificilmente fará boas escolhas. Aí, quando as coisas dão errado, reclama de Deus, sendo que foi o próprio homem que escolheu o seu destino.

Portanto, a inteligência sem virtudes é uma ferramenta pouco potente, e que pode causar muito mal. Mas a inteligência munidada das virtudes, é uma ferramenta precisa e eficiente, que traz somente ótimos resultados e felicidade.

Vamos então investir mais tempo no desenvolvimento das virtudes, pois com elas iremos sempre na direção correta.










quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ser humano e o mundo de ilusões

O homem criou para si próprio prisões. Prisões essas feitas de ilusões.

Em sua fase de amadurecimento, a humanidade entrou em um mundo de ilusões, semelhante ao mundo de Peter Pan.

Convencionou então que para ser feliz era preciso posses e poder.

E com isso desbravou novas terras, conquistou e oprimiu outros povos, guerreou com seus vizinhos, escravizou os demais, e assim estabeleceu reinados e impérios.

Mas ainda assim o homem não era feliz.

Porém, tal como a criança, que acha que a sua felicidade está em brincar e comer doces, e quando vira adolescente percebe que eram apenas devaneios infantis, a humanidade ao se desenvolver foi abandonando gradualmente (porém nunca totalmente) essas idéias. Mas como percebeu que a realidade era mais difícil e menos emocionante, criou novos devaneios.

Hoje somos escravos das programação televisiva, que nos aliena do mundo ao nosso redor. Estratégias de marketing nos fazem comprar inúmeras tranqueiras, roupas e acessórios que não precisamos. Pensamos que sem o corpo e a beleza perfeitos, não teremos lugar no mundo. E para descontar as frustrações, medos e incertezas, utilizamos dos vícios como meios de fugir dessa ilusão (indo para dentro de outra).

E todas essas ilusões que nos aprisionam, foram criadas por nós mesmos.

Só depende de nós sairmos dessa prisão. A chave está no nosso bolso. Mas será que queremos?

Assim como o Peter Pan, vivemos em um mundo de fantasia. Sabemos lá no fundo que não é a realidade, mas como não queremos crescer, nos aconchegamos nessa zona de conforto.

A realidade é mais difícil e vai exigir muito mais de nós, mas somente na realidade é que atingiremos a felicidade real.

No mundo de ilusão, nunca conseguiremos ser felizes por completo, pois sempre algo dentro de nós nos diz que aquilo é fictício.

E uma vez que tomemos conhecimento da realidade, cada vez vai ser mais difícil viver no mundo da ilusão.

Porque a tendência é sempre progredirmos. Á medida que amadurecemos, temos que seguir em frente. A estagnação sempre nos trará desconforto.

Uma ótima analogia para este tema é feita no filme Matrix:
O personagem principal (Neo) somente conseguiu desenvolver suas habilidades de “escolhido” quando passou a ter certeza de que a Matrix era uma vida falsa e que a vida verdadeira era a que o Morpheus (seu mestre) estava apresentando. E então foi capaz de fazer coisas consideradas impossíveis.

Sairmos ou não desse mundo de ilusões, dessa fantasia que nós próprios criamos, só depende de nós, de nossa conscientização. Se queremos ser felizes de verdade, esse é o único caminho.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Inversão de valores

Desde o tempo onde reis e rainhas governavam, onde conquistadores desbravavam novos territórios e que a nobreza vivia separada dos pobres, os homens tendem a diferenciar-se uns dos outros.

Dadas determinadas características, sejam elas a cor da pele, a fortuna acumulada ou a nobreza de sangue, quem as possuísse era poderoso, e quem não as possuísse era um verme.

O que não se percebia era que não se pode qualificar uma pessoa somente por uma determinada característica: rico ou pobre, branco ou negro, forte ou fraco.

Todos nós somos uma combinação única de virtudes, defeitos e experiências, combinando-se numa proporção em que ninguém pode ser igual a nós.

E sendo assim tão complexos, todos nós somos bons em alguma coisa e ruins em alguma coisa. Ninguém é totalmente isento de virtude, e pouquíssimos são isentos de defeitos.

E aquela virtude que falta a um, o outro tem de sobra. Aquela habilidade que um precisa, o outro pode ensinar. E é por isso que devemos viver em fraternidade e sociedade: assim todos nos completaremos e poderemos viver com muito mais facilidade e menos entraves.

Mas o nosso egoísmo nos barra e acabamos sempre agindo sozinhos. E é nessas horas que nossos defeitos tornam-se verdadeiros tendões de Aquiles. Por isso que erramos tanto!

Vamos supor que dois homens, um muito inteligente, porém fraco fisicamente e outro com o intelecto pouco desenvolvido, mas muito forte fisicamente, encontrem-se em um labirinto cheio de enigmas e obstáculos. Poderia o homem fraco fisicamente transpor todos os obstáculos sozinho? Arrastar pedras pedras pesadas e erguer outros pesos? E poderia o homem forte transpor todos os enigmas sozinho? Como decifraria ele os mais elaborados teoremas para abrir as fechaduras?

E esse é somente um exemplo simples, de como duas pessoas juntas são muito mais poderosas do que sozinhas.

Portanto, antes de classificar alguém por seus defeitos, não esqueçamos que todos temos virtudes. E antes de nos gabar-mos de nossas virtudes, não esqueçamos que todos nós temos defeitos a corrigir, muitas vezes mais graves do que aqueles de nosso irmão que tanto criticamos.

