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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Uma imagem vale mais do que mil palavras

Quando começamos a nossa jornada de desenvolvimento espiritual, seja através do espiritismo ou de qualquer outro sistema religioso ou filosófico, ficamos empolgados com os novos conhecimentos e com as mudanças que acontecem em nossas vidas.

Nossa primeira intenção então é a de "espalhar a mensagem", na mais sincera boa vontade.

Então saímos por aí doutrinando todo mundo. Sendo que a maioria desse "todo mundo" não está nem aí para isso e não quer ouvir o nosso blá, blá, blá.

Nos tornamos os chatos que aproveitam qualquer ocasião para pregar e tentar converter os outros, esquecendo-nos da lição "não vades aos gentios".

No fim das contas, gastamos nossa energia em uma tarefa infrutífera, que não só não ajuda em nada o próximo, como é capaz de fazer ele criar repulsa pelo assunto.

Mas então, o que fazer?

Não existe recurso melhor do que o exemplo. Quando nos esforçamos verdadeiramente para sermos pessoas melhores, damos o exemplo de todas as virtudes que já conseguimos adquirir.

Isso não só funciona melhor para transmitir a mensagem, como também evita que cometamos outro erro comum: falar muito e praticar pouco.

Como bem diz o ditado, uma imagem vale mais do que mil palavas. Não adianta pregarmos sobre virtudes e não demonstramos nenhuma no nosso dia-a-dia.

Porém, nota-se de longe quando alguém consegue realmente praticar as virtudes.

(E antes que alguém pense que seja possível: não adianta fingir. Os momentos de pressão botam abaixo qualquer fingimento).

Portanto, amados irmãos, se desejamos ajudar a nós mesmos e ao próximo, podemos colocar como metas:

- Ouvir mais e falar menos;
- Trabalharmos em nossas virtudes em vez de fazermos doutrinação indesejada;
- Colocar em prática os ensinamentos que tanto gostamos.

E assim, vamos desenvolvendo-nos nessa jornada espiritual. É comum cometermos esses erros, mas tentemos corrigí-los o mais breve possível.

É fácil e só depende de nós.




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Pessimismo, otimismo e você com isso...

O velho caso do copo com água pela metade: está meio cheio ou meio vazio? Eis o nosso assunto de hoje!

Existem pessoas pessimistas, pessoas otimistas e outras tantas que se perdem no meio dessa definição, em diferentes proporções.

Para o pessimista, tudo lhe parece ruim, chato, trabalhoso ou tedioso. Quando uma idéia é lançada, imediatamente pensa em cinco maneiras de como isso dará errado.

Já para o otimista, tudo lhe é agradável, divertido, relaxante ou empolgante. Quando uma idéia é lançada, imediatamente pensa como ela pode dar certo e quais bons resultados pode trazer.

Bom, isso todo mundo já sabe. Mas o que isso tem a ver comigo?

A maneira como encaramos a nós mesmos e à nossa vida, interfere diretamente nas nossas ações, e por consequência, nos resultados que colhemos.

O momento atual de nossas vidas é a consequência de todas as decisões que já tomamos, nessa vida e nas anteriores. Se almejamos algo diferente para nós, precisamos trabalhar de acordo, a fim de obter esse resultado.

Imagine um jovem pessimista que sai em busca de um emprego. Achará ruim se tiver um baixo salário. Achará ruim se tiver um salário maior, mas tendo que trabalhar no sábado. Achará ruim se o salário for bom, o trabalho de segunda à sexta, mas longe de casa. Achará ruim se o chefe for rígido. Achará ruim se o chefe não se importar muito com os funcionários. Achará ruim fazer o seu trabalho, e achará pior ainda quando seu colega for promovido e ele não. Dez anos depois, será que esse jovem terá uma boa carreira?

Imagine agora um jovem otimista que sai em busca de um emprego. Não se importará tanto se o salário não for dos maiores, mas o emprego legal. Também não se importará de trabalhar sábado, afinal de contas, muita gente trabalha nos sábados. Se o trabalho for longe, tudo bem, faz parte. Dá até pra ler um livro no caminho. Quando o chefe é rígido, se esforça para fazer tudo direitinho, e comemora quando passa uma semana sem levar bronca do chefe, sinal de que está fazendo um bom trabalho. Se o chefe for daqueles mais distantes, não se importará com isso desde que não atrapalhe o trabalho. Por falar nisso, seu trabalho pode não ser o melhor do mundo, mas é o que se tem por hoje. Já que está aqui, porque não fazer bem feito? Dez anos depois, será que esse jovem terá uma boa carreira?

Aqui tomamos um exemplo profissional, mas a referência é a mesma para qualquer coisa que façamos: nossa carreira, nossos relacionamentos, nossos hobbys, nossas metas pessoais, etc.

