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domingo, 24 de novembro de 2013

Inteligência e instinto

Hoje falaremos sobre a inteligência e o instinto, procurando entender as diferenças entre um e outro e como cada um deles está presente nos diferentes seres.


"71. A inteligência é um atributo do princípio vital?

— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.

Comentário de Kardec: A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.

Podemos fazer a seguinte distinção: l.°) os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2.°) os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3.°) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.


72. Qual é a fonte da inteligência?

— Já dissemos: a inteligência universal.

72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?

Isto não é mais do que uma comparação; mas não exata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.

73. O instinto é independente da inteligência?

— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.

74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?

Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.

75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?

— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.


75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?

Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.

Comentário de Kardec: O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.

O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.
"

O instinto sempre guiou a humanidade desde os tempos mais rudimentares. Mas conforme o ser humano foi desenvolvendo sua inteligência, foi desenvolvendo o seu livre arbítrio e passou a tomar suas próprias decisões.

É portanto necessário ao homem que desenvolva a sua inteligência, para tomar decisões cada vez mais acertadas e progredir em sua evolução.

Entretanto, torna-se isso inviável sem o desenvolvimento moral. O desenvolvimento da inteligência e das virtudes deve andar lado a lado, pois quando o homem é orgulhoso, egoísta e invejoso, dificilmente fará boas escolhas. Aí, quando as coisas dão errado, reclama de Deus, sendo que foi o próprio homem que escolheu o seu destino.

Portanto, a inteligência sem virtudes é uma ferramenta pouco potente, e que pode causar muito mal. Mas a inteligência munidada das virtudes, é uma ferramenta precisa e eficiente, que traz somente ótimos resultados e felicidade.

Vamos então investir mais tempo no desenvolvimento das virtudes, pois com elas iremos sempre na direção correta.










quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ser humano e o mundo de ilusões

O homem criou para si próprio prisões. Prisões essas feitas de ilusões.

Em sua fase de amadurecimento, a humanidade entrou em um mundo de ilusões, semelhante ao mundo de Peter Pan.

Convencionou então que para ser feliz era preciso posses e poder.

E com isso desbravou novas terras, conquistou e oprimiu outros povos, guerreou com seus vizinhos, escravizou os demais, e assim estabeleceu reinados e impérios.

Mas ainda assim o homem não era feliz.

Porém, tal como a criança, que acha que a sua felicidade está em brincar e comer doces, e quando vira adolescente percebe que eram apenas devaneios infantis, a humanidade ao se desenvolver foi abandonando gradualmente (porém nunca totalmente) essas idéias. Mas como percebeu que a realidade era mais difícil e menos emocionante, criou novos devaneios.

Hoje somos escravos das programação televisiva, que nos aliena do mundo ao nosso redor. Estratégias de marketing nos fazem comprar inúmeras tranqueiras, roupas e acessórios que não precisamos. Pensamos que sem o corpo e a beleza perfeitos, não teremos lugar no mundo. E para descontar as frustrações, medos e incertezas, utilizamos dos vícios como meios de fugir dessa ilusão (indo para dentro de outra).

E todas essas ilusões que nos aprisionam, foram criadas por nós mesmos.

Só depende de nós sairmos dessa prisão. A chave está no nosso bolso. Mas será que queremos?

Assim como o Peter Pan, vivemos em um mundo de fantasia. Sabemos lá no fundo que não é a realidade, mas como não queremos crescer, nos aconchegamos nessa zona de conforto.

A realidade é mais difícil e vai exigir muito mais de nós, mas somente na realidade é que atingiremos a felicidade real.

No mundo de ilusão, nunca conseguiremos ser felizes por completo, pois sempre algo dentro de nós nos diz que aquilo é fictício.

E uma vez que tomemos conhecimento da realidade, cada vez vai ser mais difícil viver no mundo da ilusão.

Porque a tendência é sempre progredirmos. Á medida que amadurecemos, temos que seguir em frente. A estagnação sempre nos trará desconforto.

Uma ótima analogia para este tema é feita no filme Matrix:
O personagem principal (Neo) somente conseguiu desenvolver suas habilidades de “escolhido” quando passou a ter certeza de que a Matrix era uma vida falsa e que a vida verdadeira era a que o Morpheus (seu mestre) estava apresentando. E então foi capaz de fazer coisas consideradas impossíveis.

