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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

[Repost] Reflexão sobre as festividades de final de ano no mundo contemporâneo

(Inicialmente postado em dezembro de 2013, mas postei novamente pela pertinência do tema)

É chegado o tempo das festividades habituais de final de ano: Natal e Ano-Novo.


Ao falarmos disso, logo pensamos em mesas fartas, champanhe e família. Lembramos da troca de presentes e do amigo secreto. De vestir-se de branco e esperar fogos de artifício.

É sempre assim todo ano, não é mesmo?

E será que deve ser assim?

Pensemos inicialmente no Natal. O Natal é a celebração (simbólica) do nascimento de Jesus. Isso todo mundo sabe.

E quem foi Jesus? Foi aquele cara, cabeludo e barbudo, que vivia em Jerusalém e foi pregado numa cruz a dois mil anos atrás. Todos lembramos disso.

E o que ele veio fazer aqui? Ele veio falar de amor. Ele veio nos ensinar a amar. Ele veio exemplificar o amor incondicional. Ele nos ensinou a tratar aos outros da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados. Ainda lembramos disso?

Vamos pensar bem: na celebração do nascimento de Jesus, que veio nos ensinar a amar ao próximo (e nos deu o exemplo disso), será que o amor está presente nos nossos corações?

Será que aproveitamos a oportunidade para perdoar aquele familiar que nos disse umas coisas feias, o vizinho que faz barulho até tarde, aquele amigo que deu um calote e o chefe turrão que está sempre estressado?

Será que aproveitamos para separar aquelas roupas que não usamos mais e as encaminhamos para doação?

Será que tentamos ajudar a todos aqueles que nos cercam?

Será que expressamos o nosso amor por todos os que nos rodeiam?

Mesmo que façamos tudo isso, nos esquecemos de um pequeno detalhe: Jesus não disse para seguirmos seus ensinamentos somente uma vez por ano. Os seus ensinamentos não são cerimônias para um feriado: são mudanças permanentes de caráter. É fazer o bem durante o ano todo, em todos os momentos. É fazer o certo, mesmo quando for a opção mais difícil. É ser honesto, mesmo quando não há ninguém olhando.

Quanta hipocrisia haverá em nós se amarmos ao próximo somente no Natal. E será que não é isso que temos feito?

Isso quer dizer que não devemos festejar o Natal?

Não. Só quer dizer que não podemos esquecer quem é o aniversariante!!!

E logo depois do Natal vem o Ano-Novo. A festa das promessas.

Esse ano irei começar uma dieta. Esse ano estudarei mais. Esse ano beberei menos. Esse ano vou ser mais cuidadoso no trânsito. Esse ano vou economizar mais dinheiro.

Acho que esquecemos de mencionar qual é o ano. Talvez estejamos prometendo tudo para 2050...

Quando chega o Ano-Novo, bate aquele arrependimento. Todas as coisas legais que queríamos ter feito e não fizemos. Mas para ficar com a consciência tranquila, prometemos que vamos fazer tudo isso no ano seguinte.

E fazemos? Não, repetimos as mesmas burradas do ano anterior.

Não adianta brindarmos e termos lindos objetivos se eles não saírem do papel.

Não adianta comemorarmos que mais um ano está chegando, se será mais um ano desperdiçado de nossas vidas.

Será que mais um ano vai passar sem darmos ouvidos aos ensinamentos de Jesus? (Quem é Jesus mesmo? Ah sim, é o carinha que estava de aniversário no Natal, gente boa ele...)

Esses dois feriados, são apenas um exemplo do que temos feito com nossas vidas.

Temos sido seres vazios de amor, de esperança, de coragem, de paciência, de humildade e de bondade.

Mas somos cheios de mágoas, tristeza, egoísmo, orgulho, raiva e maledicência.

Queremos colher a felicidade agora, mas sempre esquecemos de arar a terra, plantar e regar as sementes, afastar as pragas e manter a terra adubada, até que no tempo propício ela floresça.

Queremos fazer tudo diferente, mas fazemos tudo igual. Queremos resultados diferentes, mas sempre fazemos tudo do mesmo jeito.

Até queremos ser pessoas melhores, mas achamos mais fácil procurar os defeitos dos outros do que identificar os nossos próprios.

Ficamos esperando que os outros nos amem, mas nós não amamos ninguém. Ficamos esperando que os outros nos ajudem, mas nós não ajudamos ninguém.
Ficamos esperando que os outros se dediquem a nós, mas nós não nos dedicamos a ninguém.

Então, não esperemos o próximo ano para mudar. Comecemos hoje mesmo, repensando nossos valores, nossos conceitos. Mudemos nossos pensamentos e atitudes. Ninguém pode fazer isso por nós.

E que Deus, nosso Pai misericordioso nos abençoe e nos ajude em nossos bons propósitos.

"E se vós amais somente aos  que vos amam, que merecimento é o que vós tereis? Pois os pecadores também amam os que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que merecimento é o que vós tereis? Porque isto mesmo fazem também os pecadores. E se emprestardes somente àqueles de quem esperais receber, que merecimento é o que vós tereis? Porque também os pecadores emprestam uns aos outros, para que se lhes faça outro tanto. Amai, pois, os vossos inimigos, façam bem, e emprestai, sem nada esperar, e tereis muito avultada recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, que faz bem aos mesmos que lhe são ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." (Lucas, VI: 32-36).

"Todo aquele, pois,que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. E todo o que ouve estas minhas palavras, e não as observa, será comparado ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E veio a chuva, e transbordaram os rios, e assopraram os ventos, e combateram aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína." (Mateus, VII: 24-27 e semelhante em Lucas, VI: 46-49).



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

[Vídeo] Simples atos de bondade

Eu não costumo postar vídeos aqui no blog, mas me senti na obrigação de divulgar este aqui.

Pequenos atos de bondade feitos no dia-a-dia, com amor, e que são a mais pura expressão da caridade.

Porque para realizar a caridade não se necessita de nada pomposo. Realizar a caridade é ser a pessoa certa no lugar certo, pronta a ajudar quem necessitar.

Os exemplos do vídeo são simples e são ao mesmo tempo as oportunidades diariamente não percebemos.

Percebamos irmãos que as oportunidades de ajudar estão sempre diante de nossos olhos.




sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quais as vantagens de ser uma pessoa melhor?

Em um mundo onde parece que o mal prevalece, onde parece que a malandragem, o oportunismo e a corrupção comandam tudo, quais as vantagens de ser uma boa pessoa?

Esse é um tipo de dúvida muito comum entre as pessoas.

Porque se esforçar para ser uma boa pessoa se parece que só os maus tem vez?

Em primeiro lugar, devemos lembrar que a Terra é um mundo de provas e expiações. É apenas o segundo tipo de mundo na escala evolutiva. Sendo assim, aqui infelizmente o mal prevalece sobre o bem. E por quê isso ocorre? Porque essa é a conduta de seus habitantes. (mais em: Pluralidade dos mundos habitados)

Em segundo lugar, devemos lembrar que a sociedade se faz por seus membros. A sociedade portanto carrega as mesmas características que aqueles que dela fazem parte. É o mesmo que dizer que os japoneses são estudiosos e que os brasileiros são hospitaleiros.

Com isso queremos deixar claro que o mundo só é difícil porque as pessoas assim o tornam.

Mas voltando à questão inicial: quais as vantagens de se esforçar para ser uma pessoa cada vez melhor?

1 - Felicidade

Toda a infelicidade do homem vem de seus maus atos, seja desta encarnação ou das encarnações anteriores. O homem planta o mal e espera colher o bem. Isso não é possível.

Quando nos tornamos pessoas melhores, começamos a agir com bondade, paciência, tolerância, humildade, e todas as demais virtudes que nos esforçamos para alcançar. Com isso, quebramos o ciclo de ações erradas que fazemos a tanto tempo e começamos a agir de maneira muito mais positiva e benéfica. 

Disso, pouco a pouco começaremos a colher os bons frutos, alcançando gradualmente a tão sonhada felicidade.

2 - Paz interior

Quando passamos a agir melhor no nosso dia-a-dia, vamos gradualmente construindo um futuro melhor. Entretanto não podemos esquecer que as ações já feitas ainda trarão suas consequências.

Mas quanto mais cultivarmos as virtudes em nós, menos as turbulências da vida nos afetarão. Todos os problemas parecerão demasiadamente pequenos, e já não lhes daremos tanta importância.

3 - O mundo revela novas cores

Quando passamos a olhar o mundo sob nova ótica, percebemos quantas coisas maravilhosas existem e antes nem nos dávamos conta.

Nas mais pequenas e simples coisas estão escondidas grandes expressões da perfeição, que somente os olhos atentos conseguem perceber.

A vida já não parecerá tão cinza, e a vontade de viver se tornará cada vez mais vibrante.

Perceberemos que as coisas boas da vida estão muito além do materialismo que hoje impera no mundo.

4 - Vida mais leve

Conforme vamos eliminando nossos defeitos, vamos percebendo que não precisamos nos importar tanto com manter aparências de que somos as pessoas mais bem sucedidas do mundo (algo muito praticado nas redes sociais).

Também passamos a perceber que o dinheiro é apenas uma ferramenta, e não o objetivo único da vida. Nossa necessidade de mais e mais dinheiro irá diminuir muito, pois perceberemos que a felicidade não está atrelada a ele.