Obviamente, como mencionado antes, poucas pessoas estão nos dois extremos. É comum que tenhamos dentro de nós um lado pessimista e um lado otimista. E precisamos ter noção de que sempre que deixamos o lado pessimista prevalecer, fechamos em nossas vidas muitas portas de oportunidades únicas e maravilhosas que poderíamos ter aproveitado.

Já quando seguimos o nosso lado otimista, vamos expandindo nossas possibilidades, abrindo portas que para muitos permanecem bloqueadas, e com isso tendo acesso à uma multiplicidade de oportunidades para serem escolhidas e vivenciadas.

Porquê então insistirmos no pessimismo? Que tal fazer uma experiência sendo otimista?

O otimista como está sempre de bem com a vida, passa mais tempo harmonizado, e com isso, mais tempo em sintonia com os benfeitores espirituais. Muitas vezes, eles podem nos ajudar, mas não lhes damos oportunidades de agir.  Porém quando estamos em sintonia, temos sempre esse sutil auxílio a nos beneficiar ainda mais, nos ajudando a ver com clareza em momentos difíceis, nos ajudando a ter soluções criativas para os nossos problemas e sempre nos inspirando com boas idéias, com idéias construtivas.

E para ficar claro, ser otimista não significa ser tolo. Não significa acreditar que tudo vai dar certo sem pensar nas consequências. Em conjunto com o otimismo, devemos sempre ter prudência e cautela. Eu gosto muito daquele ditado que diz: "confie em Deus, mas amarre seu camelo". Ele reflete justamente essa realidade, de que acreditar no bem não significa ser descuidado.

E assim, amados irmãos, vamos melhorando nosso ser, direcionando nossa maneira de pensar e de agir para o caminho correto, e uma vez lá, nos lapidando a fim de nos tornarmos cada dia um pouco melhores do que na véspera. Com isso, plantando boas sementes para colher bons frutos, fazendo do nosso futuro um lugar cada vez melhor para se estar um dia.

Para encerrar, eu lhe pergunto, amado leitor: você está metade cheio ou metade vazio?


(Reflita sobre a resposta).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Façamos também a Caridade Moral

Pedindo desculpas aos nossos leitores pelo recesso não planejado, queremos informar que o blog está de volta à ativa para este ano de 2018.

E para começar a temporada deste ano, trataremos deste tema tão importante que é a caridade moral.



"10 – Meus amigos, tenho ouvido muitos de vós dizerem: Como posso fazer a caridade, se quase sempre não tenho sequer o necessário?

A caridade, meus amigos, se faz de muitas maneiras. Podeis fazê-la em pensamento, em palavras e em ações. Em pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem terem sequer vivido; uma prece de coração os alivia. Em palavras: dirigindo aos vossos companheiros alguns bons conselhos. Dizei aos homens amargurados pelo desespero e pelas privações, que blasfemam do nome do Altíssimo: “Eu era como vos; eu sofria, sentia-me infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vede agora sou feliz!” Aos anciãos que vos disseram: “É inútil; estou no fim da vida; morrerei como vivi”, respondei: “A justiça de Deus é igual para todos; lembrai-vos dos trabalhadores da última hora!” Às crianças que, já viciadas pelas más companhias, perdem-se nos caminhos do mundo, prestes a sucumbir às suas tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos!”, e não temais repetir freqüentemente essas doces palavras, que acabarão por germinar nas suas jovens inteligências, e em lugar de pequenos vagabundos, fareis delas verdadeiros homens. Essa é também uma forma de caridade.

Muitos de vós dizeis ainda: “Oh! somos tão numerosos na terra, que Deus não pode ver-nos a todos!” Escutai bem isso, meus amigos: quando estais no alto de uma montanha, vosso olhar não abarca os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: Deus vos vê da mesma maneira; e Ele vos deixa o vosso livre arbítrio, como também deixais esses grãos de areia ao sabor do vento que os dispersas. Com a diferença que Deus, na sua infinita misericórdia, pôs no fundo do vosso coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Ouvi-a, que ela vos dará bons conselhos. Por vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal, e então ela se cala. Mas ficai seguros de que a pobre relegada se fará ouvir, tão logo a deixardes perceber a sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a, e freqüentemente sereis consolados pelos seus conselhos.

Meus amigos, a cada novo regimento o general entrega uma bandeira. Eu vos dou esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros”. Praticai essa máxima: reunir-vos todos em torno dessa bandeira, e dela recebereis a felicidade e a consolação.

UM ESPÍRITO PROTETOR, Lyon, 1860.
"


Existem dois tipos de caridade, a caridade material e a caridade moral. A primeira, é feita com o dinheiro e com os recursos materiais, tais como o alimento, roupas e todo o tipo de doações.

Já a caridade moral é feita com o amor e com todas as virtudes, tais como a paciência, a benevolência, a indulgência e o perdão.

