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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Falando sobre milagres

Durante o estudo do livro A Gênese, de Allan Kardec, encontramos no capítulo XIII uma extensa e interessante explicação para os fenômenos conhecidos como milagres. Tendo o Espiritismo por objetivo esclarecer todos os temas, nada mais justo como trazer esse assunto para o blog.

Selecionamos algumas partes do Capítulo XIII de A Gênese e adicionamos os nossos comentários, na tentativa de simplificar o assunto.



"Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar) significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas.

Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder.
"


Conhecemos os milagres como fenômenos fantásticos promovidos pelo poder divino. Do sentido original de "algo admirável", chegou-se ao sentido de "intervenção divina".


"Um dos caracteres do milagre propriamente dito é o de ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. É tanto essa a idéia que se lhe associa, que, se um fato milagroso vem a encontrar explicação, se diz que já não constitui milagre, por muito espantoso que seja."


Por serem fenômenos que, até o momento, eram de natureza inexplicável, atribuiu-se a Deus a sua autoria, visto que só ele teria poder para tal. Depois do surgimento da Igreja Católica, algumas coisas "ruins" de natureza inexplicável foram atribuídas ao poder do Diabo.

Para muitas pessoas, quando um milagre é explicado ele deixa de ser um milagre, pois tomam o sentido de "ação divina" em vez de "admirável" para este termo.


"Aos olhos dos ignorantes, a Ciência faz milagres todos os dias. Se um homem, que se ache realmente morto, for chamado à vida por intervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por ser esse um fato contrário às leis da Natureza. Mas, se em tal homem houver apenas aparências de morte, se lhe restar uma vitalidade latente e a Ciência, ou uma ação magnética, conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado um fenômeno natural, mas, para o vulgo ignorante, o fato passará por miraculoso."


Com o desenvolvimento da ciência e do conhecimento humano em geral, foram se descobrindo as causas de muitos fenômenos considerados miraculosos. Quando Jesus ressucitou Lázaro, será que Lázaro estava realmente morto? Será que não passava por um fenômeno de catalepsia, e que sem os instrumentos corretos para apurar isso, confundiu-se isso com a morte? (Não estou dizendo que foi isso que aconteceu, apenas criando um exemplo. Jesus, sendo um espírito altamente evoluído, não teria dificuldades em entender a situação e corrigí-la, visto que possuía o conhecimento de todas as coisas. E isso não torna o ato menos maravilhoso.)


"Foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa não se conhecia.

[...] Expulso do domínio da materialidade, pela Ciência, o maravilhoso se encastelou no da espiritualidade, onde encontrou o seu último refúgio.

[...] O Espiritismo faz que voltem ao rol dos efeitos naturais os que dele haviam saído, porque, como os outros, também tais efeitos se acham sujeitos a leis.

[...] O Espiritismo, pois, vem, a seu turno, fazer o que cada ciência fez no seu advento: revelar novas leis e explicar, conseguintemente, os fenômenos compreendidos na alçada dessas leis.
"


Mas enquanto uma parcela dos milagres, os de causas materiais, já foram explicados pela ciência, os milagres de causas espirituais ainda continuam velados. Ou continuavam, pois o Espiritismo busca revelar as leis que regem a vida e o mundo espiritual, leis essas que até então desconhecíamos.

O desconhecimento das leis do mundo espiritual permitiu que algumas coisas ainda continuassem sendo classificadas como milagres. Mas nada existe de inexplicável quando passa-se a conhecer tanto as leis que regem o mundo material quando as que regem o mundo espiritual.


"Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? [...] Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.

Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os ilusionistas sabem imitar?
"


Pode-se em um primeiro momento pensar que estamos rebaixando Deus ao dizer que os milagres (no sentido de "intervenções divinas inexplicáveis) não existam. Porém, pelo contrário, ao dizermos isso revelamos ainda mais o seu imenso poder e saberia ao criar leis tão perfeitas para o universo que nem ele próprio precise distorcer para que coisas incríveis aconteçam. A perfeição está presente em toda a obra da criação, e tudo sendo regido por leis imutáveis e perfeitas, só nos resta imaginar tamanha a perfeição do Criador.


"Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários."

"Deus não se torna menos digno da nossa admiração, do nosso reconhecimento, do nosso respeito, por não haver derrogado suas leis, grandiosas, sobretudo, pela imutabilidade que as caracteriza. Não se faz mister o sobrenatural, para que se preste a Deus o culto que lhe é devido. A Natureza não é de si mesma tão imponente, que dispense se lhe acrescente seja o que for para provar a suprema potestade?"


Quanto mais tomamos conhecimento das leis que regem o universo, tanto o material quanto o espiritual, mais percebemos a perfeição em todas as coisas. Tudo o que Deus criou (e segue criando) é perfeito, organizado, sincronizado, eficiente, cíclico e auto-sustentável. Nada é criado sem uma finalidade e o desperdício simplesmente não existe. Isso sim é o verdadeiro milagre, o verdadeiro motivo de admiração pela Divindade.

E para todos que desejam encontrar esses conhecimentos, Deus ainda nos proveu com a Doutrina Espírita, que nos permite hoje, na era do intelecto e da informação, entender o funcionamento de todas as coisas. Pois enquanto a ignorância aprisiona, o conhecimento liberta e faz crescer.

"Conhecereis a verdade, e ela vos libertará", disse Jesus.


"Se tomarmos a palavra milagre em sua acepção etimológica, no sentido de coisa admirável, teremos milagres incessantemente sob as vistas.
Aspiramo-los no ar e calcamo-los aos pés, porque tudo então é milagre em a Natureza.

Querem dar ao povo uma idéia do poder de Deus? Mostrem-no na sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordocom o meio onde ele é posto a viver.

Mostrem-lhes a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica. Mostrem-lhes a sua bondade na solicitude que dispensa a todas as criaturas, por mais ínfimas que sejam, a sua previdência, na razão de ser de todas as coisas, entre as quais nenhuma inútil se conta, no bem que sempre decorre de um mal aparente e temporário.

Façam-lhes compreender, principalmente, que o mal real é obra do homem e não de Deus; não procurem espavori-los com o quadro das penas eternas, em que acabam não mais crendo e que os levam a duvidar da bondade de Deus; antes, dêem-lhes coragem, mediante a certeza de poderem um dia redimir-se e reparar o mal que hajam praticado.

Apontem-lhes as descobertas da Ciência como revelações das leis divinas e não como obras de Satanás. Ensinem-lhes, finalmente, a ler no livro da Natureza,
constantemente aberto diante deles; nesse livro inesgotável, em cada uma de cujas páginas se acham inscritas a sabedoria e a bondade do Criador.

Eles, então, compreenderão que um Ser tão grande, que com tudo se ocupa, que por tudo vela, que tudo prevê, forçosamente dispõe do poder supremo. Vê-lo-á o lavrador, ao sulcar o seu campo; e o desditoso, nas suas aflições, o bendirá dizendo: Se sou infeliz, é por culpa minha. Então, os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, sobretudo, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue, ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas.
"


É difícil, em um resumo, abordar um tema complexo e que se relaciona com outros tantos temas complexos, que talvez podem deixar os iniciantes confusos.

Se houverem dúvidas, postem nos comentários que teremos o maior prazer em esclarecer.

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