Últimos Posts:

Últimos posts

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A grande viagem chamada reencarnação

Já falamos sobre a reencarnação algumas vezes aqui no blog. A saber:

- Porque a Reencarnação é fato e não poderia ser de outra forma

- Falando sobre a reencarnação - Crianças prodígio

- Falando sobre a reencarnação - A justiça divina e a reencarnação

- Falando sobre a reencarnação - Casos documentados que indicam reencarnações

Sendo o primeiro link uma leitura essencial para todos que são novos no tema, e os demais um complemento do primeiro.

Mas agora que já falamos sobre a reencarnação, queremos abordar como o espírito se sente em relação à tudo isso.


- O desencarne

Como bem sabemos, somos seres espirituais de vida eterna, criados simples e ignorantes com o propósito de adquirirmos a perfeição através de nossas escolhas e vivências, onde nos desenvolvemos em intelecto e moralidade.

Como a evolução não dá saltos, é necessário que passemos por experiências na matéria, as quais nos servem de escola e nos fornecem todas as situações necessárias para o nosso desenvolvimento intelectual e moral.

Porém quando estamos encarnados, para que possamos melhor usufruir desta condição, somos submetidos à uma amnésia quase total sobre a nossa origem e o nosso passado (popularmente chamado véu do esquecimento).

Com isso, acabamos esquecendo nosso propósito de vida e não cumprindo com os nossos objetivos espirituais.

E eis que quando desencarnamos, o véu do esquecimento é removido (pois já não estamos mais encarnados) e relembramos de tudo*: quem somos, qual a nossa história, quais eram nossos objetivos. E na maioria dos casos, falhamos com a maioria deles.

(*OBS: Espíritos muito apegados à matéria ou ao mundo material podem demorar mais para relembrar.)



- Conscientização e estudo

Um grande arrependimento** toma conta de nós, e nos sentimos tristes e desapontados por termos falhado outra vez. E agora, tal qual a criança que foi mal na prova porque não estudou, desejamos ter uma outra oportunidade, para tentar fazer certo dessa vez.

(**OBS: Espíritos muito endurecidos podem levar anos até se conscientizarem e se arrependerem.)

Quando nos conscientizamos sobre os nossos erros e nos arrependemos deles, ganhamos o amparo dos benfeitores espirituais, que nos conduzirão para a etapa seguinte, a do esclarecimento.

Porque não basta saber que erramos. É necessário entender porquê erramos. E também é necessário fazer as pazes com o passado através do auto-perdão.

Uma vez que estejamos prontos, é necessário aprender sobre os nossos erros, para que consigamos não mais repeti-los. Muito é aprendido na teoria, porém somente na vida material (encarnação) teremos a oportunidade de colocar tudo em prática.

Depois de toda essa preparação, e com o auxílio dos benfeitores amigos, nos sentimos aptos a pedir por mais uma oportunidade de reencarnar, agora que estamos confiantes de que triunfaremos.


- Planejamento reencarnatório

Embora estejamos bem-intencionados e nos sentindo preparados, um processo reencarnatório não é nem um pouco simples e necessita um planejamento perfeito.

O planejamento reencarnatório tem o objetivo de preparar, na encarnação que se segue, o melhor cenário possível para que possamos ter todas as oportunidades que necessitamos para a nossa evolução.

Em uma equipe formada por nós, espíritos familiares, nossos guardiões espirituais e espíritos especialistas na tarefa, é iniciada a complexa tarefa de planejamento que em linhas gerais consiste de:

- Fornecer todas as oportunidades para resgate e expiação dos débitos espirituais
- Fornecer todas as oportunidades para reflexão sobre a realidade espiritual (o "despertar")
- Fornecer todas as oportunidades para o desenvolvimento intelectual
- Fornecer todas as oportunidades para o desenvolvimento moral
- Planejamento de testes e provas espirituais
- Escolha da família que reúna o melhor cenário de laços kármicos e de oportunidades de desenvolvimento
- Prever nossos possíveis pontos de falha e criar mecanismos para evitá-los (embora ainda suscetíveis ao nosso livre-arbítrio quando encarnados)

E para que isso seja possível, é necessário um estudo aprofundado de:

- Nossas encarnações anteriores
- Da última encarnação
- Da nossa personalidade
- Do nosso grau de esclarecimento
- Dos nossos defeitos e virtudes
- Das nossas tendências

Uma vez que todo o complexo planejamento esteja pronto, estamos finalmente preparados e aguardaremos nosso momento de encarnar.

- A preparação para o nascimento

Embora estejamos tremendamente ansiosos, afinal já entendemos nosso erros, nos arrependemos, estudamos, planejamos, fizemos tudo o que era necessário e temos certeza de que agora conseguiremos fazer tudo certinho, ainda assim estamos submetidos a uma organização maior, que envolve todos os demais desencarnados que aguardam por sua vez.

É necessário aguardar o nosso momento. É necessário esperar que o tempo corra na Terra (ou no planeta que formos encarnar) e que os eventos se desenrolem até o ponto propício.

Esse tempo extra é ideal para revisar todas as lições e todos os preparativos.

Nossa família já foi escolhida, e quando o momento da encarnação se aproxima, somos autorizados a gradualmente nos aproximarmos de nossos pais. Não é à toa que muitos casais decidem súbitamente terem filhos, ou mães que sonham com um menino ou uma menina. É a influência do espírito que deseja encarnar.

No momento da concepção, o nosso perispírito é ligado às células do embrião, iniciando o processo de encarnação. À medida que os meses de gestação passam, nosso perispírito vai se reduzindo de tamanho, para que esteja em tamanho compatível com o corpo no momento do nascimento.


- O nascimento

E eis que o dia chegou! Os encarnados correm para o hospital para que o parto possa acontecer.

