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sábado, 12 de abril de 2014

O óbolo da viúva - a verdadeira caridade

"E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo dava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, davam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deu esta pobre viúva do que todos os outros que deram no gazofilácio. Porque todos os outros deram do que tinham na sua abundância; porém esta deu da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4)."



A parábola do óbolo da viúva (óbolo = esmola, doação) nos dá o exemplo de alguém que como doação deu tudo o que tinha.

Mas não pensem que esta parábola refere-se ao dinheiro. O dinheiro é apenas o exemplo que Jesus utilizou para transmitir este ensinamento.

Essa parábola refere-se ao mais simples exemplo da verdadeira caridade: doar aquilo que se tem. Mas a doação do supérfluo não representa esforço nenhum. Já a verdadeira doação depende de abdicar de algo.

No caso da parábola, a viúva abdicou de todo o dinheiro que tinha para ajudar aqueles que tinham menos do que ela. Ela depois disso deve ter passado por diversas privações por conta deste ato generoso. E é exatamente aí que se encontram os ensinamentos de Jesus: pensar antes em proporcionar o básico ao necessitado, para só depois pensar no supérfluo para si.

Quer dizer que eu devo ir agora ao banco, sacar todo o meu dinheiro e dar aos pobres? Com certeza não. Se assim fizéssemos, no outro dia seríamos nós os necessitados precisando de auxílio. Mas não faz mal a ninguém pegar aquele dinheiro usado para saciar os vícios (bebida, cigarro, guloseimas, jogatina, promiscuidade, etc) e em vez de desperdiçá-lo, juntar e dar aos necessitados, seja na forma de uma cesta básica, um agasalho ou até mesmo um remédio.

Percebem a nuance da privação? Abdicar de futilidades para auxiliar ao próximo. Isso é muito mais nobre do que dar o seu lucro. Requer um esforço maior de nossa parte.

Mas como eu disse, essa parábola não trata somente de dinheiro.

Tudo aquilo que temos em abundância deve ser usado para beneficiar ao próximo. Se temos inteligência, que a usemos para ensinar coisas aos outros e torná-los inteligentes também. Se temos vocação para a arte, que levemos então a arte para aqueles que precisam de um dia mais feliz (como aquelas pessoas vestidas de palhaços que visitam os hospitais). Se temos tempo livre, que usemos nosso tempo para ouvir aqueles que precisam desabafar e para dar uma palavra amiga para aqueles que necessitam de apoio e de esperança.

Não há ninguém que não tenha algo para doar. Até mesmo uma pessoa de má vida tem o que doar: a experiência das suas escolhas erradas e o sofrimento que isso acarretou. Não é o que os alcoólicos anônimos fazem? Compartilham suas experiências e se incentivam mutuamente. Fazem um bem maior do que imaginam!

Então, meus irmãos, que o ato de doar não seja somente de dar algo, mas que também seja de dar um pouco de si. Que exija um pouco de nossa dedicação. Aí sim será uma caridade verdadeira.

"6 – Muita gente lamenta não poder fazer todo o bem que desejaria, por falta de recursos, e se querem a fortuna, dizem, é para bem aplicá-la. A intenção é louvável, sem dúvida, e pode ser muito sincera de parte de alguns; mas o seria de parte de todos, assim completamente desinteressados? Não haverá os que, inteiramente empenhados em beneficiar os outros, se sentirão bem de começar por si mesmos, concedendo-se mais algumas satisfações, um pouco mais do supérfluo que ora não têm, para dar aos pobres apenas, o resto? Este pensamento oculto, talvez dissimulado, mas que encontrariam no fundo do coração, se o sondassem, anula o mérito da intenção, pois a verdadeira caridade faz antes pensar nos outros que em si mesmo.

[...] Aqueles cuja intenção é desprovida de qualquer interesse pessoal, deve consolar-se de sua impotência para fazer o bem que desejariam, lembrando que o óbolo do pobre, que o tira da sua própria privação, pesa mais na balança de Deus que o ouro do rico, que dá sem privar-se de nada. Seria grande a satisfação, sem dúvida, de poder socorrer largamente a indigência; mas, se isso é impossível, é necessário submeter-se a fazer o que se pode. Aliás, não é somente com o ouro que se podem enxugar as lágrimas, e não devemos ficar inativos por não o possuirmos. Aquele que deseja sinceramente tornar-se útil para os seus irmãos, encontra mil ocasiões de fazê-lo. Que as procure e as encontrará. Se não for de uma maneira, será de outra, pois não há uma só pessoa, no livre gozo de suas faculdades, que não possa prestar algum serviço, dar uma consolação, amenizar um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros? Isso também é a esmola do pobre, o óbolo da viúva.
"

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