É o momento de corrigirmos os valores invertidos de nossa sociedade. E temos que começar mudando a nossa própria mentalidade. Antes de mudar o mundo, temos que mudar a nós mesmos primeiro.

Só que para mudar a nós mesmos, precisamos ter humildade e coragem para vermos e assumirmos os nossos erros e defeitos.

Ninguém gosta de ser criticado, e nem de ver seus próprios defeitos. Mas somente quando conseguirmos entender onde estão as nossas falhas, não conseguiremos mudar.

A humildade, portanto, não é imprescindível somente para ajudar ao próximo. Ela é fundamental para ajudarmos a nós próprios também.




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Considerações sobre a Pluralidade das Existências

Nesta brilhante dissertação, presente em O Livro dos Espíritos, Kardec racionalmente reflete sobre a pluralidade das existências (reencarnação), esclarecendo muitos pontos pertinentes para a compreensão deste tema.

A leitura é recomendada a todos, desde quem não acredita na reencarnação até quem já conhece todos os seus desdobres, pois ela acrescenta muito conhecimento a todos nós.

Kardec, como grande educador que era, mostra toda a sua capacidade didática e analítica sobre o tema. Uma das muitas pérolas deixadas por ele na codificação espírita.


"I – Considerações sobre a Pluralidade das Existências

222.O dogma da reencarnação, dizem algumas pessoas, não é novo e foi retirado de Pitágoras. Mas jamais dissemos que a doutrina espírita fosse uma invenção moderna. O Espiritismo deve ter existido desde a origem dos tempos, pois decorre da própria Natureza. Temos sempre procurado provar que se encontram os seus traços desde a mais alta Antiguidade. Pitágoras, como se sabe, não é o criador do sistema de metempsicose, que tomou dos filósofos indianos e dos meios egípcios, onde ela existia desde de épocas imemorais. A idéia da transmigração das almas era, portanto, uma crença comum, admitida pelos homens mais eminentes. Por que maneira chegou até eles? Não sabemos. Mas, seja como for, uma idéia não atravessa as idades e não é aceita pelas inteligências mais adiantadas, se não tiver um aspecto sério. A antiguidade desta doutrina, portanto, em vez de ser uma objeção, devia ser antes uma prova a seu favor. Há, porém, como igualmente se sabe, entre a metempsicose dos antigos e a moderna doutrina da reencarnação, a grande diferença de que os Espíritos rejeitam, da maneira mais absoluta, a transmigração do homem nos animais e vice-versa.

Os Espíritos, ensinando o dogma da pluralidade das existências corpóreas, renovam uma doutrina que nasceu nos primeiros tempos do mundo, e que se conservou até os nossos dias, no pensamento íntimo de muitas pessoas. Apresentam-na, porém, de um ponto de vista mais racional, mais conforme às leis progressivas da natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, ao despojá-la de todos os acréscimos da superstição. Uma circunstância digna de nota é que não foi apenas neste livro que eles a ensinaram, nos últimos tempos: desde antes da sua publicação, numerosas comunicações da mesma natureza foram obtidas, em diversas regiões, e multiplicaram-se consideravelmente depois. Seria o caso, talvez, de examinar-se por que todos os Espíritos não parecem de acordo sobre este ponto. É o que faremos logo mais.

Examinemos o assunto por outro ângulo, fazendo abstração da intervenção dos Espíritos. Deixemo-los de lado por um instante. Suponhamos que esta teoria não foi dada por eles; suponhamos mesmo que nunca se tenha cogitado disto com os Espíritos. Coloquemo-nos momentaneamente numa posição neutra, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma hipótese e outra, a saber: a da pluralidade e a da unicidade das existências corpóreas, e vejamos para que lado nos levam a razão e o nosso próprio interesse.

Certas pessoas repelem a idéia da reencarnação pelo único motivo de que ela não lhes convém, dizendo que lhes basta uma existência e não desejam iniciar outra semelhante. Conhecemos pessoas que, à simples idéia de voltar à Terra, ficam enfurecidas. Só temos a lhes perguntar se Deus devia pedir-lhes conselho e consultar os seus gostos, para ordenar o Universo. De duas uma: a reencarnação existe ou não existe. Se existe, é inútil opor-se a ela, pois terão de sofrê-la, sem que Deus lhes peça permissão para isso. Parece-nos ouvir um doente dizer: — Já sofri hoje demais e não quero tornar a sofrer amanhã. Qualquer que seja a sua má vontade, isso não o fará sofrer menos amanhã e nos dias seguintes, até que consiga curar-se. Da mesma maneira, se essas pessoas devem reviver corporalmente, reviverão, tornarão a reencarnar-se; perderão o tempo de protestar, como uma criança que não quer ir à escola ou um condenado, à prisão, pois terão de passar por ela. Objeções dessa espécie são demasiado pueris para merecerem exame mais sério. Diremos, entretanto, a essas pessoas, para tranqüilizá-las, que a doutrina espírita sobre a reencarnação não é tão terrível como pensam, e que, se a estudassem a fundo, não teriam do que se assustar. Saberiam que essa nova existência depende delas mesmas: será feliz ou desgraçada, segundo o que tiverem feito neste plano, e podem desde já elevar-se tão alto, que não mais deverão temer nova queda no lodaçal.