É até interessante que associemos sempre o termo "caridade" com doações materiais, visto que Jesus, nosso modelo e guia, sempre praticou extensivamente a caridade moral.

Certamente que a caridade material é importantíssima, pois beneficia muitos que não possuem nem mesmo o básico para sua existência.

Porém não podemos relegar a caridade moral ao esquecimento. Enquanto que os corpos estão famintos de alimento, também estão as almas famintas de amor.

Como é triste ver tantas pessoas que possuem todas as condições necessárias para uma boa vida: um lar, um trabalho, um carro e todos os demais confortos, mas ainda assim seus corações estão completamente ressecados pela falta de amor!

Quantas pessoas alegram-se ao receber um "bom dia", pois já faz um tempo desde que alguém lhes desejou algo de bom.

Quantas pessoas alegram-se com aquela conversa rápida sobre o tempo no elevador, pois já faz um tempo desde que alguém lhes deu atenção.

Neste momento talvez você esteja se perguntando: como posso ser útil ao próximo?

O primeiro passo é parar de olharmos somente para o nosso umbigo. Precisamos deixar de ser egoístas e olharmos para aqueles que nos rodeiam. E aí sim então, com um coração repleto de amor, veremos todas as oportunidades de sermos úteis.

E então poderemos ajudar, dando atenção ao nosso próximo, dando um ombro amigo, incentivando, aconselhando, acalmando, enfim, provendo toda a assistência necessária.

E na dúvida, basta seguir o mandamento maior: tratemos os outros como gostaríamos de ser tratados.

Há muitos corações precisando de amor. Façamos a nossa parte, semeando o amor de pouquinho em pouquinho em cada coração, e gradualmente com isso fazendo do mundo um lugar mais iluminado.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Assuma o controle da sua vida

Muitos de nós encontram-se perdidos, sem saber que rumo tomar.

Esperamos encontrar a nossa salvação em algum lugar, porém não sabemos onde procurar.

Alguns então procuram no dinheiro e nas coisas materiais, mas acabam não encontrando.

Outros procuram nas religiões e acham que encontraram.

Porém é fácil equivocar-se e pensar que basta ser membro da religião X ou Y que todos os problemas estarão resolvidos. Os céus se abrirão e os anjos virão em nosso auxílio.

Mas assumir essa postura passiva, é o mesmo que estar em um barco e sem remar, esperar que o barco chegue ao destino desejado.

Jesus foi enfático ao dizer que "Nem todo aquele que diz 'Senhor! Senhor!' entrará no reino dos céus, mas todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus".

Isso significa que é necessário assumirmos o controle de nossas vidas.

Não basta entrar para uma religião X ou Y somente por entrar. Sem buscar o caminho do aprendizado e da mudança interior. Fazer parte deste ou daquele grupo não é condição para a salvação.

É muito fácil entrar no barco, não remar, e caso ele não chegue no destino desejado colocar a culpa no vento, nas marés ou no próprio barco.

Mas como direcionaremos nossa vida para o resultado que desejamos se nem estamos no controle?

Se quisermos que nossa vida se encaminhe para um determinado resultado, precisamos direcioná-la para isso, fazendo a parte que nos cabe para que o resultado seja o esperado, e não alguma coisa aleatória.

Assuma o controle hoje mesmo. Chega de permanecer à deriva.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

As várias formas de apego


 O apego é um dos maiores entraves à nossa evolução.

Ele atua como uma âncora, nos impedindo de seguir em frente, por mais que tentemos.

O apego mais comum é aquele dedicado ao materialismo, aos bens terrenos e às paixões terrenas. Esse tipo de apego nos afasta do nosso desenvolvimento espiritual, nos mantendo muito presos à vida terrena.

Para que possamos evoluir, é necessário que nos lapidemos através do desenvolvimento de nossas virtudes e da eliminação de nossos defeitos. Como faremos isso se estivermos pregados ao mundo material?

Como iremos eliminar nossos vícios se o nosso apego por eles é mais forte que a vontade de vencê-los? Como iremos cuidar de nosso espírito se nosso apego aos bens terrenos é mais forte que o desejo de trabalharmos nossas virtudes?

É impossível subir a escadaria da evolução com uma mochila cheia de pedras. É preciso que nos livremos dessas pedras para que a escalada se torne viável.

Também existe o apego às pessoas. Neste caso não só fazemos mal a nós mesmos como também aos outros.

É aí que residem o ciúme e a posse, elementos corrosivos para qualquer tipo de relação.

Este tipo de apego impede que sigamos em frente com a nossa vida após o término de relacionamentos ou o falecimento de alguma pessoa querida. Também cria relacionamentos abusivos onde o ciúme cria verdadeiras distorções mentais da realidade, resultando em crimes nos casos mais graves.

Porém o apego que é pouco mencionado, mas que representa um grande entrave à evolução é o apego às idéias.