Buscaremos nos aproximar mais das atividades que nos agradam, e não das que são mais rentáveis.

Pouco nos importaremos com as opiniões alheias de certo ou errado. Em nosso coração e em nossa mente teremos as diretrizes que nos guiarão pelas escolhas corretas.

5 - Fim das ilusões

Chega ao fim o reinado das ilusões que por tanto tempo nos aprisionaram em uma vida infeliz. Começaremos a ver as coisas com mais realismo e racionalidade, dando importância ao que é realmente importante, e deixando de lado que parece importante mas não é.

Conclusão:

Quando Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim", quis dizer que ninguém alcança a paz, a felicidade e a perfeição sem seguir os seus ensinamentos.

E o que Jesus ensinou? Não só ensinou, como deu exemplo de todas as virtudes que os homens devem possuir. É o grande modelo e guia da humanidade.

Não importa como o mundo é ou deixa de ser. Sozinhos não podemos mudá-lo. Mas podemos mudar a nossa realidade. E mudando a nossa realidade, com certeza mudaremos a forma que interagimos com o mundo.

E se cada um mudar a si, pouco a pouco mudaremos o mundo.





quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Estagnação versus movimento

A água quando fica parada, torna-se imprópria para o consumo.
Um livro quando fica guardado, amarela-se e mofa.
A fruta que não é comida, apodrece.
O músculo que não é usado, atrofia-se.
O metal que fica abandonado, enferruja.

Todos os tipos de estagnação trazem somente prejuizos.

A água corrente é fonte de vida.
O livro que é lido é fonte de conhecimento.
A fruta que é comida nutre o corpo.
O músculo que é exercitado, fortalece-se.
O metal que é posto em uso, vira ferramenta e estrutura.

Todos os tipos de movimento trazem utilidade.

A estagnação é um dos grandes males da humanidade. As pessoas persistem sempre nas mesmas atitudes, nos mesmos pensamentos, na mesma zona de conforto. Com isso, vão atrofiando-se e ficando cada vez mais presas nessa prisão que elas mesmas construíram.

O movimento é vida, é crescimento, é mudança. Onde há movimento há sempre uma evolução.

E para que as pessoas melhorem, evoluam, adquiram novas coisas em suas vidas, é necessário que se ponham em movimento.

É de suma importância que procuremos novos métodos quando percebemos que os antigos já não nos servem mais.

Se minha vida é ruim dessa ou daquela maneira, porque não experimento fazer algo diferente?

E a resposta é simples:

É conveniente ficar na zona de conforto.
É conveniente colocar a culpa de nossas amarguras nas situações ou nas outras pessoas.
É conveniente livrarmo-nos de todas as responsabilidades que pesam sobre nós.

Mas ao não assumir as responsabilidades sobre nossa vida, também não assumimos as rédeas sobre a mesma.

Esperamos que as situações ou as pessoas nos proporcionem o favorecimento que tanto desejamos.

Mas ninguém pode mudar algo que compete unicamente a nós mesmos.

Para chegarmos em novos resultados, é necessário mudarmos as velhas fórmulas que a tanto tempo usamos, sem sucesso. É preciso tentar o diferente. É preciso colocarmo-nos em movimento.

Só o movimento é capaz de nos trazer novas perspectivas, novos ares. Somente as mudanças podem fazer com que um futuro totalmente novo se descortine diante de nós.

O homem é o autor do seu próprio destino. Basta apenas que pegue o lápis e escreva.


sábado, 8 de novembro de 2014

[Espiritismo para iniciantes] Pluralidade dos mundos habitados

Hoje, encerrando a nossa série para iniciantes, falemos sobre a pluralidade dos mundos habitados:


Necessitando o espírito de passar por todos os degraus da evolução, é necessário que existam os meios para que isso se cumpra. Portanto, não só entre os espíritos, mas também entre os mundos, há diferentes níveis de evolução.

Não estamos dizendo neste contexto que um mundo vá evoluir, mas sim sua população.

Sendo assim, podemos citar as quatro categorias de mundos:
- Mundos primitivos: neles prevalecem a ignorância e a barbárie. É onde os espíritos iniciam sua jornada, e por não pussuírem ainda o intelecto desenvolvido, são guiados quase que integralmente pelos instintos. Por esse motivo, o mal prevalece.

- Mundos de provas e expiações: é a categoria em que se encontra a Terra. Nesses mundos o mal e o bem existem proporcionalmente, embora possa um ou outro predominar, de acordo com o grau de evolução de seus habitantes.

- Mundo de regeneração: neles o bem predomina e o mal existe, mas em pequena escala. Nesses mundos habitam somente os espíritos que já progrediram bastante em sua evolução intelectual e moral.

- Mundos perfeitos: é a habitação dos espíritos puros, que não necessitam mais encarnar. Neles o mal é inexistente.

Quanto mais avançado é um mundo, mais fluídica e menos material é a vida que ele comporta.

Todos os mundos são habitados, mas na maioria dos casos não conseguimos ver os seres que ali habitam, porque nossos órgãos somente captam a nossa densidade material.

Todos os mundos tem uma utilidade, Deus nada cria sem um propósito. Por isso, até mesmo o mais inóspito dos mundos aos nossos olhos, abriga algum tipo de vida.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

[Espiritismo para iniciantes] Encarnação dos espíritos

 Seguindo a nossa série para os inciantes, abordaremos hoje a encarnação dos espíritos:

"132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.

133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que, desde o princípio,seguiram o caminho do bem?
“Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.”

a) - Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?
“Chegam mais depressa ao fim. Demais, as aflições da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos.”
"

Quando o espírito encarna, passamos a nos referir a ele como ALMA. Esta diferenciação de termos foi proposta por Kardec para facilitar a diferenciação dos estados.

Quando o indivíduo está encarnado, é composto basicamente de três partes:
- O espírito, ou alma, que é o princípio inteligente e imaterial.
- O corpo, que é o veículo físico (material) através do qual o espírito se manifesta na matéria.
- O perispírito, que é intermediário entre o corpo e o espírito. É de natureza semimaterial e mantém unidos o corpo e a alma.

Através do perispírito que o espírito atua sobre a corpo e o corpo atua sobre o espírito.

Quando cessa a vida do corpo, o espírito se liberta.

Quando existe a concepção, o espírito se vincula ao corpo, mas somente no momento do nascimento que essa união se torna definitiva.

O espírito é indivisível e não pode habitar dois corpos ao mesmo tempo. Da mesma maneira, dois espíritos não podem ocupar o mesmo corpo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[Espiritismo para iniciantes] Os espíritos - parte 2

(para ver o primeiro texto, clique aqui: [Espiritismo para iniciantes] Deus)
   
(para ver o segundo texto, clique aqui: [Espiritismo para iniciantes] Os espíritos - parte 1)


Os espíritos não são somente maus ou somente bons. Pertencem a diversas ordens, segundo o seu grau de perfeição moral.

Podem ser classificados basicamente em três ordens ou categorias:

- Os primeiros são os espíritos puros. Já atingiram a perfeição e não necessitam mais reencarnar. Trabalham ajudando aos espíritos imperfeitos a progredir.

- Os do segundo grupo são aqueles que alcançaram a metade da escala: se preocupam em fazer o bem. Não são ainda perfeitos, mas fazem mais o bem do que o mal.

- Os do terceiro grupo são os mais imperfeitos. Entre esses existem aqueles que não fazem o mal, mas também não fazem o bem e principalmente aqueles que se comprazem na maldade, no deboche e na enganação.

Como os espíritos são homens sem corpos, logicamente que em nossa sociedade podemos perceber encarnados espíritos de todas as ordens, basta olhar com atenção. Existem homens cruéis, enganadores, ladrões, indiferentes e bons: isso só revela o seu grau de adiantamento.

Todos os espiritos são criados puros e ignorantes (sem conhecimentos), para progredirem através das sucessivas encarnações, desenvolvendo-se intelectualmente e moralmente.

Mas são os espíritos que progridem por sua própria vontade. Alguns, mais determinados seguem desde o início mais pelo caminho do bem: sua estrada até a perfeição é mais curta. Outros porém, se desviam pelo caminho, demorando mais até atingir a perfeição.

Existe um grau de felicidade relativo para cada estágio do progresso, mas a verdadeira felicidade, plena e duradoura, só é alcançada quando se atinge a perfeição.

Por mais tempo que leve, todos os espíritos se tornam um dia perfeitos. Uma vez que hajam progredido, não mais retrocedem.

Só depende do livre-arbítrio de cada um acelerar ou atrasar o seu progresso.

Conforme se desenvolvem os espíritos, o seu livre-arbítrio também vai ficando mais apurado, permitindo-lhes tomar decisões mais sensatas.

Se os espíritos tivessem sido criados perfeitos, não haveria mérito para a sua felicidade. Deus assim não seria justo.

O conceito que temos tradicionalmente de demônios (seres criados para a maldade perpétua) e anjos (seres criados perfeitos) não é exato. O que chamamos de demônios na verdade são espíritos ainda mais atrasados. Os anjos por sua vez, não foram criados perfeitos, mas passaram por todas as categorias até finalmente terem atingido a perfeição.