Supomos falar a pessoas que acreditam num futuro qualquer após a morte, e não às que só têm o nada como perspectiva, ou que desejam mergulhar a sua alma no Todo Universal, sem conservar a individualidade, como as gotas de chuva no oceano, o que vem a ser mais ou menos a mesma coisa. Se acreditais num futuro qualquer, por certo não admitireis que ele seja o mesmo para todos, pois qual seria a utilidade do bem? Por que reprimir-se, por que não satisfazer a todas as paixões, a todos os desejos, mesmo à custa dos outros, pois que isso não teria conseqüência? Acreditais, pelo contrário, que esse futuro será mais ou menos feliz ou desgraçado, segundo o que tivermos feito durante a vida; e tereis o desejo de que seja o mais feliz possível, pois que deverá durar pela eternidade? Teríeis, por acaso, a pretensão de ser uma das criaturas mais perfeitas que já passaram pela Terra, tendo, assim, o direito imediato à felicidade dos eleitos? Não. Admitis, então, que há criaturas que valem mais do que vós e têm direito a uma situação melhor, sem por isso vos considerardes entre os réprobos. Pois bem, colocai-vos por um instante, pelo pensamento, nessa situação intermediária, que será a vossa, como o admitis, e suponde que alguém venha dizer-vos: — “Sofreis, não sois tão felizes como poderíeis ser, enquanto tendes diante de vós os que gozam de uma felicidade perfeita; quereis trocar a vossa posição com a deles?” — “Sem dúvida!”, responderíeis, “mas o que devo fazer?” — “Quase nada: recomeçar o que fizestes mal e tratar de fazê-lo melhor.” — Hesitaríeis em aceitar, mesmo que fosse ao preço de muitas existências de provas?

Façamos uma comparação mais prosaica. Se a um homem que, sem estar na miséria extrema, passa pelas privações decorrentes da sua precariedade de recursos viessem dizer: — “Eis uma imensa fortuna, que podereis gozar, sendo, porém, necessário trabalhar rudemente durante um minuto”—; fosse ele o maior preguiçoso da terra, e diria sem hesitar: — “Trabalhemos um minuto, dois minutos, uma hora, um dia, se for preciso! O que será isso, para acabar a minha vida na abundância?” Ora, o que é a duração da vida corporal, em relação à da eternidade? Menos que um minuto, menos que um segundo.

Ouvimos algumas vezes este raciocínio: Deus, que é soberanamente bom, não pode impor ao homem o reinicio de uma série de misérias e tribulações. Acharão, por acaso, que há mais bondade em condenar o homem a um sofrimento perpétuo, por alguns momentos de erro, do que em lhe conceder os meios de reparar as suas faltas? Dois fabricantes tinham, cada qual, um operário que podia aspirar a se tornar sócio da firma. Ora, aconteceu que esses dois operários empregaram mal, certa vez, o seu dia de trabalho e mereceram ser despedidos. Um dos fabricantes despediu o seu empregado, apesar de suas súplicas, e este, não mais encontrando emprego, morreu na miséria. O outro disse ao seu: — “Perdeste um dia e me deves uma compensação; fizeste mal o trabalho e me deves a reparação; eu te permito recomeçar; trata de fazê-lo bem, e eu te conservarei, e poderás continuar aspirando à posição superior que te prometi”. Seria necessário perguntar qual dos dois fabricantes foi mais humano? Deus, que é a própria clemência, seria mais inexorável que um homem? O pensamento de que a nossa sorte está para sempre fixada, em alguns anos de prova, ainda mesmo quando nem sempre dependesse de nós atingir a perfeição sobre a Terra, tem qualquer coisa de pungente, enquanto a idéia contrária é eminentemente consoladora, pois não nos tira a esperança. Assim, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências, sem admitir uma hipótese mais do que a outra, diremos que, se pudéssemos escolher, ninguém preferiria um julgamento sem apelo. Um filósofo disse que, se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo, para a felicidade do gênero humano; o mesmo se poderia dizer da pluralidade das existências. Mas, como dissemos, Deus não pede licença, não consulta as nossas preferências; as coisas são ou não são. Vejamos de que lado estão as probabilidades, e tomemos o problema sob outro ponto de vista, fazendo sempre abstração do ensinamento dos Espíritos e unicamente, portanto, como estudo filosófico.

Se não há reencarnação, não há mais do que uma existência corporal, isso é evidente. Se nossa existência corporal é a única, a alma de cada criatura foi criada por ocasião do nascimento, a menos que admitamos a anterioridade da alma. Mas neste caso perguntaríamos o que era a alma antes do nascimento, e se o seu estado não constituiria uma existência, sob qualquer forma. Não há, pois, meio-termo: ou a alma existia ou não existia antes do corpo. Se ela existia, qual era a sua situação? Tinha ou não consciência de si mesma? Se não a tinha, era mais ou menos como se não existisse; se tinha, sua individualidade era progressiva ou estacionária. Num e noutro caso, qual a sua situação ao chegar ao corpo? Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo ou, o que dá no mesmo, que antes da encarnação só tinha faculdades negativas, formulamos as seguintes questões:

1. Por que a alma revela aptidões tão diversas e independentes das idéias adquiridas pela educação?

2. De onde vem a aptidão extra-normal de algumas crianças de pouca idade para esta ou aquela ciência, enquanto outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a vida?

3. De onde vêm, para uns, as idéias inatas ou intuitivas, que não existem para outros?

4. de onde vêm, para certas crianças, os impulsos precoces de vícios ou virtudes, esses inatos de dignidade ou de baixeza, que contrastam com o meio em que nasceram?

5. Por que alguns homens, independentemente da educação, são mais adiantados que os outros?

6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomarmos uma criança hotentote, de peito, e a educarmos, enviando-a depois aos mais renomados liceus, faremos dela um Laplace ou um Newton?