Sairmos ou não desse mundo de ilusões, dessa fantasia que nós próprios criamos, só depende de nós, de nossa conscientização. Se queremos ser felizes de verdade, esse é o único caminho.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Inversão de valores

Desde o tempo onde reis e rainhas governavam, onde conquistadores desbravavam novos territórios e que a nobreza vivia separada dos pobres, os homens tendem a diferenciar-se uns dos outros.

Dadas determinadas características, sejam elas a cor da pele, a fortuna acumulada ou a nobreza de sangue, quem as possuísse era poderoso, e quem não as possuísse era um verme.

O que não se percebia era que não se pode qualificar uma pessoa somente por uma determinada característica: rico ou pobre, branco ou negro, forte ou fraco.

Todos nós somos uma combinação única de virtudes, defeitos e experiências, combinando-se numa proporção em que ninguém pode ser igual a nós.

E sendo assim tão complexos, todos nós somos bons em alguma coisa e ruins em alguma coisa. Ninguém é totalmente isento de virtude, e pouquíssimos são isentos de defeitos.

E aquela virtude que falta a um, o outro tem de sobra. Aquela habilidade que um precisa, o outro pode ensinar. E é por isso que devemos viver em fraternidade e sociedade: assim todos nos completaremos e poderemos viver com muito mais facilidade e menos entraves.

Mas o nosso egoísmo nos barra e acabamos sempre agindo sozinhos. E é nessas horas que nossos defeitos tornam-se verdadeiros tendões de Aquiles. Por isso que erramos tanto!

Vamos supor que dois homens, um muito inteligente, porém fraco fisicamente e outro com o intelecto pouco desenvolvido, mas muito forte fisicamente, encontrem-se em um labirinto cheio de enigmas e obstáculos. Poderia o homem fraco fisicamente transpor todos os obstáculos sozinho? Arrastar pedras pedras pesadas e erguer outros pesos? E poderia o homem forte transpor todos os enigmas sozinho? Como decifraria ele os mais elaborados teoremas para abrir as fechaduras?

E esse é somente um exemplo simples, de como duas pessoas juntas são muito mais poderosas do que sozinhas.

Portanto, antes de classificar alguém por seus defeitos, não esqueçamos que todos temos virtudes. E antes de nos gabar-mos de nossas virtudes, não esqueçamos que todos nós temos defeitos a corrigir, muitas vezes mais graves do que aqueles de nosso irmão que tanto criticamos.

É o momento de corrigirmos os valores invertidos de nossa sociedade. E temos que começar mudando a nossa própria mentalidade. Antes de mudar o mundo, temos que mudar a nós mesmos primeiro.

Só que para mudar a nós mesmos, precisamos ter humildade e coragem para vermos e assumirmos os nossos erros e defeitos.

Ninguém gosta de ser criticado, e nem de ver seus próprios defeitos. Mas somente quando conseguirmos entender onde estão as nossas falhas, não conseguiremos mudar.

A humildade, portanto, não é imprescindível somente para ajudar ao próximo. Ela é fundamental para ajudarmos a nós próprios também.




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Considerações sobre a Pluralidade das Existências

Nesta brilhante dissertação, presente em O Livro dos Espíritos, Kardec racionalmente reflete sobre a pluralidade das existências (reencarnação), esclarecendo muitos pontos pertinentes para a compreensão deste tema.

A leitura é recomendada a todos, desde quem não acredita na reencarnação até quem já conhece todos os seus desdobres, pois ela acrescenta muito conhecimento a todos nós.

Kardec, como grande educador que era, mostra toda a sua capacidade didática e analítica sobre o tema. Uma das muitas pérolas deixadas por ele na codificação espírita.


"I – Considerações sobre a Pluralidade das Existências

222.O dogma da reencarnação, dizem algumas pessoas, não é novo e foi retirado de Pitágoras. Mas jamais dissemos que a doutrina espírita fosse uma invenção moderna. O Espiritismo deve ter existido desde a origem dos tempos, pois decorre da própria Natureza. Temos sempre procurado provar que se encontram os seus traços desde a mais alta Antiguidade. Pitágoras, como se sabe, não é o criador do sistema de metempsicose, que tomou dos filósofos indianos e dos meios egípcios, onde ela existia desde de épocas imemorais. A idéia da transmigração das almas era, portanto, uma crença comum, admitida pelos homens mais eminentes. Por que maneira chegou até eles? Não sabemos. Mas, seja como for, uma idéia não atravessa as idades e não é aceita pelas inteligências mais adiantadas, se não tiver um aspecto sério. A antiguidade desta doutrina, portanto, em vez de ser uma objeção, devia ser antes uma prova a seu favor. Há, porém, como igualmente se sabe, entre a metempsicose dos antigos e a moderna doutrina da reencarnação, a grande diferença de que os Espíritos rejeitam, da maneira mais absoluta, a transmigração do homem nos animais e vice-versa.