Idéias cultivadas por diversas encarnações cristalizam-se em nosso ser, as quais tomamos como nossas verdades pessoais inquestionáveis.

Imaginemos uma pessoa que por diversas encarnações, em diversas épocas, participou de muitas guerras e poucas vezes teve outra ocupação que não a de soldado. Essa pessoa vivenciou tanto a violência que é provável que veja sempre a violência como único meio de resolver conflitos. A diplomacia a ela lhe soa como fraqueza e fracos lhe parecerão todos aqueles que não resolverem seus problemas através do conflito.

Como é que essa pessoa aprenderá a pagar o mal com o bem sem antes desapegar-se desta idéia cristalizada? Torna-se impossível evoluir enquanto mantiver essa âncora no passado.

E é assim que vamos vendo um mundo com tanto ódio, tanto preconceito, tanto retrocesso. Porque nós ainda estamos apegados à muitas idéias ultrapassadas, que nos impedem de abraçar o progresso.

Enquanto que refletimos sobre o quanto estes três tipos de apego são nocivos, ficamos estupefatos quando percebemos que é muito comum que os três andem sempre juntos.

Somos pessoas tão endurecidas que escolhemos arrastar as correntes do apego em vez de seguirmos uma nova jornada.

Até quando permaneceremos nesta situação? Já não tivemos o bastante disso?

Porquê insistir em uma conduta que não nos traz nenhuma felicidade?

É essencial que reflitamos sobre este tema, e mais importante ainda que façamos uma auto-análise e vejamos o quanto ainda somos apegados às coisas, às pessoas e às idéias. Porque é somente através do auto-conhecimento que poderemos identificar aqueles defeitos que nos impedem de crescer.

Desapegue-se já, para que possas alcançar vôos mais altos rumo à felicidade plena.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Fora da caridade não há salvação - A cada um segundo suas obras

"[...] A máxima: Fora da caridade não há salvação é a conseqüência do princípio de igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-se esta máxima por regra, todos os homens são irmãos, e seja qual for a sua maneira de adorar o Criador, eles se dão às mãos e oram uns pelos outros. [...]"

"Nem todos os que me dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus”. [...] Será bastante dizer:“ Sou cristão ”, para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. “Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos”. – “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada no fogo”. – Eis as palavras do Mestre. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! [...]"


Muito se especula sobre o que é a verdade e sobre quem a detém. Muitos grupos alegam serem os possuidores exclusivos da verdade e da salvação.

Seguindo esta linha de pensamento, todos os integrantes de determinado grupo desfrutarão da salvação e da felicidade eterna (independentemente de sua índole) e todos os que não fazem parte desse feliz grupo, estarão condenados à danação eterna (não importando quão bons sejam).

Isso faz algum sentido? Deus seria justo privilegiando exclusivamente o grupo X ou Y e pouco importando-se para os demais?

Jesus foi enfático ao dizer que a cada um seria dado de acordo com as suas obras. Porque Jesus sabia que pouco importam os agrupamentos, rituais e crenças individuais, se o coração do homem não for repleto de virtudes.

Nossas obras não podem ser fingidas. Podemos tentar enganar a nós mesmos, porém não há como fingir a caridade pura e amorosa. Não há como fingir o amor e o perdão. Deus vê o íntimo de nossas almas e sabe o que cada um de nós traz no coração.

E é por isso que esses dois ensinamentos: "fora da caridade não há salvação" e "a cada um segundo suas obras" estão interligados. Não há como obter a evolução moral e por consequência a felicidade plena se não conseguirmos colocar em prática as virtudes das quais tanto falamos.

Não adianta sabermos todos os livros de cor e vencermos inúmeros debates doutrinários se nossos corações não são transbordantes de amor e de virtudes.

Somente as nossas obras podem refletir quem realmente somos. E se não somos capazes de realizar a caridade pura e sincera, adiantará de alguma coisa pertencer a grupo X ou Y para salvarmos nossas almas?

Por vezes, perdemos muito tempo nos preocupando com detalhes, com coisas exteriores ou de menor importância. Será que se eu me vestir de branco vou atrair o bem? Será que se eu me vestir de preto vou atrair o mal? Se eu acender um incenso, vou atrair o bem ou o mal?

E enquanto nos distraímos com essas coisas tão pequenas e irrelevantes, esquecemos que somos nós os grandes responsáveis pela nossa felicidade e pelo nosso infortúnio, bastando unicamente que ajustemos a nossa forma de pensar e de agir para que possamos progredir no caminho do bem.

Que tal começar hoje?