Por um instante, tudo se apaga. O perispírito completa seu acoplamento nesse novo corpo que está pronto. O véu do esquecimento instaura-se por completo, para que possamos ter experiências novas sem estarmos presos às memórias ruins do passado. Todas as informações ficarão armazenadas no nosso subconsciente e poderão ser acessadas através da intuição.

E em uma sala iluminada, o médico bate em nossa bundinha novinha em folha, ao que respondemos com o nosso primeiro choro.

Enquanto isso, nossos benfeitores amigos que acompanham o momento dizem: "Respire irmão! E bem-vindo a mais uma jornada rumo à evolução."


- Conclusão

De posse de todo esse conhecimento, de todo o entendimento sobre esse processo, é necessário que acordemos! Nossos corpos vivem mas nossos corações estão adormecidos!

Precisamos acordar e relembrar da nossa realidade, do nosso objetivo maior de crescimento e evolução.

Ainda que tenhamos o véu do esquecimento, Deus em sua infinita bondade e misericórdia permitiu que em nossa consciência tenhamos a plena noção do que é certo e do que é errado.

Mais ainda, temos à nossa disposição centenas de religiões e filosofias capazes de nos despertar para o caminho do bem.

Vejamos todo o trabalho envolvido para que estivéssemos aqui hoje, vivendo essa experiência. Vamos desperdiçar mais esta chance?

Até quando, por nossa própria escolha, ficaremos presos nos mesmos erros de sempre?

Até quando ficaremos nos distraindo com os brinquedos do mundo material?

É hora de acordar. Acordar o espírito imortal que somos, com toda a potencialidade para atingir a perfeição. Acordar para o nosso objetivo maior e realizá-lo, finalmente fazendo bom uso das oportunidades que recebemos.

Chegou o momento:

Acorde irmão! E bem-vindo a mais uma jornada rumo à evolução!



quarta-feira, 11 de abril de 2018

A Verdadeira Propriedade

Hoje iniciamos com dois maravilhosos textos sobre esse importantíssimo tema. Na sequência, nosso comentário:


"9 – O homem não possui como seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na Terra; mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto, e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo, e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe, e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste. Desde depende estar mais rico ao partir do que ao chegar neste mundo, porque a sua posição futura depende do que ele houver adquirido no bem. Quando um homem parte para um país longínquo, arruma a sua bagagem com objetos de uso nesse país e não se carrega de coisas que lhe seriam inúteis. Fazei, pois, o mesmo, em relação à vida futura, aprovisionando-vos de tudo o que nela vos poderá servir.

Ao viajante que chega a uma estalagem, se ele pode pagar, é dado um bom alojamento; ao que pode menos, é dado um pior; e ao que nada tem, é deixado ao relento. Assim acontece com o homem, quando chega ao mundo dos Espíritos: sua posição depende de suas posses, com a diferença de que não pode pagar em ouro. Não se lhe perguntará: Quanto tínheis na Terra? Que posição ocupáveis? Éreis príncipe ou operário? Mas lhe será perguntado: O que trazeis? Não será computado o valor de seus bens, nem dos seus títulos, mas serão contadas as suas virtudes, e nesse cálculo o operário talvez seja considerado mais rico do que o príncipe. Em vão alegará o homem que, antes de partir, pagou em ouro a sua entrada no céu, pois terá como resposta: as posições daqui não são compradas, mas ganhas pela prática do bem; com o dinheiro podeis comprar terras, casas, palácios; mas aqui só valem a qualidades do coração. Sois rico dessas qualidades? Então, sejas bem-vindo, e teu é o primeiro lugar, onde todas as venturas vos esperam. Sois pobre? Ide para o último, onde sereis tratado na razão de vossas posses.
" (PASCAL, Genebra, 1860)


"10 – Os bens da Terra pertencem a Deus, que os dispensa de acordo com a sua vontade. O homem é apenas o seu usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente. Pertencem tão pouco ao homem, como propriedade individual, que Deus freqüentemente frustra todas as suas previsões, fazendo a fortuna escapar daqueles mesmos que julgam possuí-la com os melhores títulos.

Direis talvez que isso se compreende em relação à fortuna hereditária, mas não aquela que o homem adquiriu pelo seu trabalho. Não há dúvida que, se há uma fortuna legítima, é a que foi adquirida honestamente, porque uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, para conquistá-la, não se prejudicou a ninguém. Pedir-se-á conta de um centavo mal adquirido, em prejuízo de alguém. Mas por que um homem conquistou por si mesmo a sua fortuna, terá alguma vantagem ao morrer? Não são freqüentemente inúteis os cuidados que ele toma para transmiti-la aos descendentes? Pois se Deus não quiser que estes a recebam, nada prevalecerá sobre a sua vontade. Poderá ele usar e abusar de sua fortuna, impunemente, durante a vida, sem ter de prestar contas? Não, pois ao lhe permitir adquiri-la, Deus pode ter querido recompensar, durante esta vida, os seus esforços, a sua coragem, a sua perseverança; mas se ele somente a empregou para a satisfação dos seus sentidos e do seu orgulho, se ela se tornou para ele uma causa de queda, melhor seria não a ter possuído. Nesse caso, ele perde de um lado o que ganhou de outro, anulando por si mesmo o mérito do seu trabalho, e quando deixar a Terra, Deus lhe dirá que já recebeu a sua recompensa.
" (M., Espírito Protetor, Bruxelas, 1861)


Somos como crianças que enquanto estão na escola possuem diversas preocupações: muitas matérias a aprender, trabalhos, provas, lições de casa.

Porém essas mesmas crianças quando saem em um passeio com a escola, esquecem-se de tudo isso e querem apenas se divertir e aproveitar o passeio, esquecendo-se de que por trás daquele passeio há um fim pedagógico do qual terão que prestar contas.