Os Espíritos, ensinando o dogma da pluralidade das existências corpóreas, renovam uma doutrina que nasceu nos primeiros tempos do mundo, e que se conservou até os nossos dias, no pensamento íntimo de muitas pessoas. Apresentam-na, porém, de um ponto de vista mais racional, mais conforme às leis progressivas da natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, ao despojá-la de todos os acréscimos da superstição. Uma circunstância digna de nota é que não foi apenas neste livro que eles a ensinaram, nos últimos tempos: desde antes da sua publicação, numerosas comunicações da mesma natureza foram obtidas, em diversas regiões, e multiplicaram-se consideravelmente depois. Seria o caso, talvez, de examinar-se por que todos os Espíritos não parecem de acordo sobre este ponto. É o que faremos logo mais.

Examinemos o assunto por outro ângulo, fazendo abstração da intervenção dos Espíritos. Deixemo-los de lado por um instante. Suponhamos que esta teoria não foi dada por eles; suponhamos mesmo que nunca se tenha cogitado disto com os Espíritos. Coloquemo-nos momentaneamente numa posição neutra, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma hipótese e outra, a saber: a da pluralidade e a da unicidade das existências corpóreas, e vejamos para que lado nos levam a razão e o nosso próprio interesse.

Certas pessoas repelem a idéia da reencarnação pelo único motivo de que ela não lhes convém, dizendo que lhes basta uma existência e não desejam iniciar outra semelhante. Conhecemos pessoas que, à simples idéia de voltar à Terra, ficam enfurecidas. Só temos a lhes perguntar se Deus devia pedir-lhes conselho e consultar os seus gostos, para ordenar o Universo. De duas uma: a reencarnação existe ou não existe. Se existe, é inútil opor-se a ela, pois terão de sofrê-la, sem que Deus lhes peça permissão para isso. Parece-nos ouvir um doente dizer: — Já sofri hoje demais e não quero tornar a sofrer amanhã. Qualquer que seja a sua má vontade, isso não o fará sofrer menos amanhã e nos dias seguintes, até que consiga curar-se. Da mesma maneira, se essas pessoas devem reviver corporalmente, reviverão, tornarão a reencarnar-se; perderão o tempo de protestar, como uma criança que não quer ir à escola ou um condenado, à prisão, pois terão de passar por ela. Objeções dessa espécie são demasiado pueris para merecerem exame mais sério. Diremos, entretanto, a essas pessoas, para tranqüilizá-las, que a doutrina espírita sobre a reencarnação não é tão terrível como pensam, e que, se a estudassem a fundo, não teriam do que se assustar. Saberiam que essa nova existência depende delas mesmas: será feliz ou desgraçada, segundo o que tiverem feito neste plano, e podem desde já elevar-se tão alto, que não mais deverão temer nova queda no lodaçal.

Supomos falar a pessoas que acreditam num futuro qualquer após a morte, e não às que só têm o nada como perspectiva, ou que desejam mergulhar a sua alma no Todo Universal, sem conservar a individualidade, como as gotas de chuva no oceano, o que vem a ser mais ou menos a mesma coisa. Se acreditais num futuro qualquer, por certo não admitireis que ele seja o mesmo para todos, pois qual seria a utilidade do bem? Por que reprimir-se, por que não satisfazer a todas as paixões, a todos os desejos, mesmo à custa dos outros, pois que isso não teria conseqüência? Acreditais, pelo contrário, que esse futuro será mais ou menos feliz ou desgraçado, segundo o que tivermos feito durante a vida; e tereis o desejo de que seja o mais feliz possível, pois que deverá durar pela eternidade? Teríeis, por acaso, a pretensão de ser uma das criaturas mais perfeitas que já passaram pela Terra, tendo, assim, o direito imediato à felicidade dos eleitos? Não. Admitis, então, que há criaturas que valem mais do que vós e têm direito a uma situação melhor, sem por isso vos considerardes entre os réprobos. Pois bem, colocai-vos por um instante, pelo pensamento, nessa situação intermediária, que será a vossa, como o admitis, e suponde que alguém venha dizer-vos: — “Sofreis, não sois tão felizes como poderíeis ser, enquanto tendes diante de vós os que gozam de uma felicidade perfeita; quereis trocar a vossa posição com a deles?” — “Sem dúvida!”, responderíeis, “mas o que devo fazer?” — “Quase nada: recomeçar o que fizestes mal e tratar de fazê-lo melhor.” — Hesitaríeis em aceitar, mesmo que fosse ao preço de muitas existências de provas?

