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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Porque os vícios são tão nocivos? - O texto definitivo

Praticamente todas as pessoas possuem algum tipo de vício.

Alguns deles são mais prejudiciais, outros menos.

Alguns deles afetam somente o viciado, outros afetam também quem convive com o viciado.

Mas hoje não vamos falar dos tipos de vícios, que são muitos: cigarro, bebida, drogas, remédios, jogos, adrenalina, sexo, café, comida, limpeza, organização, etc.

Hoje vamos falar das motivações e consequências dos mesmos, como forma de melhor entendê-los e nos conscientizarmos sobre o tema, fazendo uma análise racional em vez de sairmos dizendo que tudo é proibido ou que é "pecado".

Todos os espíritas sabem que no Espiritismo não há "permitido" e "proibido". O que há é o esclarecimento das consequências de cada atitude. Cada um usa o seu livre arbítrio para fazer suas próprias escolhas, ao mesmo tempo em que entende que haverá de enfrentar as consequências de seus atos (e depois não adianta reclamar porque sofre...).


- Motivação dos vícios

Todo vício esconde uma motivação, que em essência é sempre a mesma: fugir da realidade.

É comum o uso de substâncias que alteram o estado de consciência, como o álcool, os diversos tipos de drogas, alguns remédios e até mesmo a cafeína quando em doses elevadas. Alterando-se o estado de consciência, o viciado pode temporariamente ignorar a sua realidade e viver em uma realidade alternativa, onde os problemas ficam escondidos e uma sensação de bem-estar engana o cérebro.

Mas esse efeito pode também ser obtido por outros meios, como o consumo de certos alimentos (como o chocolate), o orgasmo, a adrenalina e até mesmo o trabalho e o esporte.

Quem nunca ouviu falar de uma pessoa que trabalhava em excesso, mesmo tendo uma situação financeira estável, e que por consequência passava pouco tempo com a família? Ou uma esposa que passava os dias inteiros limpando a casa, deixando mais esterilizada do que uma sala cirúrgica, enquanto não dialogava com o marido?

Às vezes é necessário sair para correr, ou andar de bicicleta para esquecer um problema. Às vezes é necessário comer um chocolate para animar o dia. Às vezes é bom ocupar a mente com o trabalho enquanto passamos por momentos difíceis na nossa vida.

O problema não está nas coisas, está no uso que fazemos delas.

O problema acontece quando utilizamos essas coisas em uma repetição desenfreada para fugir da realidade. Qual é o problema de tomar UMA taça de vinho? Nenhum, os médicos dizem que é até saudável. Mas precisa beber a garrafa toda? Precisa beber uma garrafa por dia?

Até mesmo a maconha tem exibido caráter medicinal para pacientes com doenças neurológicas e o câncer.

Só que praticamente todas as substâncias que causam alteração de consciência já possuem elementos que estabelecem uma dependência química. Por isso o ideal é que sejam evitadas tanto quanto possível. Mas hoje o foco não é falar disso.


- Consequências dos vícios

Quando nos utilizamos excessivamente de substâncias ou práticas que nos fazem fugir da realidade, criamos uma zona de conforto "virtual". Nessa zona de conforto virtual, estamos livres (ou com menor influência) dos nossos problemas e das coisas que não gostamos.

Nossos esforços passam então a ser para manter essa zona de conforto virtual sempre ativa. Uma compulsão pela anestesia da realidade. O idealizado país das maravilhas.

Isso faz com que a nossa vida fora dessa realidade alternativa seja cada vez mais desagradável, e todas os nossos pensamentos e atitudes passam a focar em como aumentar a nossa estadia na zona de conforto virtual.

Com isso, negligenciamos todo o resto e a nossa vida (que já achávamos ser ruim) passa a ir ladeira abaixo, em um declínio iminente.

Chega então o momento em que a vida real se torna impossível de suportar, e só o vício é capaz de trazer alguma satisfação. Mas essa satisfação já não satisfaz mais, porque por trás dela é possível sentir a agonia de ter uma vida em ruínas. É como olhar um excelente filme em uma televisão com a imagem ruim. Porém para o viciado, é melhor isso do que enfrentar a realidade.

A consequência dos vícios, caro leitor, é que nós nos tornamos escravos deles e deixamos de governar a nossa própria vida. Sim, os seres mais inteligentes do planeta Terra sendo escravizados por uma necessidade de fugir da realidade. Triste né?


- Como sair dos vícios / como não entrar nos vícios

 Tanto para sair, como para não entrar, a resposta é a mesma: GOVERNE A SUA VIDA.

Você é um espírito imortal, criado por Deus para alcançar a perfeição, encarnado na Terra para cumprir com esse desígnio. Se você não se importa com isso, tudo bem, mas pelo menos, ESTEJA NO CONTROLE DA SUA VIDA.

É difícil sair dos vícios, sendo que cada qual tem a sua natureza e as suas particularidades. Não tenha vergonha de pedir ajuda se necessário for.

Mas o principal para se evitar os vícios é combater a "mentalidade viciada".

A "mentalidade viciada" consiste em não enfrentar a realidade como ela é. É buscar uma fuga após qualquer situação desagradável:
- Dia ruim no trabalho, hora de cair na bebedeira.
- O dia está muito tenso, um cigarrinho cai bem pra relaxar.
- Brigou com o companheiro? Melhor dormir para o dia terminar logo.

Quando se aceita e enfrenta a realidade como ela é, evita-se criar essa mentalidade fugitiva, que é o terreno fértil para criar hábitos que com a repetição se tornarão vícios.

Isso não quer dizer que se está tendo um dia ruim ou tenso, precisa ficar sofrendo. Isso seria burrice. Mas faça uma pausa. Tome um ar. Um copo de água. Desacelere. Respire fundo. Dê um alívio de 10 ou 15 minutos para a cabeça, e volte ao trabalho renovado, focado, determinado a resolver os problemas.

Se sabe que determinadas situações vão causar conflitos desnecessários, quem sabe seja melhor evitá-las?


Portanto, tanto para sair como para evitar os vícios, é necessário disciplina e VONTADE. É necessário querer sair/evitar. E com o passar do tempo se torna mais fácil.

Uma alternativa é substituir um vício por um "vício bom".


- Bônus: existe "vício bom"?

Na verdade usamos a palavra "vício" para tudo aquilo que é prejudicial. Neste caso, falando de coisas que fazem bem, podemos utilizar a expressão "hábitos saudáveis".

Existem muitos hábitos saudáveis: filmes, músicas, livros, esportes, meditação, culinária, passeios ao ar livre, e a lista não tem fim.

Tudo isso é fundamental para o nosso bem estar físico e mental, desde que não sejam usados como fuga.

Como vou saber se estou usando um hábito saudável como fuga?

É fácil, basta questionar-se as seguintes perguntas:
- Utilizo este hábito para evitar encarar a realidade?
- Deixo de fazer tarefas importantes para priorizar este hábito?
- Realizo esta atividade de maneira excessiva?
- Sinto-me mal quando não faço isso, a ponto de o meu dia perder o sentido?

Se qualquer uma delas for respondida com um sim, é necessário ficar alerta e evitar que este hábito termine de vez por se concretizar em um vício.


Portanto, caro leitor, deixo agora com você as suas reflexões sobre o tema, para que decida sobre o que de fato é importante na sua vida e o que não é.



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