Distraem-se vendo os bichos no zoológico e correndo com seus amigos, esquecendo-se de observar quais animais eram carnívoros ou herbívoros, como eram suas instalações, de qual país são originários, do quê se alimentam, e todas as demais coisas que serão posteriormente cobradas em sala de aula.

E assim somos nós, que estamos matriculados nessa grande escola chamada Terra, tendo nesta encarnação diversos deveres e tarefas a serem cumpridas, em especial o desenvolvimento interior, a prática do bem e o amor ao próximo.

Mas nos distraímos com as coisas do mundo material e com os nossos amigos, e tal qual as crianças no passeio, esquecemo-nos de que por trás de tudo isso há sempre um objetivo de evolução.

Em todas as coisas que acontecem na nossa vida, há oportunidades de crescimento. E mesmo quando estamos distraídos nas coisas do mundo material, em tudo há oportunidades onde podemos conter nossos instintos, exercer nossas virtudes, praticar o bem, e fazer todas aquelas coisas que são necessárias para a nossa "riqueza da alma".

Que possamos então todos nós estarmos mais cientes do nosso objetivo aqui e mais atentos à essas oportunidades de evolução que se apresentam a nós todos os dias.



quarta-feira, 4 de abril de 2018

Os Tormentos Voluntários

Amados leitores, hoje trazemos um tema muito recorrente aqui no Blog, sintetizado e muito bem explicado pelo espírito Fénelon:

"23 – O homem está incessantemente à procura da felicidade, que lhe escapa a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto, apesar das vicissitudes que formam o inevitável cortejo desta vida, dele poderia pelo menos gozar de uma felicidade relativa. Ma ele a procura nas coisas perecíveis, sujeitas às mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecíveis alegrias celestes. Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira neste mundo, ele procura com avidez tudo o que pode agitá-lo e perturbá-lo. E, coisa curiosa, parece criar de propósito os tormentos, que só a ele cabia evitar.

Haverá maiores tormentos que os causados pela inveja e o ciúme? Para o invejoso e o ciumento não existe repouso: sofrem ambos de uma febre incessante. As posses alheias lhes causam insônias; os sucessos dos rivais lhes provocam vertigens; seu único interesse é o de eclipsar os outros; toda a sua alegria consiste em provocar, nos insensatos como eles, a cólera do ciúme. Pobres insensatos, com efeito, que não se lembram de que, talvez amanhã, tenham de deixar todas as futilidades, cuja cobiça lhes envenena a vida! Não é a eles que se aplicam estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”, pois os seus cuidados não têm compensação no céu.

Quantos tormentos, pelo contrário, consegue evitar aquele que sabe contentar-se com o que possui, que vê sem inveja o que não lhe pertence, que não procura parecer mais do que é! Está sempre rico, pois, se olha para baixo, em vez de olhar para cima de si mesmo, vê sempre os que possuem menos do que ele. Está sempre calmo, porque não inventa necessidades absurdas, e a calma em meio das tormentas da vida não será uma felicidade?
" (FÉNELON, Lyon, 1860)

Precisamos urgentemente mudar a nossa mentalidade e parar de criarmos problemas para nós mesmos.

Nos desesperamos pelas coisas do mundo material (vícios, posses, poder, beleza, satisfações materiais) e nessa busca desenfreada por elas, vamos bagunçando completamente nossas vidas.

Como consequência, nossas vidas tornam-se um inferno. Inferno esse que nós mesmos criamos.

É essencial avaliarmos o que é realmente importante para nós, para que possamos concentrar os nossos esforços na direção correta. Só assim conseguiremos eliminar o caos e criar a felicidade em nossas vidas.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Uma grande escola chamada Terra

Imagine, amigo leitor, uma escola. Nessa escola, como manda o padrão, todos os dias as matérias são ensinadas a todos os alunos que comparecem às aulas.

À medida que avançam no conteúdo, os alunos vão ampliando seu conhecimento, se desenvolvendo, vencendo as provas e se encaminhando rumo ao final do ano, onde serão aprovados e poderão avançar para a série seguinte.

Agora imagine que algumas dessas crianças decidiram que naquele ano não estudariam. Ficariam apenas brincando na pracinha do outro lado da rua, durante todo o turno da aula.

A pracinha possui muitos equipamentos e um campinho de futebol, o suficiente para entretê-los por um ano inteiro.

Porém eis que o fim do ano chega, e enquanto seus colegas avançam para a série seguinte, eles são condenados a repetir a mesma série. E assim acontece, ano após ano.

Um dia, seus ex-colegas estarão iniciando o curso superior, e eles, já quase adultos, continuarão desperdiçando seus anos enquanto brincam na pracinha.


E agora é o momento que você se pergunta: "Porquê ninguém deu um jeito nessas crianças? Elas desperdiçaram vários anos de suas vidas!"

Ou ainda:  "Isso jamais aconteceria, eles cansariam de brincar na pracinha no segundo ou terceiro ano..."


Acontece, amigo leitor, que esta história é a mais perfeita ilustração do que a maioria dos habitantes deste planeta faz com a sua vida espiritual.

Somos espíritos, e encarnamos nesse mundo de provas e expiações com o objetivo de nos desenvolvermos moralmente.

Infelizmente, nos distraimos nas pracinhas da vida com outras coisas, e esquecemos desse nosso objetivo inicial. Quando chega o fim da encarnação, enquanto que aqueles que se dedicaram avançam, nós continuamos presos no mesmo ponto, de onde teremos que continuar na nossa próxima encarnação.

E na próxima, novamente nos distraimos... E assim vamos por séculos e séculos estagnados sempre no mesmo lugar.

A Terra, enquanto planeta de provas e expiações, é um lugar formidável para desenvolvermos e lapidarmos as nossas virtudes, pois todos os dias somos submetidos a diversas oportunidades de utilizá-las, se assim for do nosso interesse.