Façamos uma comparação mais prosaica. Se a um homem que, sem estar na miséria extrema, passa pelas privações decorrentes da sua precariedade de recursos viessem dizer: — “Eis uma imensa fortuna, que podereis gozar, sendo, porém, necessário trabalhar rudemente durante um minuto”—; fosse ele o maior preguiçoso da terra, e diria sem hesitar: — “Trabalhemos um minuto, dois minutos, uma hora, um dia, se for preciso! O que será isso, para acabar a minha vida na abundância?” Ora, o que é a duração da vida corporal, em relação à da eternidade? Menos que um minuto, menos que um segundo.

Ouvimos algumas vezes este raciocínio: Deus, que é soberanamente bom, não pode impor ao homem o reinicio de uma série de misérias e tribulações. Acharão, por acaso, que há mais bondade em condenar o homem a um sofrimento perpétuo, por alguns momentos de erro, do que em lhe conceder os meios de reparar as suas faltas? Dois fabricantes tinham, cada qual, um operário que podia aspirar a se tornar sócio da firma. Ora, aconteceu que esses dois operários empregaram mal, certa vez, o seu dia de trabalho e mereceram ser despedidos. Um dos fabricantes despediu o seu empregado, apesar de suas súplicas, e este, não mais encontrando emprego, morreu na miséria. O outro disse ao seu: — “Perdeste um dia e me deves uma compensação; fizeste mal o trabalho e me deves a reparação; eu te permito recomeçar; trata de fazê-lo bem, e eu te conservarei, e poderás continuar aspirando à posição superior que te prometi”. Seria necessário perguntar qual dos dois fabricantes foi mais humano? Deus, que é a própria clemência, seria mais inexorável que um homem? O pensamento de que a nossa sorte está para sempre fixada, em alguns anos de prova, ainda mesmo quando nem sempre dependesse de nós atingir a perfeição sobre a Terra, tem qualquer coisa de pungente, enquanto a idéia contrária é eminentemente consoladora, pois não nos tira a esperança. Assim, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências, sem admitir uma hipótese mais do que a outra, diremos que, se pudéssemos escolher, ninguém preferiria um julgamento sem apelo. Um filósofo disse que, se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo, para a felicidade do gênero humano; o mesmo se poderia dizer da pluralidade das existências. Mas, como dissemos, Deus não pede licença, não consulta as nossas preferências; as coisas são ou não são. Vejamos de que lado estão as probabilidades, e tomemos o problema sob outro ponto de vista, fazendo sempre abstração do ensinamento dos Espíritos e unicamente, portanto, como estudo filosófico.

Se não há reencarnação, não há mais do que uma existência corporal, isso é evidente. Se nossa existência corporal é a única, a alma de cada criatura foi criada por ocasião do nascimento, a menos que admitamos a anterioridade da alma. Mas neste caso perguntaríamos o que era a alma antes do nascimento, e se o seu estado não constituiria uma existência, sob qualquer forma. Não há, pois, meio-termo: ou a alma existia ou não existia antes do corpo. Se ela existia, qual era a sua situação? Tinha ou não consciência de si mesma? Se não a tinha, era mais ou menos como se não existisse; se tinha, sua individualidade era progressiva ou estacionária. Num e noutro caso, qual a sua situação ao chegar ao corpo? Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo ou, o que dá no mesmo, que antes da encarnação só tinha faculdades negativas, formulamos as seguintes questões:

1. Por que a alma revela aptidões tão diversas e independentes das idéias adquiridas pela educação?

2. De onde vem a aptidão extra-normal de algumas crianças de pouca idade para esta ou aquela ciência, enquanto outras permanecem inferiores ou medíocres por toda a vida?