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Provas voluntárias


"26 – Perguntais se é permitido abrandar a vossas provas. Essa pergunta lembra estas outras: É permitido ao que se afoga procurar salvar-se? E a quem se espetou num espinho, retirá-lo? Ao que está doente, chamar um médico? As provas têm por fim exercitar a inteligência, assim como a paciência e a resignação. Um homem pode nascer numa posição penosa e difícil, precisamente para obrigá-lo a procurar os meios de vencer as dificuldades. O médico consiste em suportar sem murmurações as conseqüências dos males que não se podem evitar, em preservar na luta, em não se desesperar quando não se sai bem, e nunca em deixar as coisas correrem, que seria antes preguiça que virtude.

Essa questão nos conduz naturalmente a outra. Desde que Jesus disse: “Bem-aventurados os aflitos”, há mérito em procurar as aflições, agravando as provas por meio de sofrimentos voluntários? A isso responderei muito claramente: Sim, é um grande mérito, quando os sofrimentos e as privações têm por fim o bem do próximo, porque se trata da caridade pelo sacrifício; não, quando eles só têm por fim o bem próprio, porque se trata de egoísmo pelo fanatismo.

Há uma grande distinção a fazer. Quanto a vós, pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos manda, não aumenteis a carga já por vezes bem pesada; aceitai-as sem queixas e com fé, eis tudo o que Ele vos pede. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem propósito, porque tendes necessidades de todas as vossas forças, para cumprir vossa missão de trabalho na Terra. Torturar voluntariamente, martirizar o vosso corpo, é infligir a lei de Deus, que vos dá os meios de sustentá-lo e de fortalecê-lo. Debilitá-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis: tal é a lei. O abuso das melhores coisas traz as suas punições, pelas conseqüências inevitáveis.

Bem outra é a questão dos sofrimentos que uma pessoa se impõe para aliviar o próximo. Se suportardes o frio e a fome para agasalhar e alimentar aquele que necessita, e vosso corpo sofrer com isso, eis um sacrifício que é abençoado por Deus. Vós, que deixais vossos toucadores perfumados para levar consolação aos aposentos infectos; que sujais vossas mãos delicadas curando chagas; que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que é vosso irmão em Deus; vós, enfim, que aplicais a vossa saúde na prática das boas obras, tendes nisso o vosso cilício, verdadeiro cilício de bênçãos, porque as alegrias do mundo não ressecaram o vosso coração. Vós não adormecestes no seio das voluptuosidades enlanguescedoras da fortuna, mas vos transformastes nos anjos consoladores dos pobres deserdados.

Mas vós que vos retirais do mundo para evitar suas seduções e viver no isolamento,qual a vossa utilidade na Terra? Onde está a vossa coragem nas provas, pois que fugis da luta e desertais do combate? Se quiserdes um cilício, aplicai-o à vossa alma e não ao vosso corpo; mortificai o vosso Espírito e não a vossa carne; fustigai o vosso orgulho; recebei as humilhações sem vos queixardes; machucai vosso amor próprio; insensibilizai-vos para a dor da injúria e da calúnia, mais pungente que a dor física. Eis aí o verdadeiro cilício, cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem e a vossa submissão à vontade de Deus.
(UM ANJO DA GUARDA. Paris, 1863)"


De que agradaria a Deus nos ver em sofrimento sem uma real necessidade? Sabemos que todos aqueles que sofrem, sofrem por algum motivo, seja desta vida ou de uma vida anterior. A todos os nossos atos cabem as consequências, e e essa é uma lei eterna e imutável.

Portanto, todos nós já temos "a nossa cruz para carregar". Todos temos as nossas provas, expiações e desafios aos quais temos que suportar e vencer. Porque aumentar essa carga?

Talvez pensemos que impor ao nosso corpo determinadas penitências fará com que esse sofrimento sirva de "pagamento" pelas coisas erradas que fizemos. Mas será que isso faz sentido?

Se todos os nossos problemas se resolvessem com punições físicas, bastaríamos contratar uma pessoa que nos surrasse todos os dias, e em poucos meses teríamos alcançado a iluminação! Seria a religião mais bem sucedida da Terra.

Mas não, nossas provas e expiações atuam a nível espiritual. Mesmo quando acompanhadas de situações físicas (como doenças), o grande trabalho que precisa ser feito é em nossas almas.

Como seremos virtuosos se não formos postos à prova? Já diz o ditado: "um cavaleiro em uma armadura brilhante nunca teve seu metal testado". Nada mais justo.

Como poderemos crescer sem passar por adversidades? Como poderemos conhecer os nossos defeitos se eles nunca forem expostos?

É por isso que a única penitência que agrada a Deus é aquela que nos permite nos desenvolvermos como pessoas melhores. E que o único sacrifício agradável a Deus é aquele que beneficia o próximo.

Se o desejo é de nos auto-impor um sofrimento, que seja ele de enxergarmos nossos próprios defeitos e lutarmos ferrenhamente para vencê-los. Se o desejo é de castigar o próprio corpo, que seja pelo cansaço de auxiliar ao próximo sem descanso.