A Terra é um lugar tão diverso e com tantas oportunidades, que estiveram encarnados ao mesmo tempo Hitler e Mahatma Gandhi.


A grande questão é: até quando vamos ficar brincando nas pracinhas? Quando levaremos o nosso desenvolvimento moral a sério? Quando que começaremos a nos dedicar, para que possamos chegar ao nível seguinte?

Não, ninguém vai chegar e nos sacudir pelos ombros gritando para que acordemos. Porém a vida, em suas inúmeras reviravoltas, sempre nos dá pistas quando estamos indo pelo caminho errado.

Que tal todos nós abandonarmos essas distrações e começarmos agora mesmo a nos dedicar?

Eu não quero ficar para trás (mais do que já estou)!

E você?


quarta-feira, 21 de março de 2018

Faça o bem sem olhar a quem

É interessante como muitos de nós nos dizemos caridosos, porém praticamos uma caridade seletiva - escolhemos quem desejamos ajudar.

Então vestimos a máscara da caridade, e no silêncio de nossos pensamentos destilamos o ódio aos nossos opositores.

Assim torna-se muito cômodo dizer-se cristão e ser hipócrita como um fariseu.

Mas não é isso que desejamos. Não queremos ser hipócritas. Não queremos ser fariseus. Queremos ser legítimos seguidores do Cristo.


Para tal, precisamos então DE FATO seguir ao Cristo.

É inaceitável para qualquer um que se diga cristão desejar o mal para alguém. Nem mesmo aos criminosos devemos desejar o mal.


Nosso primeiro passo deve ser um esforço sólido e sincero para não desejar o mal para os outros. Não importa o que quer que tenham feito. Todo aquele que incide em erro o faz por ignorância e fraqueza. Não esqueçamos da lição: "Aquele que nunca errou, que atire a primeira pedra!".

Todos nós cometemos erros em diferentes momentos da nossa vida e com diferentes níveis de gravidade. Que moral temos nós para julgar ao próximo?

E uma vez que consigamos progredir nesse aspecto, lembremo-nos da questão 642 de O Livro dos Espíritos:

"642.Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar um futuro melhor?
– Não. É preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo o mal que resulte do bem que não tiver feito."


Não esperemos que o discurso de "eu não desejo mal a ninguém" seja o nosso escudo. Este é apenas o primeiro passo de uma longa jornada.


O segundo passo é desejar o bem para todos. Simples assim.

Você consegue desejar o bem para aquele irmão que comete uma imprudência no trânsito e mesmo estando errado enche você de desaforos? E quando um criminoso é preso, consegue desejar que ele se arrependa de seus atos e se torne um ser bom algum dia?

Muito bonito na teoria, mas muito difícil na prática. Porém este é o ponto decisivo para quem quer seguir ao Cristo. É necessário que cada um pergunte a si mesmo: "É válido para mim todo o esforço necessário para vencer as minhas falhas morais e conseguir desejar o bem a todos, mesmo aos que cometem erros, para assim me tornar um seguidor do Cristo?".

Somente quando conseguirmos responder SIM para essa questão, é que finalmente estaremos prontos para esta etapa. Porque é impossível desejar o bem com palavras vazias. É necessário um coração repleto de amor para dar valor a essa intenção de desejar o bem ao próximo.


Mas como a evolução não dá saltos, seria impossível desejar que alguém simplesmente acordasse um dia desejando o bem para todos. É fundamental então que comecemos gradualmente desejando o bem para o maior número de pessoas, até que um dia conseguiremos desejar o bem mesmo para aqueles que fazem o mal.


O terceiro e último passo é a coroação do verdadeiro cristão. É quando conseguimos fazer o bem sem olhar a quem. É quando conseguimos cumprir na íntegra com o mandamento de tratar ao próximo como gostaríamos de ser tratados.

E não há nada melhor para ilustrar isso do que a reflexão do nosso grande Kardec:

"4 – “Amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros como quereríamos que nos fizessem”, eis a expressão mais completa da caridade, porque ela resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter, neste caso, guia mais seguro, do que tomando como medida do que se deve fazer aos outros, o que se deseja para si mesmo. Com que direito exigiríamos de nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgência, benevolência e devotamento, do que lhes damos? A prática dessas máximas leva à destruição do egoísmo. Quando os homens as tomarem como normas de conduta e como base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade, e farão reinar a paz e a justiça entre eles. Não haverá mais ódios nem dissensões, mas união, concórdia e mútua benevolência."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 15 – Fora da caridade não há salvação - O Maior Mandamento)

É necessário um grande amor, um grande desprendimento e uma grande humildade para fazermos o bem mesmo para aqueles que fazem o mal. É necessário amar sem julgamentos para que possamos fazer a caridade sem mácula.

Aquele que consegue, mediante seus esforços de transformação interna, atingir este patamar, pode sem sombra de dúvidas ser chamado de verdadeiro seguidor do Cristo.


Ainda que tudo seja assim tão simples, nada disso é fácil. Pois é essa dificuldade que separa os que querem daqueles que apenas gostariam.

Aqueles que querem seguir Jesus, não medirão esforços para tornarem-se pessoas melhores, mesmo que isso signifique destruir o velho eu e construir um novo eu.

Aqueles que apenas gostariam de seguir Jesus, vão achar que é muito trabalho e decidirão deixar isso para outra hora, porque agora tem assuntos mais urgentes a tratar.


E assim, amados irmãos, Deus está sempre de portas abertas para receber os seus filhos, dando iguais oportunidades a todos. Mas como o caminho é estreito e a porta mais estreita ainda, "Muitos são os chamados e poucos são os escolhidos". Somente aqueles que desejam esse objetivo com todo o seu coração, serão capazes de triunfar.

Mas não tenha medo. Comece agora.

Toda longa jornada começa com o primeiro passo.