3. De onde vêm, para uns, as idéias inatas ou intuitivas, que não existem para outros?

4. de onde vêm, para certas crianças, os impulsos precoces de vícios ou virtudes, esses inatos de dignidade ou de baixeza, que contrastam com o meio em que nasceram?

5. Por que alguns homens, independentemente da educação, são mais adiantados que os outros?

6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomarmos uma criança hotentote, de peito, e a educarmos, enviando-a depois aos mais renomados liceus, faremos dela um Laplace ou um Newton?

 Perguntamos qual a Filosofia ou a Teosofia que pode resolver esses problemas. Ou as almas são iguais ao nascer, ou não o são: quanto a isso não há dúvida. Se são iguais, por que essas tamanhas diferenças de aptidões? Dirão que dependem do organismo. Mas nesse caso, teríamos a doutrina mais monstruosa e mais imoral. O homem não seria mais que uma máquina, joguete da matéria; não teria a responsabilidade dos seus atos; tudo poderia atribuir-se às suas imperfeições físicas. Se as almas são desiguais, foi Deus quem as criou assim. Então, por que essa superioridade inata, conferida a alguns? Essa parcialidade estaria conforme à sua justiça e ao amor que dedica por igual a todas as criaturas?

Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores e progressivas, e tudo se explicará. Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que já haviam adquirido. São mais ou menos adiantados, segundo o número de existências por que passaram ou conforme estejam mais ou menos distanciados do ponto de partida: precisamente como, numa reunião de pessoas de todas as idades, cada uma terá um desenvolvimento de acordo com o números de anos vividos. Para a vida da alma, as existências sucessivas serão o que os anos são para a vida do corpo. Reuni um dia mil indivíduos de um até oitenta anos; suponde que um véu tenha sido lançado sobre todos os dias anteriores, e que, na vossa ignorância, julgais todos eles nascidos no mesmo dia: perguntaríeis, naturalmente, por que uns são grandes e outros pequenos, uns velhos e outros jovens, uns instruídos e outros ainda ignorantes. Mas, se a nuvem que vos oculta o passado for afastada, se compreenderdes que todos viveram por mais ou menos tempo, tudo estará explicado. Deus, na sua justiça, não podia ter criado almas mais perfeitas e outras menos perfeitas, mas, com a pluralidade das existências, a desigualdade que vemos nada tem de contrário à mais rigorosa equidade. É porque só vemos o presente e não o passado, que não o compreendemos. Este raciocínio repousa sobre algum sistema, alguma suposição gratuita? Não, pois partimos de um fato patente, incontestável: a desigualdade de aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral. E verificamos que esse fato é inexplicável por todas as teorias correntes, enquanto a explicação é simples, natural, lógica, por uma nova teoria. Seria racional preferirmos aquela que nada explica à outra que tudo explica?

No tocante à sexta pergunta, dirão sem dúvida que o hotentote é uma raça inferior. Então perguntaremos se o hotentote ó ou não humano. Se é humano, por que teria Deus, a ele e a toda a sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se o não é, por que procurar fazê-lo cristão? A doutrina espírita é mais ampla que tudo isso. Para ela, não há muitas espécie de homens, mas apenas homens, seres humanos cujos espíritos são mais ou menos atrasados, mas sempre suscetíveis de progredir. Isso não está mais conforme à justiça de Deus?

Vimos a alma no seu passado e no seu presente. Se a considerarmos quanto ao futuro, encontraremos as mesmas dificuldades.

1. Se a existência presente deve ser decisiva para a sorte futura, qual é, na vida futura, respectivamente, a posição do selvagem e a do homem civilizado? Estarão no mesmo nível ou estarão distanciados no tocante à felicidade eterna?

2. O homem que trabalhou toda a vida para melhorar-se estará no mesmo plano daquele que permaneceu inferior, não por sua culpa, mas porque não teve o tempo nem a possibilidade de melhorar?

3. O homem que praticou o mal, por não ter podido esclarecer-se, culpado por um estado de coisas que dele em nada dependeu?

4. Trabalha-se para esclarecer os homens, para os moralizar e civilizar. Mas, para um que se esclarece, há milhões que morrem cada dia antes que a luz consiga atingi-los. Qual é a sorte destes? Serão tratados como réprobos? Caso contrário, o que fizeram eles para merecerem estar no mesmo plano que os outros?