E que tudo aquilo que façamos, que seja útil e sincero, e não somente simbologias vazias sem sentido algum.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Em um mundo de aparências, muitos parecem e poucos de fato são.

 "1 – Porque não é boa a árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos reivindicam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque, do que está cheio o coração, disso é que fala a boca. (Lucas, VI: 43-45)."

Em um mundo cada vez mais baseado em aparências, as pessoas tornam-se cada vez mais ocas e superficiais.

Muitos esforçam-se em parecer ser pessoas que idealizaram como ideais, porém nenhum valor atribuem a si mesmas.

Com o desenvolvimento das redes sociais, torna-se cada vez mais frequente a criação de pessoas fictícias, que apenas compartilham o nome com as pessoas reais. Fotos modificadas, personalidades forjadas, ostentação de bens que não se possui, tudo isso inunda as redes e caracteriza a realidade de nossos dias.

Onde foram parar os valores e as coisas que realmente importam? Será que vivemos tanto na "Matrix" que estamos criando versões virtuais de nós mesmos, cuidadosamente modificadas para a aceitação em determinados grupos?

O fato é que muito parecemos, mas pouco somos.

Jesus, em sua imensa sabedoria, já identificava esse padrão na sociedade da época. Pois mesmo dois mil anos antes das redes sociais, as pessoas já possuíam suas máscaras, embora mais difíceis de detectar.

Não foi à toa que nos ensinou sobre os falsos profetas e sobre a parábola de que se conhece a árvore por seus frutos.

E estava corretíssimo (como era de se esperar) em afirmar que se conhece a árvore por seus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos e uma árvore má não pode dar bons frutos.

Portanto, não importa com o que você se pareça, suas atitudes definem quem você é.

- Não tente parecer caridoso, se suas ações expressam o egoísmo que você possui.
- Não tente parecer humilde, se suas ações expressam o quão orgulhoso você é.
- Não tente parecer ter paciência, se suas ações demonstram o seu descontrole.

Pare de esforçar-se com PARECER e comece a SER.

Se você gostaria de ser uma pessoa diferente do que você de fato é, então trabalhe em prol disso. Desenvolva-se, cresça, lapide-se, molde-se nessa pessoa melhor que você quer ser.

Provavelmente durante essa jornada você não só se preencherá com conteúdo e agregará valor à sua pessoa, como também passará a conhecer a si mesmo muito melhor do que você conhecia antes.

A hora de agir é agora.



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Torre de Babel da atualidade

Sempre olhamos para a história da Torre de Babel como apenas um conto antigo. Nesta história, os homens planejavam construir uma torre para chegar até o céu (a "morada" de Deus) e como punição foram dividos com a criação dos vários idiomas, que impossibilitaram que se entendessem e concluíssem o projeto.

É de fato surpreendente como esta história pode se tornar uma parábola nos dias de hoje. Mas o que seria então essa torre?

Podemos ver claramente a torre como o orgulho.

A cada dia nos vemos mais como "superiores" ao nosso próximo, sempre nos vendo como melhores do que os outros, e talvez até merecendo um altar para sermos reverenciados por nossa magnitude.

Estamos sempre certos e os outros errados. Somos sempre melhores que os outros em tudo o que fazemos. Só nós conseguimos ver a verdade e ter o conhecimento das coisas.

E esse orgulho que nos cega, traz a divisão.

Passamos a olhar para os outros, a fazer comparações e identificamos o quanto os outros são diferentes de nós.
- Fulano não é da mesma religião que eu.
- Ciclano tem uma cor de pele diferente da minha.
- Beltrano tem uma opção sexual diferente da minha.

E por aí vai...




É então que vemos que essa torre chamada orgulho, faz com que não consigamos nos entender com os nossos irmãos. Tudo o que fazemos é ver diferenças, criar grupos separados e entrar em conflito com todos aqueles que não concordem conosco.

Quando é que vamos parar de fazer isso?

Como que a humanidade vai progredir se só vemos diferenças?

Como teremos paz se fazemos de tudo para haver o conflito?

Quando que começaremos a olhar tudo o que há de semelhante entre nós, em vez de olhar para as diferenças?

Porque é que não podemos nos entender só porque somos de culturas diferentes? Ou torcemos para times diferentes? Ou temos opiniões políticas diferentes?

Será que realmente estamos certos em tudo? Será que realmente somos os detentores de todo o conhecimento e das verdades universais?

É por isso, amados irmãos, que onde há orgulho, não há amor. Pois o orgulho divide, e somente o amor une a todos.

É por isso que para amar, é necessário aceitar ao próximo como ele é.

Não precisamos concordar em tudo, isso seria impossível. Mas podemos (e devemos) respeitar a opinião do outro, por mais que ela seja diferente da nossa.

Só quando conseguirmos derrubar os muros da diferença, é que a humanidade poderá se erguer como uma grande família.