Vamos todos nos unir em uma grande fraternidade dos trabalhadores da última hora!

Só falta você!




quarta-feira, 14 de março de 2018

Não importa quem você é. O que importa são suas atitudes.

No momento atual de nossa sociedade vemos muitos rótulos surgindo todos os dias, e o pior, pessoas entrando em conflito por causa disso. Cada vez se vê mais julgamentos e mais divisão entre as pessoas. A fim de demonstrar como isso é um grande equívoco, observemos o que diz Jesus:

"Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestidos de
ovelhas, e por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura os homens colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis." (Mateus, VII: 15-20).

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que obrais a iniqüidade." (Mateus, VII: 21-23).

"Mas os fariseus, quando ouviram que Jesus tinha feito calar a boca dos
saduceus, juntaram-se em conselho. E um deles, que era doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, este é o maior primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas." (Mateus, XXII: 34-40).

"[...] após interrogar seus discípulos acerca do que diziam os homens
a seu respeito, Jesus declara: 'Porque o Filho do homem virá na
glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras'." (Mateus 16:27)



Desta leitura podemos entender que:

1 - Se conhece a árvore por seus frutos, ou seja, se conhece a pessoa por aquilo que ela produz no mundo. Uma pessoa boa produz bondade, enquanto que uma pessoa má produz maldade. Por mais que as aparências enganem, o que realmente identifica uma pessoa é aquilo que ela produz no mundo.

2 - Não basta ter palavras doces se elas contradizem as nossas atitudes. Palavras que não são firmadas com atos não tem validade nenhuma. Os que assim procedem praticam a iniquidade. A saber:

"Iniquidade é um substantivo feminino da língua portuguesa e define algo ou alguém que tem um comportamento contrário à moral, à religião, à justiça, à igualdade e etc."

Então Jesus, em outras palavras, disse: "Afaistai-vos de mim vós que sois contrários à moralidade"

3 - O maior mandamento é: Amar a Deus com todo o coração e todo o nosso ser, e ao próximo como a nós mesmos.

4 - A cada um será dado de acordo com as suas obras.


Conclusão:

Não importa se você é rico ou pobre.
Não importa se você é religioso ou ateu.
Não importa se você negro ou branco.
Não importa se você gay ou hétero.
Qualquer distinção que você pensar, também não importa.

A única coisa que importa é a conduta de cada um.

Porque tanto o rico como o pobre podem ser igualmente bons ou igualmente maus.
Porque tanto o religioso como o ateu podem ser igualmente bons ou igualmente maus.
Porque tanto o negro como o branco podem ser igualmente bons ou igualmente maus.
Porque tanto o gay como o hétero podem ser igualmente bons ou igualmente maus.

Jesus em nenhum momento disse que somente esse ou aquele grupo teria a salvação. Todas as vezes que estabeleceu um critério, este era: seguir a Deus, seguir ao mandamento maior, dar bons frutos, ser íntegro (praticar aquilo que prega), ser virtuoso, etc.

Somos todos espíritos imortais, criados simples e ignorantes com o único propósito de aprendermos e nos lapidarmos a fim de atingir a perfeição.

Portanto, pouco importa o nosso saldo bancário, a nossa etnia, nossa orientação sexual, nossa religião (se é que seguimos uma). Aliás, há ateus que são dez vezes mais caridosos que a maioria dos ditos religiosos.

A única coisa que importa é a conduta de cada um.

Portanto, fechemos nossos olhos para o julgamento alheio. Comecemos a nos preocupar mais com a nossa evolução, com o desenvolvimento constante de nossas virtudes e com a eliminação de nossas falhas morais.

Porque somente assim cumpriremos com o nosso propósito de vida e alcançaremos a felicidade.



Texto relacionado:

- A diferença entre a satisfação e a felicidade

segunda-feira, 12 de março de 2018

A diferença entre a satisfação e a felicidade

Vivemos em um mundo material, repleto de coisas materiais com as quais podemos interagir e nos distrair.

Erroneamente, atribuimos a essas coisas materiais um status de portadoras da felicidade. E isso nos causa sofrimento, pois nossa expectativa não é correspondida.

Analisemos  agora o quadro das coisas que mais atribuimos como portadoras da felicidade e vejamos seu real efeito:

- Álcool e demais substâncias entorpecentes:

Por mais que exista uma analogia entre beber e ser feliz, alegre e estar de bem com a vida, estas substâncias não fazem mais do que promover um efeito temporário de anestesia mental, euforia e satisfação.

Uma vez que acabe o efeito físico, além da "ressaca" característica, promovem um efeito de depressão, visto que o indivíduo passa por esse estado de euforia onde tudo é divertido e retorna para a realidade, que agora parece ainda mais difícil do que antes. No intuito de permanecer "no mundo de Bobby" para sempre, o indivíduo desenvolve então o vício.

- Sexo desenfreado: 

Por mais que o sexo seja algo saudável e necessário para a saúde humana, quando colocado como meta para a felicidade, acaba tornando-se uma obsessão. O indivíduo passa a pensar 24 horas por dia em sexo, sempre contando as horas para a próxima relação. A relação por si só é deveras prazeirosa, porém o efeito de satisfação que promove dura poucas horas.

Então o indivíduo, já obcecado com o tema, deseja repetir o ato tanto quanto possível, gerando um vício. Com o tempo, a relação sexual vai se tornando monótona, e o indivíduo vai em busca de formas mais intensas, a fim de lhe promover novamente a satisfação que sentia antes. Assim gradualmente vai desenvolvendo distúrbios cada vez mais graves à medida que avança rumo aos extremos.

- Comida:

Ah, o simples prazer da vida! Esse é um dos mais difíceis de evitar, visto que não podemos ficar sem comer. A comida promove uma satisfação imediata, que também dura poucas horas. Tantos sabores maravilhosos! Como resistir?