5. Qual é a sorte das crianças que morrem em tenra idade, antes de poderem ter feito o mal ou o bem? Se estiverem entre os eleitos, por que esse favor, sem nada terem feito para o merecer? Por que privilégio foram elas subtraídas às tribulações da vida?

Há uma doutrina que possa resolver essas questões? Admiti as existências sucessivas, e tudo estará explicado de acordo com a justiça de Deus. Aquilo que não pudermos fazer numa existência, faremos em outra. É assim que ninguém escapa à lei do progresso. Cada um será recompensado segundo o seu verdadeiro merecimento, e ninguém é excluído da felicidade suprema, a que pode aspirar, sejam quais forem os obstáculos que encontre no seu caminho.

Essas questões poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque os problemas psicológicos e morais que não encontram solução, a não ser na pluralidade das existências, são inumeráveis. Limitamo-nos apenas aos mais gerais. Seja como for, talvez se diga que a doutrina da reencarnação não é admitida na Igreja; isto seria, portanto, a subversão da religião. Nosso objetivo não é, no momento, tratar desta questão, bastando-nos haver demonstrado que ela é eminentemente moral e racional. Ora, o que é moral e racional não pode ser contrário a uma religião que proclame Deus como a bondade e a razão por excelência. O que teria acontecido à religião se, contra a opinião universal e o testemunho da Ciência, tivesse resistido à evidência e expulsado de seu seio quem não acreditasse no movimento do sol e nos seis dias da criação? Que crédito mereceria e que autoridade teria, entre os povos esclarecidos, uma religião baseada nos erros evidentes, oferecidos como artigos de fé? Quando a evidência foi demonstrada, a Igreja sabiamente se alinhou ao seu lado. Se está provado que existem coisas que seriam impossíveis sem a reencarnação, se certos pontos do dogma não podem ser explicados senão por este meio, será necessário admiti-la e reconhecer que o antagonismo entre essa doutrina e os dogmas é apenas aparente. Mais tarde mostraremos que a religião talvez esteja menos afastada desta doutrina do que se pensa, e que ela não sofreria mais, ao admiti-la, do que com a descoberta do movimento da Terra e dos períodos geológicos, que a princípio pareciam opor um desmentido aos textos sagrados. O princípio da reencarnação ressalta, aliás, de muitas passagens das Escrituras, encontrando-se especialmente formulado, de maneira explícita, no Evangelho:

— “Descendo eles da montanha (após a transfiguração), Jesus lhe: preceituou, dizendo: — Não digais a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem seja ressuscitado de entre os mortos. Seus discípulos então o interrogaram, e lhe disseram: — Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro ? E Jesus, respondendo, lhes disse: — Em verdade, Elias virá primeiro e restabelecerá todas as coisas. Mas eu vos declaro que Elias já veio, e eles não o conheceram, antes o fizeram sofre, tudo quanto quiseram. Assim também eles farão morrerão Filho do Homem. Então entenderam os discípulos que era de João Batista que ele lhes havia falado. “ (São Mateus, cap. XVII.)

Ora, se João Batista era Elias, houve então a reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista.

Seja qual for, de resto, a opinião que se tenha sobre a reencarnação, que a aceitem ou não, ninguém a ela escapará por causa da crença em contrário. O ponto essencial é que se apóia na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo, e, portanto, não é anti-religioso.

Raciocinamos, como dissemos, fazendo abstração de todo o ensinamento espírita, que, para certas pessoas, não tem autoridade. Se, como tantos outros, adotamos a opinião referente à pluralidade das existências, não é somente porque ela veio dos Espíritos, mas porque nos parece a mais lógica e a única que resolve as questões até então insolúveis. Que ela nos viesse de um simples mortal, e a adoraríamos da mesma maneira, não hesitando em renunciar à nossas próprias idéias. Do mesmo modo, nós a teríamos repelido, embora viesse dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tanta outras. Porque sabemos por experiência que não se deve aceitar de olhos fechados tudo o que vem dos Espíritos, como aquilo que vem da parte do homens. Seu primeiro título aos nossos olhos é, e antes de tudo, o de se lógica. Mas ainda tem outro, que é o de ser confirmada pelos fatos: fato positivos e por assim dizer materiais, que um estudo atento e raciocinado pode revelar a quem se der ao trabalho de observá-los com paciência perseverança e diante dos quais a dúvida não é mais possível. Quando esses fatos se popularizarem, como os da formação e do movimento da Terra, ser necessário reconhecer a evidência, e os seus opositores terão gasto em vão os argumentos contrários.