 Perguntamos qual a Filosofia ou a Teosofia que pode resolver esses problemas. Ou as almas são iguais ao nascer, ou não o são: quanto a isso não há dúvida. Se são iguais, por que essas tamanhas diferenças de aptidões? Dirão que dependem do organismo. Mas nesse caso, teríamos a doutrina mais monstruosa e mais imoral. O homem não seria mais que uma máquina, joguete da matéria; não teria a responsabilidade dos seus atos; tudo poderia atribuir-se às suas imperfeições físicas. Se as almas são desiguais, foi Deus quem as criou assim. Então, por que essa superioridade inata, conferida a alguns? Essa parcialidade estaria conforme à sua justiça e ao amor que dedica por igual a todas as criaturas?

Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores e progressivas, e tudo se explicará. Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que já haviam adquirido. São mais ou menos adiantados, segundo o número de existências por que passaram ou conforme estejam mais ou menos distanciados do ponto de partida: precisamente como, numa reunião de pessoas de todas as idades, cada uma terá um desenvolvimento de acordo com o números de anos vividos. Para a vida da alma, as existências sucessivas serão o que os anos são para a vida do corpo. Reuni um dia mil indivíduos de um até oitenta anos; suponde que um véu tenha sido lançado sobre todos os dias anteriores, e que, na vossa ignorância, julgais todos eles nascidos no mesmo dia: perguntaríeis, naturalmente, por que uns são grandes e outros pequenos, uns velhos e outros jovens, uns instruídos e outros ainda ignorantes. Mas, se a nuvem que vos oculta o passado for afastada, se compreenderdes que todos viveram por mais ou menos tempo, tudo estará explicado. Deus, na sua justiça, não podia ter criado almas mais perfeitas e outras menos perfeitas, mas, com a pluralidade das existências, a desigualdade que vemos nada tem de contrário à mais rigorosa equidade. É porque só vemos o presente e não o passado, que não o compreendemos. Este raciocínio repousa sobre algum sistema, alguma suposição gratuita? Não, pois partimos de um fato patente, incontestável: a desigualdade de aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral. E verificamos que esse fato é inexplicável por todas as teorias correntes, enquanto a explicação é simples, natural, lógica, por uma nova teoria. Seria racional preferirmos aquela que nada explica à outra que tudo explica?

No tocante à sexta pergunta, dirão sem dúvida que o hotentote é uma raça inferior. Então perguntaremos se o hotentote ó ou não humano. Se é humano, por que teria Deus, a ele e a toda a sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se o não é, por que procurar fazê-lo cristão? A doutrina espírita é mais ampla que tudo isso. Para ela, não há muitas espécie de homens, mas apenas homens, seres humanos cujos espíritos são mais ou menos atrasados, mas sempre suscetíveis de progredir. Isso não está mais conforme à justiça de Deus?

Vimos a alma no seu passado e no seu presente. Se a considerarmos quanto ao futuro, encontraremos as mesmas dificuldades.

1. Se a existência presente deve ser decisiva para a sorte futura, qual é, na vida futura, respectivamente, a posição do selvagem e a do homem civilizado? Estarão no mesmo nível ou estarão distanciados no tocante à felicidade eterna?

2. O homem que trabalhou toda a vida para melhorar-se estará no mesmo plano daquele que permaneceu inferior, não por sua culpa, mas porque não teve o tempo nem a possibilidade de melhorar?

3. O homem que praticou o mal, por não ter podido esclarecer-se, culpado por um estado de coisas que dele em nada dependeu?

4. Trabalha-se para esclarecer os homens, para os moralizar e civilizar. Mas, para um que se esclarece, há milhões que morrem cada dia antes que a luz consiga atingi-los. Qual é a sorte destes? Serão tratados como réprobos? Caso contrário, o que fizeram eles para merecerem estar no mesmo plano que os outros?

5. Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade, antes de poderem ter feito o mal ou o bem? Se estiverem entre os eleitos, por que esse favor, sem nada terem feito para o merecer? Por que privilégio foram elas subtraídas às tribulações da vida?

Há uma doutrina que possa resolver essas questões? Admiti as existências sucessivas, e tudo estará explicado de acordo com a justiça de Deus. Aquilo que não pudermos fazer numa existência, faremos em outra. É assim que ninguém escapa à lei do progresso. Cada um será recompensado segundo o seu verdadeiro merecimento, e ninguém é excluído da felicidade suprema, a que pode aspirar, sejam quais forem os obstáculos que encontre no seu caminho.

Essas questões poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque os problemas psicológicos e morais que não encontram solução, a não ser na pluralidade das existências, são inumeráveis. Limitamo-nos apenas aos mais gerais. Seja como for, talvez se diga que a doutrina da reencarnação não é admitida na Igreja; isto seria, portanto, a subversão da religião. Nosso objetivo não é, no momento, tratar desta questão, bastando-nos haver demonstrado que ela é eminentemente moral e racional. Ora, o que é moral e racional não pode ser contrário a uma religião que proclame Deus como a bondade e a razão por excelência. O que teria acontecido à religião se, contra a opinião universal e o testemunho da Ciência, tivesse resistido à evidência e expulsado de seu seio quem não acreditasse no movimento do sol e nos seis dias da criação? Que crédito mereceria e que autoridade teria, entre os povos esclarecidos, uma religião baseada nos erros evidentes, oferecidos como artigos de fé? Quando a evidência foi demonstrada, a Igreja sabiamente se alinhou ao seu lado. Se está provado que existem coisas que seriam impossíveis sem a reencarnação, se certos pontos do dogma não podem ser explicados senão por este meio, será necessário admiti-la e reconhecer que o antagonismo entre essa doutrina e os dogmas é apenas aparente. Mais tarde mostraremos que a religião talvez esteja menos afastada desta doutrina do que se pensa, e que ela não sofreria mais, ao admiti-la, do que com a descoberta do movimento da Terra e dos períodos geológicos, que a princípio pareciam opor um desmentido aos textos sagrados. O princípio da reencarnação ressalta, aliás, de muitas passagens das Escrituras, encontrando-se especialmente formulado, de maneira explícita, no Evangelho:

— “Descendo eles da montanha (após a transfiguração), Jesus lhe: preceituou, dizendo: — Não digais a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem seja ressuscitado de entre os mortos. Seus discípulos então o interrogaram, e lhe disseram: — Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro ? E Jesus, respondendo, lhes disse: — Em verdade, Elias virá primeiro e restabelecerá todas as coisas. Mas eu vos declaro que Elias já veio, e eles não o conheceram, antes o fizeram sofre, tudo quanto quiseram. Assim também eles farão morrerão Filho do Homem. Então entenderam os discípulos que era de João Batista que ele lhes havia falado. “ (São Mateus, cap. XVII.)

Ora, se João Batista era Elias, houve então a reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista.

Seja qual for, de resto, a opinião que se tenha sobre a reencarnação, que a aceitem ou não, ninguém a ela escapará por causa da crença em contrário. O ponto essencial é que se apóia na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo, e, portanto, não é anti-religioso.

Raciocinamos, como dissemos, fazendo abstração de todo o ensinamento espírita, que, para certas pessoas, não tem autoridade. Se, como tantos outros, adotamos a opinião referente à pluralidade das existências, não é somente porque ela veio dos Espíritos, mas porque nos parece a mais lógica e a única que resolve as questões até então insolúveis. Que ela nos viesse de um simples mortal, e a adoraríamos da mesma maneira, não hesitando em renunciar à nossas próprias idéias. Do mesmo modo, nós a teríamos repelido, embora viesse dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tanta outras. Porque sabemos por experiência que não se deve aceitar de olhos fechados tudo o que vem dos Espíritos, como aquilo que vem da parte do homens. Seu primeiro título aos nossos olhos é, e antes de tudo, o de se lógica. Mas ainda tem outro, que é o de ser confirmada pelos fatos: fato positivos e por assim dizer materiais, que um estudo atento e raciocinado pode revelar a quem se der ao trabalho de observá-los com paciência perseverança e diante dos quais a dúvida não é mais possível. Quando esses fatos se popularizarem, como os da formação e do movimento da Terra, ser necessário reconhecer a evidência, e os seus opositores terão gasto em vão os argumentos contrários.

Reconhecemos, em resumo, que a doutrina da pluralidade das existências é a única a explicar aquilo que, sem ela, é inexplicável. Que é eminentemente consoladora e conforme à justiça mais rigorosa, sendo para o homem a tábua de salvação que Deus lhe concedeu, na sua misericórdia.

As próprias palavras de Jesus não podiam deixar dúvida a respeito. Eis o que se lê no Evangelho segundo São João, capítulo III:

"3. Jesus, respondendo a Nicodemos disse, — Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4. Nicodemos lhe disse: — Como pode um homem nascer, quando está velho?” Pode ele entrar de novo no ventre de sua mãe e nascer uma segunda vez?

5. Jesus respondeu:— Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do espírito é espírito. Não te maravilhes de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo." (Ver a seguir, o artigo Ressurreição da carne, item 1010.)
"

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dicas práticas para agir melhor no dia-a-dia

Como às vezes teorizamos muito e não praticamos proporcionalmente, reuni algumas dicas práticas para tentarmos agir melhor no dia-a-dia.

- Procure maneiras de ser útil aos outros. Pode ser em simples tarefas ou mesmo ajudando em tarefas mais complexas. O importante é ajudar!

- Pergunte como as pessoas estão e ouça o que elas tem a dizer. Procure se inteirar do que as pessoas sentem, de seus problemas. Muitas vezes as pessoas estão sobrecarregadas, estressadas e/ou deprimidas. Desabafar faz um bem enorme!

- Tenha contato físico com as pessoas: aperte a mão, quando possível abrace! Toque nos ombros das pessoas enquanto conversa. Isso diminui as barreiras emocionais entre você e a outra pessoa, sem contar que um pequeno gesto desses pode ser o único gesto de carinho que a pessoa vai receber no dia.

- Não fale mal dos outros. Ver os defeitos dos outros é algo totalmente contrário à caridade. Antes de procurar os defeitos alheios, investigue o seus próprios e ocupe-se tratando deles.

- Não participe de debates infrutíferos. Perdemos muito tempo e energia com discussões que não vão levar a lugar nenhum, apenas para provar aos outros que o nosso ponto de vista é o correto. Isso é completamente desnecessário.

- Não procure estar com a razão sempre. Existe uma busca incessante por estarmos com a razão. Caso haja uma discussão, não alimente o monstro, dê o braço a torcer e se retire. Não se esqueça que cedo ou tarde a verdade sempre aparece.

- Reconheça quando errar. Errar é comum ao ser humano, pois faz parte do processo de aprendizado. Mas persistir no erro não é bom. Portanto, quando errar, reconheça e peça desculpas.

- Quando aparecerem muitos problemas, relaxe! Se o problema tem solução, fique tranquilo, pois tem solução. E se o problema não tem solução, fique tranquilo, pois não tem solução. E se eles forem muitos, você não precisa lidar com todos ao mesmo tempo, escolha um resolva este primeiro. Só depois pense nos outros.