Porém quando associamos nossas emoções com o ato de comer, vamos desenvolvendo uma gula que se potencializa cada vez que estamos tristes, deprimidos, irritados ou estressados. E à medida que avançamos nessa solução fácil, nosso sistema digestivo vai dilatando e aumentando a sua capacidade, para que possamos ingerir cada vez mais. Desta forma, não somente gerando um vício, como também intoxicando nossos corpos e sobrecarregando o sistema digestivo.

- Dinheiro e poder:

Quem nunca sonhou em ser milionário? Quem nunca imaginou o que faria se ganhasse na loteria? O dinheiro é um sério concorrente quando se pensa em atribuir a felicidade à algo. Como não ser feliz em uma mansão numa ilha paradisíaca, com diversos funcionários, tendo tudo o que desejamos ao alcance de um estalar de dedos? Quem poderia ser infeliz assim?

Mas ainda que o dinheiro possa proporcionar muito conforto e muita satisfação, toda essa satisfação é temporária. Precisamos continuar comprando para continuarmos satisfeitos. Uma vez que as compras tornam-se repetidas após a décima casa, o trigésimo carro, a centésima peça de roupa, tudo vai perdendo o brilho. E então o dinheiro vai servindo de facilitador para os demais itens dessa lista.

E se o dinheiro repentinamente acabar? Melhor nem pensar...

(o mesmo quadro aplica-se ao poder)

- Reflexão:

Por mais que pensemos que os itens dessa lista sejam os portadores da felicidade, quando analisamos friamente vemos que eles não fazem mais do que nos proporcionar uma satisfação temporária. Quando confundimos essa satisfação temporária com felicidade, entramos em uma conduta viciada que só nos prejudica cada vez mais. Saturamos nossas mentes pensando somente na próxima dose, na próxima transa, na próxima comida e na próxima compra.

Isso quer dizer que devemos nos abster de tudo isso?

Não. Existe uma diferença entre o que é saudável e o que é excesso.

Ainda que não recomendemos o uso de nenhuma substância entorpecente (nem mesmo álcool e cigarro), no que tange ao sexo e à comida, devemos nos manter nos limites do que é saudável. Devemos sempre lembrar que são fontes de satisfação temporária, e não de felicidade.

O mesmo quadro estende-se ao dinheiro: não precisamos nos abster de adquirir as coisas e de viver com conforto, embora seja justo repensar que um pouco do nosso supérfluo pode beneficiar o nosso próximo que não tem nada. Ainda assim, lembremos mais uma vez que tudo o que o dinheiro proporciona é uma satisfação temporária, e não a felicidade.

- Mas então, onde está a felicidade?

A felicidade é um conceito permanente, constante. Diferentemente da alegria, que tem um caráter mais momentâneo, a felicidade não passa por altos e baixos, nem mesmo perde seu efeito após algum tempo.

E sendo permanente, nunca será alcançada por meios impermantes, como os acima citados.

Imagine que você está em um lugar comum, o centro de alguma grande cidade. E você está sentindo-se tão bem consigo mesmo que mesmo que comesse uma comida gostosa, ou fizesse um sexo maravilhoso, ou que ainda achasse uma mala cheia de dinheiro, isso não lhe faria mais feliz. Lhe traria satisfação, com certeza, mas não lhe faria mais feliz.

Parece irreal não?

Mas isso é real e só pode ser alcançado através da paz interior. A paz interior decorre de um trabalho contínuo de melhoramento interior, onde o indivíduo vai eliminando os seus defeitos e aumentando as suas virtudes. Com isso, eliminando também as causas de seus sofrimentos, por consequência.

Nós somos os causadores de nossos próprios sofrimentos, seja através das nossas ações diretas ou seja através da maneira como encaramos os problemas da vida.

O fato é que quem elimina os seus defeitos e cultiva suas virtudes, passa a:

1 - Não criar mais situações problemáticas para a sua vida.
2 - Enfrentar melhor os problemas que a vida apresenta.
3 - Entender melhor quem é e qual o seu papel no mundo.
4 - Entender melhor porque sofria e como evitar causar mais sofrimento.

Gerando assim um ciclo contínuo, onde a cada vez o processo todo torna-se cada vez mais eficiente.

Com isso, gradualmente a paz interior surge, pois por mais que existam conflitos do lado de fora, por dentro de nós tudo estará calmo e em paz. Com essa paz interior, tudo se torna mais fácil e mais simples, pois sem aquele turbilhão de emoções podemos ver tudo com clareza.

E é nessa paz interior, que uma vez alcançada se torna permante, é que reside a chave da felicidade. Felicidade essa que não pode ser alcançada enquanto não desenvolvermos todas as virtudes que lhe servem de pilar.

- Conclusão:

Às vezes dedicamos nossas vidas inteiras procurando pela felicidade onde ela não está. Para não perder a viagem, ficamos com a satisfação que encontramos pelo caminho. Como não sabemos onde mais procurar, nos mantemos nesse caminho pois foi o melhor que encontramos.

Ironicamente, a felicidade está dentro de nós, no único lugar onde esquecemos de procurar. Pensamos que auto-conhecimento e virtudes são coisas para monges e ignoramos completamente esta opção, sem nem mesmo experimentá-la.

Mas que possamos todos nós hoje, possuindo este conhecimento, concentramos nossos esforços naquilo que realmente importa, naquilo que realmente nos trará um grande benefício e a nossa tão procurada felicidade: o desenvolvimento interior.

De hoje em diante, sejamos sinceros com nós mesmos. Paremos de nos iludir com as satisfações momentâneas. Nada de duradouro dali sairá.

Busquemos a paz interior, pois ela sim é o caminho para a felicidade verdadeira, plena, sólida, permanente.

---

Um grande abraço à todos os leitores e que essas palavras possam tocar no coração e na mente de todos vocês!

