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quarta-feira, 7 de março de 2012

Por quê sofremos? - Suportar as provas com resignação

"[...]De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.

Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!

Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!

Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.

Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de
fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.

A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria."

Evangelho Segundo o Espiritismo, CAP V, item 4.

"Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupamséculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir.

O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: "Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela." Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido? [...]"

Evangelho Segundo o Espiritismo, CAP V, item 12.

A vida do ser humano caracteriza-se por estar repleta de sofrimentos, de todas as variedades e intensidades. Desde a infância até a velhice, somos acometidos pelas mais variadas formas de sofrimentos. Alguns, são pertinentes às fases do crescimento, como as desilusões amorosas da adolescência, o estresse na meia-idade, e o enfraquecimento físico na terceira idade.

Entretanto, outros sofrimentos, que variam de pessoa para pessoa, nos apontam na direção das dívidas pretéritas, sejam desta vida e/ou de vidas anteriores. Estas dívidas são resultantes do completo mau uso de nosso livre arbítrio.

Todas as nossas ações de hoje, acarretam em consequências para o nosso futuro, pois que "a toda ação cabe uma reação equivalente". E este é o "colher o que plantamos" pregado por Jesus. Quando nossas atitudes são de excessos, desregramentos, negatividade, etc, só poderemos ter consequências desastrosas. Seria equivalente a plantar uma má semente, que edificaria uma má árvore e que só possuiria maus frutos.

Essas "dívidas" que carregamos são referentes ao tempo desperdiçado, nesta encarnação e em encarnações passadas, onde não nos melhoramos em nada, jogando fora estas tantas oportunidades que recebemos da Providência.

O sofrimento é uma das maneiras de quitação desses débitos, pois como se diz popularmente: "a dor ensina a gemer", ou seja, os sofrimentos e dificuldades nos fazem refletir e mudar nossa maneira de agir, obtendo assim o aprendizado necessário, e com isso, evoluindo, progredindo em nossa jornada espiritual.

Portanto, é extremamente necessário suportarmos estas expiações com resignação, ou seja, suportar estas situações incômodas sem reclamações, sem lamentos, buscando a força e a coragem na prece e na fé em Deus, tendo esperança no futuro, pois, dessa forma, iniciamos a compreensão deste sofrimento.

Por continuidade, meditemos e reflitamos até encontrarmos qual o ensinamento que aquele sofrimento vem nos trazer. Qual lição que temos que tirar daquela situação? Esta parte é extremamente pessoal, cada um precisará refletir muito até encontrar este entendimento. Os serviços de atendimento fraterno das casas espíritas podem auxiliar muito neste processo.

Ao suportarmos sem lamentações, e descobrirmos o aprendizado que esta situação nos traz (e o tempo de cada aprendizado varia, podendo levar de dias até anos, sendo proporcional aos nossos erros do passado), concluímos, pelo menos nesta etapa, o aprendizado necessário, e com isso, quitamos uma de nossas dívidas. Gradualmente a situação vai melhorando, até extinguir-se e estarmos aptos a seguir outro aprendizado.

Mas nem só de expiações vive o homem. Após aquirirmos o aprendizado necessário, somos colocados em teste. As chamadas provações (ou testes) é que irão realmente determinar se adquirimos a evolução necessária naquele quesito. Tal como um aluno, que após os estudos trimestrais, é submetido a provas para testar seus novos conhecimentos, o homem também deve provar que aquiriu maturidade e que cresceu com o aprendizado obtido.

E assim, gradualmente vamos nos melhorando, defeito por defeito, eliminando mágoas, extinguindo desafetos, para que possamos sair desta encarnação crescidos, maduros, mais evoluídos. Assim como os alunos buscam concluir o ano passando em todas as matérias, vamos nós também nos empenharmos para não precisarmos repetir o ano.

"O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende-lhe a
curteza e reconhece que esse penoso momento terá logo passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Contrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta, e a dor o oprime com todo o seu peso.

Daquela maneira de considerar a vida (pelo prisma espiritual), resulta ser diminuída a importância das coisas deste mundo, e sentir-se compelido o homem a moderar seus desejos, a contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros, a receber atenuada a impressão dos reveses e das decepções que experimente. Dai tira ele uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, ao passo que, com a inveja, o ciúme e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as misérias e as angústias da sua curta existência."

Evangelho Segundo o Espiritismo, CAP V, item 13.

Por fim, a esperança no futuro é a chave para a resignação. Necessário se faz em compreendermos que somos espíritos, e não homens, e que esta encarnação é apenas uma das muitas necessárias para que cheguemos um dia à perfeição, estando aí sim, livres do ciclo reencarnatório e dos sofrimentos da carne.

Tenhamos esperança que dias melhores virão, e que sempre, SEMPRE "após a tempestade vem a calmaria", e "não esqueçais nunca que, ao lado da mais rude prova, Deus sempre coloca uma consolação" (ESE, Cap XVI, item 14).

"Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.
- Que má sorte! - Eles disseram solidariamente.
- Talvez. - O fazendeiro calmamente replicou.
Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.
- Que maravilhoso! - Os vizinhos exclamaram.
- Talvez. - Replicou o velho homem.
No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.
- Que pena. - Disseram.
- Talvez. - Respondeu o fazendeiro.
No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram.
- Que maravilha! - Os vizinhos congratulavam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.
O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:
- Talvez."

Pararábola Zen-Budista.

Empenhemo-nos a tentar, a todo custo, suportar as dificuldades sem reclamações. "Deus não nos dá cruzes que não possamos carregar". Mas, nos momentos em que as dificuldades parecerem mais pesadas do que nossos braços podem suportar, oremos, buscando na prece e na fé o reforço necessário para conseguirmos a determinação e a coragem necessários para passarmos por estas situações.

"Prece –  Meu Deus, soberana é a vossa justiça: todo sofrimento neste mundo, portanto, deve ter uma causa justa e a sua utilidade. Aceito a aflição que estou provando (ou que acabo de provar) como uma expiação para as minhas faltas passadas e uma prova com vistas ao futuro. Bons Espíritos que me protegem, dai-me a força de a suportar sem murmurar (ou de a lembrar sem queixa); fazei que eu a encare como uma advertência providencial; que ela enriqueça a minha experiência; que abata o meu orgulho e diminua a minha ambição, a minha tola vaidade e o meu egoísmo; que contribua, enfim, para o meu adiantamento."
Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXVIII, item 31.

Obrigado irmãos, por terem concluído esta leitura. Seus comentários serão muito bem vindos.
Que Deus os abençoe.

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