Então:

- Não pense que você está sempre certo
- Não pense que você é o melhor em tudo
- Não pense que a sua opinião é a mais importante
- Não veja aquilo que te diferencia do outro
- Procure o que te faz semelhante ao próximo
- Tente entender o  ponto de vista do outro
- Respeite a opinião do outro
- Aceite o próximo como ele é

Não podemos mudar o mundo sozinhos. Mas cada um de nós pode fazer a sua parte e colaborar para um mundo melhor.



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Os laços de família

É na família que se encontram os maiores desafios evolutivos.

Podemos mudar de escola, de trabalho, de cidade, mas estaremos sempre ligados à mesma família.

A vida em suas idas e vindas, suas reviravoltas, sempre faz com que mesmo as mais dispersas famílias voltem a ficarem próximas, sempre que necessário.

E é justamente aí, principalmente dentro do lar, que precisamos trabalhar as nossas virtudes.

É muito fácil ser bom e caridoso na rua, com estranhos, pois estamos apenas vendo o seu melhor lado.

Mas dentro do lar, precisamos conviver com o lado bom e o lado ruim das pessoas. Aí então percebemos o tamanho do desafio que teremos pela frente.

Tratar bem quem nos trata bem, isso até os Fariseus faziam. Mas tratar bem quem nos trata mal, eis o desafio.

Se queremos de fato sermos pessoas melhores e nos desenvolvermos como espíritos, torna-se imprescindível aprender a pagar o mal com o bem. Dar a outra face.

Muitas pessoas preocupam-se em saber se possuem um "resgate" com fulano ou com ciclano. Ora, se nos esforçarmos para tratar a todos como gostaríamos de ser tratados, certamente não estaremos errando e nem em falta para com ninguém.

Chega de máscaras. Chega de ser bom somente na rua. Chega da conveniente virtude longe do desafio.

Aquele que almeja trilhar a porta estreita da evolução espiritual, precisa enfrentar todos os desafios, demonstrando em seus atos (e não em suas palavras) o quão sólidas são as virtudes.


Para concluir, incluirei este maravilhoso texto de Santo Agostinho, que nos brinda com toda a sua habilidade em esclarecer e ensinar:


"I – A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família

9 – A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo, e revolta sempre os corações virtuosos. Mas a dos filhos para com os pais tem um sentido ainda mais odioso. É desse ponto de vista que a vamos encarar mais especialmente, para analisar-lhe as causas e os efeitos. Nisto, como em tudo, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.

Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza, e vai no espaço aperfeiçoar-se ou estacionar, até que deseje esclarecer-se. Alguns, portanto, levam consigo ódios violentos e desejos de vingança. A alguns deles, porém, mais adiantados, é permitido entrever algo da verdade: reconhecem os funestos efeitos de suas paixões, e tomam então boas resoluções; compreendem que, para se dirigirem a Deus, só existe uma senha – caridade. Mas não há caridade sem esquecimento das ofensas e das injúrias, não há caridade com ódio no coração e sem perdão.

É então que, por um esforço inaudito, voltam o seu olhar para os que detestaram na Terra. À vista deles, porém, sua animosidade desperta. Revoltam-se à idéia de perdoar, e ainda mais a de renunciarem a si mesmos, mas sobretudo a de amar aqueles que lhes destruíram talvez a fortuna, a honra, a família. Não obstante, o coração desses infortunados está abalado. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se a boa resolução triunfa, eles oram a Deus, imploram aos Bons Espíritos que lhes dêem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, depois de alguns anos de meditação e de preces, o Espírito se aproveita de um corpo que se prepara, na família daquele que ele detestou, e pede, aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir sobre a Terra os destinos desse corpo que vem de se formar. Qual será, então, a sua conduta nessa família? Ela dependerá da maior ou menor persistência das suas boas resoluções. O contacto incessante dos seres que ele odiou é uma prova terrível, da qual às vezes sucumbe, se a sua vontade não for bastante forte. Assim, segundo a boa ou má resolução que prevalecer, ele será amigo ou inimigo daqueles em cujo meio foi chamado a viver. É assim que se explicam esses ódios, essas repulsas instintivas, que se notam em certas crianças, e que nenhum fato exterior parece justificar. Nada, com efeito, nessa existência, poderia  provocar essa antipatia. Para encontrar-lhe a causa, é necessário voltar os olhos ao passado.

Oh!, espíritas! Compreendei neste momento o grande papel da Humanidade! Compreendei que, quando gerais um corpo, a alma que se encarna vem do espaço para progredir. Tomai conhecimento dos vossos deveres, e ponde todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: é essa a missão que vos está confiada e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe derdes, auxiliarão o seu aperfeiçoamento e a sua felicidade futura. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?” Se permaneceu atrasada por vossa culpa, vosso castigo será o de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós que fosse feliz. Então vós mesmos, carregados de remorsos, pedireis para reparar a vossa falta: solicitareis uma nova encarnação, para vós e para ela, na qual a cercareis de mais atentos cuidados, e ela, cheia de reconhecimento, vos envolverá no seu amor.