- Pense antes de falar. Quando em um momento de exaltação falamos algo que não deveríamos, podemos magoar muito a alguém. Ou também podemos falar coisas que não acrescentem em nada produtivo ao assunto. Ponderar antes de falar evita muitos contratempos.

- Não se vanglorie de seus feitos. Agir com humildade é imprescindível. Não valorize e nem comente as coisas boas que você fez/faz. Guarde isso somente para você.

- Trabalhe na hora de trabalhar, descanse na hora de descansar. O descanso é importantíssimo, e sem ele estaremos sujeitos ao estresse e à irritação. Aproveite os momentos de descanso e relaxamento para se esvaziar dos problemas e recarregar as baterias. Uma meditação vai bem...

Essas são apenas algumas dicas, de pequenos detalhes que não nos apercebemos no dia-a-dia. Se você tem dicas também, deixe nos comentários!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Idéias inatas, intuições e talentos

Em mais um post sobre o livro dos espíritos, hoje vamos abordar este tema muito interessante, e que causa muitas dúvidas nos iniciantes no espiritismo.

Os posts sobre o livro dos espíritos normalmente vão ao ar nos sábados, mas por mudanças na minha rotina não estou conseguindo postar a tempo. Mas tão breve quanto possível, voltaremos aos dias habituais: quartas e sábados.

Vamos então ver o que O Livro dos Espíritos nos diz:


"218. O Espírito encarnado conserva algum traço das vitórias que obteve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores?

— Resta-lhes uma vaga lembrança, que lhe dá o que chamamos idéias inatas.

218 – a) A teoria das idéias inatas não é quimérica?

— Não, pois os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito, liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação pode esquecê-lo em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente.

218 – b) Deve então haver uma grande conexão entre duas existências sucessivas?

— Nem sempre tão grande como podias pensar, porque as posições são quase sempre muito diferentes, e no intervalo de ambas o Espírito pode progredir. (Ver item 216.)

219. Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo etc.?

— Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual     ela mesma não tem consciência. De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque a vestimenta.

220. Com a mudança dos corpos, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes?

— Sim, desde que se tenha desonrado essa faculdade, empregando-a mal. Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra que não se relaciona com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.

221. E a uma lembrança retrospectiva que deve o homem, mesmo no estado de selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura?

— E uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito, antes de encarnar; mas o orgulho freqüentemente abafa esse sentimento.
"

Já aprendemos que os espíritos têm a "eternidade toda" para progredir, através das sucessivas reencarnações, onde buscam, vida após vida tornarem-se melhores (quando não se desviam do caminho) tanto moralmente quanto intelectualmente. (se estes conceitos são novos para você, recomendamos uma leitura no capítulo 4 do Livro dos Espíritos, clicando aqui).

O que talvez nem todos saibam (e muitos questionam isso), é porque quando encarnamos existe o esquecimento do passado.

Imaginemos que ao encarnarmos novamente na Terra, encontrássemos nossos inimigos do passado, lembrando tudo de ruim que nos fizeram (e tudo de ruim que nós fizemos a eles também). Já pensou se quem hoje é um pai, ou uma mãe, no passado foi alguém que nos assassinou? Como conseguiríamos viver na mesma casa?

Portanto, sem esquecer o passado, não há como fazer um recomeço. É como se um aluno começasse o ano escolar já com as notas ruins do ano anterior, mesmo antes de aprender as novas lições e ser novamente testado.

Deus, em sua infinita sabedoria, criou os mecanismos de esquecimento, para que nossas lembranças não nos impedissem de criar uma nova história. Cada encarnação é uma página em branco, onde podemos escrever o que quisermos. Como faríamos se esta página já estivesse cheia de palavras aleatórias?

Então, quando nos unimos ao nosso pesado corpo material, essa união se encarrega de bloquear essas lembranças. Mas elas não são apagadas, somente ficam temporariamente indisponíveis.

Mas Deus, como é sábio e bondoso, sabe que algumas lembranças nos seriam muito úteis. É por isso que é possível que acessemos certos conhecimentos através da intuição e das lembranças subconscientes.

Todos nós já percebemos que algumas pessoas têm uma grande facilidade para a música, enquanto outros passam grande trabalho para aprender. Outros têm uma incrível aptidão para a matemática: para eles compreender os números é fácil como amarrar os cadarços do sapato. São aptidões já adquiridas no passado e que nos facilitam o aprendizado nessa encarnação.

Portanto, não podemos reclamar do esquecimento temporário do passado, ele nos beneficia muito. E tudo aquilo que é importante e necessário, podemos não lembrar por completo, mas teremos uma intuitiva lembrança e uma facilidade de aprendizado.

Esses mecanismos também explicam porque às vezes conversamos cinco minutos com outra pessoa e parece que já a conhecemos a muito tempo. Ou quando cruzamos com uma pessoa e "não vamos com a cara dela" desde o primeiro instante. É o nosso subconsciente que revela que já conhecemos essas pessoas, apenas não nos lembramos.

Agora que sabemos isso, vamos aproveitar para nos reconciliarmos com todas aquelas pessoas que inconscientemente não gostamos e nem elas gostam de nós. Só Deus sabe o que elas nos fizeram e o que nós fizemos à elas. Então, nada de desperdiçar essa oportunidade de reconciliação, já que não lembramos de nada mesmo!!!

Espero que os leitores tenham gostado do assunto de hoje. Deixem suas opiniões nos comentários (e as dúvidas também).