Leituras complementares (em O Livro dos Espíritos)

V – Diferentes Ordens de Espíritos (link)
VI – Escala Espírita (link)
VII – Progressão dos Espíritos (link)
VIII – Anjos e Demônios (link)






quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[Espiritismo para iniciantes] Os espíritos - parte 1

(Para quem não viu o primeiro texto, clique para ler: [Espiritismo para iniciantes] Deus )

Os espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o universo fora do mundo material.

São criações de Deus, e não parte dele. Assim como um homem constrói uma máquina e a máquina não é parte dele.

São criados puros e ignorantes, devendo passar por todos os níveis de aprendizado até chegar à perfeição.

Não se reproduzem, pois não possuem sexo. São criados por Deus sem cessar, desde toda a eternidade.

O mundo espiritual ou mundo dos espíritos constitui-se no mundo primordial e principal, sendo este sim o mundo verdadeiro. (Nota: fala-se aqui em um contexto generalista e não especificamente de planetas).

O mundo material ou mundo corpóreo é secundário, poderia deixar de existir e não afetaria o mundo espiritual.

Apesar de ambos serem independentes, correlacionam-se incessantemente, interagindo um com o outro sem parar.

Mas o mundo espiritual não constitui uma região limitada e circunscrita no universo. Tomemos como exemplo duas rádios, a rádio A e a rádio B. Enquanto estamos sintonizados na rádio B, a rádio A continua existindo, mesmo que não a estejamos escutando.

Da mesma forma, ambos os mundos são paralelos e interpenetram-se. Não podemos ver o mundo espiritual pois ele não está na mesma densidade que nós, portanto nossos sentidos não são capazes de vislumbrá-lo. Entretanto há pessoas que, dotadas de faculdades especiais, conseguem ver ou ouvir o mundo espiritual: são os médiuns.

Em contrapartida, os espíritos desencarnados, habitantes do mundo espiritual podem ver o mundo material, pois suas faculdades não possuem os limites característicos dos órgãos físicos.



Leituras complementares (em O Livro dos Espíritos):

II – Espírito e Matéria (link)
I – Origem e Natureza dos Espíritos (link)
II – Mundo Normal Primitivo (link)
III – Forma e Ubiqüidade dos Espíritos (link)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

[Espiritismo para iniciantes] Deus

Deus pode ser designado como a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas, infinito em todas as perfeições.

Muitas pessoas questionam: "como se pode provar a existência de Deus?". A prova da existência de Deus reside na simples evidencia de que não há efeito sem causa.

Para tudo existe uma causa, e negar a existência de Deus seria o mesmo que dizer que "o nada" pode fazer alguma coisa.

Todos os povos trazem inconscientemente a sensação de que um Deus existe. De onde surgiria isso? Alguns afirmam que são crenças passadas de geração em geração. Mas como então os povos nativos e aborígenes, sem qualquer contato com a civilização possuem também o mesmo sentimento?

Olhando para o universo, muitas pessoas dizem que a origem de tudo é um acaso da matéria, que originou o Big Bang. Estaríamos aí mais uma vez a olhar o efeito em vez de olhar a causa. Seria atribuir ao acaso um poder que até hoje a ciência é incapaz de precisar.

Diz-se: "pela obra se conhece o autor". Conhecendo as perfeitas leis que regem o universo, a física, a química, a biologia, a botânica e todas as demais ciências, não seria um tanto inocente atribuir tudo isso ao acaso?

Um acaso inteligente não seria mais o acaso.

"13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

— Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo, mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois, se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo, e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.

Comentário de Kardec: Deus é ETERNO. Se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. Ou então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

É IMUTÁVEL. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.

É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria.

É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo.

É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.

É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade.
"

Desde os tempos primórdios o homem tentou explicar Deus segundo a sua inteligência limitada, tendo esta ou aquela forma, sendo vingativo e cruel ou mesmo dizendo que a Terra foi criada do dia para a noite.

O espiritismo nos convida a abandonar as crendices e o ceticismo e abraçar a racionalidade.



Leituras complementares (em O Livro dos Espíritos):

I – Deus e O Infinito (link)
II – Provas da Existência de Deus (link)
III – Atributos da Divindade (link)
IV – Panteísmo (link)


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Máscaras e outras "defesas" emocionais

Enquanto escrevia o texto "10 coisas que aprendi com o Espiritismo" (link) veio à tona este tema, que é de extrema importância nos dias de hoje.

Se tivermos paciência e atenção para observar, perceberemos que as pessoas não sabem lidar com as suas emoções. Vivemos em tempos acelerados e se não conseguirmos nos adaptar, somos acometidos de depressão, estresse ou outros males.

E nesse mundo acelerado, temos ainda menos tempo para aprender. Talvez em um mundo menos conectado e veloz fosse um pouco mais fácil. Ou talvez a infinidade de informações disponíveis na rede torne as coisas mais fáceis. Ainda assim, não sabemos como lidar com as emoções.

Isso decorre de falta de conhecimento interior. Peça para uma pessoa listar as suas características físicas e não faltarão adjetivos. Peça para a mesma pessoa listar a sua personalidade e teremos sorte se conseguirmos três palavras.

Estamos muito orientados ao exterior. Não conhecemos a nós próprios. Os orientais com a sua enigmática meditação e as frases emblemáticas como "as respostas estão dentro de você" povoam os guias de auto-ajuda. E com razão!

E enquanto não nos conhecemos e nem sabemos lidar com as nossas emoções, acabamos nos valendo de alguns recursos.

- Máscaras: um recurso muito comum que utilizamos para nos proteger emocionalmente. Costumamos ter "um rosto" apropriado para cada ocasião. No trabalho, somos sérios e dedicados. Com os amigos, somos bagunceiros e irresponsáveis. Ao tentar conquistar uma pessoa, somos rechados de virtudes. Na casa espírita, somos as pessoas mais santas da Terra.

Não haveria problema se não estivéssemos exibindo uma pessoa que não somos realmente. Não adianta passarmos por boas pessoas na casa espírita e na frente do chefe, enquanto em casa maldizemos e amaldiçoamos a todos que não compactuam com as nossas opiniões. Não adianta mostrarmos a pessoa divertida e ativa que somos para os amigos ou para o novo par, se em casa ficamos atirados no sofá reclamando de tudo.

As máscaras então servem para que evitemos de mostrar a pessoa que realmente somos. E é exatamente aí que está o problema! Ao deixarmos de ser autênticos, as pessoas acabam gostando dos nossos "personagens" e não de nós. Criamos um vazio existencial tremendo, porque percebemos que sem aqueles personagens, sem aquelas máscaras, não somos nada.

Ser autêntico é bem difícil no início. Estamos expostos a tudo. Todas as críticas serão para nós (e não para os nossos personagens). Mas também todos os méritos serão nossos. Este é o primeiro passo para a nossa realização pessoal: sermos aceitos (e amados) exatamente como somos.

- Muros: os muros são também muitíssimo comuns, e podem atuar em conjunto com as máscaras. Os muros são basicamente barreiras emocionais que colocamos para que as pessoas não tenham acesso a nós. São linhas imaginárias de intimidade às quais se é impossível transpor.

Todos nós conhecemos aquelas pessoas que até são bem simpáticas e agradáveis, mas por mais que tentemos, não conseguimos abertura para nos aproximar mais e aprofundar os laços de amizade. Sempre damos de cara com essa muralha que nos impede de interagir em um nível mais íntimo e de mais cumplicidade. Algumas pessoas inclusive adicionam "espinhos" às suas muralhas, mantendo um contra-ataque preparado para quem se aproximar muito.

O problema desses muros é que eles nos deixam trancados em uma prisão solitária. As coisas ruins não entram, mas as boas também não. E também nada sai. Ficamos isolados do mundo com nossas tristezas, medos, amarguras e dores.

Desse modo, deixamos de receber tudo de bom que as pessoas tentam nos dar. Também deixamos de extravasar aquilo que sentimos, o popular "desabafo". Então nos debatemos e gritamos dentro de uma prisão que nós mesmos construímos e que nós temos a chave da porta.

- Vícios: os vícios, como já muito mencionado aqui, são utilizados como válvula de escape da realidade. O indivíduo lotado de problemas, e não sabendo lidar com toda essa pressão, busca nos vícios um alívio rápido para sua tensão.

Mas como sabemos os vícios são extremamente corrosivos, e em muitos casos se tornam um caminho sem volta.

Abordamos isso na série "O que está por trás dos vícios?" (link).

- Conclusão: muitos são os mecanismos que utilizamos para nos proteger emocionalmente. O medo das lesões afetivas e outras frustrações nos leva a todas essas armaduras que tanto nos protegem quanto nos aprisionam.

Quando aprendemos a lidar com as emoções e quando começamos a nos auto-conhecer, vamos nos libertando dessas prisões e percebemos como a vida pode ser leve e fácil. As complicações somos nós que criamos.

Paremos de nos esconder do mundo. Mais temos a perder do que a ganhar.

Só podemos ser felizes quando nossa alma é livre e leve. E isso só depende de nós.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

10 coisas que aprendi com o Espiritismo

Separei uma lista de algumas coisas que aprendi com a Doutrina Espírita. Talvez não sejam as dez coisas mais importantes, mas com certeza são as mais dignas de menção: aquelas que eu gostaria de ter aprendido mais cedo.


1 - Aprendi que o que as pessoas mais precisam é de amor e atenção.