Não recuseis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com a ingratidão: não foi o acaso que o fez assim e que vo-lo enviou. Uma intuição imperfeita do passado se revela, e dela podeis deduzir que um ou outro já odiou muito ou foi muito ofendido, que um ou outro veio para perdoar ou expiar. Mães! Abraçai, pois, a criança que vos causa aborrecimentos, e dizei para vós mesmas: “Uma de nós duas foi culpada”. Merecei as divinas alegrias que Deus concedeu à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar. Mas, ah! Muitas dentre vós, em vez de expulsar por meio da educação os maus princípios inatos, provenientes das existências anteriores, entretém e desenvolvem esses princípios, por descuido ou por uma culposa fraqueza. E, mais tarde, o vosso coração ulcerado pela ingratidão dos filhos, será para vós, desde esta vida, o começo da vossa expiação.

A tarefa não é tão difícil como podereis pensar. Não exige o saber do mundo: o ignorante e o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, ao revelar a causa das imperfeições do coração humano.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. É necessário aplicar-se em estudá-los. Todos os males têm sua origem no egoísmo e no orgulho. Espreitai, pois, os menores sinais que revelam os germens desses vícios e dedicai-vos a combatê-los, sem esperar que eles lancem raízes profundas. Fazei como o bom jardineiro, que arranca os brotos daninhos à medida que os vê aparecerem na árvore. Se deixardes que o egoísmo e o orgulho se desenvolvam, não vos espanteis de ser pagos mais tarde pela ingratidão. Quando os pais tudo fizeram para o adiantamento moral dos filhos, se não conseguem êxito, não tem do que lamentar e sua consciência pode estar tranqüila. Quanto à amargura muito natural que experimentam, pelo insucesso de seus esforços, Deus reserva-lhes uma grande, imensa consolação, pela certeza de que é apenas um atraso momentâneo, e que lhe será dado acabar em outra existência a obra então começada, e que um dia o filho ingrato os recompensará com o seu amor. (Ver cap. XIII, nº 19)

Deus não faz as provas superiores às forças daquele que as pede; só permite as que podem ser cumpridas; se isto não se verifica, não é por falta de possibilidades, mas de vontade. Pois quantos existem, que em lugar de resistir aos maus arrastamentos, neles se comprazem: é para eles que estão reservados o choro e o ranger de dentes, em suas existências posteriores. Admirai, entretanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chega um dia em que o culpado está cansado de sofrer, o seu orgulho foi por fim dominado, e é então que Deus abre os braços paternais para o filho pródigo, que se lança aos seus pés. As grandes provas, — escutai bem, — são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus. É um momento supremo, e é nele sobretudo que importa não falir pela murmuração, se não se quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então quando, saído do turbilhão do mundo terreno, entrardes no mundo dos Espíritos, sereis ali aclamado, como o soldado que saiu vitorioso do centro da refrega.

De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Aquele que suporta com coragem a miséria das privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, esmagadas pela ingratidão dos seus. Oh!, é essa uma pungente angústia! Mas o que pode, nessas circunstâncias, reerguer a coragem moral, senão o conhecimento das causas do mal, com a certeza de que, se há longas dilacerações, não há desesperos eternos, porque Deus não pode querer que a sua criatura sofra para sempre? O que há de mais consolador, de mais encorajador, do que esse pensamento de que depende de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar o sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, é necessário não reter o olhar na Terra e não ver apenas uma existência; é necessário elevar-se, pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revela aos vossos olhos, e esperais com paciência, porque explicou a vós mesmos o que vos parecia monstruosidade da Terra. Os ferimentos que recebestes vos parecem simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido: não mais os laços frágeis da matéria que ligam os seus membros, mas os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam, e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se quebrarem com a reencarnação.

Os Espíritos cuja similitude de gostos, identidade do progresso moral e a afeição, levam a reunir-se, formam famílias. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, buscam-se para agrupar-se, como faziam no espaço, dando origem às famílias unidas e homogêneas. E se, nas suas peregrinações, ficam momentaneamente separados, mais tarde se reencontram, felizes por seus novos progressos. Mas como não devem trabalhar somente para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar-se entre eles, a fim de haurirem conselhos e bons exemplos, no interesse do seu próprio progresso. Eles causam, por vezes, perturbações no meio, mas é lá que está a prova, lá que se encontra a tarefa. Recebei-os, pois, como irmãos; ajudai-os, e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo do naufrágio os que, por sua vez, poderão salvar outros.


SANTO AGOSTINHO, Paris, 1862
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