Reconhecemos, em resumo, que a doutrina da pluralidade das existências é a única a explicar aquilo que, sem ela, é inexplicável. Que é eminentemente consoladora e conforme à justiça mais rigorosa, sendo para o homem a tábua de salvação que Deus lhe concedeu, na sua misericórdia.

As próprias palavras de Jesus não podiam deixar dúvida a respeito. Eis o que se lê no Evangelho segundo São João, capítulo III:

"3. Jesus, respondendo a Nicodemos disse, — Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4. Nicodemos lhe disse: — Como pode um homem nascer, quando está velho?” Pode ele entrar de novo no ventre de sua mãe e nascer uma segunda vez?

5. Jesus respondeu:— Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do espírito é espírito. Não te maravilhes de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo." (Ver a seguir, o artigo Ressurreição da carne, item 1010.)
"

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dicas práticas para agir melhor no dia-a-dia

Como às vezes teorizamos muito e não praticamos proporcionalmente, reuni algumas dicas práticas para tentarmos agir melhor no dia-a-dia.

- Procure maneiras de ser útil aos outros. Pode ser em simples tarefas ou mesmo ajudando em tarefas mais complexas. O importante é ajudar!

- Pergunte como as pessoas estão e ouça o que elas tem a dizer. Procure se inteirar do que as pessoas sentem, de seus problemas. Muitas vezes as pessoas estão sobrecarregadas, estressadas e/ou deprimidas. Desabafar faz um bem enorme!

- Tenha contato físico com as pessoas: aperte a mão, quando possível abrace! Toque nos ombros das pessoas enquanto conversa. Isso diminui as barreiras emocionais entre você e a outra pessoa, sem contar que um pequeno gesto desses pode ser o único gesto de carinho que a pessoa vai receber no dia.

- Não fale mal dos outros. Ver os defeitos dos outros é algo totalmente contrário à caridade. Antes de procurar os defeitos alheios, investigue o seus próprios e ocupe-se tratando deles.

- Não participe de debates infrutíferos. Perdemos muito tempo e energia com discussões que não vão levar a lugar nenhum, apenas para provar aos outros que o nosso ponto de vista é o correto. Isso é completamente desnecessário.

- Não procure estar com a razão sempre. Existe uma busca incessante por estarmos com a razão. Caso haja uma discussão, não alimente o monstro, dê o braço a torcer e se retire. Não se esqueça que cedo ou tarde a verdade sempre aparece.

- Reconheça quando errar. Errar é comum ao ser humano, pois faz parte do processo de aprendizado. Mas persistir no erro não é bom. Portanto, quando errar, reconheça e peça desculpas.

- Quando aparecerem muitos problemas, relaxe! Se o problema tem solução, fique tranquilo, pois tem solução. E se o problema não tem solução, fique tranquilo, pois não tem solução. E se eles forem muitos, você não precisa lidar com todos ao mesmo tempo, escolha um resolva este primeiro. Só depois pense nos outros.

- Pense antes de falar. Quando em um momento de exaltação falamos algo que não deveríamos, podemos magoar muito a alguém. Ou também podemos falar coisas que não acrescentem em nada produtivo ao assunto. Ponderar antes de falar evita muitos contratempos.

- Não se vanglorie de seus feitos. Agir com humildade é imprescindível. Não valorize e nem comente as coisas boas que você fez/faz. Guarde isso somente para você.

- Trabalhe na hora de trabalhar, descanse na hora de descansar. O descanso é importantíssimo, e sem ele estaremos sujeitos ao estresse e à irritação. Aproveite os momentos de descanso e relaxamento para se esvaziar dos problemas e recarregar as baterias. Uma meditação vai bem...

Essas são apenas algumas dicas, de pequenos detalhes que não nos apercebemos no dia-a-dia. Se você tem dicas também, deixe nos comentários!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Idéias inatas, intuições e talentos

Em mais um post sobre o livro dos espíritos, hoje vamos abordar este tema muito interessante, e que causa muitas dúvidas nos iniciantes no espiritismo.