Toda a depressão, narcisismo, mágoa, insegurança e demais problemas do mundo contemporâneo são puramente falta de amor. O amor nutre a alma e supre todas as carências emocionais que ocasionam as fragilidades da alma.

2 - Que a nossa felicidade está dentro de nós e não nas coisas materiais.

Toda a felicidade está contida dentro de nós, ou seja, na alma. Tudo aquilo de bom que cultivarmos em nós (virtudes) formará os alicerces para uma verdadeira felicidade sólida e duradoura, onde as coisas exteriores não terão nenhuma influência.
O materialismo e os vícios são apenas ilusões que trazem uma felicidade curta e fraca, nos tornando assim dependentes deles. Tudo o que é material é perecível, portanto qualquer pseudo-felicidade alicerçada sobre o materialismo será também perecível e inconstante.

3 - Que todo problema traz um aprendizado e que ao lado de todos os problemas sempre há uma consolação.

Todas as vezes em que estamos em beco sem saída, se mantivermos a calma perceberemos que há sempre alguém nos ajudando a encontrar o caminho. Infelizmente temos o hábito de nos desesperar e nos vitimar, deixando de perceber a ajuda e a solução que estão bem diante de nossos olhos.
Do mesmo modo, deixamos de perceber que cada problema traz uma lição oculta, que podemos utilizar para o nosso melhoramento interior.

4 - Que o homem é o arquiteto de seu próprio destino.

Se desejamos ter uma vida maravilhosa, devemos plantar somente coisas boas. Enquanto estivermos semeando mágoa, orgulho, ódio, egoísmo, nossa colheita será repleta de frutos amargos. Tudo o que fizermos agora, de bom ou de ruim, repercutirá de forma equivalente no futuro. Depois não adianta reclamar...

5 - Que o orgulho e o egoísmo são as maiores cegueiras da humanidade.

 Perdemos muito tempo presos na ilusão de que somos melhores que os outros (ou que precisamos ser) e por consequência pensamos somente nos nossos interesses, deixando o próximo de lado, entregue à própria sorte. Enquanto nos achamos merecedores de uma coroa e um trono, não percebemos como é enorme a nossa pequenez, que nos torna tão mesquinhos a ponto de não ajudarmos os nossos semelhantes.

6 - Que os sofrimentos são derivados das más escolhas do passado.

Tudo o que nos acontece (e o que ainda acontecerá) é fruto puro e simples de nossas escolhas, sejam elas da vida presente ou de vidas anteriores. Tudo aquilo que foi plantado, em algum momento será colhido. Ou seja, tudo aquilo que fizemos, um dia repercutirá em nossa vida.

7 - Que não fazer o mal não é a mesma coisa que fazer o bem.

Erroneamente pensamos que só por não fazermos o mal, já estamos fazendo o bem. Sim, deixar de fazer o mal já é um grande avanço, mas para fazer o bem é necessária uma postura ativa e ostensiva. Como o Livro dos Espíritos nos ensina, para ser bom aos olhos de Deus é necessário fazer o bem no limite de nossas forças.

8 - Que o esquecimento das vidas passadas é mais importante do que se pensa.

Por vaidade e curiosidade queremos sempre saber o que fomos em nossas vidas anteriores. Mas quando aprendemos que a cada encarnação temos o dever de evoluir, percebemos que quanto mais para trás olharmos, pior será a pessoa que veremos (a nós próprios no passado). Esquecer o passado é fundamental para começar uma história com uma página em branco, tentando fazer tudo da maneira mais certa possível, desde o início.

9 - Que a fé raciocinada é muito mais sólida do que a fé cega.

Quando acreditamos somente "porque é assim", nos momentos de mais dificuldade questionamos nossa fé e notamos como é fraca. Quando entendemos como as coisas são, acreditamos pelo conhecimento adquirido (pelo uso da razão) e quanto mais nos questionarmos, mais esses aprendizados se validarão e essa fé se solidificará.

10 - Que estamos o tempo todo rodeados de espíritos que simpatizam com os nossos pensamentos e atitudes.

 A antiga máxima: "me digas com quem andas, que te direi quem és" reflete a tendência humana de relacionar-se com pessoas de mesmas preferências e hábitos. Com os desencarnados acontece o mesmo, visto que são pessoas desprovidas de corpo.
Uma pessoa violenta, estará sempre rodeada de espíritos violentos, pois as afinidades os atraem. De mesmo modo que uma pessoa pacífica e benevolente estará sempre rodeada de espíritos semelhantes a ela.
Por mais que usemos máscaras no meio da sociedade, os espíritos veem quem realmente somos, e aqueles que forem semelhantes a nós se unirão a nossa causa. Só depende de nós termos boas ou más companhias.


Conclusão - Apesar desses dez itens, devemos sempre lembrar que o aprendizado mais importante de todos é que a lição "Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fosse feito e não fazer ao próximo o que não gostaríamos que nos fizessem" é o guia infalível para aqueles que querem seguir os ensinamentos de Jesus e se tornarem verdadeiramente homens de bem.


Convido aos leitores para colaborarem nos comentários, dizendo também quais lições gostariam de ter aprendido mais cedo. Fiquem também à vontade para dúvidas e comentários.


sábado, 5 de julho de 2014

Coerência entre palavras e atitudes

"Todos os que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os seus preceitos? São cristãos esses que o honram através de atos exteriores de devoção, e ao mesmo tempo sacrificam no altar do egoísmo, do orgulho, da cupidez e de todas as suas paixões? São seus discípulos esses que passam os dias a rezar, e não se tornam melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com os seus semelhantes? Não, porque, à semelhança dos fariseus, têm a prece nos lábios e não no coração. Servindo-se apenas das formas, podem impor-se aos homens, mas não a Deus. É em vão que dirão a Jesus: “Senhor, nós profetizamos, ou seja, ensinamos em vosso nome; expulsamos os demônios em vosso nome; comemos e bebemos convosco!” Ele lhes responderá: “Não sei quem sois. Retirai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidade, que desmentis as vossas palavras pelas ações, que caluniais o próximo, que espoliais as viúvas e cometeis adultério! Retirai-vos de mim, vós, cujo coração destila ódio e fel, vós que derramais o sangue de vossos irmãos em meu nome, que fazeis correrem as lágrimas em vez de secá-las! Para vós, haverá choro e ranger de dentes, pois o Reino de Deus é para os que são mansos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade de vossas palavras e de vossas genuflexões. A única via que está aberta, para alcançardes a graça em sua presença, é a da prática sincera da lei do amor e da caridade.”"

É necessário tomarmos todo o cuidado para não nos tornarmos cristãos somente da boca para fora. Nossas atitudes devem ser coesas com aquilo que nossa boca diz.

De que adianta irmos a um centro espírita e lá sermos pessoas amáveis e bondosas, mas quando sairmos de lá voltarmos para aquelas mesmas atitudes egoístas e hostis que nos são habituais?

De que adianta nosso discurso estar repleto de lindas palavras e nossas atitudes revelarem exatamente o oposto do que pregamos?

De que adianta repetirmos e enaltecermos os ensinamentos de Jesus e de todos os grandes sábios do passado se não procuramos entender o profundo significado deles?

De que adianta sabermos de cor todos os ensinamentos de Jesus se não os utilizamos para nos tornarmos pessoas melhores?

É fundamental que sempre façamos uma auto-análise para detectar se não estamos caindo no auto-engano. Porque se dermos atenção somente ao que sai de nossa boca, podemos cometer o equívoco de pensarmos que somos pessoas melhores do que realmente somos na prática.

É por isso que Jesus dizia: "nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."

Muitos terão profetizado e convertido nos quatro cantos do mundo, mas se não tiverem convertido a si próprios, de nada isso adiantará. Estarão ainda repletos de defeitos e impurezas, pois em vez de agir como homens que pensam antes de falar, agiram como papagaios repetindo sons sem pensar.

Queremos ser estes papagaios? Ou queremos ser pessoas sensatas, bondosas, benevolentes, humildes e honestas?

Fica a reflexão.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Não é necessário ser um monge para seguir os ensinamentos do Cristo

Existe uma falsa idéia de que para seguir aos ensinamentos de Cristo é necessário ser um padre, monge, asceta ou qualquer coisa do tipo. Esse conceito se formou em tempos muito remotos e permanece até hoje.

Talvez essa idéia seja motivada por aquelas ocasiões em que Jesus dizia: "vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue-me". Mas se observarmos com a devida atenção, veremos que Jesus só usou dessa orientação para com aqueles que eram excessivamente apegados ao dinheiro e ao materialismo. Nada mais era do que um teste, para saber se aqueles aspirantes a seguidores realmente queriam segui-lo de coração, ou seja, se estariam dispostos a largar seus vícios e paixões.

Hoje, o Espiritismo nos faz refletir sobre todo esse legado deixado por Jesus, a fim de compreendermos quais eram as verdadeiras lições por trás das parábolas e dos exemplos que ele usava. Hoje conseguimos perceber que não é vendendo tudo o que temos e dando o dinheiro aos pobres é que seremos seguidores de Jesus.

Hoje sabemos que as atitudes exteriores não fazem a menor diferença. De que adianta uma pessoa livrar-se de tudo o que tem se em seu coração continuar cultivando a cobiça, a ganância e o apego? De que adianta orar de joelhos em um templo se o seu coração está cheio de ódio, mágoa, egoísmo e orgulho?