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A felicidade é para todos. E o empenho também!

Falamos com frequência aqui no blog sobre as virtudes e a felicidade verdadeira.

E são conceitos, de certa forma, abstratos. Não são coisas palpáveis.

Isso acaba fazendo com que pensemos que essas virtudes são somente para os homens sábios, os homens santos, tal como os grandes ícones da humanidade: Mahatma Gandhi, Jesus, Dalai Lama, Francisco de Assis, e assim por diante.

E então nesse equívoco não percebemos que nós também temos todo o potencial para alcançar todas as virtudes.

Mas depende de muito empenho.

A felicidade e a perfeição moral são atingíveis, mas não podem ser compradas e nem ganhadas. Precisam ser cultivadas continuamente. É necessário que lapidemos incessantemente o diamante bruto que somos.

Já dizia Jesus: "Vós sois deuses. Vós podeis fazer o que eu faço e muito mais."

Portanto, não pensemos que isso é reservado aos "santos". Com dedicação, todos nós podemos ser virtuosos e alcançar a verdadeira felicidade.

"Em algumas pessoas, os laços materiais são ainda muito fortes, para que o espírito se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro que as envolve impede-lhes a visão do infinito. Eis por que não conseguem romper facilmente com os seus gostos e os seus hábitos, não compreendendo que possa haver nada melhor do que aquilo que possuem. A crença nos Espíritos é para elas um simples fato, que não modifica pouco ou nada as suas tendências instintivas. Numa palavra, não vêem mais do que um raio de luz, insuficiente para orientá-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de modificar-lhes as tendências. Apegam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente as iniciem em novos mistérios, sem indagarem se tornaram dignas de penetrar os segredos do Criador. São, afinal, os espíritas imperfeitos, alguns dos quais estacionam no caminho ou se distanciam dos seus irmãos de crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou porque preferem a companhia dos que participam das suas fraquezas ou das suas prevenções. Não obstante, a simples aceitação da doutrina em princípio é um primeiro passo, que lhes facilitará o segundo, numa outra existência."

(Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 17, item 4).

Que os nossos estudos não sejam apenas um falatório em vão.

Que possamos de fato compreender estes ensinamentos e colocá-los em prática.

Somente quando mudamos as fórmulas é que chegamos a novos resultados.

Basta querer.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quem é o verdadeiro culpado: o invejoso ou o invejado?

Atualmente as pessoas se manisfestam muito através das redes sociais: mostram suas opiniões, pontos de vista, o que "curtem" e não curtem.

E muitas pessoas postam ou compartilham imagens com frases de sábios e celebridades: alguns falando de virtudes, outros trazendo conselhos e alguns outros manifestando pontos de vista.

E entre essas frases que circulam, muitas delas possuem o tema inveja.

E isso me lembrou de um momento, ocorrido semana passada. Retornava eu para casa após o trabalho, e vendo os vários carros estacionados pensava: "será que as pessoas ricas não vivem com medo de serem assaltadas ou sequestradas?". Esse pensamento me levou a refletir sobre o supérfluo e o necessário, até que cheguei no seguinte raciocínio: "quem pouco exibe, pouco tem para ser cobiçado".

Não vou discutir hoje sobre o necessário e o supérfluo, isto já foi alvo de outro post. (clique aqui para ler).

Mas voltando ao tema da inveja e das redes sociais, não há como negar que vivemos em uma época de muita ostentação.

Consciente ou inconscientemente, nos exibimos diariamente nas redes sociais (e também no cotidiano) com nossas posses, conquistas e status.

Vamos a um restaurante, postamos uma foto.

Compramos um carro novo, postamos uma foto.

Estamos com o corpo "malhado", postamos uma foto.

E essa "socialização" da vida pessoal, torna-se um prato cheio para os invejosos.

Mas aí eu pergunto: se não tivéssemos nos exibido, o invejoso teria o que invejar? Como ele invejaria algo que ele não sabe que existe?

Não objetivamos defender a posição do invejoso. Cada um é responsável por seus atos e pensamentos, e com ele não seria diferente.

Mas pensemos:

Se temos um cão bravo em casa, quando as visitas chegam não o prendemos, a fim de prevenir um acidente?

Da mesma forma, não deveríamos nos preservar um pouco mais, a fim de nos prevenirmos da inveja?

E é por isso que o título desse post traz essa reflexão: "quem é o verdadeiro culpado: o invejoso ou o invejado?"

Podemos utilizar as redes sociais, elas são ferramentas de nossa época e podem ser muito úteis quando bem utilizadas, mas tenhamos ponderação e reflexão antes de postarmos qualquer coisa.

Porque depois não adianta lamentarmos os frutos de nossa imprevidência.

Fica o tema para reflexão.





segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Diferentes ordens de espíritos: Progressão dos espíritos


Veja as partes anteriores:

A escala espírita
Espíritos imperfeitos
Bons espíritos
Espíritos puros


Encerrando a série sobre as diferentes ordens de espíritos, vamos às questões relativas à progressão dos espíritos:

"114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que procuram melhorar-se?

— Os Espíritos mesmos se melhoram; melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma superior.

115. Uns Espíritos foram criados bons e outros maus?

— Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de os esclarecer e progressivamente conduzir à perfeição, pelo conhecimento da verdade e para os aproximar dele. A felicidade eterna e sem perturbações, eles a encontrarão nessa perfeição. Os Espíritos adquirem, o conhecimento passando pelas provas que Deus lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais prontamente ao seu destino; outros não conseguem sofrê-las sem lamentação, e assim permanecem, por sua culpa, distanciados da perfeição e da felicidade prometida.