Não importa onde você esteja, ficamos sempre muito felizes quando você vem aqui ler os conteúdos deste blog, que é feito de estudantes para estudantes.

Que possamos juntos trilhar essa caminhada e no futuro celebrar a nossa vitória sobre o velho-eu.

Paz e luz a todos.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Uma imagem vale mais do que mil palavras

Quando começamos a nossa jornada de desenvolvimento espiritual, seja através do espiritismo ou de qualquer outro sistema religioso ou filosófico, ficamos empolgados com os novos conhecimentos e com as mudanças que acontecem em nossas vidas.

Nossa primeira intenção então é a de "espalhar a mensagem", na mais sincera boa vontade.

Então saímos por aí doutrinando todo mundo. Sendo que a maioria desse "todo mundo" não está nem aí para isso e não quer ouvir o nosso blá, blá, blá.

Nos tornamos os chatos que aproveitam qualquer ocasião para pregar e tentar converter os outros, esquecendo-nos da lição "não vades aos gentios".

No fim das contas, gastamos nossa energia em uma tarefa infrutífera, que não só não ajuda em nada o próximo, como é capaz de fazer ele criar repulsa pelo assunto.

Mas então, o que fazer?

Não existe recurso melhor do que o exemplo. Quando nos esforçamos verdadeiramente para sermos pessoas melhores, damos o exemplo de todas as virtudes que já conseguimos adquirir.

Isso não só funciona melhor para transmitir a mensagem, como também evita que cometamos outro erro comum: falar muito e praticar pouco.

Como bem diz o ditado, uma imagem vale mais do que mil palavas. Não adianta pregarmos sobre virtudes e não demonstramos nenhuma no nosso dia-a-dia.

Porém, nota-se de longe quando alguém consegue realmente praticar as virtudes.

(E antes que alguém pense que seja possível: não adianta fingir. Os momentos de pressão botam abaixo qualquer fingimento).

Portanto, amados irmãos, se desejamos ajudar a nós mesmos e ao próximo, podemos colocar como metas:

- Ouvir mais e falar menos;
- Trabalharmos em nossas virtudes em vez de fazermos doutrinação indesejada;
- Colocar em prática os ensinamentos que tanto gostamos.

E assim, vamos desenvolvendo-nos nessa jornada espiritual. É comum cometermos esses erros, mas tentemos corrigí-los o mais breve possível.

É fácil e só depende de nós.




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Pessimismo, otimismo e você com isso...

O velho caso do copo com água pela metade: está meio cheio ou meio vazio? Eis o nosso assunto de hoje!

Existem pessoas pessimistas, pessoas otimistas e outras tantas que se perdem no meio dessa definição, em diferentes proporções.

Para o pessimista, tudo lhe parece ruim, chato, trabalhoso ou tedioso. Quando uma idéia é lançada, imediatamente pensa em cinco maneiras de como isso dará errado.

Já para o otimista, tudo lhe é agradável, divertido, relaxante ou empolgante. Quando uma idéia é lançada, imediatamente pensa como ela pode dar certo e quais bons resultados pode trazer.

Bom, isso todo mundo já sabe. Mas o que isso tem a ver comigo?

A maneira como encaramos a nós mesmos e à nossa vida, interfere diretamente nas nossas ações, e por consequência, nos resultados que colhemos.

O momento atual de nossas vidas é a consequência de todas as decisões que já tomamos, nessa vida e nas anteriores. Se almejamos algo diferente para nós, precisamos trabalhar de acordo, a fim de obter esse resultado.

Imagine um jovem pessimista que sai em busca de um emprego. Achará ruim se tiver um baixo salário. Achará ruim se tiver um salário maior, mas tendo que trabalhar no sábado. Achará ruim se o salário for bom, o trabalho de segunda à sexta, mas longe de casa. Achará ruim se o chefe for rígido. Achará ruim se o chefe não se importar muito com os funcionários. Achará ruim fazer o seu trabalho, e achará pior ainda quando seu colega for promovido e ele não. Dez anos depois, será que esse jovem terá uma boa carreira?

Imagine agora um jovem otimista que sai em busca de um emprego. Não se importará tanto se o salário não for dos maiores, mas o emprego legal. Também não se importará de trabalhar sábado, afinal de contas, muita gente trabalha nos sábados. Se o trabalho for longe, tudo bem, faz parte. Dá até pra ler um livro no caminho. Quando o chefe é rígido, se esforça para fazer tudo direitinho, e comemora quando passa uma semana sem levar bronca do chefe, sinal de que está fazendo um bom trabalho. Se o chefe for daqueles mais distantes, não se importará com isso desde que não atrapalhe o trabalho. Por falar nisso, seu trabalho pode não ser o melhor do mundo, mas é o que se tem por hoje. Já que está aqui, porque não fazer bem feito? Dez anos depois, será que esse jovem terá uma boa carreira?

Aqui tomamos um exemplo profissional, mas a referência é a mesma para qualquer coisa que façamos: nossa carreira, nossos relacionamentos, nossos hobbys, nossas metas pessoais, etc.

Obviamente, como mencionado antes, poucas pessoas estão nos dois extremos. É comum que tenhamos dentro de nós um lado pessimista e um lado otimista. E precisamos ter noção de que sempre que deixamos o lado pessimista prevalecer, fechamos em nossas vidas muitas portas de oportunidades únicas e maravilhosas que poderíamos ter aproveitado.

Já quando seguimos o nosso lado otimista, vamos expandindo nossas possibilidades, abrindo portas que para muitos permanecem bloqueadas, e com isso tendo acesso à uma multiplicidade de oportunidades para serem escolhidas e vivenciadas.

Porquê então insistirmos no pessimismo? Que tal fazer uma experiência sendo otimista?