Não são os atos exteriores que tornam as pessoas seguidores do Cristo. Para seguir aos ensinamentos de Jesus é necessário que a mudança seja feita de dentro para fora, com pensamentos corretos, palavras corretas e atitudes corretas. Sendo imprescindível que as palavras e atitudes sejam coerentes com os pensamentos.

De que vale um homem que profere palavras santas se o seu coração é cheio de podridão? De que adianta saber os ensinamentos de cor se eles não forem postos em prática?

Por isso que Jesus já advertia: "reconhece-se a árvore por seus frutos. Uma árvore ruim não pode dar bons frutos, e uma árvore boa não pode dar maus frutos". Isso quer dizer: se conhecem as pessoas por suas atitudes.

E esta mesma frase nos é reforçada pelo Espiritismo: "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações".

Portanto, não é necessário que sejamos padres, monges ou ascetas para seguir aos ensinamentos do Cristo. É necessário que nossos pensamentos, palavras e ações estejam de acordo com esses ensinamentos.

Quando vemos um homem de terno e gravata, logo pensamos: "é um homem digno". E se eu lhe dissesse que o seu coração está corroído pela maldade e o desejo de vingança?

Quando vemos um homem esfarrapado, logo pensamos: "é um vagabundo ou alguém de má vida". E se eu lhe dissesse que aquele homem esfarrapado faz o máximo de bem que pode com os seus poucos recursos?

Não se deve julgar uma pessoa pelo que ela aparenta ser. Assim como ser cristão não é algo baseado em aparências, mas em atitudes.

Sigamos pois o Cristianismo por seus ensinamentos, e tornemo-nos exemplos vivos deles. "Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fosse feito e não fazer ao próximo o que não gostaríamos que nos fosse feito", "pagar o mal com o bem", "fazer o bem sem ostentação", "não julgar, se não quisermos ser julgados", "não servir a Deus e a Mamon" e todos os demais ensinamentos deixados podem ser praticados por toda e qualquer pessoa: um médico, um bancário, um pedreiro, um motorista, o presidente de uma empresa, um mendigo, etc.

Pois é necessário que esses ensinamentos estejam em prática dentro de nós, moldando nossa moral e nosso caráter. E isso, não precisa de representações exteriores. Conheceremos a boa árvore por seu fruto, e não por suas flores.

Ser um verdadeiro Cristão é ser um exemplo vivo da bondade, do amor, da humildade, da justiça, da benevolência e de todas as virtudes que existem.

"16 – “Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. Escutai estas palavras do mestre, todos vós que repelis a doutrina espírita como obra do demônio! Abri os vossos ouvidos, pois chegou o momento de ouvir! Será suficiente trazer a libré do Senhor, para ser um fiel servidor? Será bastante dizer:“ Sou cristão ”, para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. “Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos”. – “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada no fogo”. – Eis as palavras do Mestre. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! Quais os frutos que a árvore do Cristianismo deve dar, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com a sua sombra uma parte do mundo, mas ainda não abrigaram a todos os que devem reunir-se em seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e fé. O Cristianismo, como o vem fazendo desde muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes, procurando distribuir os seus frutos. Mas quão poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Quiseram moldá-la segundo as suas idéias, modelá-la de acordo com as suas conveniências. Para isso a cortaram, diminuíram, mutilaram. Seus ramos estéreis já não produzem maus frutos, pois nada mais produzem. O viajor sedento que se acolhe à sua sombra, procurando o fruto de esperança, que lhe deve dar força e coragem, encontra apenas os ramos adustos, pressagiando mau tempo. É em vão que busca o fruto da vida na árvore da vida: as folhas tombam secas aos pés. A mãos do homem tanto as trabalharam, que acabaram por crestá-las!

            Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem amados! Cultivai esta árvore da vida, cujos frutos proporcionam a vida eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância os seus frutos divinos. Deixai-a assim como o Cristo vo-la deu: não a mutileis. Sua sombra imensa quer estender-se por todo o universo; não lhe corte a ramagem. Seus frutos generosos caem em abundância, para alentar o viajor cansado, que deseja chegar ao seu destino. Não os amontoeis, para guardá-los e deixá-los apodrecer, sem servirem a ninguém. “São muitos os chamados e poucos os escolhidos”. É que há os açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis entre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos. Ide, pois, procurar os necessitados; conduzi-os sob as ramagens da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. “Não se colhem uvas dos espinheiros”. Meus irmãos, afastai-vos, pois, dos que vos chamam para apontar os tropeços do caminho, e segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

            O divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: “Os que me dizem Senhor, Senhor, nem todos entrarão no Reino dos Céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. Que o Senhor das bênçãos vos abençoe, que o Deus da luz vos ilumine; que a árvore da vida vos faça com abundância a oferenda dos seus frutos! Credes e orai!
SIMEÃO, Bordeaux, 1863.
"


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fora da caridade não há salvação


Imaginemos que o dia de hoje inicia-se com um luminoso amanhecer, que indica um dia ensolarado e com uma temperatura agradável. Procedemos conforme a nossa rotina, e quando estamos quase chegando ao trabalho somos vítimas de um atropelamento fatal. Nossa vida chega ao fim.

Não precisamos de um inferno flamejante repleto de demônios munidos de lanças e tridentes. Uma simples pergunta  pode ser mais perturbadora do que isso:

- "O que fizestes de tua vida?"

E antes que conseguíssemos responder a esta, uma outra nos levaria ao nocaute (se já não estivéssemos mortos):

- "E o que deixastes de fazer?"

É neste momento que se passa como se fosse um filme em nossa mente, resultado de uma busca vigorosa em nossas memórias à procura dessas respostas.

As boas ações, o cultivo das virtudes e o desapego ficariam em qual das listas? O que fiz ou o que deixei de fazer?

Temos o péssimo hábito de pensar que morreremos com 80 ou 90 anos, bem velhinhos. E com isso, vamos adiando os nossos deveres.

"Agora não tenho tempo para isso. Quando eu for mais velho me preocuparei com isso."

Porém podemos morrer a cada instante, sendo pegos de surpresa.

"Ah, se eu tivesse mais uma chance eu faria tudo diferente!"

Mas acabastes de ter uma chance. Porque não fez diferente?

E o que esperamos para nós depois do fim desta vida?

"A cada um segundo suas obras", já dizia Jesus.

Não importa se você é espírita ou não. Se você acredita que exista qualquer tipo de continuação depois da morte, saberá que a sua destinação futura será compatível com o que tiverdes realizado em vida.

Eis porque fora da caridade não há salvação.

Somente através da prática da caridade, do amor ao próximo e do melhoramento íntimo é que poderemos vislumbrar um futuro melhor, seja ainda nesta vida, seja fora do corpo ou ainda em uma próxima encarnação.

É a popular figura de plantar a boa semente para colher o bom fruto.

"Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, diz ele, os pobres de espírito, quer dizer: os humildes, porque deles é o Reino dos Céus; bem-aventurados os que tem coração puro; bem-aventurados os mansos e pacíficos; bem-aventurados os misericordiosos. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros os que desejaríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação: julgai-vos a vós mesmos antes de julgar os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e  de que ele mesmo dá o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater. Mas ele fez mais do que recomendar a caridade, pondo-a claramente, em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura."

Esperaremos até quando para seguir os ensinamentos do Cristo? Continuaremos deixando para mais tarde?

Podemos morrer daqui a 50 anos, 50 meses ou 50 minutos. O que teremos feito de nossas vidas? E o que teremos deixado de fazer?

 

sábado, 31 de maio de 2014

Onde está a felicidade?

Ocorreu-me a idéia de compilar frases de várias personalidades sobre a felicidade. O resultado pode ser contemplado abaixo:

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você."
Mario Quintana

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho."
Mahatma Gandhi

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."
William Shakespeare

"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
"
Mario Quintana

"A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos."
Arthur Schopenhauer

"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."
Leon Tolstoi

"A alegria não está nas coisas, está em nós."
Johann Goethe

"Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros."
M. Taniguchi

"A suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados."
Victor Hugo

"O segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros."
Alexandre Herculano

"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."
Madre Teresa

"O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele."
Arthur Schopenhauer

"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm."
Voltaire

"A felicidade não se encontra nos bens exteriores."
Aristóteles

"Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz."
Abraham Lincoln

"A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido."
Marxwell Maltz

"A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade."
Immanuel Kant

"Não busque a felicidade fora, mas sim dentro de você, caso contrário nunca a encontrará."
Epíteto

"A felicidade não depende do que você é ou do que tem, mas exclusivamente do que você pensa."
Dale Carnegie

"As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo."
Epicuro

"Quem não encontra a felicidade em si mesmo, é inútil procurá-la em outro lado."
François La Rochefoucauld

E por fim, os últimos desejos de Alexandre O Grande:

"Quando à beira da morte, Alexandre convoca seus generais e seu escriba e relata a estes seus 3 últimos desejos:

1 – Que seu caixão seja transportado pelas mãos dos mais reputados médicos da época;
2 – Que sejam espalhados no caminho até seu túmulo, seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas…);
3 – Que suas duas mãos sejam deixadas balançando no ar, fora do caixão, a vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, pergunta a Alexandre a razão destes. Alexandre explica então:

1 – Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão, para mostrar aos presentes que estes NÃO têm poder de cura nenhuma perante a morte;
2 – Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3 – Quero que minhas mãos balancem ao vento, para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos, de mãos vazias partimos.
"

Podemos então perceber que pessoas de países diferentes, épocas diferentes e até mesmo graus de instrução diferentes chegaram em um grau de entendimento muito similar sobre a felicidade.