115. a) Segundo isto, os Espíritos, na sua origem, se assemelham a crianças, ignorantes e sem experiência, mas adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam, ao percorrer as diferentes fases da vida?

— Sim, a comparação é justa: a criança rebelde permanece ignorante e imperfeita; seu menor ou maior aproveitamento depende da sua docilidade. Mas a vida do homem tem fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito.

116. Há Espíritos que ficarão perpetuamente nas classes inferiores?

— Não; todos se tomarão perfeitos. Eles mudam, embora devagar, porque, como já dissemos uma vez, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente os seus filhos. Querias que Deus, tão grande, tão justo e tão bom, fosse pior que vós mesmos?

117. Depende dos Espíritos apressar o seu avanço para a perfeição?

— Certamente. Eles chegam mais ou menos rapidamente, segundo o seu desejo e a sua submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa que uma rebelde?

118. Os Espíritos podem degenerar?

— Não. À medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito concluiu uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde. Pode permanecer estacionário, mas não retrogradar.

119. Deus pode livrar os Espíritos das provas que devem sofrer para chegar à primeira ordem?

— Se eles tivessem sido criados perfeitos, não teriam merecimento para gozar os benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito sem a luta? De outro lado, a desigualdade existente entre eles é necessária à sua personalidade, e a missão que lhes cabe nos diferentes graus está nos desígnios da Providência, com vistas à harmonia do Universo.

Comentário de Kardec: Como, na vida social, todos os homens podem chegar aos primeiros postos, também poderíamos perguntar por que motivo o soberano de um país não faz, de cada um dos seus soldados, um general; por que todos os empregados subalternos não são superiores; por que todos os alunos não são professores. Ora, entre a vida social e a espiritual, existe ainda a diferença de que a primeira é limitada e nem sempre permite a escalada de todos os seus degraus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao posto supremo.

120. Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para chegar ao bem?

— Não pela fieira do mal, mas pela da ignorância.

121. Por que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem, e outros, o do mal?

— Não têm eles o livre-arbítrio? Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, ou seja, tão aptos para o bem quanto para o mal; os que são maus, assim se tornaram por sua vontade.

122. Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm a consciência de si mesmos, ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal? Há neles um princípio, uma tendência qualquer que os leve mais para um lado que para outro?

— O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo. Não haveria Uberdade, se a escolha fosse provocada por uma causa estranha à vontade do Espírito. A causa não esta nele, mas no exterior, nas influências a que ele cede em virtude de sua espontânea vontade. Esta é a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação e outros a resistiram.

122. a) De onde vêm as influências que se exercem sobre ele?

— Dos Espíritos imperfeitos que procuram envolvê-lo e dominá-lo, e que ficam felizes de afazer sucumbir. Foi o que se quis representar na figura de Satanás.

122. b) Esta influência só se exerce sobre o Espírito na sua origem?

— Segue-o na vida de Espírito, até que ele tenha de tal maneira adquirido o domínio de si mesmo que os maus desistam de obsediá-lo.

123. Por que Deus permitiu que os Espíritos pudessem seguir o caminho do mal?

— Como ousais pedir a Deus conta dos seus atos? Pensais poder penetraras seus desígnios? Entretanto, podeis dizer: A sabedoria de Deus se encontra na Uberdade de escolha que concede a cada um, porque assim cada um tem o mérito de suas obras.

124. Havendo Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto, e outros, o do mal absoluto, haverá gradações, sem dúvida, entre esses dois extremos?

— Sim, por certo, e constituem a grande maioria.

125. Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros?

— Sim, mas as eternidades serão mais longas para eles.

Comentário de Kardec: Por essa expressão, as eternidades, devemos entender a idéia que os Espíritos inferiores fazem da perpetuidade dos seus sofrimentos, cujo termo não lhes é dado ver. Essa idéia se renova em todas as provas nas quais sucumbem.

126. Os Espíritos que chegam ao supremo grau, depois de passarem pelo mal, têm menos mérito que os outros aos olhos de Deus?

— Deus contempla os extraviados com o mesmo olhar, e os ama a todos do mesmo modo. Eles são chamados maus porque sucumbiram; antes, não eram mais que simples Espíritos.

127. Os Espíritos são criados iguais quanto às faculdades intelectuais?

— São criados iguais, mas não sabendo de onde vêm, é necessário que o livre-arbítrio se desenvolva. Progridem mais ou menos rapidamente, tanto em inteligência como em moralidade.

Comentário de Kardec:  Os Espíritos que seguem desde o princípio o caminho do bem nem por isso são Espíritos perfeitos; se não têm más tendências, não estão menos obrigados a adquirir a experiência e os conhecimentos necessários à perfeição. Podemos compará-los a crianças que, qualquer que seja a bondade dos seus instintos naturais têm necessidade de desenvolver-se, de esclarecer-se e não chegam sem transição da infância à maturidade. Assim como temos homens que são bons e outros que são maus desde a infância, há Espíritos que são bons ou maus desde o princípio com a diferença capital de que a criança traz os seus instintos formados, enquanto o Espírito na sua formação, não possui mais maldade que bondade. Ele tem todas as tendências, e toma uma direção ou outra em virtude do seu livre-arbítrio.
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Encerrando esta série de estudos, podemos perceber que a jornada é longa, mas progredir ou não só depende de nossos esforços.

Nunca esqueçamos: toda grande caminhada começa pelo primeiro passo.