Os posts sobre o livro dos espíritos normalmente vão ao ar nos sábados, mas por mudanças na minha rotina não estou conseguindo postar a tempo. Mas tão breve quanto possível, voltaremos aos dias habituais: quartas e sábados.

Vamos então ver o que O Livro dos Espíritos nos diz:


"218. O Espírito encarnado conserva algum traço das vitórias que obteve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores?

— Resta-lhes uma vaga lembrança, que lhe dá o que chamamos idéias inatas.

218 – a) A teoria das idéias inatas não é quimérica?

— Não, pois os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito, liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação pode esquecê-lo em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente.

218 – b) Deve então haver uma grande conexão entre duas existências sucessivas?

— Nem sempre tão grande como podias pensar, porque as posições são quase sempre muito diferentes, e no intervalo de ambas o Espírito pode progredir. (Ver item 216.)

219. Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo etc.?

— Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual     ela mesma não tem consciência. De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque a vestimenta.

220. Com a mudança dos corpos, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes?

— Sim, desde que se tenha desonrado essa faculdade, empregando-a mal. Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra que não se relaciona com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.

221. E a uma lembrança retrospectiva que deve o homem, mesmo no estado de selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura?

— E uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito, antes de encarnar; mas o orgulho freqüentemente abafa esse sentimento.
"

Já aprendemos que os espíritos têm a "eternidade toda" para progredir, através das sucessivas reencarnações, onde buscam, vida após vida tornarem-se melhores (quando não se desviam do caminho) tanto moralmente quanto intelectualmente. (se estes conceitos são novos para você, recomendamos uma leitura no capítulo 4 do Livro dos Espíritos, clicando aqui).

O que talvez nem todos saibam (e muitos questionam isso), é porque quando encarnamos existe o esquecimento do passado.

Imaginemos que ao encarnarmos novamente na Terra, encontrássemos nossos inimigos do passado, lembrando tudo de ruim que nos fizeram (e tudo de ruim que nós fizemos a eles também). Já pensou se quem hoje é um pai, ou uma mãe, no passado foi alguém que nos assassinou? Como conseguiríamos viver na mesma casa?

Portanto, sem esquecer o passado, não há como fazer um recomeço. É como se um aluno começasse o ano escolar já com as notas ruins do ano anterior, mesmo antes de aprender as novas lições e ser novamente testado.

Deus, em sua infinita sabedoria, criou os mecanismos de esquecimento, para que nossas lembranças não nos impedissem de criar uma nova história. Cada encarnação é uma página em branco, onde podemos escrever o que quisermos. Como faríamos se esta página já estivesse cheia de palavras aleatórias?

Então, quando nos unimos ao nosso pesado corpo material, essa união se encarrega de bloquear essas lembranças. Mas elas não são apagadas, somente ficam temporariamente indisponíveis.

Mas Deus, como é sábio e bondoso, sabe que algumas lembranças nos seriam muito úteis. É por isso que é possível que acessemos certos conhecimentos através da intuição e das lembranças subconscientes.

Todos nós já percebemos que algumas pessoas têm uma grande facilidade para a música, enquanto outros passam grande trabalho para aprender. Outros têm uma incrível aptidão para a matemática: para eles compreender os números é fácil como amarrar os cadarços do sapato. São aptidões já adquiridas no passado e que nos facilitam o aprendizado nessa encarnação.

Portanto, não podemos reclamar do esquecimento temporário do passado, ele nos beneficia muito. E tudo aquilo que é importante e necessário, podemos não lembrar por completo, mas teremos uma intuitiva lembrança e uma facilidade de aprendizado.

Esses mecanismos também explicam porque às vezes conversamos cinco minutos com outra pessoa e parece que já a conhecemos a muito tempo. Ou quando cruzamos com uma pessoa e "não vamos com a cara dela" desde o primeiro instante. É o nosso subconsciente que revela que já conhecemos essas pessoas, apenas não nos lembramos.

Agora que sabemos isso, vamos aproveitar para nos reconciliarmos com todas aquelas pessoas que inconscientemente não gostamos e nem elas gostam de nós. Só Deus sabe o que elas nos fizeram e o que nós fizemos à elas. Então, nada de desperdiçar essa oportunidade de reconciliação, já que não lembramos de nada mesmo!!!

Espero que os leitores tenham gostado do assunto de hoje. Deixem suas opiniões nos comentários (e as dúvidas também).