Em resumo, dizem todos que a felicidade é algo que está dentro de nós: é amar, compartilhar os bons momentos, ajudar, fazer aos outros felizes e por fim, perceber que nossa postura diante da vida, nossa maneira de pensar e de agir é que traz a felicidade para nós. Procurá-la fora disso é em vão.

Fica a reflexão!



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Comentário sobre o post: "O ponto de vista"

A explanação que Kardec faz no texto O ponto de vista nos faz refletir sobre a posição do homem aqui na Terra. Mais ainda, nos faz pensar nos objetivos pelos quais estamos aqui.

Imaginemos um ator. Esse ator, em diferentes filmes interpretará diferentes personagens. Em cada filme é como se o ator fosse o próprio personagem. Mas enquanto interpreta, por mais que viva momentaneamente aquele personagem, ele sabe que não é o próprio.

De forma semelhante, acontece com o espírito. Em cada encarnação assumimos uma identidade. Seja Felipe, Daniel ou João, essas são apenas identidades passageiras que o mesmo espírito assume. A grande diferença é que o ator interpreta um personagem inventado por outra pessoa, enquanto que o espírito interpreta a si mesmo.

E o que isso quer nos dizer?

Devemos sempre lembrar que estamos aqui na Terra vivendo uma das muitas encarnações que já tivemos. Nosso único objetivo é progredir moralmente e intelectualmente, sendo ainda a moral mais importante do que o eruditismo.

Isso não quer dizer que devamos largar tudo e entrar para um mosteiro. Isso quer dizer que devemos sempre olhar as coisas por essa perspectiva, como nos esclarece Kardec no texto citado.

Enquanto estamos na Terra, precisamos das coisas materiais para viver. É fundamental ter um trabalho, que nos proporcionará ter uma casa, um pouco de conforto e talvez até uma leve dose do supérfluo. Mas isso não deve ser o objetivo principal de nossa vida. Isso é apenas a cela sem a qual o cavaleiro não pode montar em seu cavalo.

Da mesma maneira que não sobrevivemos sem comida, mas não vivemos para comer, o mesmo ocorre com todas as coisas materiais. São instrumentos temporários dos quais nos servimos, assim como o aluno se serve do caderno e do lápis durante seus estudos.

Viva a vida. Trabalhe, conquiste as coisas. Divirta-se. Mas não esqueça de que a nossa estadia tem dias contados. Não deixe de cumprir com o objetivo principal: evoluir.

Portanto, não nos esqueçamos de procurar aproveitar todas as ocasiões de ajudarmos ao próximo.
Não nos esqueçamos de tratar ao próximo da mesma forma como gostaríamos de ser tratados.
Não esqueçamos de reconhecer quando erramos, pedir desculpas e procurar mudar.
Não esqueçamos de perdoar e dar uma nova chance a quem erra conosco.
Não esqueçamos de aproveitar as oportunidades para expressar o nosso amor, e porque não para fazer novas amizades?
Não esqueçamos, por fim, de que a vida é passageira e breve. Nosso tempo não deve ser desperdiçado.

Tudo isso Jesus já nos explicou a mais de dois mil anos atrás. Quando tentaremos entender?

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mt 6:19-21).



quarta-feira, 21 de maio de 2014

O ponto de vista

"5 – A idéia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem conseqüências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe abranda as amarguras.

Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de todos os instantes.

Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe parece pequeno.

Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura: a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se esfalfam para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim que  importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na vida futura.  

6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra, tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a retire para não ser picada. Ora, a procura do bem estar força o homem a melhorar todas as coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.

Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.

Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.

7 – O Espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.
"

sábado, 17 de maio de 2014

Palestra: Raul Teixeira - Espalhamento Obsessivo


Essa é uma palestra antiga mas que gosto muito. Raul Teixeira nos explica com facilidade e objetividade todos os mecanismos da obsessão, respondendo a muitas dúvidas dos iniciantes na Doutrina Espírita.

O vídeo está dividido em duas longas partes, repletas de ensinamentos:







quarta-feira, 14 de maio de 2014

Tudo acontece no momento certo

O ser humano em sua maioria vive em uma realidade imediatista, do tipo "eu quero e quero agora".

Uma das causas disso é o ritmo da vida moderna repleta de tecnologia e respostas rápidas para tudo. O mundo globalizado está sempre com pressa e se torna "necessário" que tudo esteja pronto "para ontem".

Além das influências do meio, há também a nossa dose de impaciência.

E disso acarreta uma das mais famosas reclamações:

- Porque as coisas não acontecem como e quando queremos?

Para chegarmos nessa resposta precisamos avaliar dois importantes pontos:

1 - Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance?

É muito fácil reclamar sem fazermos nada para atingir os nossos objetivos. Quantas pessoas conhecemos que vivem dizendo "quero comprar um carro, mas não consigo" e que em vez de economizar para atingir ao seu objetivo ficam esbanjando em outras coisas menos importantes?

Ou então aquele que reclama por não passar no vestibular, mas em vez de estudar usa o tempo para festas e outras distrações, ou se estuda, será que tem estudado o suficiente para superar a pontuação dos outros candidatos?

Não há como as coisas acontecerem sem que façamos a nossa parte. Nada cai do céu, nem mesmo se passarmos dias e dias rezando. Para tudo é necessário o nosso esforço e a nossa dedicação.

Quanto maior é o objetivo, maior será a determinação necessária para atingi-lo.

2 - Será que o momento é realmente o melhor para que isso aconteça?

Algumas pessoas acreditam no conceito de "destino". Na visão espírita, sabemos que todos os grandes acontecimentos tem uma época planejada para acontecerem (de maneira a colaborar com o nosso aprendizado) e que todos esses acontecimentos são influenciados por nossas escolhas e ações.

Ou seja, os eventos não estão descritos como itens em uma lista com datas, da qual se é impossível fugir.

Mas sim existem tópicos a acontecer em determinadas épocas, podendo acontecer mais cedo ou mais tarde (talvez nem acontecerem) de acordo com as nossas escolhas e ações.

Agora vamos exemplificar usando um caso que aconteceu a pouco.

Um grande amigo meu queixava-se de nunca conseguir comprar um imóvel na praia (sonha a anos com isso). Só que recentemente, logo após trocar de carro, ele foi demitido da empresa em que trabalhava. Aí então eu lhe perguntei: "E se tu tivesses comprado o apartamento na praia e trocado de carro, o que faria agora (após ser demitido)?" e ele me respondeu: "Teria de me desfazer de um dos dois".

Teria sido o melhor momento para ele se tivesse comprado o imóvel neste ano? Não estaria agora repleto de preocupações, problemas e dívidas?

Deus sabe o que é melhor para nós e em qual momento. Muitas vezes algo é adiado por razões que não conseguimos compreender, mas que mais tarde passam a fazer o maior sentido.

Conclusão:

Como dizem os chineses, a vida é um rio cheio de curvas e por mais que tentemos, não conseguiremos deixar esse rio reto. O que devemos fazer é seguir o curso sinuoso do rio com paciência e aproveitando a paisagem que cada uma das curvas tem a nos oferecer.

Ou seja: na vida, nem tudo acontece no momento em que queremos que aconteça. Mas podemos ficar tranquilos, se estivermos fazendo a nossa parte, cedo ou tarde atingiremos o nosso objetivo. O momento certo um dia chegará.

sábado, 10 de maio de 2014

Participação em conflitos

Desde que o ser humano pisou pela primeira vez neste mundo, sempre houveram guerras, brigas e disputas.

A imaturidade do raciocínio aliada ao instinto de sobrevivência fez com que tudo se resolvesse da maneira mais objetiva e rápida possível: o combate.

Os tempos passaram e ainda hoje se mantém um apego aos combates, sejam eles físicos ou psicológicos.

Já falamos da violência física a poucos dias (neste post).

Hoje vamos falar da violência emocional.

É comum vermos conflitos acontecendo por todos os lados: nas famílias, no trabalho, no trânsito, os filhos com os pais, os pais com os filhos, etc.

Em certos casos é inevitável entrar em um conflito (diferença de opiniões) para se chegar a uma solução. Isso não podemos negar (apesar de ser possível fazer isso da maneira mais suave possível).

Vamos nos deter falando daqueles conflitos desnecessários.

A maioria dos conflitos desnecessários se dá devido ao orgulho das pessoas, que ao mínimo sinal de ofensa já contra-ataca para "se proteger" da difamação.

O que ocorre então é que vemos uma troca descabida de ofensas, sempre iniciada por motivos banais.

Por que essa insistência em estarmos sempre ofendendo, dando indiretas e soltando farpas para provocar as outras pessoas?

Por que essa insistência em rebatermos todas as vezes que alguém tentar nos ofender?

Lembram do velho ditado: "se um não quer, dois não brigam"?

Acontece exatamente assim. Se ninguém alimentar o agressor, esse ficará falando sozinho até cansar-se.

E nos conflitos de terceiros, em vez de botar mais lenha na fogueira, procuremos apaziguar e conciliar as partes.