O otimista como está sempre de bem com a vida, passa mais tempo harmonizado, e com isso, mais tempo em sintonia com os benfeitores espirituais. Muitas vezes, eles podem nos ajudar, mas não lhes damos oportunidades de agir.  Porém quando estamos em sintonia, temos sempre esse sutil auxílio a nos beneficiar ainda mais, nos ajudando a ver com clareza em momentos difíceis, nos ajudando a ter soluções criativas para os nossos problemas e sempre nos inspirando com boas idéias, com idéias construtivas.

E para ficar claro, ser otimista não significa ser tolo. Não significa acreditar que tudo vai dar certo sem pensar nas consequências. Em conjunto com o otimismo, devemos sempre ter prudência e cautela. Eu gosto muito daquele ditado que diz: "confie em Deus, mas amarre seu camelo". Ele reflete justamente essa realidade, de que acreditar no bem não significa ser descuidado.

E assim, amados irmãos, vamos melhorando nosso ser, direcionando nossa maneira de pensar e de agir para o caminho correto, e uma vez lá, nos lapidando a fim de nos tornarmos cada dia um pouco melhores do que na véspera. Com isso, plantando boas sementes para colher bons frutos, fazendo do nosso futuro um lugar cada vez melhor para se estar um dia.

Para encerrar, eu lhe pergunto, amado leitor: você está metade cheio ou metade vazio?


(Reflita sobre a resposta).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Façamos também a Caridade Moral

Pedindo desculpas aos nossos leitores pelo recesso não planejado, queremos informar que o blog está de volta à ativa para este ano de 2018.

E para começar a temporada deste ano, trataremos deste tema tão importante que é a caridade moral.



"10 – Meus amigos, tenho ouvido muitos de vós dizerem: Como posso fazer a caridade, se quase sempre não tenho sequer o necessário?

A caridade, meus amigos, se faz de muitas maneiras. Podeis fazê-la em pensamento, em palavras e em ações. Em pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem terem sequer vivido; uma prece de coração os alivia. Em palavras: dirigindo aos vossos companheiros alguns bons conselhos. Dizei aos homens amargurados pelo desespero e pelas privações, que blasfemam do nome do Altíssimo: “Eu era como vos; eu sofria, sentia-me infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vede agora sou feliz!” Aos anciãos que vos disseram: “É inútil; estou no fim da vida; morrerei como vivi”, respondei: “A justiça de Deus é igual para todos; lembrai-vos dos trabalhadores da última hora!” Às crianças que, já viciadas pelas más companhias, perdem-se nos caminhos do mundo, prestes a sucumbir às suas tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos!”, e não temais repetir freqüentemente essas doces palavras, que acabarão por germinar nas suas jovens inteligências, e em lugar de pequenos vagabundos, fareis delas verdadeiros homens. Essa é também uma forma de caridade.

Muitos de vós dizeis ainda: “Oh! somos tão numerosos na terra, que Deus não pode ver-nos a todos!” Escutai bem isso, meus amigos: quando estais no alto de uma montanha, vosso olhar não abarca os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: Deus vos vê da mesma maneira; e Ele vos deixa o vosso livre arbítrio, como também deixais esses grãos de areia ao sabor do vento que os dispersas. Com a diferença que Deus, na sua infinita misericórdia, pôs no fundo do vosso coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Ouvi-a, que ela vos dará bons conselhos. Por vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal, e então ela se cala. Mas ficai seguros de que a pobre relegada se fará ouvir, tão logo a deixardes perceber a sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a, e freqüentemente sereis consolados pelos seus conselhos.

Meus amigos, a cada novo regimento o general entrega uma bandeira. Eu vos dou esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros”. Praticai essa máxima: reunir-vos todos em torno dessa bandeira, e dela recebereis a felicidade e a consolação.

UM ESPÍRITO PROTETOR, Lyon, 1860.
"


Existem dois tipos de caridade, a caridade material e a caridade moral. A primeira, é feita com o dinheiro e com os recursos materiais, tais como o alimento, roupas e todo o tipo de doações.

Já a caridade moral é feita com o amor e com todas as virtudes, tais como a paciência, a benevolência, a indulgência e o perdão.

É até interessante que associemos sempre o termo "caridade" com doações materiais, visto que Jesus, nosso modelo e guia, sempre praticou extensivamente a caridade moral.

Certamente que a caridade material é importantíssima, pois beneficia muitos que não possuem nem mesmo o básico para sua existência.

Porém não podemos relegar a caridade moral ao esquecimento. Enquanto que os corpos estão famintos de alimento, também estão as almas famintas de amor.

Como é triste ver tantas pessoas que possuem todas as condições necessárias para uma boa vida: um lar, um trabalho, um carro e todos os demais confortos, mas ainda assim seus corações estão completamente ressecados pela falta de amor!

Quantas pessoas alegram-se ao receber um "bom dia", pois já faz um tempo desde que alguém lhes desejou algo de bom.

Quantas pessoas alegram-se com aquela conversa rápida sobre o tempo no elevador, pois já faz um tempo desde que alguém lhes deu atenção.

Neste momento talvez você esteja se perguntando: como posso ser útil ao próximo?

O primeiro passo é parar de olharmos somente para o nosso umbigo. Precisamos deixar de ser egoístas e olharmos para aqueles que nos rodeiam. E aí sim então, com um coração repleto de amor, veremos todas as oportunidades de sermos úteis.

E então poderemos ajudar, dando atenção ao nosso próximo, dando um ombro amigo, incentivando, aconselhando, acalmando, enfim, provendo toda a assistência necessária.

E na dúvida, basta seguir o mandamento maior: tratemos os outros como gostaríamos de ser tratados.

Há muitos corações precisando de amor. Façamos a nossa parte, semeando o amor de pouquinho em pouquinho em cada coração, e gradualmente com isso fazendo do mundo um lugar mais iluminado.