Os conflitos não são bons para ninguém.

A felicidade não é compatível com conflitos.

A felicidade é compatível com a paz.

Portanto, só teremos felicidade quando nos libertarmos dessas mesquinharias.

Busquemos então uma postura mais humilde. Busquemos ser uma pessoa que não se sente ferida diante das afrontas, que não se inflama com as ofensas e que não se importa se está "bem cotada" ou "mal cotada" na boca do povo.

Procuremos agir de maneira mais correta possível e preocupemo-nos menos com as opiniões de terceiros e mais com a nossa própria consciência.

Usemos nossa energia para coisas boas, edificantes e paremos de nos desgastar nessas batalhas que não levam ninguém a lugar nenhum.

Fica a reflexão.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As mudanças aparentes e as mudanças reais

Desde o início do blog estamos falando sobre mudanças. Mudar é a palavra chave para todo espírita e para todo aquele que deseja tornar-se uma pessoa melhor.

Mas como já é de se esperar, existem alguns enganos pelo caminho.

Algumas vezes não compreendemos corretamente as lições. Ou simplesmente não conseguimos colocá-las em prática da maneira certa.

É um problema errar? Definitivamente não. O problema é persistir no erro.

Partindo então desses equívocos, podemos perceber que em alguns casos realmente mudamos, sendo que em outros nós só aparentamos ter mudado. Vamos ver alguns casos.


- Raiva / ódio

Suponhamos então que somos pessoas que temos ataques de raiva e um ódio constante por tudo e por todos.

Se nós procurarmos ficar quietos em vez de chingar, ficarmos parados em vez de agredir, aparentaremos ter mudado.

Mas e por dentro? Como estarão nossos sentimentos nesse momento?

A mudança só será real quando, em uma situação de conflito ou de extremo estresse, conseguirmos não só manter o nosso exterior calmo, mas também o nosso interior.

A pessoa que aparenta ter mudado estará pensando: "mas que raiva, esse desgraçado vai ver, vai pagar por isso, ele que aguarde que a minha vingança será fria e calculista".

A pessoa que realmente mudou estará pensando: "aposto que ele está tendo um dia ruim e infelizmente está descontando em mim. Por mais que esteja me ofendendo sei que não devo levar isso em consideração porque ele está alterado. Acho melhor encerrar o assunto me dando por vencido e em outro momento, com calma, conversaremos melhor".



- Vida desregrada / vícios / excessos

Nos imaginemos agora em um quadro de vida completamente desregrada, repleta de vícios e excessos de toda a sorte.

Portadores então dessa postura, vivemos gabando-nos de nossas aventuras, de tudo aquilo fazemos e achamos que é bonito e certo. Não obstante, ainda incentivamos os outros a nos acompanharem e realizarem feitos do mesmo naipe ou até mesmo mais ousados.

Certo dia então, decidimos mudar e nos calamos. De nossa boca só saem assuntos amenos. Nada de aventuras e farras.

A pessoa que aparenta ter mudado, apenas parará de comentar, mas continuará com seus velhos e adorados maus hábitos, em segredo.

A pessoa que realmente mudou, não só mudou o seu discurso como também faz um grande e contínuo esforço para ficar distante da vida torta que levava antes.



- Diferentes posturas em diferentes lugares (ou "os pseudo-santos")

Nos imaginemos agora como aquela pessoa que tem frequentado a doutrina espírita (ou qualquer outro grupo filosófico/religioso) e decide então mudar sua conduta.

Na sociedade espírita (ou em qualquer outro círculo social), agimos como verdadeiros anjos encarnados: somos puro amor, bondade e boa vontade. Todos nos amam e não sabem como que as pessoas da nossa família podem não gostar de uma pessoa tão maravilhosa.

Mas fora de lá, retiramos a máscara da bondade e somos os mesmos teimosos, implicantes, ranzinzas e reclamões de sempre. Continuamos a nos queixar de tudo e de todos, brigamos por qualquer motivo e nos deliciamos numa boa fofoca.

A pessoa que aparenta ter mudado, só se mostra diferente onde lhe convém, como se adotasse um personagem.

A pessoa que realmente mudou, age de maneira diferente em tempo integral, inclusive quando está sozinha. Incorporou totalmente em si as virtudes que tanto esforçou-se por conquistar.



Porém em alguns casos, a mudança aparente faz parte de um ciclo de mudança.

Imaginemos a pessoa que quer vencer um mau hábito ou vício. É muito difícil que ela mude da noite para o dia, mas ela pode ir gradativamente mudando a sua conduta. Neste caso, ela não está equivocada, está progressivamente modificando-se. O erro estaria em permanecer estacionário no meio do caminho.

Mudança é movimento, é ação. Estar parado é estar estagnado e persistindo no erro.

É fundamental que observemos se nós próprios estamos cometendo esses erros. Se você leu até aqui pensando no Ciclano ou no Beltrano, acabou de cometer mais um equívoco. Devemos nos preocupar com os nossos erros e defeitos, deixando de prestar atenção nos erros e defeitos dos outros (que são de responsabilidade unicamente deles). Elucidar os defeitos alheios não é caridade.



 Precisamos diariamente nos questionar acerca de nossos pensamentos, de nossos hábitos e de nossas atitudes. Precisamos estar sempre atentos aos nossos defeitos e atuando ativamente para corrigi-los.

 Não se muda do dia para a noite. O importante é não estar parado.


sábado, 3 de maio de 2014

Os laços de família

Ao deparar-me com essa leitura, fiquei surpreso como Santo Agostinho trata com facilidade de um tema tão complexo como os laços de família e nos brinda com uma aula sobre a reencarnação.

Merece ser lido e relido!

"9 – A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e revolta sempre os corações virtuosos. Mas a dos filhos para com os pais tem um sentido ainda mais odioso. É desse ponto de vista que a vamos encarar mais especialmente, para analisar-lhe as causas e os efeitos. Nisto, como em tudo, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.

Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai no espaço aperfeiçoar-se ou estacionar, até que deseje esclarecer-se. Alguns, portanto, levam consigo ódios violentos e desejos de vingança. A alguns deles, porém, mais adiantados, é permitido entrever algo da verdade: reconhecem os funestos efeitos de suas paixões, e tomam então boas resoluções; compreendem que, para se dirigirem a Deus, só existe uma senha – caridade. Mas não há caridade sem esquecimento das ofensas e das injúrias, não há caridade com ódio no coração e sem perdão.

É então que, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para os que detestaram na Terra. À vista deles, porém, sua animosidade desperta. Revoltam-se à idéia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem a si mesmos, mas sobretudo a de amar aqueles que lhes destruíram talvez a fortuna, a honra, a família. Não obstante, o coração desses infortunados está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que ele detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir sobre a Terra os destinos desse corpo que vem de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá da maior ou menor persistência das suas boas resoluções. O contacto incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte. Assim, segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato exterior parece justificar. Nada, com efeito, nessa existência, poderia  provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é necessário voltar os olhos ao passado.

Oh!, espíritas! Compreendei neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendei que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que vos está confiada e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe derdes, auxiliarão o seu aperfeiçoamento e a sua felicidade futura. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?” Se permaneceu atrasada por vossa culpa, vosso castigo será o de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então vós mesmos, carregados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis uma nova encarnação, para vós e para ela, na qual a cercareis de mais atentos cuidados, e ela, cheia de reconhecimento, vos envolverá no seu amor.

Não recuseis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou. Uma intuição imperfeita do passado se revela, e dela podeis deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou expiar. Mães! Abraçai, pois, a criança que vos causa aborrecimentos, e dizei para vós mesmas: “Uma de nós duas foi culpada”. Merecei as divinas alegrias que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, ah! Muitas dentre vós, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, provenientes das existências anteriores, entretém e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por uma culposa fraqueza. E, mais tarde, o vosso coração ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, desde esta vida, o começo da vossa expiação.

A tarefa não é tão difícil como podereis pensar. Não exige o saber do mundo: o ignorante e o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, ao revelar a causa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É necessário aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm sua origem no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam os germens desses vícios e dedicai-vos a combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Fazei como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixardes que o egoísmo e o orgulho se desenvolvam, não vos espanteis de ser pagos mais tarde pela ingratidão. Quando os pais tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, se não conseguem êxito, não tem do que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhe será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver cap. XIII, nº 19)

Deus não faz as provas superiores às forças daquele que as pede; só permite as que podem ser cumpridas; se isto não se verifica, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que em lugar de resistir aos maus arrastamentos, neles se comprazem: é para eles que estão reservados o choro e o ranger de dentes, em suas existências posteriores. Admirai, entretanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chega um dia em que o culpado está cansado de sofrer, o seu orgulho foi por fim dominado, e é então que Deus abre os braços paternais para o filho pródigo, que se lança aos seus pés. As grandes provas, — escutai bem, — são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então quando, saído do turbilhão do mundo terreno, entrardes no mundo dos Espíritos, sereis ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da refrega.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria das privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, esmagadas pela ingratidão dos seus. Oh!, é essa uma pungente angústia! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, com a certeza de que, se há longas dilacerações, não há desesperos eternos, porque Deus não pode querer que a sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é necessário não reter o olhar na Terra e não ver apenas uma existência; é necessário elevar-se, pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revela aos vossos olhos, e esperais com paciência, porque explicou a vós mesmos o que vos parecia monstruosidade da Terra. Os ferimentos que recebestes vos parecem simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido: não mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se quebrarem com a reencarnação.

Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa. Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.

SANTO AGOSTINHO, Paris, 1862.
"

(O Evangelho Segundo O Espiritismo, capítulo 14).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A eterna luta do bem contra o mal

Nós todos temos uma grande atração pela eterna luta do bem contra o mal. Seja em livros, filmes, séries, peças de teatro ou mesmo em antigas lendas e contos de fadas.

Algumas vezes a luta é ambientada entre guerreiros medievais e bestas infernais, outras vezes entre uma nação oprimida e um grande tirano. Também há aquelas que se passam entre os humanos do futuro e os terríveis alienígenas conquistadores.

Porque isso nos atrai tanto? Porque temos essa vontade de pegar uma espada e combater algum monstro "do outro mundo"?

Trazemos em nosso subconsciente a seguinte mensagem: nossa missão é combater o mal.

Mas, materialistas como somos, procuramos sempre as coisas do lado de fora de nós.

Vivemos procurando a felicidade fora de nós. Porque não procuraríamos o mal também?

Essa visão distorcida é que prejudica essa missão que viemos realizar.

O mal que deve ser combatido não se trata de feras insanas, alienígenas malvados ou ditadores cruéis, mas trata-se do mal que há dentro de nós: nossas falhas morais.

Se faz fundamental parar de procurar as coisas do lado de fora. Somos uma alma usando um corpo, e não um corpo que tem uma alma como "acessório".

Se somos uma alma, tudo o que se refere a nós só pode ser interior e não exterior.

Portanto, a felicidade que almejamos encontra-se dentro de nós. O mal que devemos combater, encontra-se no mesmo lugar.

Vamos então combater nossos defeitos morais, nossos vícios e todas as nossas más tendências.

Já trazemos a instrução em nosso subconsciente. Precisamos agir, e no lugar certo!

Deixemos então o simbolismo de lado e trabalhemos de maneira efetiva para nossa evolução.

Portanto, sempre que olharmos aquele filme que nos deixa com o coração batendo a mil, prontos para uma batalha contra o mal, lembremos que essa batalha está o tempo todo dentro de nós mesmos.


Isso até lembra aquela velha parábola dos índios norte-americanos:

"Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.
 

Ele disse:

– A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego.


O outro é Bom. É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.


O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:


– Qual lobo vence?


O velho índio respondeu:


– Aquele que você alimenta!
"

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A violência


O mundo sempre foi um lugar violento.

Mas é necessário que compreendamos que essa violência vem somente de um lugar: do homem.

A violência já foi muito usada para dominar, conquistar e até mesmo defender, desde os tempos mais bárbaros.

Hoje não é necessário que se empregue mesmo tais métodos.

Entretanto o instinto violento permanece enraizado no homem. Quando não é utilizando-se da violência física, é utilizando-se da violência psicológica.

Ainda se acredita que a melhor maneira de se demonstrar força seja através da violência.

"Violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de desespero e fraqueza." (Dalai Lama)

Mas se nos detivermos raciocinando sobre isso, perceberemos que é um sinal muito maior de força evitar a violência.

O violento é sempre uma pessoa que não tem controle sobre si. Abdica então da racionalidade e deixa que seus instintos o governem.

Existe algum esforço nisso? Existe apenas conveniência.

Agora pensemos naquela pessoa que se vê mergulhada em um momento de tensão onde tem dois caminhos: a paz ou a guerra. Se essa pessoa conseguir respirar fundo, controlar sua cólera, não dar ouvidos as ofensas e finalmente retirar-se, terá ela obtido uma grande vitória sobre si mesma. Isso sim é um sinal de força.

É necessário revermos quem são os valentes e quem são os covardes.

Isso é até tema de uma antiga parábola chinesa:

"Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que adorava ensinar sua filosofia para os jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda que ele ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. E, conhecendo a reputação do velho samurai, estava ali para derrotá-lo, aumentando sua fama de vencedor.

Todos os estudantes manifestaram-se contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos - ofendeu inclusive seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho mestre permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo- se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou- se.
Desapontados pelo fato do mestre ter aceito tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
- Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o velho samurai
- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse o mestre -
Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo.
"

Para aquele que deseja tornar-se uma pessoa correta, um homem de bem, é fundamental perceber que a mudança de postura deve ser integral.

Para aquele que quer ser melhor, já não há mais espaço para continuar perpetrando as atitudes brutas e impensadas de outrora.

Esqueça as opiniões alheias e passe a agir de acordo com os seus princípios. Não dê ouvidos aos comodistas e preguiçosos, vá atrás de seus objetivos.

Somente com determinação e coragem é possível mudar. Somente com mudança é possível ser melhor.

sábado, 12 de abril de 2014

O óbolo da viúva - a verdadeira caridade

"E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo dava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, davam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deu esta pobre viúva do que todos os outros que deram no gazofilácio. Porque todos os outros deram do que tinham na sua abundância; porém esta deu da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4)."



A parábola do óbolo da viúva (óbolo = esmola, doação) nos dá o exemplo de alguém que como doação deu tudo o que tinha.

Mas não pensem que esta parábola refere-se ao dinheiro. O dinheiro é apenas o exemplo que Jesus utilizou para transmitir este ensinamento.

Essa parábola refere-se ao mais simples exemplo da verdadeira caridade: doar aquilo que se tem. Mas a doação do supérfluo não representa esforço nenhum. Já a verdadeira doação depende de abdicar de algo.

No caso da parábola, a viúva abdicou de todo o dinheiro que tinha para ajudar aqueles que tinham menos do que ela. Ela depois disso deve ter passado por diversas privações por conta deste ato generoso. E é exatamente aí que se encontram os ensinamentos de Jesus: pensar antes em proporcionar o básico ao necessitado, para só depois pensar no supérfluo para si.

Quer dizer que eu devo ir agora ao banco, sacar todo o meu dinheiro e dar aos pobres? Com certeza não. Se assim fizéssemos, no outro dia seríamos nós os necessitados precisando de auxílio. Mas não faz mal a ninguém pegar aquele dinheiro usado para saciar os vícios (bebida, cigarro, guloseimas, jogatina, promiscuidade, etc) e em vez de desperdiçá-lo, juntar e dar aos necessitados, seja na forma de uma cesta básica, um agasalho ou até mesmo um remédio.

Percebem a nuance da privação? Abdicar de futilidades para auxiliar ao próximo. Isso é muito mais nobre do que dar o seu lucro. Requer um esforço maior de nossa parte.

Mas como eu disse, essa parábola não trata somente de dinheiro.

Tudo aquilo que temos em abundância deve ser usado para beneficiar ao próximo. Se temos inteligência, que a usemos para ensinar coisas aos outros e torná-los inteligentes também. Se temos vocação para a arte, que levemos então a arte para aqueles que precisam de um dia mais feliz (como aquelas pessoas vestidas de palhaços que visitam os hospitais). Se temos tempo livre, que usemos nosso tempo para ouvir aqueles que precisam desabafar e para dar uma palavra amiga para aqueles que necessitam de apoio e de esperança.

Não há ninguém que não tenha algo para doar. Até mesmo uma pessoa de má vida tem o que doar: a experiência das suas escolhas erradas e o sofrimento que isso acarretou. Não é o que os alcoólicos anônimos fazem? Compartilham suas experiências e se incentivam mutuamente. Fazem um bem maior do que imaginam!

Então, meus irmãos, que o ato de doar não seja somente de dar algo, mas que também seja de dar um pouco de si. Que exija um pouco de nossa dedicação. Aí sim será uma caridade verdadeira.

"6 – Muita gente lamenta não poder fazer todo o bem que desejaria, por falta de recursos, e se querem a fortuna, dizem, é para bem aplicá-la. A intenção é louvável, sem dúvida, e pode ser muito sincera de parte de alguns; mas o seria de parte de todos, assim completamente desinteressados? Não haverá os que, inteiramente empenhados em beneficiar os outros, se sentirão bem de começar por si mesmos, concedendo-se mais algumas satisfações, um pouco mais do supérfluo que ora não têm, para dar aos pobres apenas, o resto? Este pensamento oculto, talvez dissimulado, mas que encontrariam no fundo do coração, se o sondassem, anula o mérito da intenção, pois a verdadeira caridade faz antes pensar nos outros que em si mesmo.

[...] Aqueles cuja intenção é desprovida de qualquer interesse pessoal, deve consolar-se de sua impotência para fazer o bem que desejariam, lembrando que o óbolo do pobre, que o tira da sua própria privação, pesa mais na balança de Deus que o ouro do rico, que dá sem privar-se de nada. Seria grande a satisfação, sem dúvida, de poder socorrer largamente a indigência; mas, se isso é impossível, é necessário submeter-se a fazer o que se pode. Aliás, não é somente com o ouro que se podem enxugar as lágrimas, e não devemos ficar inativos por não o possuirmos. Aquele que deseja sinceramente tornar-se útil para os seus irmãos, encontra mil ocasiões de fazê-lo. Que as procure e as encontrará. Se não for de uma maneira, será de outra, pois não há uma só pessoa, no livre gozo de suas faculdades, que não possa prestar algum serviço, dar uma consolação, amenizar um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros? Isso também é a esmola do pobre, o óbolo da viúva.
"